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Luther Blissett no Estadão

Ontem (28/3), Luther Blissett conseguiu destaque na seção de cartas do Estadão.

Não entendeu? Se liga.

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O samba em pessoa

Reproduzo aqui o texto que eu fiz para o Sou Vai Vai da queridíssima Renata Camargo. Aproveita e inclui o Sou Vai Vai nos seus favoritos.

Sambista é pouco para definir Osvaldinho da Cuíca. Além de exímio músico no instrumento que lhe dá apelido, Osvaldo Barros também se destaca como cantor, compositor e passista. Vê-lo ao vivo é presenciar um artista completo em cima do palco. Além de tudo, Osvaldinho é a história e memória viva do samba de São Paulo.

Ao longo de sua carreira, atuou em programas de rádio, televisão, gravações, shows e festivais, tocando com grandes artistas brasileiros, como: Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Adoniran Barbosa, Geraldo Filme, Germano Mathias, Ismael Silva, Nelson Cavaquinho, Cartola, Zé Keti, Nelson Sargento, Elton Medeiros, Clementina de Jesus, Beth Carvalho, D. Ivone Lara, Toquinho e Vinícius de Moraes, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, João Nogueira, Zeca Pagodinho, Lecy Brandão e Eduardo Gudin, entre outros.

Para celebrar seus 70 anos, ele lançou no início de março o cd ”Osvaldinho da Cuíca 70 anos”, seu oitavo disco de composições próprias. Com produção do próprio artista e do excelente Quinteto em Branco e Preto, o trabalho traz um Osvaldinho livre, leve e solto, transitando em várias vertentes do samba: tradicional, rural, partido alto, samba enredo e até samba rock. Entre as 13 faixas, destaque para as inéditas “A Cuíca do Maninho”, “Acorda Brasil”, e “Partido Baixo”. Mas há também espaço para regravações, caso de “Vá Cuidar da Sua Vida” e “A Morte do Chico Preto”, ambas de Geraldo Filme, e de “Ronco da Cuíca”, parceria de João Bosco e Aldir Blanc.

Vida
Nascido durante o carnaval de 1940, no bairro do Bom Retiro, Osvaldinho começou a frequentar rodas de samba e cordões carnavalescos na adolescência. Em 1959, ingressou no Teatro Popular de Solano Trindade, onde se dedicou à cultura afro-brasileira. No mesmo ano, junto ao grupo de Monsueto Menezes, participou da trilha sonora do filme “Orfeu Negro”, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes e do Oscar de melhor filme estrangeiro. Poucos anos depois, em 1967, entrou para o Demônios da Garoa, onde permaneceu até 1999. Foi eleito o primeiro “Cidadão Samba de São Paulo”, em 1974, no concurso promovido pela secretaria de turismo da cidade. No mesmo ano, gravou seu disco de estréia como intérprete, produzido por Marcus Pereira.

Foi na década de 70 que Osvaldinho teve sua historia gravada em tres escolas de samba paulistanas. Em 74 ajudou a fundar a Gaviões da Fiel, em 75 fundou a Ala de Compositores do Vai- Vai e, no ano seguinte, também ajudou na fundação da Acadêmicos do Tucuruvi. Apesar de ter sido fundamental na formação dessas co-irmãs, Osvaldinho não cansa de declarar que seu coração bate pela Saracura do Bixiga.

Mas foi a partir dos anos 90 que Osvaldinho passa a ser reconhecido como uma inesgotável fonte de conhecimento a respeito do samba de São Paulo. Em 1997, intensifica suas pesquisas sobre a memória do samba paulista, participando do roteiro e filmagens de um documentário sobre o sambista Geraldo Filme – grande personagem do Vai -Vai.

Através de uma parceria com o CPC-UMES realizou, em 1999, a produção do CD “A História do Samba Paulista – I”, escrevendo e dirigindo o espetáculo teatro-musical de mesmo nome, apresentado no Teatro Denoy de Oliveira, em São Paulo. Em 2009, juntamente com o historiador André Domingues, escreve o livro Batuqueiros da Paulicéia, que narra a história e resgata personagens do samba paulistano. Aos 70 anos, Osvaldinho parece não ter planos de se aposentar.

O samba, e a gente, agradece!

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Cidade Sampa


Foto do Samba do Mês no Jd. Ipanema, Zona Leste

Há tempos venho pensanso o quão injustiçado é o samba feito em São Paulo. A impressão que eu tenho é que boa parte da opinião pública realmente acreditou naquela afirmação esdrúxula que “SP é o túmulo do samba”. Confesso que eu não sei de quem é mais ignorante: quem falou ou quem acreditou. Talvez ambos. Certa vez, num encontro casual com Ariano Suassuna, este me disse que a verdadeira São Paulo, a São Paulo profunda era muito rica culturalmente. Que a classe dominante paulista – e eu diria que isso acontece em qualquer lugar – era dotada de muito preconceito. É verdade. O povo do rap não me deixa mentir.

Mas e o samba? É só dar um rolê depois do expediente pelo centro numa sexta-feira e ver que a maioria dos happy-hours nos botecos tem uma roda de samba animando o pessoal. Nas periferias de todas as zonas – leste, norte, sul e oeste – o samba acontece semanalmente, diariamente. Tenho afirmado que nunca vi tanta roda de samba com novos compositores como se tem hoje em dia. Pelas minhas contas, são cerca de 40 rodas só com músicas e letras de autoria própria. É bastante coisa e deve ter muito mais que eu nem fiquei sabendo. Antenado como sempre, em janeiro, o Sesc organizou um festival com parte dessas comunidades sambistas.

Para a imprensa de forma geral, samba paulista só acontece no carnaval. E a cobertura trás sempre a mesma ladainha: “o carnaval de SP evoluiu, tá quase igual ao do Rio”. O carnaval do Rio é maravilhoso, mas é uma comparação sem sentido. São histórias e realidades muito diferentes que valem um texto a parte. Quem acompanha este blog sabe que eu sou Vai Vai – apesar de ter um profundo respeito pela Camisa Verde e Branco e Nenê de Vila Matilde. Sem falar nas escolas guerreiras dos grupos de acesso, I, II III e IV que acreditam no samba e no carnaval mesmo com todas as dificuldades.

Nos últimos anos tenho visto de perto o trabalho que é montar um carnaval, criar uma infinidade de coisas para um desfile de pouco mais de uma hora. Com o objetivo de compartilhar esse trabalho e manter viva a conversa sobre o carnaval fora do período festivo, a jornalista Renata Camargo criou o blog Sou Vai Vai. Não poderia haver um slogan/subtítulo melhor: “Nosso carnaval durante 365 dias”. Dá uma sambada lá!

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Daqui.

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