02 de fevereiro de 2012. Exatos 15 anos da morte de Francisco de Assis França, o Chico Science. Nessa época, eu dormia com o rádio do meu quarto ligado. Acho que ainda na madrugada, ouvi o locutor da 89 FM falar sobre o acidente que ele tinha se envolvido. Voltei a dormir, sem entender direito o que aquilo significava. Lembro de no dia seguinte, receber ligações de alguns amigos perguntando se eu estava bem, como se um parente próximo tivesse falecido. Fazia pouco mais de dois meses que eu havia terminado o colegial (não era Ensino Médio). Os amigos me ligaram porque sabiam que eu era um grande entusiasta da música pernambucana, motivado principalmente, pelo Chico Science. Estamos falando de 1997. Não havia MP3 e a internet era algo incipiente. Dentro desse panorama, comecei a montar, por volta de 95, um grande arquivo de VHS e recortes de jornal e revista com notícias envolvendo o movimento manguebit – que depois seria muito útil no meu TCC da faculdade.
A primeira vez que eu vi e ouvi Chico Science & Nação Zumbi foi em 1993, no Aeroanta – no bairro de Pinheiros. Fui com uns caras mais velhos do meu bairro e lembro de não ter curtido o som. Puro preconceito juvenil. Era uma época que eu me interessava somente por “rock pesado”. Pouco depois, lembro de ter escutado a faixa “Da Lama Ao Caos” na MTV e fiquei arrebatado pelo som das guitarras com os tambores. Foi o bastante para eu virar fã da banda e de todo a cena que eles representavam.
Hoje, quinze anos depois, continuo um grande apreciador, um pouco mais distante, de todo o rebuliço musical que o CSNZ causou na música brasileira. Salve Chico Science!
Esse foi o segundo show que eu vi deles. Esse eu curti muito.
Gosto muito do trabalho da Karina Buhr, desde os tempos de Eddie e Comadre Florzinha (depois Cumade Fulozinha). O segundo disco dela, Longe de Onde, tá na minha lista de melhores de 2011. Se liga no clipe da música que abre o disco:
Essa galera aí embaixo são moradores de um acampamento em São José dos Campos. Essa foi a maneira como eles se prepararam para se defender da reintegração de posse que deve ser feita pela PM. Reparem atentamente nas caneleiras de PVC, nos escudos e nos capacetes. Já é a imagem do ano e, quiçá, da década.
Update: se liga no pedaço de pau com vários pregos bem no meio da foto. A galera não tá para brincadeira.
Fala a verdade, tem dia mais esperado que a sexta-feira? Se bobear, a sexta-feira é até mais esperada que o próprio sábado, afinal, ela é o prenúncio do final de semana e a certeza de que a semana acabou. Sextas de janeiro ainda têm a vantagem do verão, que é a estação mais aguardada do ano. Essa época, para mim, representa chegar em casa com o dia claro, galera mais descontraída com o calor e, principalmente, o pré-carnaval. Aliás, este blog está oficialmente em período pré-carnavalesco e alguns dos próximos posts – até o carnaval – falarão desse tema.
E já que estamos falando de comida, quero saber qual a melhor comida de rua do Brasil? Meu voto é pro acarajé, que eu considero a iguaria de rua mais complexa e mais saborosa. E aí, em quem vocês votam? Caso você prefira alguma opção que não esteja listada, coloque nos comentários a sua escolha.
No início desta semana, o Rafa me pediu uma lista dos melhores sambas na minha opinião. Ele queria mostrar para uma amiga mexicana quais são os sambas fundamentais. Aproveito que hoje, dia 2 de dezembro é o Dia Nacional do Samba e coloco aqui as minhas indicações. Aliás, bem interessante o porquê desse Dia Nacional do Samba. Ele surgiu por iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. Ary já tinha composto seu sucesso “Na Baixa do Sapateiro”, mas nunca havia posto os pés na Bahia. Esta foi a data que ele visitou Salvador pela primeira vez.
Voltando para a lista, ela está longe de contemplar todas as possibilidades de melhores, mas priorizei aqueles com os quais eu tenho maior afinidade, uma relação sentimental. Misturei pagode, samba-enredo, samba de roda, etc. Abaixo o meu Top Ten Samba – não estão em ordem de preferência:
- União da Ilha – “De Bar em Bar, Didi um Poeta”
Em primeiro lugar, o intérprete desse samba-enredo é Aroldo Melodia, um dos maiores puxadores de samba do Rio e, obviamente, do Brasil. Gosto do timbre de voz – meio mole, mesmo estilo do Ito Melodia, filho dele, e do Quinho do Salgueiro. Fora que ele imortalizou a frase “segura a marimba”. Esse enredo, de 1991, homenageia Didi, um grande compositor da União da Ilha. A letra é pérola atrás de pérola: “Hoje eu vou tomar um porre, não me socorre, que eu tô feliz”; “no bar da ilusão, eu chego, é pura paixão, que eu bebo”; “minha alegria deu um porre na tristeza”; “o sol vai renascer do meu astral”; “num gole eu faço carnaval”. Enfim, um verdadeiro clássico da boêmia. Como diversos sambas-enredos imortais, não sagrou-se campeão na avenida, a escola ficou em 9° lugar naquele ano.
