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I don’t know what you’re saying…
Saturday, December 5th, 2009Folha envergonhada
Sunday, June 28th, 2009Depois das acusações contra Dilma Roussef em abril desse ano, a ministra comprovou a mentirada do jornal através de laudos técnicos contratados por ela. O documento, uma ficha contendo crimes de Dilma na época da ditadura, era falso, claro. Pra mim não foi surpresa, pois dava pra ver de longe a grosseria da imagem, mas o problema é que vários idiotas como este acreditam cegamente nesse tipo de coisa. Na Folha de hoje, eles admitiram o erro a pedido de Dilma, mas não deram o devido destaque como fizeram nas acusações.
Segue trecho:
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, encaminhou à Folha dois laudos técnicos, por ela custeados, que apontaram “manipulações tipográficas” e “fabricação digital” em uma ficha reproduzida pela Folha na edição do último dia 5 de abril.
A ficha contém dados e foto de Dilma e lista ações armadas feitas por organizações de esquerda nas quais a ministra militou nos anos 60. Dilma nega ter participado dessas ações. A imagem foi publicada pela Folha com a seguinte legenda: “Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu”.
O laudo produzido pelos professores do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade de Campinas) Siome Klein Goldenstein e Anderson Rocha concluiu: “O objeto deste laudo foi digitalmente fabricado, assim como as demais imagens aqui consideradas. A foto foi recortada e colada de uma outra fonte, o texto foi posteriormente adicionado digitalmente e é improvável que qualquer objeto tenha sido escaneado no Arquivo Público de São Paulo antes das manipulações digitais”.
Que vergonha. O Lula tem razão de duvidar de todas as acusações que a imprensa tem feito contra o senado. No portal do Luiz Nassif tem os detalhes da falsificação. Recomendo.
Paixão no lugar da diplomacia
Tuesday, May 5th, 2009Sabe quando você encontra aquele ex-colega de faculdade que nunca foi seu amigo e sem nenhum motivo aparente, ele te convida pra um churrasco? Na hora você aceita o convite inesperado, mas passados alguns dias, você liga com uma desculpa qualquer e diz que não vai poder ir. Que alívio, não? Afinal, esse dissimulado só queria sua presença diante a churrasqueira. No passado ele elogiava esta sua habilidade, só que ao mesmo tempo falava mal de você. Além disso, as músicas seriam péssimas, junto com os assuntos e pessoas que você não suporta.
Foi isso que aconteceu entre o Brasil e o Irã essa semana.
Depois de passar por cima de entidades judaicas, feministas e homossexuais pra manter na agenda a visita do Irã ao Brasil, o Governo levou um bolo sem aviso prévio do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que estaria aqui nesta quarta-feira.
O Irã é o maior mercado exportador do Brasil no Oriente Médio: entre 2005 e 2007 dobramos as vendas para o país e faturamos mais de 4 bilhões de dólares, mas em 2008, houve uma queda 700 milhões nas vendas em relação a 2007. Fica evidente quem é o interesseiro da história.
O Brasil prometeu igualar o intercâmbio comercial com o país, mas isso não foi atrativo para Ahmadinejad, que alegou que faria a visita após as eleições presidenciais no Irã, ou seja, se for presidente.
Faz sentido evitar o estresse depois dos protestos anunciados e da mágoa diplomática depois da nota óbvia de discórdia do Itamaraty após as declarações de Ahmadinejad na 2º Conferência das Nações Unidas Sobre o Racismo onde o presidente iraniano defendeu a destruição de Israel e a inexistência do Holocausto.
Como conversar de igual pra igual com um maluco desses?
Com futebol.
Se não há paz com diplomacia que venha com afinidade. Afinal, se desde os anos 70 usamos essa máscara, por que não continuar a favor do superávit?
Ainda não ficou claro se houve cancelamento, ou adiamento da visita, mas é melhor que ele nunca venha e se vier, que traga de seu país a única coisa boa: a seleção.

War Pigs
Saturday, May 2nd, 2009Produtores de carne suína pressionaram, e nessa quinta feira, a Organização Mundial de Saúde informou em seu site que a gripe suína não será mais identificada como gripe suína. A doença agora vai se chamar influenza A ou gripe A.
O motivo dessa discussão não é só receio das pessoas pararem de consumir carne de porco, como também a diminuição de negociações de commodities caros e lucrativos utilizados na ração dos animais: o milho e a soja. Muito dinheiro envolvido, claro.
Acredito que a medida seja positiva em meio a uma crise econômica, mas mesmo torcendo a favor, acho difícil mudar o nome de uma doença. É a mesma coisa que pedir para as pessoas falarem “toalete” ou “pênis”. O William Bonner também acha. Nesse mesmo dia, ele declarou que o Jornal Nacional ia utilizar o termo que quisesse para se referir à doença, com um ar de “Ei, OMC, quem manda nesta porra sou eu”.
