"They say we can love who we trust / But what is love without lust? / Two hearts with accurate devotions / but what are feelings without emotions?"
19th
ABR
Heavy Trash – Curitiba – 19/04/2009
Por marciok em Música às 8:39 pm
Certo, o vocalista da banda é uma lenda no mundo indie – Jon Spencer já transitou por várias bandas, a mais famosa sendo a sua Blues Explosion. Com qualquer grupo, a vinda dele para Curitiba entrava naquela categoria de show que você precisa ir – é o tipo de atração rara na cidade, obra heróica do pessoal do I_CWB (André Sakr, Andy Andrade e Guga Azevedo). Passei muito rápido no MySpace da banda, ouvi uma música, um rockabilly ok – mas logo decidi ir totalmente na surpresa.
Mas nada poderia ter me preparado para o que eu vi no Jokers na noite desta quinta. Rockabillies tocados como se não houvesse amanhã. Um par de blues direto do couro de um cachorro na beira do Mississipi. Um banda ensandecida no palco. ENTREGA, suor, punch. Música.
Isso é a Heavy Trash.
Uma das coisas que lamentei com a morte de Lux Interior, do Cramps, foi nunca mais poder ver um show da banda. Sempre lamentei também nunca ter visto um show do Stray Cats. O show da Heavy Trash provavelmente vai ser um consolo para ambos os casos, pois, musicalmente, foi como um show do Cramps (o timbre do Jon é muito semelhante ao do Lux) em quinta marcha, com participação do Brian Setzer na guitarra – Matt Verta-Ray é da mesma estirpe, lançando riffs ganchudos e solos de derreter cérebros com a mesma criação divina, uma Gretsch semi-acústica. Junte um baixista que TOCA baixo acústico (nada da profusão de slaps que costuma ser a única coisa que se houve), e dança com ele como se fosse sua baby, um baterista sem erros em um kit mínimo (e usando um garrafão de vinho vazio como cowbell), e um segundo discreto guitarrista, ora enchendo as bases, ora tocando slide.
O resultado da receita é um dos shows mais intensos que já vi, sem um único momento ruim. Não lembro qual foi o último show que me deu essa sensação de não querer que termine, de não ver o tempo passar, de não sentir o horário madrugada adentro. Uma aula de como fazer um show, uma aula da própria música, afinal o rockabilly é um dos caldos primais do rock – a junção do hillbilly com o blues.
Tentei achar algum vídeo do show daqui, mas ainda não apareceu nada no YouTube. Tem um vídeo do meu celular – infelizmente o som está horrível, mas dá para ter uma idéia. Ainda me emociono cada vez que o Verta-Ray solta um daqueles solos.
Quando acho que costumo superestimar o que a música é para mim, aparecem shows como esse para ver que…é, realmente é isso. Music rules.
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19 abr 2009 -
Música -
Um comentário
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Esse show foi espetacular.
E o lugar foi uma grata surpresa. Não é sempre que você consegue assistir um show desses apoiado no balão do bar, tomando um bom chope.