"They say we can love who we trust / But what is love without lust? / Two hearts with accurate devotions / but what are feelings without emotions?"
13
jul09
Pause
Por marciok em Geral às 11:07 am
Aqui já está meio parado, mas somente pra não ficar sem aviso: por causa de um concurso que vou prestar no próximo final de semana, o Mindprints deve ficar sem atualizações até o início da semana que vem. Voltamos dia 20 com a nossa programação normal.
7
jul09
Sarcófago Musical #9
Por marciok em Música às 10:26 pm
De vez em quando é bom ver Stevie Wonder arrasando como fez hoje no Memorial ao Michael Jackson. Em tempos de hypes incensados semanalmente, é um alívio ver um GÊNIO verdadeiro.
No Sarcófago de hoje, “Ribbon In The Sky”, ao vivo, do disco Stevie Wonder’s Original Musiquarium, de 1982. Aula de melodia.
6
jul09
Just a Song #15
Por marciok em Música às 11:14 pm
Brett Anderson salvando “Beautiful”, da Christina Aguilera.
6
jul09
The Greatest Battle
Por marciok em Geral às 10:53 pm
O Flávio Gomes lembrou: dia 1° de julho fez 30 anos do maior duelo da história da Fórmula 1. Gilles Villeneuve contra René Arnoux, no circuito de Dijon-Prenois, na disputa pelo segundo lugar. Arnoux com uma Renault turbo, muito mais rápida que a Ferrari de Villeneuve, querendo fazer uma dobradinha totalmente francesa em casa – na liderança estava Jean-Pierre Jabouille, com a outra Renault.
Aí, nas últimas duas voltas, o que ocorreu foi isso:
Nos dias de hoje, ambos seriam desclassificados por direção perigosa. E com certeza, iria ter discussão feia antes do pódio, com pilotos fazendo beicinho. O que ocorreu em 1979? Os dois desceram dos carros com sorrisos nos rostos, e se abraçaram – eles se divertiram. E Arnoux, o perdedor, disse textualmente:
“The fight with Gilles Villeneuve is something that I will never forget. He says you can only race likes that, when you know, with someone you trust completely, and you do not meet many like him. I knew I had been beaten by the best driver in the world.”
Tempos que não voltam mais.
4
jul09
Flying with the rhymes
Por marciok em Geral às 12:04 am
Em tempos de vôos despencando, nada como conseguir relaxar um pouco. Basta um comissário de bordo funky.
Levadinha old school, ainda. Roubei lá do Flávio Gomes.
3
jul09
MJ Tribute – Smooth Criminal Drum Cover
Por marciok em Música às 7:26 pm
Cobus Potgieter, um baterista, resolveu fazer um “sing-along” de bateria com várias músicas do Jacko, como homenagem. A versão de Smooth Criminal ficou insana.
Groovy. Dica da Susan.
30
jun09
Wishing all the happiness
Por marciok em Pessoal às 10:12 pm
Os tempos do Buenas Noches ficaram para trás, e este blog tenta ser razoavelmente impessoal.
Mas vou abrir uma exceção para mandar um abraço para um dos poucos conhecidos desses anos de internet que ainda não conheço pessoalmente (falha que deve ser corrigida ainda esse ano, espero), excelente escritor, fotógrafo ascendente, e uma das pessoas mais apaixonadas que conheço em tudo que faz. E, principalmente, pela pessoa que está com ele.
E muitos ainda não acham necessário, e realmente não é, se for somente pela convenção social – o casamento. E eles, como muitos casais de hoje em dia, não precisariam satisfazer a convenção – já moravam juntos há muito tempo. Mas resolveram – imagino – fazer a cerimônia não como um protocolo, ou uma confirmação, e sim como um compartilhamento. Compartilhar com as pessoas que mais gostam a paixão e a felicidade que sentem um pelo outro.
E imagino que conseguiram, pelas fotos – pois são algumas das fotos mais lindas que já vi na vida. Não são aquelas fotos posadas para figurarem em álbuns aveludados, e esquecidos em armários; são totalmente espontâneas, simples, em que a expressão dos rostos de todos diz TUDO. Fazia algum tempo que simples fotos não me emocionavam tanto.
