"They say we can love who we trust / But what is love without lust? / Two hearts with accurate devotions / but what are feelings without emotions?"

12
dez09

1a. Poplist Virtual Dancefloor

Por marciok em DJing, Música às 8:31 pm

O que fazer quando você chega em casa de uma festa vespertina, início da noite, liga para todas as parcerias possíveis, e não encontra ninguém disposto a seguir adiante naquela noite? (Curitiba…)

Eu abri o pack de cerveja que estava gelando faz dias e sentei na frente do computador, e fiquei conversando com algumas pessoas e lendo os e-mails da Poplist. Liguei os fones de ouvido, comecei a passar músicas no Mediamonkey e fiquei fazendo um dancing with myself na cadeira.

Aí me ocorreu: neste instante, várias pessoas da Poplist estão em casa, também. Pessoas que conhecem MUITO de música, bem mais que eu; porquê não elaborar uma das coletâneas que o pessoal curte fazer, mas aqui, agora?

Evoluindo a idéia, fazer uma pista de dança virtual, para quem estivesse em casa acompanhar. Assim surgiu a 1a. Poplist Virtual Dancefloor: uma lista de “DJs”, cada um mandando uma música (via link de Youtube, Imeem, Hypem ou algo assim), segundo uma ordem pré-definida de quem quisesse participar, como se fosse em pista.

O resultado foi uma noite divertida (o pack foi inteiramente consumido), e ficou melhor que muito sets por aí. Quem quiser conferir o resultado, pode baixar o resultado aqui ou aqui.

capacontracapa

21
jul09

Cat Power – São Paulo, 18/07/09

Por marciok em Música, Pessoal às 9:31 pm

Estávamos todos lá, sentados, esperando o timbre rouco da voz, a banda matadora, o momento de fechar os olhos ao ouvir “Lived In Bars”.

Tivemos isso. A voz rascante era aquela mesma, com aquele segundo timbre que só pode ser definido como “doce”. A banda, de uma capacidade humilhante, econômica e delicada quando deve, mas que explodia numa rajada de groove, acordes e órgão Hammond quando necessário. E as músicas desfilavam vestidas pela voz de Charlyn Marie Marshall; “The Dark End Of The Street”, “Sea of Love”, a já citada “Lived In Bars” flutuaram entre os sorrisos da platéia do Via Funchal. Mas não foi isso que me chamou atenção na chuvosa noite de sábado, na capital paulista.

Foi a agonia da menina sobre o palco.

Não chamo Cat Power de menina por ela ser alguns meses mais nova que eu. Chamo pois era a imagem que ela passava sobre o palco. O corpo era de uma mulher, e linda; a voz, mais ainda, leva fácil os pensamentos para terrenos impublicáveis. Mas na sua dança desajeitada, nos seus movimentos pouco calculados, na sua indecisão do que fazer na frente de todas aquelas pessoas, me lembrou uma menina, na timidez, e na aflição de não saber como expressar o que queria.

Ali estava uma pessoa visivelmente transtornada por não conseguir infiltrar em cada um da platéia o que ela sente ao cantar. Ela tenta com o que lhe é possível: uma voz sobrenatural, uma banda com soul na medula, mas não é o suficiente. E ela tenta dançar, e não consegue. Se abaixa para cantar olhando para alguém, para obter retorno, e logo levanta por não poder olhar nos olhos de todos. Seus movimentos desconexos mostram um sentimento acumulado que não sai somente pela garganta, e ela não consegue extravasar de nenhuma maneira.

E ficamos lá olhando aquela mulher de franja adolescente, encantadora. Vendo aquela angústia no palco, com uma vontade de somente dar um abraço e dizer: eu entendo. O show de Cat Power é isso: a luta de uma artista em transmitir tudo o que sente cantando, e nunca conseguindo.

Isso fica mais evidente ao final do show, onde ela distribui flores e setlists para a platéia, visivelmente emocionada. Conversa com várias pessoas, pega nas mãos delas, distribui autógrafos em discos, ouve atentamente os mais exaltados, e notadamente não quer sair do palco. Ela quer simplesmente saber se captamos. Se nós sentimos.

Fica tranquila, Chan. Seu show foi um pouco arrastado, durou um pouco demais, muita gente não entendeu que o palco para você é prazer e agonia ao mesmo tempo. Mas muitos, quase todos, sentiram. Missão cumprida.

