Por quê?
Porque coxinhas são uma refeição simples e deliciosa, dá pra comer com a mão, vendo TV.
E poucas coisas são tão TRU quanto comer com a mão. Comidas apimentadas.
Quanto?
1 kg de coxinhas da asa (aquelas menores, de churrasco – umas 15)
1 cerveja long neck (no mínimo duas se você ainda planeja bebê-las)
3 ou 4 pimentas jalapeño verde em fatias grossas – vale em conserva ou em lata
sal, azeite, pimenta do reino e pimenta calabresa a gosto
1 limão
Como?
Num pote fundo, tupperware, ou até um saco plástico (desses de comida, não desses de supermercado que tu usa pra carregar chuteira pra pelada), misture as coxinhas, a cerveja, o sal e pimentas a gosto, e o limão espremido. Se você deu uma lavadinha digna no limão, pode até largar a casca marinando junto. Misture bem sem deixar vazar, feche e reserve na geladeira por umas duas horas, no mínimo. Umas quatro tá de bom tamanho.
Daí você tira a parada da geladeira e deixa em cima da pia pra voltar a temperatura ambiente. Leva tipo meia hora. Nesse tempo, você já pode ir pré-aquecendo o forno. Tudo no alto, porque as coxinhas assam rápido – e se cozinharem muito lentamente, elas podem ficar ressecadas.
As coxinhas vão num tabuleiro de bolo razoavelmente fundo, porque a cerveja vai junto, e as pimentas também. Só o limão que você já pode jogar no lixo. Mas ainda rola de regar com um pouquinho de azeite.
Esse tabuleiro vai ao forno quente por 20 minutos a meia hora, e depois, sem desligar o forno (mas tirando o tabuleiro de dentro dele), você vira as coxinhas e deixa elas assarem por mais meia hora. Você vai saber que está pronto quando a cerveja tiver evaporado e as coxinhas estiverem douradas e crocantes.
Onde?
Num prato fundo, na mão, mergulhando elas num pote de sour cream sem a menor higiene. Ou com uma farofinha e maionese de batatas, naquela vibe churrasco. É uma receita de sabores bem simples, a cerveja é só o veículo pras pimentas. Tem que curtir.
Ferramentas: Um tabuleiro e capacidade de guardar pelo menos uma cerveja. Dificuldade: A parte da cerveja. Rendimento: Exatamente o mesmo número de coxinhas que você colocou no tabuleiro. Ou umas 15, pra cada quilo, dependendo do tamanho da coxinha e o quão congelada ela estava.
Para fazer ouvindo: Rufus Thomas – “The Funky Chicken”
3 descobertas importantes dos últimos dias na internet:
1) Pelo blog Bebidinhas, da galera amiga do Rango TRU Ligia Helena e Tiago Agostini, conheci importantes informações sobre a quantidade média de álcool em uma dose ao redor do mundo.
Pra segunda parte do nosso tutorial da Feijoada, algumas receitas de drinks e petiscos cruciais e de fácil preparo para você ganhar tempo caso a galera chegue muito cedo e o feijão ainda nem esteja no fogo. Pra ninguém achar que tô tapeando vocês com esse lance de post seriado, uma das receitas de petiscos abaixo foi concebida HOJE, especialmente para esse blog e esse post em particular, com direito à sessão de fotos e tudo! E amanhã o Guia da Feijoada finalmente chega a seu ápice! Preparem suas panelas-de-pressão.
PETISCOS
Calabresa acebolada: Fatie a calabresa em rodelas finas. Se a tripa por fora da lingüiça atrapalhar demais a cortar, retire-a, mas depois é preciso passar a faca com mais cuidado e – por que não? – carinho com a lingüiça. Aqueça bem uma frigideira grande (ou uma panela larga), e acrescente as calabresas com um fio de azeite, até que elas cubram o fundo do recipiente. Assim que a calabresa começar a curvar e queimar as bordas, abaixe o fogo e passe uma espátula na frigideira, soltando e virando as fatias de lingüiça o melhor possível. Deixe elas assim mais uns minutos, e de vez em quando dê uma mexida pra garantir que ela vai dourar por igual.
