Francamente, Adriano
Por Arnaldo Branco
Só que nem todo mundo apenas lamenta. Adriano vem recebendo repreensões públicas de gente que não entende que haja quem possa rejeitar salário em euro, quanto mais para jogar bola. Um pessoalzinho que parece acreditar que qualquer cascalho compra sentimento de inadequação e que pessoas nascidas na pobreza não têm direito a problemas psicológicos, aparentemente um distúrbio de uso exclusivo da classe média.
Em sua coluna n’O Globo, Ancelmo Góis chegou a dizer que, embora ache muito bonito o funk em que o MC canta que só quer ser feliz na favela onde nasceu, é impossível que se possa viver satisfatoriamente em um lugar sem esgoto. E ainda emendou um “francamente” à guisa de bronquinha no centroavante. Confesso que o texto me deixou curioso sobre onde mora a empregada do Ancelmo.
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Essa mania de legislar sobre a felicidade alheia já deu em muita experiência equivocada, lembrem-se da União Soviética. Se dinheiro não traz felicidade, palpite, muito menos.