7
jul09

Sarcófago Musical #9

Por marciok em Música às 10:26 pm

De vez em quando é bom ver Stevie Wonder arrasando como fez hoje no Memorial ao Michael Jackson. Em tempos de hypes incensados semanalmente, é um alívio ver um GÊNIO verdadeiro.

No Sarcófago de hoje, “Ribbon In The Sky”, ao vivo, do disco Stevie Wonder’s Original Musiquarium, de 1982. Aula de melodia.

6
jul09

Just a Song #15

Por marciok em Música às 11:14 pm

Brett Anderson salvando “Beautiful”, da Christina Aguilera.

3
jul09

MJ Tribute – Smooth Criminal Drum Cover

Por marciok em Música às 7:26 pm

Cobus Potgieter, um baterista, resolveu fazer um “sing-along” de bateria com várias músicas do Jacko, como homenagem. A versão de Smooth Criminal ficou insana.

Groovy. Dica da Susan.

27
jun09

Dwarfed Punk

Por marciok em Música às 6:46 pm

Dica do @cellozero. Genial.

27
jun09

A Chapter Was Closed

Por marciok em Música, Pessoal às 12:37 am

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Minha relação com Michael Jackson começa pontualmente, incisivamente. 1984, ano em que “Thriller” atingiu temperatura máxima; o disco é de 1982, mas cresceu em 1983 – e em dezembro deste ano, após uma semana inteira de teasers nos intervalos, Cid Moreira anunciou para retirarem as crianças da sala, pois o vídeo que seria mostrado a seguir no Fantástico poderia assustar algumas pessoas. Era a primeira vez que o vídeo de “Thriller”, a música, era exibido no Brasil, pouco depois de seu lançamento no exterior. Naquela momento, a Música Pop mudou. E eu vi esse momento, ao vivo, no alto dos meus 13 anos de idade.

Mas não tinha absolutamente nenhuma idéia disso.

Já gostava de música, mas ainda não era uma prioridade – era, como ainda é para a imensa maioria das pessoas (e muitas vezes esquecemos disso), apenas um complemento; algo para se ouvir em festas, com os amigos, ou no rádio ligado para quebrar o silêncio da casa. Rádio, esse era o rei: gostávamos do que ele gostava, conhecíamos o que ele transmitia. E com isso, por exemplo, o punk não existiu por lá – exceto pelas imagens do festival O Começo do Fim do Mundo, no SESC Pompéia, em 1982, horrorizando a família brasileira (bem mais que o clipe de Thriller, diga-se – também vi isso ao vivo, na TV). E Michael Jackson surgiu praticamente do nada, para mim – claro que as músicas do Jackson 5 tocavam aqui e ali (mas me lembro mais do desenho animado), e o Off The Wall tocou bastante, mas ainda era só música, aquilo para quebrar silêncio, para gostar em alguns momentos. O caminho foi outro.

Poucos lembram, mas Paul McCartney lançou um disco em 1983 chamado Pipes of Piece, que na época fez muito sucesso. Eu gostava muito desse disco – não me lembro se era minha irmã que tinha ele, ou o Henry, meu vizinho. Paul e Beatles não eram uma associação imediata para mim; Pipes of Peace me chamou a atenção pois eu conhecia o Paul mais de Tug of War, disco dele de 1982, que estourou com o dueto de Paul com Stevie Wonder, “Ebony and Ivory”, que tocou massivamente nas rádios (eu também gostava da canção título, quase certeza que era influência da minha irmã). E em Pipes of Piece, Paul gravou “Say Say Say”, que também tocou bastante nas rádios – então eu conhecia Micheal mais por este dueto (Paul foi espertinho nos duetos, naquela época).

13 para 14 anos, aquela época em se ligava a chave da adolescência, que os pais deixavam de ser heróis, e as meninas deixavam de ser nada para serem…algo que a gente ainda não sabia bem, ou sabia, mas não como lidar (se é que aprendemos a fazer isso algum dia) – eram tempos inocentes. E nos reuníamos não só mais para brincar de carrinho ou jogar bola, mas para conversar – sobre todas aquelas idéias novas, aquelas impressões estranhas, aquele mundo que subitamente tinha ficado diferente. A palavra amigo também mudava de significado – não era mais um parceiro somente de brincadeiras, mas sim da estranheza do mundo.

E dentro destes novos assuntos, música começou a ser um ponto importante. Íamos nas casas uns dos outros para ouvir discos, durante estas trocas de impressões estranhas – e a música se tornava um denominador comum, uma ligação. Gravávamos fitas K7 para ouvir em casa, com fones – era a maneira remota de estarmos com os nossos parceiros. Cantávamos juntos, em círculos de amigos em salas de estar, muitas vezes sem prestar atenção – acho que a palavra para isso é comunhão. Todos juntos, para enfrentar uma nova época, com uma nova trilha sonora – se o mundo agora era nosso, e não o de nossos pais, a música também teria de ser diferente.