Não vi o jornal sexta-feira, mas espero que o Sr. Bonner tenha mudado de idéia. No Brasil as pessoas não sabem que lepra é hanseníase e não vão entender que a gripe suína não se pega de porco.
Espero que a dona do boteco aqui da esquina não se deixe enganar, ou talvez William Bonner me prive da minha feijoada aos sábados.
Esquema Daslu: aprenda e aumente seus lucros!
Thursday, April 2nd, 20091) Negocie e compre mercadorias de luxo diretamente das grifes internacionais.
2) Quando receber as faturas originais de seus fornecedores, jogue todas no lixo.
3) Contrate uma Trading Importadora, de preferência de alguém de confiança, para se responsabilizar por suas importações e superfature os produtos em até 94%*.
4) Esconda o nome de sua empresa impresso nos contêineres com uma etiqueta gigante da Trading e sonegue todos os impostos.
Pronto! Agora é só vender seus produtos caríssimos para seus clientes idiotas.
*Esse blog não se reponsabiliza pela inspeção da RF dos contêineres contendo a mercadoria, valores e faturas originais. Somos do Marketing.
Dá liçença?
Thursday, January 29th, 2009Na última segunda-feira, o governo decidiu que o Brasiu não era mais um país globalizado e transmitiu uma notificação via sistema exigindo licença previa de importação para todos os produtos do mundo.
A desculpa era “monitorar estatisticamente” as importações e exportações no país e blabla, em outras palavras, déficit na balança comercial pela terceira vez consecutiva no mês não estava nos planos de um final de mandato.
A licença de importação, LI, é um dos grandes pesadelos de quem tenta não fazer contrabando neste país: trata se de mais um código numérico que se transforma num papel ( também chamado de documento), exigido normalmente para produtos químicos, alimentícios e medicamentos. Essa licença demora de dez a SESSENTA dias úteis para ser analisada para posterior liberação da mercadoria importada e pode ser indeferida por uma vírgula a mais.
Essa medida prova mais uma vez a sem noçãozisse do governo diante dos tramites de comercio internacional no país.
Imagino que entre a divulgação dos dados da balança comercial e a divulgação da idéia genial não demorou um dia. Algo do tipo:
M – Alô, Ramalho? Que porra é essa de déficit de novo? O chefe quer superávit!
R – Mas estamos em crise, ninguém quer nossos commodities e…
M – Precisamos urgentemente fazer alguma coisa pra diminuir essas importações, hein?! Você vai cuidar disso essa semana…eu to ocupado. O barba tá uma onça aqui…
R – Mas…
…tu tu tu tu tu…
Ramalho, sem saber o que fazer, vai dar uma volta pelo Ministério do Desenvolvimento pensando num meio de não perder seu cargo, então se depara com um funcionário público da Secex carimbando papéis:
R – Há quanto tempo o sr. trabalha aqui?
FP – Desde os tempos da Cacex, uns 30 anos.
R – Interessante. O que o sr. acha que pode ser feito para diminuirmos as importações no país a curtíssimo prazo?
FP – Hmmm…poderia se exigir esse papel aqui de todos os importadores, olha. Antigamente era obrigatório..atualmente não faz mais sent…
R – Licença de importação prévia? Boa! Obrigado!
Ramalho esfrega as mãozinhas e corre até sua sala para telefonar pra um de seus auxiliares:
R – Camargo! Avise os técnicos que enviem um notificado aos importadores exigindo uma tal da LI prévia para todos os produtos, mas faça isso via aquele sistema lá, não quero o legislativo envolvido nisso…
C – Sr., acho uma medida muito radical, precisamos analisar o caso e não temos funcionários suficientes na Secex para a análise dessas licen…
…tu tu tu tu tu…
2 dias depois…
M – Mas que porra vocês inventaram, Ramalho? Protecionismo? E todo nosso discurso de barreiras abertas se tornou hipócrita? Se a Europa, Eua e China não conseguirem nos vender nada vão contatar o a Onu, o FMI o papa e o caralho a quatro. Além disso não vão comprar mais porra nenhuma nossa.
R – M m mas..eu não sabia o que…
M – Não me fode! Não to aguentando esses merdas da Fiesp e a imprensa na minha orelha, isso sem falar do barba. Hoje nós vamos fazer um pronunciamento pra imprensa fingindo que estávamos cientes do que fizemos e no final vamos anunciar que tudo vai voltar ao normal.
R – OK, foi mal…
…tu tu tu tu tu…

Até quando vamos ter que aguentar nosso poder executivo brincando de telefone sem fio? E esses jogos de poder?
Eles deveriam exigir dos importadores paciência e uma só LI: licença a incoerência.
