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Carta aberta aos jornalistas do Brasil
Leandro FortesNo dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa (…) O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior (…) Durante a gravação (…) discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.
(…)
Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.
Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes?

sobre essa surubada da pf, satiagraha:
1. cobertura do terra magazine. de primeira, super clichêzona (ou ‘apaixonada’ como preferem), mas de qualidade, matérias que você lê vendo as cenas. ótimo roteirista o bob fernandes. não percam.
2. não percam até porque não deve durar: o terra é da telefonica, e um dos principais punch lines dessa operação sagatiba é a privatização das operadoras de telefonia, ainda na caverna fhc. logo logo pode acontecer com ele o que rolou com o paulo henrique ‘da igreja universal do reino de macedo’ de almeida amorim no ig. a pressão vai ser forte.
3. troféu ‘esta carapuça é minha‘ para a dupla miriam leitão e gilmar mendes. inacreditei na falta de malícia. poderiam ter sido mais discretos.
4. com dantas solto, o que querem os poderosos? matar ele ou esperar que ele fuja? eu acho que matam mas encobrem admitindo uma ‘fuga perfeita’ eterna.












