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Posted by fred at 13 March 2008

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Tô com um continho publicado no Portal Literal. Entrando na home, só clicar em Exercícios Urbanos, ou você pode ir pelo link direto meio mandrake. O texto é o primeiro de uma série de exercícios literários que eu tô tentando fazer, e quando eu juntar um número razoáve, começo a postar tudo por aqui.

Mas acho que esse ganhou um prêmio e tudo. Chique.

Sim, Frederico dos Reis sou eu.

Posted by fred at 6 March 2008

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Saí de casa pra ver esse show sozinho, meio em cima da hora. Ainda tava quase em jejum – mais por falta de tempo que opção – mas ainda parei pra comer uns pastéis antes de ver o Dylan. Nada poderia me atrapalhar durante o show, nem fome. Logo no táxi senti que a noite seria foda: a primeira coisa que o cara perguntou foi “tá indo no Bob Dylan?”, antes mesmo de eu dizer pra onde iríamos. “Também sou fã, tô só ouvindo a Kiss FM hoje, já tocou umas 3 vezes.” E o tiozinho tinha uns quarenta-e-muitos fácil, fã tru. Partimos.

Atravessei a rua à pé pra fugir do afunilamento dos carros, e cheguei inacreditando na fila que eu via, saía do Via Funchal e seguia até quase a esquina. No meio do caminho, equipes de TV, incluindo a do Pânico, com Christian Pior e aquele outro cara lá. A fila andava rápido, e logo passei por eles, tendo que ouvir que “esse pessoal rico que vem pro show, depois não paga nem o condomínio… olha esse aqui, não tem dinheiro nem pra comprar barbeador!” Essa fui eu quem ouvi – confiram domingo na tv! Atrás de mim, duas moças (nem jovens, nem coroas) que tinham sido entrevistadas pelo Pior comentavam: “ai, tava morrendo de medo dele pedir pra eu cantar alguma coisa…”, ao que a outra respondeu: “nem “Blowin’ in the Wind”?”

Esse era meio o naipe da galera, mesmo. Uma molecada de uns 15 anos que, se fosse nos anos 90, eu diria que estavam ali por causa da versão do Guns pra “Knocking on Heaven’s Door”, e incontáveis casais de tiozões e tiazonas impecavelmente arrumados em suas Cherokees e Land Rovers – porque São Paulo é quase uma selva, afinal. Respeitava mais os carecas cabeludos com camisa do Raul Seixas, e eram vários. Beatles também foi uma escolha popular de camisa…

Entrei e quase todo mundo já havia sentado – tirando os fumantes do lado de fora. Logo achei minha mesa, e ainda tive que expulsar um cara da minha cadeira que tava achando que a fileira ‘i’ era ali. Três letras pra trás, garotão. O resto da mesa era tomado por um casal de namorados, mais uma família de 5 pessoas: pai, mãe, dois filhos “jovens adultos” (como diriam os Walverdes) e uma namorada. Ocupei o último lugar na cabeceira da mesa, vista do palco pela centro-esquerda – o lado para onde o Dylan ficaria virado enquanto no teclado. Olhei para o relógio do cara ao meu lado, e vi 22h em ponto. Dois minutos depois, as luzes piscaram (“Êeeeeeeeee! Aaaaah…”), e logo se apagaram. Ia começar.

Mesmo numa versão acelerada – Dylan tem mania de cantar em 3/3 enquanto a banda toca no 4/4* – “Leopard-Skin Pillbox-Hat” era reconhecível ainda em seus primeiros acordes. Mais foda que isso era finalmente ouvir ali, em pessoa, aquela voz que já me acompanha por tantos e tantos anos, que me soa tão bem e tão reconfortante em disco, e nada menos que isso ao vivo. Sem contar que a faixa é uma das minhas favoritas do Blonde on Blonde… O show não podia ter começado melhor. Ou podia, pelo menos, começar igual. Imagina, um cara com uma carreira desse tamanho e a quantidade de clássicos que ele tem?