Não estão todas aqui, pois são muitas – elas podem ser vistas no site da fotógrafa, aqui, aqui, e aqui.
Que coisa linda.
Não vou desejar felicidade para os noivos. Isso, é visível, eles já encontraram. Abração, André e Lelê. Tudo de bom pra vocês.
(e imagino que deva ter tocado “Be My Baby”)
29
jun09
Para pilantragem não precisa de diploma
Por marciok em Geral às 7:50 pm
Um dos maiores atos de cara de pau do ano: o Jornal O Estado, de Palmas, no Tocantins, publicou um artigo sobre a morte de Michael Jackson (não sei se o link vai funcionar, basta acessar a edição do dia 29 de junho, páginas 12-13). Extremamente passional, tocante, bem escrito.
Talvez porquê não tenha sido a dublê de repórter chamada Cecília Santos que escreveu a matéria – o texto é uma cópia com pouquíssimas alterações do texto sensacional que meu amigo Hector Lima escreveu no seu site, o ótimo Goma de Mascar – quem quiser confirmar, é só acessar aqui.
No auge da polêmica sobre a obrigatoriedade do diploma para jornalistas, disseram que certas cadeiras que ensinam nas faculdades de jornalismo eram imprescindíveis para a carreira – e a de Ética era constantemente citada. Vendo os escândalos de manipulação de mídia entre a nossa chamada Grande Imprensa, e casos como esse, eu recomendaria que o MEC verificasse se essa cadeira AINDA EXISTE nos cursos de jornalismo.
27
jun09
A Chapter Was Closed
Por marciok em Música, Pessoal às 12:37 am
Minha relação com Michael Jackson começa pontualmente, incisivamente. 1984, ano em que “Thriller” atingiu temperatura máxima; o disco é de 1982, mas cresceu em 1983 – e em dezembro deste ano, após uma semana inteira de teasers nos intervalos, Cid Moreira anunciou para retirarem as crianças da sala, pois o vídeo que seria mostrado a seguir no Fantástico poderia assustar algumas pessoas. Era a primeira vez que o vídeo de “Thriller”, a música, era exibido no Brasil, pouco depois de seu lançamento no exterior. Naquela momento, a Música Pop mudou. E eu vi esse momento, ao vivo, no alto dos meus 13 anos de idade.
Mas não tinha absolutamente nenhuma idéia disso.
Já gostava de música, mas ainda não era uma prioridade – era, como ainda é para a imensa maioria das pessoas (e muitas vezes esquecemos disso), apenas um complemento; algo para se ouvir em festas, com os amigos, ou no rádio ligado para quebrar o silêncio da casa. Rádio, esse era o rei: gostávamos do que ele gostava, conhecíamos o que ele transmitia. E com isso, por exemplo, o punk não existiu por lá – exceto pelas imagens do festival O Começo do Fim do Mundo, no SESC Pompéia, em 1982, horrorizando a família brasileira (bem mais que o clipe de Thriller, diga-se – também vi isso ao vivo, na TV). E Michael Jackson surgiu praticamente do nada, para mim – claro que as músicas do Jackson 5 tocavam aqui e ali (mas me lembro mais do desenho animado), e o Off The Wall tocou bastante, mas ainda era só música, aquilo para quebrar silêncio, para gostar em alguns momentos. O caminho foi outro.
Poucos lembram, mas Paul McCartney lançou um disco em 1983 chamado Pipes of Piece, que na época fez muito sucesso. Eu gostava muito desse disco – não me lembro se era minha irmã que tinha ele, ou o Henry, meu vizinho. Paul e Beatles não eram uma associação imediata para mim; Pipes of Peace me chamou a atenção pois eu conhecia o Paul mais de Tug of War, disco dele de 1982, que estourou com o dueto de Paul com Stevie Wonder, “Ebony and Ivory”, que tocou massivamente nas rádios (eu também gostava da canção título, quase certeza que era influência da minha irmã). E em Pipes of Piece, Paul gravou “Say Say Say”, que também tocou bastante nas rádios – então eu conhecia Micheal mais por este dueto (Paul foi espertinho nos duetos, naquela época).
