Diante da cor do sol
Meu lago sujo não penetra,
Ele simplesmente está à mercê do sol
Que cega,
E antes que eu procure meu próprio rosto,
Vejo a cor verde
Ao invés dos próprios olhos.
O melhor lugar do mundo
É aquele que lá no fundo
Tem um bocadinho de mato
E lá no fundo
Tem um bocadinho de rio
E lá no fundo
tem um bocadinho de mar
E lá no fundo
Tem um baú
Com um bocadinho
De tudo
Enfrentei furacões com meus vestidos claros
Quem me vê por aí com esses vestidos
estampados
não imagina as grades, os muros
o chão de cimento que eles tornaram leves
Não se imagina a escuridão
que esses vestidos cobrem
e dentro da escuridão os incêndios que retornam
cada vez que me dispo
cada vez que a nudez me liberta dos seus laços.
Dois manos conferem a radiografia de uma tíbia
na pastelaria do bairro enquanto eu pondero
que tipo de pessoa concede passagem
a pedestres aflitos como eu Para
o carro meio de súbito quando tudo está em câmera lenta
e desmunheca na horizontal consentindo preferência,
nessa noite, digo, em quase todas
tenho um sonho horrível
como se acordasse
fosse até a pia do banheiro
lavasse o rosto
e ao enfrentar-me ali
de cabelos revoltos
os dentes cairiam um por um
dominós em série
tentaria em vão segurar as pequenas
peças com as mãos
malabaristas, desastradas
que não conseguiriam deter
a porcelana
sugada com força total pelo ralo
meus dentes pelo ralo, os brincos
de marfim que vovó
separou pra mim