O show foi foda, e o setlist é aquele que eu já mandei. Muitas do último disco (Modern Times) – todas as boas, as mais ou menos (“Ain’t Talkin’”) em versões melhoradas, e algumas que tinham passado batido nas minhas audições (“Nettie Moore”, “Workingman Blues #2″) com cara de novos clássicos. Sério, levei um tempo pra me ligar que “Workingman Blues” não era alguma do Another Side of Bob Dylan ou outro dos primeiros. Dessa fase séc. XXI do Bob Dylan ainda rolaram “Summer Days”, que acho mais ou menos, mas tinha muito mais pegada ao vivo, “High Water (for Charley Patton)”, outra muito mais emocionante e pungente na versão do show. E “Things Have Changed”, a canção vencedora do Oscar pelo filme Garotos Incríveis, e uma das minhas favoritas dessa fase.

A seleção de clássicos também foi impecável, com “Stuck inside of Mobile”, “Highway 61″ e “Like a Rolling Stone” irreconhecíveis (essa última, encerrando a primeira parte do show em clímax total). “Masters of War” foi a surpresa da noite pra mim, outra que acho muito genial, pesada, densa, e no show, o arranjo sombrio também não devia nada ao original. “I’ll Be Your Baby Tonight” foi outra que me surpreendeu, amo o Nashville Skyline (a música é do John Wesley Harding, mas a vibe é muito mais caipira à la Nashville), e mesmo numa onda completamente diferente, mais quebrada, a canção continuou linda. Essa coisa do Dylan mudar as músicas no show não me incomoda em nada porque eu tenho certeza que, com 40 anos tocando as mesmas músicas, eu também encheria o saco de tocar tudo do mesmo jeito sempre. Pô, o cara é um gênio, não pode se acomodar. Mesmo que as versões não sejam necessariamente bem sucedidas (foi o caso de “It Ain’t Me, Babe” pra mim), é lindo demais ver ele trabalhando e experimentando ali na sua frente.

O show teve dois contratempos meio desnecessários. A primeira engraçadinha que tentou subir no palco mal teve tempo de ficar de pé nele, e logo foi capturada pelos seguranças. Isso ainda na primeiras músicas, a segunda ou terceira, se bem me lembro. Já no fim do show, uma outra menina* (o Dylan mexe com o fogo dessa mulherada, mesmo com aquele visú Vincent Price, impressionante) conseguiu andar até o meio do palco, e ficou parada de frente para o cantor com cara de apaixonada, bem teatral, mesmo. Quando ele se ligou no que tava acontecendo, deu uns passinhos pra trás com aquela cara de bolado, e logo os seguranças chegaram para arrastar a menina, que se jogou nos braços deles e foi levada arrastando os pés, com aquele olhar vazio de quem tá suspirando apaixonado. Foi meio assustador, com um cara paranóico como o Dylan, não queria arriscar dele se emputecer e acabar com o show. Mas ele levou na boa, deu umas risadinhas, dava umas espiadas desconfiadas ao redor… No fim, foi até engraçado.

Aí veio o bis, matador. A banda do cara é foda, e segura a onda mesmo com o Dylan mudando as músicas ali, na hora do show. É perceptível ao longo da apresentação toda, os caras conversando entre si e com o Dylan pra entender o que tá rolando, um ajudando o outro a achar o tempo quando o Dylan jogava tudo pro alto, essas coisas… Foda. “Thunder on the Mountain”, tão hit quanto no disco – aliás, praticamente todas desse último disco que ele tocou, rolava um vocal CANTADO, quase igual ao do disco. Não cantou junto quem não conhecia.

Na sequência, todo mundo esperava a inevitável “Blowin’ in the Wind”, as outras já tinham ido todas… Ou foi o que todo mundo quis pensar. Quando começaram os primeiros acordes de “All Along the Watchtower”, os yuppies decepcionados foram momentaneamente silenciados por um bando de fãs de Jimi Hendrix que haviam por ali, eu incluso. Lindo demais, lavou a alma.

Aí o show acaba, rola aquela expectativa por um segundo bis, e as luzes enfim se acendem. Faço o movimento contrário da galera e ando em direção ao palco pra tentar descolar um setlist. Sabia que minha chance era quase nula, logo que acenderam as luzes, os roadies do Bob Dylan – senhores em idade respeitável e que pagariam meia pra entrar no show – já tomavam o palco limpando tudo que ficou por lá e cobrindo todos os instrumentos e caixas. Não havia mais nada quando cheguei lá, a não ser outros fãs com a mesma cara de tristeza por não levar nenhuma memorabilia pra casa. Bom, tem o canhoto do ingresso, e admito, tive alguns pensamentos menos amorosos por alguns segundos quando as meninas subiram no palco, do tipo, “hmmm, se ele morresse no palco eu seria dono de uma cobiçadíssima peça da história da música pop”. Mas durou pouco, hehehe. Prefiro continuar com esperanças de ver OUTRO show do Bob Dylan – aliás, eu veria, na noite seguinte. E seria ainda melhor.

