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‘O samba em forma de pessoa’

O título do post é a definição que uma mulher dá para a palavra mulata no documentário “Mulatas! Um tufão nos quadris”. O filme mostra relatos de 13 passistas, além do pesquisador Sérgio Cabral, do gerente do Plataforma, Alberico Campana, onde acontece o único show permanente de mulatas, e do engenheiro Edson Marcos de Andrade, que está no oitavo casamento com uma passista.

Entre as personagens, destaco essas quatro do release:

Tânia Bisteka. Vice-presidente de eventos e coordenadora da ala de passistas da Mangueira. Aos 36 anos, fez seu último desfile como passista no Sábado das Campeãs de 2010. Tem uma das histórias mais ricas, com longas viagens ao exterior e um grande conhecimento do mundo do samba. Solitária, usa a fama e a trajetória no carnaval para espantar a melancolia.

Sonia Capeta, 50 anos, até hoje desfila na Beija-Flor. Ex-rainha de bateria, ela é uma celebridade na escola, mulata antológica. No ensaio técnico na Sapucaí exibiu à nossa câmera seu passo único, que balança o quadril como num liquidificador. “Só a Capetinha faz isso”, garante.
Nilce Fran, 45 anos, é a mestra “Yoda” que garante o futuro da arte do passo no samba. Formadora de várias gerações de passistas, contou sua trajetória, com longas temporadas no exterior, a angústia pela distância do filho de saúde frágil e a solidão da vida na estrada. Mantém, na Portela – onde é coordenadora da ala de passistas – uma turma de seu projeto profissionalizante, o Primeiro Passo. “Mulata já foi raça, hoje é profissão”, afirma.

Rose Bombom, 21 anos, da Grande Rio, impressiona pela história de vida, que mistura alegria e tragédia em doses generosas. Abandonada pela mãe aos oito meses, vive com a avó e ajuda a criar oito crianças, suas primas, num pequeno barraco no Parque Centenário, favela de Caxias. Conta que foi vítima de racismo ao ser confundida com prostituta em Copacabana. Mas não lamenta seu destino – ao contrário vive de bom humor, sempre com um sorriso marcante.

Ana Perola, 24 anos, da Mocidade Independente, divide-se entre o sonho da vida nos shows e a realidade do cotidiano como gari da Comlurb, no Rio. Dá expediente no Centro Administrativo da Prefeitura carioca, onde muitos a saúdam e incentivam pelo ofício de mulata, mas alguns ainda destilam preconceito. “Somos confundidas com prostitutas”, admite, num lamento.

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