Dando uma olhada nos resultados do The BOBs pra ver se o amigo Inagaki leva um Oscar, fui parar n’O Escriba, que eu não conhecia. De cara, dois comentários importantíssimos: um sobre a CPMF, outro sobre o lobby das indústrias de alimentos.
O primeiro mudou meu ponto-de-vista em apenas uma frase: “o imposto mais justo que o Brasil tem hoje, insonegável (e por isso combatido por empresários e afins)“. Taí, nunca tinha pensado por esse lado.
No resto do post ainda dá pra conferir a discussão entre Adib Jatene, o criador da CPMF, e Paulo Skaf, presidente da FIESP (Fundação dos Industriais que Estão Sucateando o País) - onde Jatene afirma, muito razoavelmente, que a Cofins tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões, enquanto a CPMF tem alíquota de 0,38% e arrecada R$ 30 bilhões.
O lance das indústrias de alimentos veio como uma paulada em uma das declarações mais estúpidas que eu já li na vida. Depois daquele escândalo de uns meses atrás, quando o governo brasileiro decidiu excluir a multimistura das merendas (a mesma que salvou o país de índices sub-africanos de desnutrição e mortalidade infantil há 30 anos atrás) em favorecimento a multinacionais como a Nestlé e a Kraft, o ministro da Saúde e da Estupidez, José Gomes Temporão, insiste em defender sua decisão: “Não sou obrigado a adotar a multimistura.”
Precisamente, sr. Temporão. Por que adotar um produto inventado no Brasil, orgânico, e vinte vezes mais nutritivo, quando se pode usar um produto gringo, industrializado, e duas vezes mais caro?
Ah, sim, a Pastoral da Criança - a mesma que ajudou a desenvolver a multimistura há 30 anos - também tá nessa. Deve ser porque eles fecharam acordo com a Nestlé e a Kraft. Será que tem a ver?
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