Depois de um tempinho na frente do palco, saí pela lateral e passei em frente a entrada dos camarins enquanto bem enquanto o Suplicy entrava. Claro que a galera gritava “canta “Blowin’ in the Wind”" entre pedidos de “me leva!”. Saí da muvuca e dei de cara com uma menina que aparentava não mais que 14 ou 15 anos. Ela chorava copiosamente, cercada de uma galerinha que tentava confortá-la enquanto ela balbuciava palavras desconexas e engasgadas. Caiu a ficha: Mallu Magalhães.

Como bom poplister que sou, não podia deixar passar essa informação em primeiríssima mão, e consegui entreouvir o motivo das lágrimas: Mallu conheceu um determinado figura* na muvuca da porta do camarim que disse “vamo lá Mallu, eu te levo no camarim pra você conhecer o Bob Dylan”. E eles foram de mãs dadas até a entrada, quando o segurança indagou ao (rapaz? senhor?) de pulseira VIP: “ela tá contigo?” Sem titubear, o cara largou da mão de Mallu, mandou um sonoro “não” e saiu entrando sozinho. Mallu sentia-se injustiçada, “só não entendo porque ele fez isso, não tinha necessidade, se ele não podia me botar pra dentro era só não falar nada…” É, Mallu. Você foi OWNADA.

Enquanto caminhava para a saída, vários comentários de “que merda”, “não entendi nenhuma música”, “ele não tocou “Blowin’ in the Wind”, vacilo”. Do lado de fora, ainda uma galerinha sem grana tentava algum milagre enquanto faziam uma rodinha de violão. O som? “Knocking on Heaven’s Door”. Fã de Guns é foda.

*Afirmação duvidosa e não-confiável, tenho que conferir o que ele disse no Crônicas.

*Diz a Folha que foi a mesma menina.

*A história da Mallu já tem desdobramento. Confira aqui em primeira mão a confissão do homem que fez Mallu Magalhães chorar.

01. Leopard-Skin Pill-Box Hat
02. It Ain’t Me Babe
03. I’ll Be Your Baby Tonight
04. Masters of War
05. The Levee’s Gonna Break
06. Spirit on the Water
07. Things Have Changed
08. When the Deal Goes Down
09. High Water (For Charley Patton)
10. Stuck Inside Of Mobile (with the Memphis Blues Again)
11. Workingman Blues #2
12. Highway 61 Revisited
13. Nettie Moore
14. Summer Days
15. Like A Rolling Stone

[BIS]
16. Thunder On The Mountain
17. All Along The Watchtower

Vai lá, imprensa cultural. Pode copiar. Créditos pra cá, por favor.

Posted by fred at 8 February 2008

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Disco novo do Wado, pra download gratuito no site oficial. Bem foda, como já era de se esperar.

Posted by fred at 7 February 2008

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Entrevista pro companheiro Tag do Speakorama. AQUI, ó.

Posted by fred at 8 January 2008

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Serviço completo AQUI.

Posted by fred at 6 December 2007

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EUA detém novamente ex-professora que fez sexo com aluno

professorinha pervertida Uma ex-professora que cumpria prisão domiciliar nos Estados Unidos por ter mantido relações sexuais com um aluno de 14 anos foi detida de novo por violar regras da condicional. Segundo autoridades americanas, Debra Lafave, 26, conversou sobre sua vida pessoal com uma adolescente de 17 anos que trabalhava no mesmo restaurante que ela.

Ok, não vamos nem entrar no mérito de que a professora, DE 26 ANINHOS, é gata pacas. Só sei que, no colégio onde eu estudei (de freiras), o filho da puta que fizesse queixa de uma professora dessas dando mole pra aluno… Ia passar o resto do ano tendo a cara arrastada no asfalto, diariamente.

