Archive for September, 2010

Posted by failman at 29 September 2010

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trecho do segundo capítulo do livro ‘o universo elegante’, do brian greene (tradução de josé viegas filho):

“O movimento através do espaço é um conceito que aprendemos cedo na vida. Embora muitas vezes não pensemos nas coisas nestes termos, sabemos que nós, os nossos amigos e os nossos pertences também se movem através do tempo. Basta olhar para um relógio, mesmo que estejamos quietos vendo televisão, para verificar que a leitura do relógio muda constantemente, “movendo-se para a frente no tempo”. Nós, e tudo o que está à nossa volta, envelhecemos e passamos inevitavelmente de um momento do tempo para o seguinte. Com efeito, o matemático Hermann Minkowski, e em última análise o próprio Einstein, sustentaram que o tempo poderia ser visto como uma outra dimensão do universo — a quarta dimensão —, em alguns aspectos muito similar às três dimensões espaciais em que nos encontramos imersos. Ainda que pareça abstrata, a noção do tempo como dimensão é concreta. Quando marcamos um encontro com alguém, dizemos o lugar do “espaço” em que queremos nos encontrar — por exemplo, no nono andar do edifício que fica na esquina da rua 53 com a Sétima Avenida. Aqui há três informações (nono andar, rua 53 e Sétima Avenida) que se referem às três dimensões espaciais do universo. Igualmente importante é a especificação de quando esperamos que o encontro se realize — por exemplo, às três horas da tarde. Essa informação nos diz em que lugar “do tempo” o encontro ocorrerá. A especificação dos eventos se dá, portanto, com quatro informações: três para o espaço e uma para o tempo. Diz-se que esses dados especificam a localização do evento no espaço e no tempo, ou, abreviadamente, no espaço-tempo. Nesse sentido, o tempo é uma dimensão.

Se podemos dizer que o espaço e o tempo são simples exemplos de dimensões diferentes, será então possível falar da velocidade de um objeto no tempo, assim como falamos da velocidade no espaço? Sim, podemos.

Uma boa pista a esse respeito provém de uma informação que já temos. Quando um objeto se move através do espaço com relação a nós, o seu relógio anda devagar em comparação com o nosso. Ou seja, a velocidade do seu movimento através do espaço se reduz. Aqui está o salto: Einstein proclamou que todos os objetos do universo estão sempre viajando através do espaço-tempo a uma velocidade fixa — a velocidade da luz. Essa é uma idéia estranha; estamos acostumados à noção de que os objetos viajam a velocidades consideravelmente menores que a da luz. Repetidas vezes salientamos que essa é a razão por que os efeitos relativísticos são tão incomuns no dia-a-dia. Tudo isso é verdade. Aqui estamos falando da velocidade de um objeto combinada através das quatro dimensões — três espaciais e uma temporal —, e é a velocidade do objeto nesse sentido generalizado que é igual à da luz. (…) Se um objeto está em repouso (com relação a nós) e conseqüentemente não se move através do espaço, então (…) a totalidade do seu movimento é usada para viajar através de uma única dimensão — nesse caso, a dimensão do tempo. Além disso, todos os objetos que estão em repouso com relação a nós e também com relação aos outros objetos movem-se através do tempo — envelhecem — exatamente no mesmo ritmo, ou à mesma velocidade. Contudo, se um objeto se move através do espaço, isso significa que uma parte do seu movimento anterior através do tempo tem de ser redistribuída. (…) a repartição do movimento entre as diferentes dimensões implica que o objeto viajará mais devagar através do tempo do que os objetos estacionários, uma vez que uma parte do seu movimento está sendo usada na viagem através do espaço. Ou seja, o relógio desse objeto anda mais devagar se ele se move através do espaço. (…) Vemos agora que o tempo passa mais devagar quando um objeto se move com relação a nós porque isso converte uma parte do seu movimento através do tempo em movimento através do espaço. Assim, a velocidade de um objeto através do espaço é simplesmente um reflexo da proporção em que esse movimento através do tempo é desviado.

