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Dá liçença?

Thursday, January 29th, 2009

Na última segunda-feira, o governo decidiu que o Brasiu não era mais um país globalizado e transmitiu uma notificação via sistema exigindo licença previa de importação para todos os produtos do mundo.
A desculpa era “monitorar estatisticamente” as importações e exportações no país e blabla, em outras palavras, déficit na balança comercial pela terceira vez consecutiva no mês não estava nos planos de um final de mandato.

A licença de importação, LI, é um dos grandes pesadelos de quem tenta não fazer contrabando neste país: trata se de mais um código numérico que se transforma num papel ( também chamado de documento), exigido normalmente para produtos químicos, alimentícios e medicamentos. Essa licença demora de dez a SESSENTA dias úteis para ser analisada para posterior liberação da mercadoria importada e pode ser indeferida por uma vírgula a mais.

Essa medida prova mais uma vez a sem noçãozisse do governo diante dos tramites de comercio internacional no país.

Imagino que entre a divulgação dos dados da balança comercial e a divulgação da idéia genial não demorou um dia. Algo do tipo:

M – Alô, Ramalho? Que porra é essa de déficit de novo? O chefe quer superávit!
R – Mas estamos em crise, ninguém quer nossos commodities e…
M – Precisamos urgentemente fazer alguma coisa pra diminuir essas importações, hein?! Você vai cuidar disso essa semana…eu to ocupado. O barba tá uma onça aqui…
R – Mas…

…tu tu tu tu tu…

Ramalho, sem saber o que fazer, vai dar uma volta pelo Ministério do Desenvolvimento pensando num meio de não perder seu cargo, então se depara com um funcionário público da Secex carimbando papéis:

R – Há quanto tempo o sr. trabalha aqui?
FP – Desde os tempos da Cacex, uns 30 anos.
R – Interessante. O que o sr. acha que pode ser feito para diminuirmos as importações no país a curtíssimo prazo?
FP – Hmmm…poderia se exigir esse papel aqui de todos os importadores, olha. Antigamente era obrigatório..atualmente não faz mais sent…
R – Licença de importação prévia? Boa! Obrigado!

Ramalho esfrega as mãozinhas e corre até sua sala para telefonar pra um de seus auxiliares:

R – Camargo! Avise os técnicos que enviem um notificado aos importadores exigindo uma tal da LI prévia para todos os produtos, mas faça isso via aquele sistema lá, não quero o legislativo envolvido nisso…
C – Sr., acho uma medida muito radical, precisamos analisar o caso e não temos funcionários suficientes na Secex para a análise dessas licen…

…tu tu tu tu tu…

Gorverno cria barreira…

2 dias depois…

M – Mas que porra vocês inventaram, Ramalho? Protecionismo? E todo nosso discurso de barreiras abertas se tornou hipócrita? Se a Europa, Eua e China não conseguirem nos vender nada vão contatar o a Onu, o FMI o papa e o caralho a quatro. Além disso não vão comprar mais porra nenhuma nossa.

R – M m mas..eu não sabia o que…

M – Não me fode! Não to aguentando esses merdas da Fiesp e a imprensa na minha orelha, isso sem falar do barba. Hoje nós vamos fazer um pronunciamento pra imprensa fingindo que estávamos cientes do que fizemos e no final vamos anunciar que tudo vai voltar ao normal.

R – OK, foi mal…

…tu tu tu tu tu…

comofas

Governo suspende…

Até quando vamos ter que aguentar nosso poder executivo brincando de telefone sem fio? E esses jogos de poder?

Eles deveriam exigir dos importadores paciência e uma só LI: licença a incoerência.

Entendendo a crise: um exemplo prático.

Friday, September 26th, 2008

Imagine um ponto de drogas, uma boca no meio da favela da Vila Califórnia onde o dono é conhecido como Bucha. Bucha costumava vender drogas para blogueiros, pastores de igreja e atores globais que, por medo da exposição, costumavam pagar rapidamente.

A bocada estava meio devagar, pois um árabe fez alguns ataques, difamando seu produto numa lista de discussão da internet chamada al qaeda. Para levantar a moral e aumentar a lucratividade, Bucha decidiu vender pó fiado a outros tipos de clientes, como pessoas com graves problemas de dependência química, desempregados e jornalistas que faziam matérias por ali. Com isso, aumentou sua fatia de mercado e começou a cobrar o dobro desses caras para compensar o crédito fornecido.

O plano deu certo, em pouco tempo a popularidade da boca de Bucha aumentou e seus fornecedores, traficantes maiores, ficaram tão empolgados com a crescente demanda que começaram a adiantar a mercadoria para ele em troca da enorme dívida de seus clientes nóias. Depois, para negociar os lotes de drogas, esses traficantes repassaram as garantias dos nóias do Bucha aos produtores de farinha, que repassaram pra galera da torre de quinta, que repassaram para os plantadores bolivianos, que repassaram para a Narcisa Tamborengere.

Assim, sem ninguém saber a origem, essas dívidas nóias foram repassadas até se tranformarem em fundos de pensão, fundos de investimentos, cdb, rbd, dst, fhc, títulos, ações, debêntures, derivativos da bm&f, créditos de celular, tickets de refeição, opções da bovespa e muitas outras siglas e recebíveis negociáveis em camelôs, bancos e bolsas de valores em mais de 50 países ao redor do mundo como se fossem garantias sérias de que alguém pagaria alguma coisa algum dia.

Enfim, pressionado pelos credores e sem clientes (estavam todos mortos), Bucha declara a falência de sua boca e todos descobrem que esse dinheiro simplesmente não existe: são as dívidas daqueles junkies sujos malditos que não pagaram pelo pó consumido e morreram de overdose. É isso. Agora ninguém confia em mais ninguém.

Dúvidas?

Desburrocracia

Saturday, September 6th, 2008

Quando ouvir algo do tipo “recuo de 4% na bovespa devido ao pessimismo do mercado global blábláblá” saiba que estão dizendo elegantemente que…

voltamos ao bom e velho patamar de “país quaaaaaase desenvolvido”, ou “coito interrompido”, ou “na trave” como preferir…
é isso.

Preço do sexo

Monday, August 11th, 2008

Não tem Brasil no estudo, mas creio que estaria entre os mais baratos…

World’s Most Expensive Places to Have Sex

 

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