
Acreditem ou não, estamos de volta, encerrando enfim nosso longuíssimo Menu Mediterrâneo.
Por quê?
Acho que mousse de chocolate é um lance meio auto-explicativo, né? Mousse, que traduz como “deliciosa almofada aerada de sabores que dissolvem na boca causando prazer semi-orgásmico”, e chocolate, que dispensa apresentações. Também tunguei a receita do Bourdain, mas mais o modo de fazer do que os sabores… Então dá pra assumir como minha. Hehehehe… Sem contar que é a ultimate receita pra pegar mulher: tão perigosa que se você executar bem demais a mousse, corre sérios riscos dela querer casar contigo. Existem casos registrados.
Quanto?
- algo entre 150 e 180g de chocolate meio-amargo picado (mire em 180g, e desconte os pedaços que você vai comer enquanto corta o chocolate)
- uma dose (do tamanho de uma dose de tequila… um shot) de café de primeiríssima, BEM FORTE
- 4 colheres (de sopa) de manteiga de qualidade decente e a mais fresca possível (no sentido de data de produção, mas se você tomar isso como “vou comprar uma manteiga francesa”, também tá valendo)
- 1 xícara de creme de leite fresco - se você mora na roça, como eu, procure no rótulo das latas de creme de leite a que tiver o percentual MAIS ALTO de gordura, normalmente algo em torno de 25%, e compre essa (e use sem o soro e ligeiramente resfriada)
- 4 ovos, gemas e claras separadas
- se você usar um chocolate importado e REALMENTE amargo, acrescente duas colheres (de sopa) de açúcar de confeiteiro à receita - se o chocolate é brasileiro e “tradicional” (nestlé, garoto e congêneres), desencane, eles são doces o suficiente
- chantilly para decorar
Como?
Vamos finalmente exigir um certo nível de complexidade e apreço dos nossos leitores. Afinal, essa é uma sobremesa refinada pacas, um bastião da culinária francesa tornado mundial. Tome como exemplo todos aqueles milhares de franceses guilhotinados na revolução por tentarem fazer mousse sem bater as claras direito, ou por usarem chocolate vagabundo que era pura gordura vegetal hidrogenada. Serão três etapas. A primeira é…
1 - DERRETENDO O CHOCOLATE
Prepare um banho-maria com o chocolate picado. Se você não sabe o que é um banho-maria, você provavelmente precisa passar mais tempo com a sua avó, seu neto mal-agradecido. Mas consiste basicamente em uma panela grande com água mantida entre morna e quente, em fogo baixo, com uma panela menor por cima, com o fundo tocando a água quente para que esquente indiretamente. É nessa panela menor que vai o chocolate. Tente fazer com que a panela maior não fique boiando pra evitar que entre água. E por “tente fazer” eu quero dizer “dá o teu jeito”. Porque se entrar água fudeu.
Misture ocasionalmente o chocolate com uma espátula, pra que ele derreta por igual. Retire do banho-maria, e acrescente então o café, e misture. Agora a manteiga, uma colherada de cada vez, misturando sempre. Finalmente, acrescente as gemas, incorporando bem cada uma delas antes de acrescentar a próxima. E tenha certeza de que seu chocolate está derrentendo lentamente, sem esquentar muito - se for preciso, apague o fogo por alguns minutos e depois volte a ligá-lo. Se o chocolate estiver quente demais, as gemas vão cozinhar, o que não é exatamente o que queremos aqui.
2 - AS CLARAS EM NEVE
Bata o creme de leite numa batedeira até que ele fique cremoso, quase em ponto de chantilly - você sabe que está no ponto quando consegue esculpir montanhas de creme de leite com a espátula e elas se mantém relativamente firmes. Misture delicadamente metade desse creme de leite batido ao chocolate. Existe uma técnica específica pra esse “misture delicadamente”, que consiste em despejar o creme de leite no meio do chocolate, e gentilmente, com uma espátula, ir raspando o chocolate pelas laterais para cobrir o creme no meio, como se você estivesse “dobrando” o chocolate sobre o creme.
Na seqüência, use a batedeira ou uma daquelas paradas específicas de bater claras em neve (foto no fim do post) para mandar ver nas suas 4 claras, acrescentando o açúcar pouco-a-pouco, se for necessário. As claras estarão “em neve” quando estiverem completamente brancas e parecendo uma espuma bem densa, daquelas de baile funk no fim dos anos 80 na baixada fluminense. Misture delicadamente as claras ao chocolate, da mesma forma que você fez com o creme de leite, e finalmente refrigere o mousse, em um pote grande ou potes individuais menores.
3- O CHANTILLY
Como mousse é uma sobremesa que é muito doce até quando não é muito doce, por causa da base de chocolate e a ausência de outros elementos que dêem uma quebrada na textura, o chantilly acaba sendo um de seus melhores companheiros. Antes de servir, bata a metade que sobrou do creme de leite fresco na batedeira até que ele fique bem cremoso, em ponto de chantilly, mesmo Ou apele para um daqueles de tubinho, que têm gosto de manteiga e vão dar uma detonada no refinado sabor da sua sobremesa. A escolha é sua.
Onde?
Depois do rango. Qualquer rango.
Ferramentas: uma panela e um pote (ou duas panelas) para fazer o banho-maria; uma espátula e uma batedeira e/ou batedor de claras em neve; e mais dois potes para bater o creme de leite e o chantilly separadamente

Dificuldade: Existe. Você precisa aprender os pontos certos das claras e do creme de leite, além de aprender a manusear com o devido cuidado um banho-maria e as claras em neve
Rendimento: 6 porções, ou “quatro porções mais os meus”
Para fazer ouvindo: Keziah Jones - “My Kinda Girl”
























