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sobre jornalismo…

Hoje acabei de ler um daqueles Cadernos de Comunicação, que prefeitura editava na gestão do Cesar Maia. O que li foi sobre o jornal Diário de Notícias, jornal conservador do Rio de Janeiro que acabou na época da ditadura militar por problemas financeiros (e se quiser ler, tem o pdf aqui). É bacana ler o depoimento de jornalistas no começo da carreira, ver os perrengues que passaram e como eles se viraram na carreira pra eu poder contextualizar melhor onde tô hoje na profissão e como funciona o dia-a-dia de uma redação.

Tá certo que os caras viveram outros tempos, passavam 20 anos na mesma empresa, com o mesmo chefe, fazendo a mesma coisa e que o jornalismo da época era diferente daquele feito hoje, mas consigo traçar paralelos e entender como tá o Jornal do Commercio hoje.

Primeiro, o Diário de Notícias era um jornal “criado para os militares” segundo Tobias Pinheiro, que já foi editor-chefe da publicação, por Orlando Dantas. O público dele era a classe média da época: servidores públicos, civis, militares e juízes. Ele se opôs a quase todos os governos desde sua criação em 1930. Chegou a funcionar onde hoje é a Folha Dirigida, que era inicialmente o suplemento de educação do Diário.

(Vendo essa posição contrária ao governo entendo melhor O Globo dos dias de hoje, que quer apontar tudo aquilo que ele julga de errado no governo Lula. Andava com certa birra por causa dessa posição editorial “porque jornalismo tem que ser imparcial”, mas talvez raras ele, o jornalismo, tenha sido assim de verdade…)

O Jornal do Commercio é uma publicação voltada ao empresariado (seja o grande, médio ou pequeno) que quer munir ele com informações econômicas e políticas do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e do mundo. Hoje ele é enxuto tanto na quantidade de cadernos quanto no número de páginas, por causa dessa crise que tá se abatendo sobre o mercado jornalístico.

Suas editorias são Economia, Economia Internacional, País, São Paulo e Rio de Janeiro no primeiro caderno. No segundo ficam as editorias de Mercado (bolsa de valores), Empresas (quanto as companhias estão investindo e onde) e Tecnologia (com aparelhos tecnológicos), Direto e Justiça (que são os olhos da casa do dono do jornal, que é advogado), Leilão (com compra e vendas de bens), Carreiras (com dicas e informações para executivos), Gerência (com sugestões administrativas para as pequenas e médias empresas), Lojista (para os varejistas) e Seu Negócio (sobre pequenas e médias empresas e franquias). Nas edições de final-de-semana tem também o caderno de Artes & Espetáculos, que já foi mais gordo, mas por cortes, hoje tem menos páginas. Já teve caderno de Educação também, acho que uns 10 anos atrás (aparentemente era normal alguns jornais ter um suplemento só para educação. O Diário de Notícias também tinha).

O jornal é de “centro-direita” mas acho que apóia todos que estejam no governo, seja o FHC ou o Lula, o Serra ou a Dilma. Quando entrei, era o terceiro maior jornal econômico do Brasil, estando atrás apenas do Valor Econômico (claro) e da Gazeta Mercantil (que faliu, infelizmente. meu pai começou lá e foi da “turma dos célebres jornalistas que sairam de lá”). Mais humilde, JC tem que batalhar pra ficar no mercado, porque o desconhecimento sobre ele é grande. No dia-a-dia vejo poucas pessoas com ele, apesar de ser um bom jornal. Conhecida minha que estudou filosofia lia ele, gostava das partes de política (que noticia algumas coisas antes do Globo, por exemplo). Um velhinho que conversei dia desses mandou um “é um jornal com muita economia, não é? não gosto não”, mas ele não sabia que tinha política lá. E porra, na moral, é essencial saber sobre economia hoje… nego acha que jornal é só pra noticiar matéria sobre crime e corrupção. Que jornalismo é só o “jornalismo investigativo”, que ele tem que ser o “quarto poder”. Com economia você vê que o País tá se movendo (ou não) e para onde.

Na real não sei se falo tudo que penso sobre o jornal e a administração dele não… porque vai que interpretam algumas críticas minhas de forma errada e sou demitido? Tá rolando isso com muita gente ultimamente… Então deixo as críticas para mim, melhor.

Foda que quanto mais começo a estudar e divagar sobre jornalismo, mais assunto tenho: crise no jornalismo, ciberjornalismo, jornalismo colaborativo, luis nassif, reinaldo azevedo… é complicado, porque tenho que ter posições também sobre os jornalistas. Mas vou me concentrar no trabalho e no dia-a-dia e tentar não me envolver demais nessas questões.

fogo no camelódromo da central do Brasil

passei hoje lá e tavam demolindo o lugar. cheiro de queimado danado… lá era terra de ninguém mesmo, mas tinha vários produtos do dia-a-dia úteis pacas (tipo benjamins e outras paradas para eletroeletronicos que não encontrei nem no walmart. outra banca tinha vários acessórios pra cozinhas). algumas lojas eram bem organizadas, e esse camelódromo tinha mais diversidade que o da uruguaiana, que tem zilhões de bancas com cds piratas. tinha uma loja que vendia negresco mais caro do que no walmart, e ainda não davam nota fiscal. era de uns africanos, não sei de onde, só sei porque um dos caras que vendiam era um negão alto pra caralho com sotaque forte e tatuagem do brasil no braço. deve ser um desses africanos que moram no subúrbio.

com sorte o fogo não pegou no posto de gasolina que fica ali do lado. também não pegou um imóvel que vende gelo (deve ter evaporado tudo). vão demolir um dos hotéis chumbregas que tem na região, porque ele ficou bem danificado. esse hotéis eram só prostíbulos mesmo, com aquelas mulheres magras, vestidas com roupas de tamanho infantil, que ficavam na porta esperando os clientes. devia cobrar R$ 5 por programa, sei lá… hoje vindo pra cá um cara fodido ria: “vão demolir o meu hotel, onde fico com as minhas meninas”. uma mulher, talvez dona de uma das bancas que tavam demolindo, tava inconsolável perto ali perto. sempre penso em andar com a câmera porque tem umas figuras incríveis…

o paes quer ampliar o terminal rodoviário dali e fazer uma espécie de mercadão de madureira ali perto, só que não acho que tenha lugar não…

(mais fotos aqui)