Lembro quando o assunto de uma dessas conversas com os amigos foi justamente o vídeo de “Thriller”. Foi um dos acontecimentos do ano, e definitivamente inseriu Michael Jackson entre nossas prioridades. Henry comprou o disco, todos nós gravamos fitas. E Micheal dançava. Muito. E passamos a dançar também. E com a dança, as reuniões de amigos começaram a virar festinhas. E com as festinhas, começamos a reparar mais nas meninas. Seus movimentos. E tínhamos um pretexto para ficar olhando os rostos delas diretamente – estávamos dançando. E, nas baladas, o calor do corpo delas dançando junto, trazia todo um novo caminhão de sensações. Rostos tocando, cheiros de cabelos, contato de braços.

Mais assunto para conversar com os amigos, no dia seguinte.

Não é exagero, então, dizer que conheci a paixão com Jacko sendo um dos apresentadores. O sentimento que me guiou, e me guia, até hoje, em quase tudo: amores, amigos, música, trabalho, família, casa…naquele momento que você se identifica como pessoa, como indivíduo. Não é um impacto pequeno.

E ontem, Michael se foi. E, estranhamente, mesmo sentindo uma certa tristeza, não me conectei ao fato, como muitos dos meus amigos, que ficaram arrasados. Por quê?

Talvez porquê ele tinha se desconectado da minha vida, e da maioria das pessoas, há muito tempo. Na verdade, ele mesmo havia se desconectado da vida dele fazia tempo – eu achava extremamente triste o estado final físico e psicológico da pessoa que mudou todos os conceitos da cultura pop. Não se reconhecia ali mais aquela pessoa que me apresentou a paixão – aliás, nele não se via mais a paixão, que era latente no seu auge: era uma pessoa que adorava o palco, que o dominava como nenhum outro.

Não se reconhecia a pessoa que fez de “Thriller” o álbum mais vendido de todos os tempos; que foi o primeiro negro a ter seu vídeo exibido na MTV – antes de “Billie Jean”, a emissora somente transmitia vídeos de artistas brancos, com medo da rejeição do público. Seu clip não foi somente exibido, como ele foi o artista que elevou esse formato à categoria de arte, justamente com “Thriller”, “Billie Jean” e “Beat It”. A imagem dos artistas sempre foi algo importante, mas com a revolução que ele desencadeou, passou a ser tão, e algumas vezes mais, importante que a música.

Não se reconhecia o, talvez, mais genial dançarino da história do showbizz. Que resgatou a tradição americana dos “entretainers” – os artistas completos, que cantavam e dançavam; nele se reconhecia a distante linhagem dos sapateadores, com seus movimentos de pé; o deslizar dos sapatos, como se flutuasse, com movimentos quebrados de pernas, direto de Mr. Dynamite, uma geração atrás; os movimentos robóticos e quebrados da break dance, que ainda estava contida nos guetos. Cab Calloway, Sammy Davis Jr, Fred Astaire, James Brown, B-Boys, estão todos lá.

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Não se reconhecia o cantor de imensa voz – mostrada desde a infância, com os Jackson 5, e que acabou meio relegada à segundo plano nas atenções pela performance visual na carreira solo. O mito sobrepujou o cantor.

Restava somente uma figura bizarra, carregando nas costas um imenso peso. Peso do seu início de carreira sob a mão de ferro do pai, que não poucas vezes lhe esbofeteou, e roubou boa parte de uma infância, que ele sempre tentou viver tardiamente. De ter se tornado o artista solo de maior sucesso da história, e de como tentar sustentar isso – e falhado, o ícone sobreviveu, mas o artista nunca mais foi o mesmo. De ter gastado sua fortuna em busca de uma felicidade que nunca veio. Das acusações de pedofilia, de suas plásticas, de suas paranóias.

Não era mais Michael Jackson. Era um corpo carregando um legado. Ao menos, o peso se foi.

Mas, involuntariamente (afinal, nada indica que foi suicídio), ele acertou no timing mais uma vez. A morte dele é tratada como o encerramento de uma era, pela importância dele como ícone; e, na verdade, realmente uma era está se encerrando, mas com a morte de Michael é que vai cair a ficha para a maioria das pessoas. Pois a cultura pop que Michael Jackson catalisou também está morrendo; o artista dominador e duradouro, líder das paradas, o megaastro, é um formato em extinção. Os discos, cujas vendas marcavam os reinados, estão desaparecendo, junto com as gravadoras, os videoclipes milionários, as mansões excêntricas.