Vemos também que esse esquema incorpora automaticamente o fato de que há um limite para a velocidade espacial de um objeto: a velocidade máxima através do espaço só pode ocorrer se a totalidade do movimento de um objeto através do tempo for convertida em movimento espacial. Isso ocorre quando a totalidade do movimento à velocidade da luz, que anteriormente se dava no tempo, converte-se em movimento à velocidade da luz no espaço. Se um objeto converter a totalidade do seu movimento à velocidade da luz através do tempo em movimento espacial, ele — e qualquer outro objeto — alcançará a máxima velocidade espacial possível. (…) um objeto que viaje à velocidade da luz através do espaço não terá nenhuma velocidade disponível para o movimento através do tempo. Portanto, a luz não envelhece; um fóton proveniente do big-bang tem hoje a mesma idade que tinha então. À velocidade da luz, o tempo não passa.”

Posted by failman at 29 September 2010

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digitei rapidão (aka ignorem os erros) um trecho que curti dum capítulo que li do livro do sagan (que, obviamente, recomendo demais). o último parágrafo cabe bem em época de eleição:

“Toda geração se preocupa com o declínio dos padrões educacionais. Um dos ensaios curtos mais antigos, escrito na Suméria há 4 mil anos, lamenta que os jovens sejam desastrosamente mais ignorantes do que a geração imediatamente anterior. Há 2400 anos, o idoso e rabugento Platão, no livro VII das Leis, deu a sua definição de analfabetismo científico:

Aquele que não sabe contar um, dois, três, nem distinguir os números ímpares dos pares, ou que não sabe contar coisa alguma, nem a noite nem o dia, e que nao tem noção da revolução do Sol e da Lua, nem das outras estrelas. Acho que todos os homens livres devem estudar esses ramos de conhecimento tanto quanto ensinam a uma criança no Egito, quando ela aprende o alfabeto. Naquele país, os jogos aritméticos foram inventados para ser empregados por simples crianças, e elas os aprendem como se fosse prazer e diversão. Com espanto, eu no final da vida, tenho tomado conhecimento de nossa ignorância sobre essas questões; acho que parecemos mais porcos do que homens, e tenho muita vergonha, não só de mim mesmo, mas de todos os gregos.

(…)

Enquanto a medicina floresceu no mundo islâmico, o que se seguiu na Europa foi na realidade uma era negra. Grande parte do conhecimento de anatomia e cirurgia se perdeu. Era muito difundido o recurso às orações e às curas milagrosas. Os médicos seculares foram extintos. Empregavam-se por toda parte cantilenas, poções, horóscopos e amuletos. As dissecações de cadáveres foram restringidas ou proscritas, por isso aqueles que praticavam a medicina não podiam adquirir em primeira mão o conhecimento do corpo humano. A pesquisa médica ficou estagnada.

Uma situação muito parecida com a que o historiador Edward Gibbon descreveu para todo o Império do Oriente, cuja capital era Constantinopla:

Num período de dez séculos, num uma única descoberta foi feita para exaltar a dignidade ou promover a felicidade da humanidade. Nem uma única idéia foi acrescentada aos sistemas especulativos da Antiguidade, e uma série de discipulos pacientes se tranformava, por sua vez, nos professores dogmáticos da geração servil seguinte.

(…)

Nós nos importamos com o que é verdade? Isso faz alguma diferença?

… where ignorance is bliss,
‘Tis folly to be wise
[... quando a ignorância é felicidade,
É loucura ser sábio]

escreveu o poeta Thomas Gray. Mas será mesmo? Edmundo Way Teale, em seu livro Circle Of The Reasons de 1950, comprendeu melhor o dilema:

Moralmente, é tão condenável não querer saber se uma coisa é verdade ou não, desde que ela nos dê prazer, quanto não querer saber como conseguimos o dinheiro, desde que ele esteja na nossa mão.