- Candeia – “Ouro Desça do Seu Trono / Mil Réis”
Essas duas músicas, gravadas juntas, foram a minha grande iniciação ao repertório de Candeia. Na primeira parte, ele basicamente fala da perda de valores morais. É uma crítica social à valorização do dinheiro em detrimento do valor humano. A segunda parte é a típica dor-de-cotovelo, uma canção que chora a traição. Percebam que ele chama a mulher de “perdida”. Fino.
- Ismael Silva – “Antonico”
Falar o que de Ismael Silva? O cara simplesmente fez parte dos primeiros sambistas do Estácio. A história desse samba é interessante. Depois de ter sido preso por atirar num homem, Ismael foi preso e depois, em liberdade, ficou recluso. Na década de 50, gravou “Antonico”. Há boatos de que o personagem central dessa música se trata dele mesmo, que ele seria o Nestor e teria escrito uma carta a Pixinguinha na década de 50 pedindo ajuda.
- Noite Ilustrada – “Volta Por Cima”
A primeira vez que me deparei com uma música de Noite Ilustrada, fiquei confuso, uma vez que seu pesudônimo era o mesmo nome da coluna de Erika Palomino na Folha de S Paulo. Na verdade, Mário Sousa Marques Filho, ganhou esse apelido através de Zé Trindade, que comandava a revista musical Noite Ilustrada em Além Paraíba (MG), onde o jovem Mário começou a carreira de violonista. Essa música, de Paulo Vanzolini, caiu como uma luva na voz de Noite Ilustrada.
- Geraldo Filme – “Tradição”
Apesar de Adoniran Barbosa ser considerado pela opinião pública o único sambista de São Paulo, a cidade teve outros grandes compositores. Geraldo Filme trouxe para São Paulo a tradição do samba de Pirapora. Frequentou as rodas de samba do Largo da Banana, ponto fundamental do samba paulistano e passou por várias escolas de samba, mas ficou eternizado na Vai Vai. Foi lá, que compôs esse samba, um dos mais bonitos sobre a cidade, para entrar na Ala de Compositores da escola. Segundo Fernando Penteado, da Velha Guarda da Vai Vai – e diretor da Ala de Compositores no período em que Geraldo pediu admissão – quando viu a letra de Tradição ele disse: “Geraldo, eu pedi um samba, não um hino”.
- Beth Carvalho – “Vou Festejar”
Tem alguém que não conheça essa música? Impossível. O maior hino da dor de cotovelo da música brasileira.
- Grupo Tempêro – “Sexo Falado”
Na lista que eu mandei para o Rafa, eu incluí um dos maiores representantes do samba-canalha: “Deixa Eu Te Amar”, do Agepê. Mas lembrei que o primeiro disco de pagode que eu comprei tinha essa faixa do Grupo Têmpero, que é bem cafajeste também. Sente o clima: “Na cama o lençol manchado, revela o fato consumado. Fizemos um amor gostoso, transamos sexo falado”. Gênio.
- Colorado – “Catopês do Milho Verde, de escravo a rei da festa”
Além de ser considerado um dos maiores sambas-enredo da história de São Paulo, tenho uma ligação afetiva bem grande com ele. Meu tio e padrinho era diretor do Colorado do Brás. Nesse ano, 1988, grande parte da minha família desfilou pela escola. Lembro das pessoas cantando esse samba em casa e nas festas familiares. “Em forma de quilombo na avenida, Colorado se agita no desfile principal”.
- Zeca Pagodinho – “Maneiras”
Daqui 50 anos, Zeca Pagodinho vai ser lembrado como um dos maiores nomes da música popular brasileira. Por enquanto, ainda é visto com ressalvas, infelizmente. O grande lance de Zeca é ter entre seus amigos, compositores anônimos, gente do povo, que escreve crônicas musicais como essa.
- Alcione – “História de Pescador”
Considero Alcione a grande voz feminina do samba. Além de hilária, essa faixa é a faixa que abre o disco de estréia, de 1975, da Marrom. No mínimo, histórico.
Inspirado nos pequenos discos de vinil, os compactos, a Petrobrás lançou um videocast com artistas da música brasileira. O primeiro episódio reúne Siba e Catatau. O site do projeto.