13 para 14 anos, aquela época em se ligava a chave da adolescência, que os pais deixavam de ser heróis, e as meninas deixavam de ser nada para serem…algo que a gente ainda não sabia bem, ou sabia, mas não como lidar (se é que aprendemos a fazer isso algum dia) – eram tempos inocentes. E nos reuníamos não só mais para brincar de carrinho ou jogar bola, mas para conversar – sobre todas aquelas idéias novas, aquelas impressões estranhas, aquele mundo que subitamente tinha ficado diferente. A palavra amigo também mudava de significado – não era mais um parceiro somente de brincadeiras, mas sim da estranheza do mundo.
E dentro destes novos assuntos, música começou a ser um ponto importante. Íamos nas casas uns dos outros para ouvir discos, durante estas trocas de impressões estranhas – e a música se tornava um denominador comum, uma ligação. Gravávamos fitas K7 para ouvir em casa, com fones – era a maneira remota de estarmos com os nossos parceiros. Cantávamos juntos, em círculos de amigos em salas de estar, muitas vezes sem prestar atenção – acho que a palavra para isso é comunhão. Todos juntos, para enfrentar uma nova época, com uma nova trilha sonora – se o mundo agora era nosso, e não o de nossos pais, a música também teria de ser diferente.
Lembro quando o assunto de uma dessas conversas com os amigos foi justamente o vídeo de “Thriller”. Foi um dos acontecimentos do ano, e definitivamente inseriu Michael Jackson entre nossas prioridades. Henry comprou o disco, todos nós gravamos fitas. E Micheal dançava. Muito. E passamos a dançar também. E com a dança, as reuniões de amigos começaram a virar festinhas. E com as festinhas, começamos a reparar mais nas meninas. Seus movimentos. E tínhamos um pretexto para ficar olhando os rostos delas diretamente – estávamos dançando. E, nas baladas, o calor do corpo delas dançando junto, trazia todo um novo caminhão de sensações. Rostos tocando, cheiros de cabelos, contato de braços.
Mais assunto para conversar com os amigos, no dia seguinte.
Não é exagero, então, dizer que conheci a paixão com Jacko sendo um dos apresentadores. O sentimento que me guiou, e me guia, até hoje, em quase tudo: amores, amigos, música, trabalho, família, casa…naquele momento que você se identifica como pessoa, como indivíduo. Não é um impacto pequeno.
E ontem, Michael se foi. E, estranhamente, mesmo sentindo uma certa tristeza, não me conectei ao fato, como muitos dos meus amigos, que ficaram arrasados. Por quê?
Talvez porquê ele tinha se desconectado da minha vida, e da maioria das pessoas, há muito tempo. Na verdade, ele mesmo havia se desconectado da vida dele fazia tempo – eu achava extremamente triste o estado final físico e psicológico da pessoa que mudou todos os conceitos da cultura pop. Não se reconhecia ali mais aquela pessoa que me apresentou a paixão – aliás, nele não se via mais a paixão, que era latente no seu auge: era uma pessoa que adorava o palco, que o dominava como nenhum outro.
Não se reconhecia a pessoa que fez de “Thriller” o álbum mais vendido de todos os tempos; que foi o primeiro negro a ter seu vídeo exibido na MTV – antes de “Billie Jean”, a emissora somente transmitia vídeos de artistas brancos, com medo da rejeição do público. Seu clip não foi somente exibido, como ele foi o artista que elevou esse formato à categoria de arte, justamente com “Thriller”, “Billie Jean” e “Beat It”. A imagem dos artistas sempre foi algo importante, mas com a revolução que ele desencadeou, passou a ser tão, e algumas vezes mais, importante que a música.
Não se reconhecia o, talvez, mais genial dançarino da história do showbizz. Que resgatou a tradição americana dos “entretainers” – os artistas completos, que cantavam e dançavam; nele se reconhecia a distante linhagem dos sapateadores, com seus movimentos de pé; o deslizar dos sapatos, como se flutuasse, com movimentos quebrados de pernas, direto de Mr. Dynamite, uma geração atrás; os movimentos robóticos e quebrados da break dance, que ainda estava contida nos guetos. Cab Calloway, Sammy Davis Jr, Fred Astaire, James Brown, B-Boys, estão todos lá.