(…)

Em Para a genealogia da moral, Friedrich Nietzsche, como tantos outros antes e depois dele, denigre “o progresso ininterrupto da autodepreciação humana” provocado pela revolução científica. Nietzsche lamenta o homem ter perdido a confiança “em sua dignidade, em seu caráter único e no fato de ser insubstituível no projeto da existência”. Para mim, é muito melhor compreender o Universo como ele realmente é do que persistir no engano, por mais satisfatório e tranquilizador que possa ser. Qual dessas atitudes se presta melhor a nossa sobrevivência a longo prazo? Qual nos dá maior poder de influenciar o futuro? E se nossa autoconfiança ingênua é um pouco minada no processo, isso é uma perda assim tão grande? Não há razões para acolhê-la como uma experiência de amadurecimento e formação de caráter?

(…)

A cada enfraquecimento dos controles civis e da educação científica, ocorre outra pequena manifestação de pseudociência. Leon Trotsky descreveu a situação na Alemanha as vésperas de Hitler tomar o poder (mas é uma descrição que também se aplicaria à União Soviética de 1933):

Não é apenas nas casas dos camponeses, mas também nos arranha-céus das cidades, que o século XIII vive ao lado do XX. Cem milhões de pessoas usam a eletricidade e ainda acreditam nos poderes mágicos de sinais e exorcismos. As estrelas de cinema procuram médiuns. Os aviadores que pilotam mecanismos milagrosos criados pelo gênio do homem usam amuletos em seus suéteres. Como são inesgotáveis as suas reservas de trevas, ignorância e selvageria!

(…)

Os valores da ciência e os da democracia são concordantes, em muitos casos indistinguíveis. A ciência e a democracia começaram – em suas encarnações civilizadas – no mesmo tempo e lugar, na Grécia dos séculos VI e VII a.C. A ciência confere poder a qualquer um que se der ao trabalho de aprendê-la (embora muitos tenham sido sistematicamente impedidos de adquirir esse conhecimento). Ela se nutre – na verdade necessita – do livre intercâmbio de idéias; seus valores são opostos ao sigilo. A ciência não mantém nenhum ponto de observação especial, nem posições privilegiadas. Tanto a ciência como a democracia encorajam opiniões não convencionais e debate vigoroso. Ambas requerem raciocínio adequado, argumentos coerentes, padrões rigorosos de evidência e honestidade. A ciência é um meio de desmascarar aqueles que apenas fingem conhecer. É um baluarte contra o misticismo, contra a superstição, contra a religião mal aplicada a assuntos que não lhe dizem respeito. Se somos fiés a seus valores, ela pode nos dizer quando estamos sendo enganados. Ela fornece a correção de nossos erros no meio do caminho. Quanto mais difundidos forem a sua linguagem, regras e métodos, melhor a nossa chance de preservar o que Thomas Jefferson e seus colegas tinham em mente. Mas os produtos da ciência podem subverter radicalmente a democracia, de um modo jamais sonhado pelos demagogos pré-industriais.”

atualização:
tradução de rosaura eichemberg

Posted by failman at 28 September 2010

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Posted by failman at 20 September 2010

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(o melhor filme do norris nmho)

- http://www.imdb.com/title/tt0085862/

Posted by failman at 20 September 2010

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- http://www.imdb.com/title/tt0073705/

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- http://www.imdb.com/title/tt0080360/

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- http://www.imdb.com/title/tt0082497/

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- http://www.imdb.com/title/tt0082677/

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(ok, algumas são 60)

Posted by failman at 15 September 2010

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Posted by failman at 15 September 2010

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Oh, pedaço de mim / Caguei
Oh, metade afastada de mim / E andei
Leva o teu olhar / Leva o teu Bom Ar
Que a saudade é o pior tormento / Que hemorróida é o pior tormento
É pior do que o esquecimento / É pior do que flatulência
É pior do que se entrevar / É pior do que se cagar

original em PEDAÇO DE MIM, Chico Buarque – O Renato Gaúcho das Rodas de Violão

Posted by failman at 15 September 2010

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Meu coração tem um sereno jeito / Meu coração é sinistro
E as minhas mãos o golpe duro e presto / Faço mais falando menos
De tal maneira que, depois de feito / Tanto que depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto / Dorgado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito / Se arrumo o cabelo
É que há distância entre intenção e gesto / É para as gatinhas
E se o meu coração nas mãos estreito / E se vejo um filme da Sandra Bullock
Me assombra a súbita impressão de incesto / Também é pelas gatinhas

