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Vida de gado

*Texto de Vinicius Gonçalves.

“Como faço há alguns anos, cumpri meu ritual quando há jogo do São Paulo em casa. Adquiri meu ingresso com antecedência, sem fila, e domingo, após o almoço e o incrível final da F1 em Interlagos, me encontrei com alguns amigos e seguimos para acompanhar a partida do Tricolor.

Preferimos a arquibancada vermelha, pela facilidade de estacionamento e pelo deslocamento na saída. Mas desta vez, quando chegamos, cerca de 40 minutos antes do início da partida, notamos com estranheza o portão 15 fechado. Numa estimativa de quem freqüenta o local, umas cinco mil pessoas se amontoavam ali, do lado de fora, em busca de informações e de adentrarem o estádio aos seus respectivos lugares.

Após alguns minutos, tem início um empurra-empurra. Como gado a caminho do abate, as pessoas começam a ter acesso à rampa, em direção às catracas. A Polícia Militar controla a entrada dos torcedores intermitentemente e afasta os mais afoitos com golpes de cacete, o famigerado “borrachão”.

O processo não é dos mais rápidos e os torcedores vão ficando impacientes. O tumulto aumenta quando a partida tem início e as pessoas do lado de fora começam a ouvir os gritos da torcida dentro do estádio. Ali, na bagunça, famílias tentam proteger crianças de algo pior e prover-lhes um pouco de ar fresco. Garotas, mais baixas, começam a passar mal.

Acabo por não acompanhar o desenrolar da história, pois minha vez chegou e sigo com a massa para a revista e na seqüência apresento meu ingresso a um fiscal. A catraca não funcionava e ele executa a liberação manualmente. E somente no acesso para a arquibancada do Setor Amarelo.

Já nos corredores internos, me junto a alguns torcedores no portão que divide os setores amarelo e vermelho para ter acesso ao que meu ingresso deveria me garantir. O funcionário do estádio, protegido pelas grades, não permite o acesso ao Setor Vermelho e não dá informações, nada além de “está lotado”. Oras, como está lotado se, teoricamente, ainda não ocupei meu assento de direito?

Com o jogo em andamento, acabo por desistir de reclamações ali e sigo para um assento amarelo qualquer, a maioria deles ocupado, por sinal.

Durante toda semana, elenco e diretoria do SPFC, além da imprensa, conclamaram a torcida a irem ao Morumbi prestigiar e apoiar o time nesta reta final. Sou freqüentador assíduo e estou descontente com o que se passou. O que dizer então de tantos outros que poderiam adquirir o hábito, de pais que convidam suas esposas e filhos e são obrigados a passar por tanto constrangimento, para não falar do risco, de se aventurarem num domingo chuvoso a condições tão inóspitas?

O Estatuto do Torcedor e o Código de Defesa do Consumidor exprimem os deveres e as condições de execução de espetáculos esportivo-culturais. A diretoria São-paulina não estava ali presente, ou teve atuação discreta. A BWA, com seu nome impresso no ingresso, talvez responsável pela organização, não se manifestou. A PM não garantiu a segurança daquelas pessoas. Numa hora dessas, desrespeitados pelos organizadores do jogo e sem o amparo do Poder Público, a quem podemos recorrer?”

Vinicius Gonçalves

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Futebol Americano no Brasil

No último sábado rolou a primeira taça de Futebol Americano no estádio Ítalo de Castro Melo, em São Paulo. Jogaram São Paulo Storm x Sorocaba Vipers e o time da capital levou a melhor com 26 a 14. A taça recebeu o nome de André José Adler, ex-narrador da ESPN e grande incentivador desse esporte no Brasil. Cerca de 1.200 pessoas acompanharam a peleja. Um sucesso para aqueles que acreditam no futuro do Futebol Americano na terra do samba e do “soccer”.

Confira abaixo a matéria da ESPN com mais detalhes sobre o jogo.

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Nova revista na praça

Manja a viagem que você fez nas últimas férias ou feriadão prolongado ? Então, as histórias, dicas, causos, micos e fotos que rolaram podem render um troco a mais para o seu bolso.

Isso porque desembarcou há pouco mais de uma semana, nas bancas de todo o país, a revista Minha Viagem. Cerca de 80% do conteúdo foi produzido por gente como você, eu ou aquele tio que sempre viaja com a esposa e os filhos. A proposta da revista é justamente ter a maior parte do conteúdo produzido por leitores e eles ainda pagam por isso.

De acordo com uma escala de assuntos e temas, o leitor pode faturar até R$ 1.000,00 com sua história. Comprei o primeiro número da Minha Viagem e gostei, inclusive, o preço de R$ 5,00 é bastante atrativo pelo fato de ser uma revista mensal. O formato da publicação é aquele menorzinho, como a revista Gloss, Criativa e Joyce Pascowitch.

Se a internet passa por um momento de “comunicação colaborativa”, nada impede que algumas mídias tradicionais também sigam pelo mesmo caminho.

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