Não se reconhecia o cantor de imensa voz – mostrada desde a infância, com os Jackson 5, e que acabou meio relegada à segundo plano nas atenções pela performance visual na carreira solo. O mito sobrepujou o cantor.
Restava somente uma figura bizarra, carregando nas costas um imenso peso. Peso do seu início de carreira sob a mão de ferro do pai, que não poucas vezes lhe esbofeteou, e roubou boa parte de uma infância, que ele sempre tentou viver tardiamente. De ter se tornado o artista solo de maior sucesso da história, e de como tentar sustentar isso – e falhado, o ícone sobreviveu, mas o artista nunca mais foi o mesmo. De ter gastado sua fortuna em busca de uma felicidade que nunca veio. Das acusações de pedofilia, de suas plásticas, de suas paranóias.
Não era mais Michael Jackson. Era um corpo carregando um legado. Ao menos, o peso se foi.
Mas, involuntariamente (afinal, nada indica que foi suicídio), ele acertou no timing mais uma vez. A morte dele é tratada como o encerramento de uma era, pela importância dele como ícone; e, na verdade, realmente uma era está se encerrando, mas com a morte de Michael é que vai cair a ficha para a maioria das pessoas. Pois a cultura pop que Michael Jackson catalisou também está morrendo; o artista dominador e duradouro, líder das paradas, o megaastro, é um formato em extinção. Os discos, cujas vendas marcavam os reinados, estão desaparecendo, junto com as gravadoras, os videoclipes milionários, as mansões excêntricas.
Era um mundo diferente para Jacko, esse dominado por MP3 e um artista sensação por mês. Não há mais heróis, não há mais supergrupos e superastros, não há mais aquele artista que baliza os rumos de um ano, com presença massiva. Os anos 00 representaram o início do fim das instituições musicais, sejam os artistas ou as gravadoras; ainda existem alguns megagrupos, com megaturnês, mas todos são ainda sobreviventes da era passada: Stones, U2, Madonna. Existem grupos e artistas mais novos que ainda fazem grandes shows e causam algum impacto (Radiohead, Kanye West, Nine Inch Nails, etc), mas atingem somente alguns segmentos do público de cultura pop – não têm a abrangência que Jacko possuía em seu auge. E provavelmente nunca mais terão, pois agora não é mais o rádio, ou a MTV, que comanda os gostos – a música está ao alcance de um clique. As pessoas podem escolher do que gostar, basta quererem.
Assim, Micheal Jackson fez seu último ato: fechou sua vida junto com um ciclo que ele mesmo ajudou a criar, como se junto com ele levasse o modelo de cultura pop do qual ele era o maior representante. Nada mais marcante que um rei morrer junto com seu próprio reino.
E eu, agora, não me lembro do Michael Jackson freak do final da vida. Nem mesmo do Rei do Pop que manteve o posto mesmo depois de parar de produzir, simplesmente porquê não teve herdeiros. Eu me lembro do cara lá do início do texto, que estava junto quando deixei de ser criança. O que não deixa de ser curioso, pois aparentemente ele terminou a vida sempre tentando voltar à infância que não teve, ao seu passado, à quando ele sorria, cantando, em cima de um palco.
E você conseguiu, Michael. Trouxe uma conexão comigo de novo, lá no tempo que você gostava, no passado. Onde perdemos a inocência, em escalas diferentes; quando você mudou a cultura pop, eu mudei a minha vida. Talvez, ambos, nos dando conta que a inocência não era tão ruim assim, olhando pra trás e vendo todos os erros e acertos de todos esses anos – e se dando conta, no final, que nunca deixamos de ser adolescentes procurando entender a vida, querendo somente uma roda de amigos na sala que nos entendam. Mas acho que não tinha como ser diferente, nem para mim, nem pra você.
E tivesse sido, eu não seria o que sou. E se você não tivesse sido, o mundo não seria como é. Acho que valeu.
Descansa em paz, parceiro. E canta aí pra nós.
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