Quando me encontro no calor da luta / Suando bicas no vai e vem do seu corpo
Ostento a aguda empunhadura à proa / Envergo à proa empunhando a dura
Mas o meu peito se desabotoa / Mas você é gostosa demais

E se a sentença se anuncia bruta / E quando não dá mais pra segurar
Mais que depressa a mão cega executa / Mais que depressa sua boca seca abocanha
Pois que senão o coração perdoa… / Pois que senão a porra esparrama

original em FADO TROPICAL, Chico Buarque – O Roludo do Brasil

Posted by failman at 13 September 2010

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http://blogs.estadao.com.br/link/trolls/

Praticamente todos os vídeos que nos fazem rir no YouTube provocariam a mesma reação ao vivo. Só que nem sempre rir da cara de alguém por causa de uma situação constrangedora é a resposta ideal ou esperada – mas inevitavelmente acontece.

Em grupos de amigos, esse sentimento é levado adiante em forma de piada. Na internet, não poderia ser diferente. O anonimato substitui a intimidade na validação do direito de sacanear alguém sem restrições, só porque você quer. E sua vítima pode nem ter feito algo de errado, ela só mordeu uma isca lançada em forma de piada interna entre um grupo de amigos da qual ela não faz parte, ou como um comentário irônico mal interpretado e tomado como verdade.

Trolling, ou trollagem, tem uma etimologia que remete tanto ao verbo em inglês que descreve uma técnica de pescaria quanto à figura mitológica escandinava que permeia lendas e histórias infantis na região e RPGs e filmes de aventura no mundo inteiro. O primeiro caso surge com o uso original do termo em ambiente virtual, nos grupos de discussão da Usenet. A técnica era usada para separar os novatos dos veteranos através de perguntas imbecis sobre assuntos extensamente discutidos anteriormente, reconhecíveis de imediato para os mais experientes, mas que atrairia a participação efusiva dos novatos. Eventualmente, os mais jovens – ou “noobs” (derivado de “newbie”) – percebem que foram conduzidos por toda a discussão e se tornaram alvos de uma grande piada.

O troll da mitologia e do RPG é um monstro sem muita inteligência ou fidelidade à lógica, mas capaz de causar terror e pânico com sua disposição irrefreável para destruir e pilhar – metaforicamente, pelo menos. São como crianças, incapazes de conter na mente um pensamento, disparando xingamentos e cusparadas ao menor sinal de desacordo. Esse tipo de trollagem aparece com mais frequência em lugares como as áreas de comentários de vídeos, sites e blogs, onde a relação pessoal com a vítima é praticamente inexistente. Já a trollagem mais elaborada se favorece em áreas voltadas para longas discussões, como fóruns ou grupos de e-mail.

A melhor forma de se proteger contra os trolls é entender que, de um jeito ou de outro, a piada só tem graça quando a vítima se sente atacada – e revida. Ao primeiro sinal de trollagem, descarta-se a possibilidade de argumentação razoável. O mais esperto a fazer é entender que cada nova resposta alimenta e revigora o troll. Como apelidos de criança, que se popularizam com maior velocidade entre a turminha em proporção direta ao incômodo que provocam. No zoológico humano, não alimentem os trolls.

O comportamento dos trolls frequentemente beira o obsessivo e costuma ser endossado por outros usuários do grupo, às vezes com consequências maiores. Por conta de uma notícia falsa, por exemplo, trolls manipularam a oscilação do valor de uma empresa na Nasdaq em 1999. Parte do esforço da trollagem consiste em explorar as diminuições de privacidade na internet em busca de informações sobre a vida pessoal do alvo escolhido. E quando essas informações são reveladas a um grupo de usuários com a intenção de deliberadamente prejudicar alguém, o perigo começa a se tornar real.

Que o diga a cantora Rita Lee, que depois de trollar os moradores do bairro de Itaquera por conta da construção do novo estádio do Corinthians, acabou virando alvo dos próprios. Recebeu ameaças e saiu do Twitter. Definitivamente, trollar não é só mais uma brincadeira virtual.

Posted by failman at 8 September 2010

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