Posted by fred at 14 November 2007

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Constrangimento no chá de cozinha de Raffaela Bassi, noiva de Felipe Massa: a humorista Yonara Nascimento, contratada para animar a festa, mostrou um chocolate em formato de pênis durante a primeira das três esquetes programadas. Ao se trocar para a segunda, foi avisada de quer não precisaria mais voltar. “Foi constrangedor”, diz Yonara. “Eu nem mesmo falei palavrão.”

Fala sério, galera. Todo esse pudor e ainda contrata um humorista pra quê? Pelo menos entende-se porque não contrataram um stripper, era capaz das minas vomitarem e tudo.

Pro próximo casamento do Massa, sugiro uma cigana que lê mãos. Ou uns flautistas peruanos. Vai ser bem animado.

Posted by fred at 13 November 2007

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Dando uma olhada nos resultados do The BOBs pra ver se o amigo Inagaki leva um Oscar, fui parar n’O Escriba, que eu não conhecia. De cara, dois comentários importantíssimos: um sobre a CPMF, outro sobre o lobby das indústrias de alimentos.

O primeiro mudou meu ponto-de-vista em apenas uma frase: “o imposto mais justo que o Brasil tem hoje, insonegável (e por isso combatido por empresários e afins)“. Taí, nunca tinha pensado por esse lado.

No resto do post ainda dá pra conferir a discussão entre Adib Jatene, o criador da CPMF, e Paulo Skaf, presidente da FIESP (Fundação dos Industriais que Estão Sucateando o País) – onde Jatene afirma, muito razoavelmente, que a Cofins tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões, enquanto a CPMF tem alíquota de 0,38% e arrecada R$ 30 bilhões.

O lance das indústrias de alimentos veio como uma paulada em uma das declarações mais estúpidas que eu já li na vida. Depois daquele escândalo de uns meses atrás, quando o governo brasileiro decidiu excluir a multimistura das merendas (a mesma que salvou o país de índices sub-africanos de desnutrição e mortalidade infantil há 30 anos atrás) em favorecimento a multinacionais como a Nestlé e a Kraft, o ministro da Saúde e da Estupidez, José Gomes Temporão, insiste em defender sua decisão: “Não sou obrigado a adotar a multimistura.”

Precisamente, sr. Temporão. Por que adotar um produto inventado no Brasil, orgânico, e vinte vezes mais nutritivo, quando se pode usar um produto gringo, industrializado, e duas vezes mais caro?

Ah, sim, a Pastoral da Criança – a mesma que ajudou a desenvolver a multimistura há 30 anos – também tá nessa. Deve ser porque eles fecharam acordo com a Nestlé e a Kraft. Será que tem a ver?

Posted by fred at 13 November 2007

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Quero pessoalmente pedir desculpas pelo que eles estão passando.

(Jerry Yang, fundador do Yahoo!, durante audiência do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA)

A frase, que eu li no Tiago Dória, trata do caso em que dissidentes políticos chineses foram entregues às autoridades policiais daquele país pelo Yahoo!, que revelou detalhes sobre um email trocado através do seu serviço. A coisa foi tão vergonhosa que conseguiu unir deputados democratas e republicanos na assembléia americana (“Tecnologica e financeiramente, os senhores são gigantes, mas moralmente são uns pigmeus”, disse o presidente do comitê).

Tirando a hipocrisia óbvia (guerra do Iraque, alguém?), o caso mostra a que ponto chega a política de relações internacionais americanas, onde ditaduras são toleradas em prol do mercado, enquanto países – de um jeito ou de outro – livres são bombardeados até terem seu sistema financeiro e político em ruínas. Acho até bonito quando a ferida fica assim, exposta.

O caso é parecido com o do Google, que concedeu ao governo chinês a autoridade sobre o conteúdo exposto em seus resultados, bloqueando uma série de sites e palavras-chaves. Chega a ser vergonhoso a putaria na adoção de critérios para parceiros comerciais.

É fácil ser “polícia do mundo” quando você só aparece pra trabalhar na hora de levar sua propina.

Posted by fred at 13 November 2007

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Radiohead frontman turned down Paul McCartney duet

“My daughter was putting an album together and she put us in touch. I asked Thom to do a duet, but he said he couldn’t because he only felt happy working on his own and Radiohead’s material.”

Tsc, tsc.