Quando elas já estiverem bem vermelhinhas e com as bordas crocantes, tire as fatias de lingüiça da panela com uma escumadeira, deixando no fundo dela a mistura do azeite com a gordura da própria lingüiça. Acrescente a esse óleo as rodelas de cebola (que você fatiou enquanto a lingüiça fritava, obviamente), um pouco de sal e um pouquinho mais de azeite (se necessário), e aumente o fogo novamente. Frite as cebolas até que elas parem de soltar água, mas sem deixar que elas queimem ou dourem demais. Jogue as cebolas com óleo e tudo por cima das lingüiças, e sirva com pedaços de pão, torradas, e farinha de mesa. Ah, sim: prefira a calabresa vendida solta no mercado – mesmo as de marca famosa, tipo Sadia ou Perdigão, são mais frescas naturais. - Quantidades: 2 lingüiças calabresas grandes / 5-6 pessoas
Salsichas crocantes: Leve as salsichas ao fogo em uma panela de água, e espere até que ferva. Escoe as salsichas, e reserve. Abra um pedaço da massa folhada (sem cortá-la) sobre uma tábua de carne ou sobre a pia levemente enfarinhada (farinha de trigo, obviamente). Se a massa estiver com aquele plástico por fora, nem é necessário a farinha, basta não retirá-lo por enquanto. Posicione as salsichas sobre a massa – normalmente, cabem duas salsichas em pé, uma em cima da outra, formando uma linha vertical na ponta da massa esticada na horizontal. Deu pra visualizar? Bom, enrole as salsichas na massa até que um lado dela toque o outro, e depois corte a massa com uma faca rente a essa junção. Pressione bem os cantinhos para que as salsichas fiquem bem enroladinhas na massa, soltando de leve o plástico da massa.
Fatie as salsichas com massa ainda sobre o plástico, em rodelas finas. Em seguida, coloque-as numa assadeira, ocupando todo o fundo dela, mas sem deixar que as rodelinhas de salsicha se encostem (a massa ainda vai crescer um pouco). Faça isso até que a massa ou as salsichas acabem, e leve a assadeira ao forno pré-aquecido. Confira na embalagem da massa o tempo de cozimento – não costuma ser mais que meia hora. Com uns 15 minutos de forno, já vale conferir, e se a massa tiver crescido e estiver dourada, já tá pronto. Sirva com potinhos de ketchup e mostarda. - Quantidades: 1 pacote de massa folhada + 1 dúzia de salsichas / 6-8 pessoas (capaz de sobrar massa, até)
Bolinha de aipim com alho: Descasque e cozinhe o aipim* até que ele fique bem macio; reserve. Para cada dente de alho, corte metade dele em rodelinhas finas-mas-não-muito, e pique outra metade em cubinhos pequenos mas que você ainda consiga pegar com os dedos; reserve também. Amasse bem o aipim morno com um garfo, e acrescente a farinha de trigo e o sal. Misture bem com as mãos até formar uma bola de massa que você consiga modelar com as mãos. ATENÇÃO: se você colocar farinha demais, a massa vai ficar se despedaçando. Se você colocar farinha de menos, também. Então vai devagar…
Com o polegar e o indicador, retire pedacinhos de massa e faça bolinhas pequenas, apertando-as com os dedos para dar forma. Enrole leve e rapidamente as bolinhas entre as palmas das mãos, e ajeite ela sobre uns pedacinhos de alho. Faça primeiro todas as bolinhas, e depois empurre uns cubinhos e rodelinhas de alho contra a massa, com cuidado para não destruir as bolinhas. Essa é a hora de ser criativo: você pode até espetar as fatias de alho pra dentro da bolinha, deixando só as pontinhas de fora. Dá até pra rolar as bolinhas pelo alho, como um brigadeiro no granulado, mas tenha cuidado e depois dê mais uns apertões na bolinha pra ter certeza de que o alho vai ficar no lugar.
Aceite: parte do alho ainda deve descolar quando você mergulhar as bolinhas no óleo. E sendo super minucioso agora, uns 6-8 pedacinhos de alho picado, mais uma rodelinha pra cada bolinha, são o suficiente pra bolinhas pequenas, da largura de um polegar. Frite as bolinhas em óleo bem quente, de preferência usando uma dessas redes de fritadeira ou uma escumadeira grande para mergulhar o máximo de bolinhas possível no óleo AO MESMO TEMPO. O tempo de fritura é MUITO RÁPIDO, por isso o aipim precisa estar bem cozido e o óleo, bem quente. O alho começa a dourar em coisa de 15 segundos, e nuns 30 segundos a bolinha já tá praticamente pronta. Bateu em 1 minuto, parabéns, você queimou o alho todo.