Era um mundo diferente para Jacko, esse dominado por MP3 e um artista sensação por mês. Não há mais heróis, não há mais supergrupos e superastros, não há mais aquele artista que baliza os rumos de um ano, com presença massiva. Os anos 00 representaram o início do fim das instituições musicais, sejam os artistas ou as gravadoras; ainda existem alguns megagrupos, com megaturnês, mas todos são ainda sobreviventes da era passada: Stones, U2, Madonna. Existem grupos e artistas mais novos que ainda fazem grandes shows e causam algum impacto (Radiohead, Kanye West, Nine Inch Nails, etc), mas atingem somente alguns segmentos do público de cultura pop – não têm a abrangência que Jacko possuía em seu auge. E provavelmente nunca mais terão, pois agora não é mais o rádio, ou a MTV, que comanda os gostos – a música está ao alcance de um clique. As pessoas podem escolher do que gostar, basta quererem.

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Assim, Micheal Jackson fez seu último ato: fechou sua vida junto com um ciclo que ele mesmo ajudou a criar, como se junto com ele levasse o modelo de cultura pop do qual ele era o maior representante. Nada mais marcante que um rei morrer junto com seu próprio reino.

E eu, agora, não me lembro do Michael Jackson freak do final da vida. Nem mesmo do Rei do Pop que manteve o posto mesmo depois de parar de produzir, simplesmente porquê não teve herdeiros. Eu me lembro do cara lá do início do texto, que estava junto quando deixei de ser criança. O que não deixa de ser curioso, pois aparentemente ele terminou a vida sempre tentando voltar à infância que não teve, ao seu passado, à quando ele sorria, cantando, em cima de um palco.

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E você conseguiu, Michael. Trouxe uma conexão comigo de novo, lá no tempo que você gostava, no passado. Onde perdemos a inocência, em escalas diferentes; quando você mudou a cultura pop, eu mudei a minha vida. Talvez, ambos, nos dando conta que a inocência não era tão ruim assim, olhando pra trás e vendo todos os erros e acertos de todos esses anos – e se dando conta, no final, que nunca deixamos de ser adolescentes procurando entender a vida, querendo somente uma roda de amigos na sala que nos entendam. Mas acho que não tinha como ser diferente, nem para mim, nem pra você.

E tivesse sido, eu não seria o que sou. E se você não tivesse sido, o mundo não seria como é. Acho que valeu.

Descansa em paz, parceiro. E canta aí pra nós.

23
jun09

Just a song #14

Por marciok em Música às 9:22 pm

Spoon, “Everything Hits At Once”. Que banda.

Don’t Say A Word
The Last One’s Still Stinging
Back A My Mind
I Feel That Phone Ringing
And There Is No Way Back From This

Everything Hits At Once
What We Needs Is Just What We Wants
I Go To Sleep But Think That You’re Next To Me
I Go To Sleep And Think You’re Next To Me

Don’t Make A Move
When I Walk Out Don’t Follow Me
Out In The Car
Can Feel It Calling Me
And Ooh You’re So Far Away

But I Can Still Change My Mind Tonight
I Gotta Change My Mind Somehow
I Go To Sleep Alone But Think That You’re Next To Me
Everything Hits At Once Tonight
Outside Is All Lit Up With Ad Lights
In Traffic We Become On The Way Back Home
Part Of Something Bigger Than Just On Our Own

I Gotta Change My Mind Tonight
I Can Still Change My Mind Tonight
Merging In Traffic Cross The Lanes And Then We Become
Something Bigger Than Just Any One
Oh And Everything Hits At Once
What We Needs Is Just What We Wants
I Go To Sleep And Think That You’re Next To Me
I Go To Sleep And Think That You’re Next To Me

20
jun09

Just a Song #13

Por marciok em Música às 8:52 pm

Seaweed, “Steadfast Shrine”

19
jun09

Just a Song #12

Por marciok em Música às 9:26 pm

The New Pornographers, “The Laws Have Changed”. Nunca sei o que é melhor, se a música, ou o vídeo – a festa perfeita, gente linda e com estilo, dançando como se não tivesse amanhã com sorrisos nos rostos, sem a cultura do carão que predomina hoje.

Good vibe total.