Macete final: 95% das frituras ficam murchas se você tira do óleo e joga no papel-toalha. O ideal é que elas sequem primeiro num lance tipo aqueles do McDonald’s de fritar batatas (cês tão ligados, tenho certeza). Em casa, você pode substituir isso por um daqueles escorredores de macarrão de alumínio – não vai jogar no coador de plástico! Depois de uns minutos, aí sim você transfere o rango pra um pratinho. - Quantidades: 1/2 kg de aipim (cru) + 2 colheres de sopa (nem rasa, nem montanhosa) de farinha de trigo + 1 colherzinha de sal + 8 dentes de alho = bolinhas pacas (5-6 pessoas) *aipim = mandioca, macaxeira… você sabe.
DRINKS
Tangerina: 1 dose de vodca + 3 doses de suco de tangerina + gelo (confesso: curto Tanjal, aquele suco que vem na lata)
- refrescante, delicioso, e um ícone do underground carioca *tungado da Casa da Matriz
Faux-Red Bull: 1 dose de vodca Smirnoff sabor Frutas Vermelhas + 3 doses de Guaraná Antarctica + gelo
- o drink fica com gosto de vodca com Red Bull
Cuba Libre: 1 ou 2 doses de rum + coca-cola até completar o copo + gelo
- um clássico eterno, ao menos enquanto Fidel não morre
Caipirinha: cachaça + açúcar + limão + gelo
- proporções? Te vira. Dá até pra fazer no balde…
Para fazer ouvindo: Nina Simone – “Love Me or Leave Me”
Aproveitando a sugestão da Renata Rocha, e também atendendo a alguns outros pedidos da galera, revelarei até o fim dessa semana os segredos para uma boa feijoada feita no mesmo dia. Porque quem sai pra night no sábado nem fudendo vai lembrar de deixar o feijão de molho e a carne dessalgando pra feijoada de domingo.
Nessa sexta, daqui a pouco, vocês vão descobrir como são feitos os acompanhamentos de uma boa feijoada. Sábado, drinks e petiscos pro caso da feijoada atrasar (e conforme-se: vai atrasar). E Domingo, finalmente, em cima da hora pro almoço (se você também almoça às 16h), encerramos o guia com nosso prato principal. Ela, A FEIJOADA.
Acompanhem por aqui: esse post vai manter os links pras receitas sempre atualizados, e tudo juntinho num lugar só. E antes que me acusem de jogada de marketing com esse papo de dividir a receita, entendam: feijoada dá preguiça.
Confesso que, de cara, bolei com a bebida preferida do escritor Anthony Burgess (Laranja Mecânica): Hangman’s Blood, ou o Sangue do Carrasco – uma letal combinação de uísque, rum, gim, conhaque, champanhe, vinho do porto e cerveja preta.
Sinistro. E nego ainda fala que cachaceiro era o Bukowski.
Vim gastar uns dias na capital pra resolver uns problemas, e de quebra descobri que o Rio de Janeiro vive nesse mês de Agosto o festival Comida di Buteco, com 31 bares e seus respectivos petiscos na disputa pelo acompanhamento favorito do carioca na hora da cerveja.
Passei no Pavão Azul, em Copacabana, de tradicional comida boa – mas não encarei as Pataniscas que participam da competição, só uns pasteizinhos mesmo. Entre os pratos que mais me interessaram, estão os bolinhos de carne do Bar Brasil (Lapa), de feijoada, do Aconchego Carioca (Pça. da Bandeira), e o croquete do Varnhagen (Maracanã); o coração de frango do Baixo Araguaia (Freguesia) e o pastel de angu recheado de bacon, couve e torresmo do Beco do Rato (Lapa); e finalizando, o espetinho de Mignon do Boteco Salvação (Botafogo) e o joelho de porco do Enchendo Lingüiça (Grajaú).
Dos que já conhecia, concorrem a Picanha na pedra do Real (Copacabana), o caldinho de feijão do Jobi (Leblon), e o Frango à passarinho do Bar Jóia (Jd. Botânico) – todos realmente de primeiríssima linha.
Enfim, devo aparecer mais aqui na capital esse mês de Agosto. Mas as receitas voltam na sexta, e já vou prometendo um tutorial sobre COMO FAZER O BIFE PERFEITO. Sério, vai mudar a vida de vocês. Aguardem.