Por quê?
Empada tem gosto de infância, da época que eu ia com meus pais pra “praia” em Muriqui, e 11h da manhã já tava emburrado, querendo ir pra casa de tanta fome, até que aparecesse o tio das empadinhas. Curto aquela massa crocante que quebra fácil e desmancha na boca, e aquela almofadinha macia de queijo… Empadão é multiplicar essa sensação maravilhosa por 10! (ok, 6 a 8)

Quanto?

  • cerca de 1/2 kg de farinha de trigo (é bom ter 1kg pra garantir)
  • 1 queijo minas inteiro pequeno
  • umas 3 ou 4 fatias de mussarela
  • 1 copo (desses de requeijão) de leite (integral, pra ter graça), talvez 1 copo e meio
  • 1 ovo
  • 1 tablete de manteiga, ou um pote de margarina pequeno (200g/250g), ou meio pote de margarina grande (500g /2 = 250g), ou ainda, uma mistura de ambos, com meia barra de manteiga (100g) e meio pote pequeno de margarina (acho que você já entendeu…)
  • sal

Como?
Uma zona rápida em cima da pia, uns minutinhos de liquidificador, forno, e pronto. Mas vamos dividir em duas etapas: massa e recheio.

1) A MASSA
Reparem logo uma coisa: essa é uma das poucas receitas no meu repertório onde a margarina é bem aceita no lugar da manteiga. Eu mesmo prefiro usar a combinação 1/2 manteiga + 1/2 margarina pra massa ficar no ponto ideal, quebrando sem esfarelar demais, e amanteigada sem ficar com gosto de biscoito.

Vamos começar ligando o forno no baixo, pra que ele pré-aqueça de leve. Seguimos misturando a manteiga com 3 morros grandes de farinha de trigo (não vai dar nem meio saco) e umas duas boas pitadas de sal. Se você for mais esperto que eu costumo ser, vai usar um pote alto para misturar a massa, e não direto no pirex. Pirex raso e massa com farinha é certeza de zona em cima da pia.

Depois de incorporar bem toda a farinha inicial, acrescente mais um pouco, chegando quase na metade do saco. Aliás, se você não tiver problemas em lavar louça depois (ha ha, duvido), recomendo já deixar a farinha separada em outro recipiente, tipo umas duas xícaras ou uma caneca grande. É que pegar no saco de farinha com a mão toda suja de massa costuma ser uma experiência um tanto nojenta (principalmente quando você for mexer no saco de farinha sujo novamente, dias depois), além de desperdiçar a massa colada na sua mão.

Continuando. Você foi incorporando a farinha LENTAMENTE (tipo, de meia em meia xícara), e viu que agora você consegue modelar a massa, que já desgruda sozinha da sua mão. Parabéns, você alcançou o ponto ideal da massa. Agora faça um morrinho no meio do pirex com a massa e celebre sua vitória imaginando um pequeno alpinista escalando aquele monte de delicioso sabor que logo se transformará na base crocante de seu delicioso empadão de queijo.

Agora é hora de esparramar a massa pelo pirex. Comece achatando-a bem no meio, e espalhe-a o mais uniformemente possível pelos quatro cantos. Depois de acertar o fundo e deixá-lo o mais plano possível (use os dedos, mesmo, ou as costas de uma colher), “cave” as quinas do pirex por toda a lateral, levantando aquela paredinha de massa nos cantos. Deu pra visualizar? É empurrar esse cantinho entre o fundo e a lateral da massa, por toda sua extensão. É um ângulo reto, pô.

Acerte então as paredinhas de massa pressionando-as contra as laterais do pirex, e depois acertando-as em cima com leves toques com os indicadores, como se você estivesse digitando. Vê se ficou bonito como na foto abaixo, e siga pra próxima etapa.

2) O RECHEIO
Comece picando o queijo minas e a mussarela em cubinhos. Reserve. No liquidificador, misture 1 copo de leite com o ovo e mais umas duas pitadas de sal, e bata um pouco. Dá pra trocar o sal por parmesão ralado, ou dá pra acrescentar uma pitadinha de pimenta-do-reino branca (mas recomendo que você faça ou uma coisa ou outra). E se você usar um ovo desses branquinhos e pequenos, não se acanhe em usar dois ovos, ou um ovo e uma gema extra. Eu prefiro aqueles ovos mais amarelões, de casca marrom.

Pare de bater, acrescente o queijo minas e a mussarela ao liquidificador, e volte a bater em velocidade baixa. Essa parte exige um pouco de paciência e umas paradas pra mexer a pasta no fundo do copo do liquidificador com uma faca (com o liquidificador desligador, pelo amor, né?!). O queijo minas demora um pouco a ficar completamente pastoso, e se você acrescentar leite demais, corre o risco da massa ficar muito mole no final.

O lance é ter paciência e parar umas 5 vezes no meio pra mexer o fundo do liquidificador. Quando a parada engrena você percebe, vendo aquela pasta de queijo toda girar uniformemente rumo ao fundo do copo. É numa dessas paradas que você provavelmente vai ter que arregar e acrescentar o outro meio copo de leite. Mas eu tenho fé que você chega lá.

E aí, meu caro, é só despejar o creme de queijo sobre a massa, raspar bem o fundo do liquidificador pra aproveitar tudo, e jogar a parada no forno – que já estava pré-aquecendo, lembra? Agora você sobe a temperatura do forno de baixo para médio, e deixa o empadão assar por uns 45 minutos, ou até a parte de cima ficar amarelinha com os cantos de massa dourados. Prateleira do meio, porque se ficar muito embaixo no forno, a massa queima no fundo antes do recheio assar. Antes de servir, deixe ainda o empadão descansar dentro do forno já desligado por mais uns 10 minutos, que ele fica mais firme.

Mas não tem jeito: na hora de cortar, o primeiro pedaço vai quebrar todo. Depois fica moleza.

Onde?
Puro, no lanche, em cima dum pratinho ou no guardanapo, acompanhado de um copo de coca-cola ou de toddy gelado (sim, eu ainda curto toddy pacas). Se você for mulher, dá pra almoçar ou jantar acompanhando o empadão com uma saladinha qualquer.

Ferramentas: liquidificador e pirex
Dificuldade: bagunçado, mas sem mistério
Rendimento: um pirex quadrado, que serve mais ou menos umas 8 pessoas num lanche, ou duas refeições pra duas pessoas

Para fazer ouvindo: Beto Guedes, “Feira Moderna”

Galera, cês vão ficar muito sentidos se eu sair postando receitas sem fotos? São poucas as criações que tenho registradas aqui… Mas prometo que a cada nova reprodução, agilizo uma fotinha e atualizo os arquivos. Fechado?

Também publicarei fotos dos leitores que tentarem as receitas em casa. Pelo menos as bem-sucedidas, hehehehe.


Fotos: Babee

Por quê?
Manteiga é um lance foda. Temperada, então, pode ficar mais espetacular ainda.

Quanto?

  • meia barra de manteiga sem sal, de preferência uma boa – Aviação, entre as nacionais, ou Président, que é uma gringa que hoje em dia se acha em qualquer mercado mais ou menos
  • umas 3 ou 4 cebolinhas inteiras (e frescas, obviamente), desde a raiz até a ponta

Como?

  1. tire a manteiga da geladeira e espere que ela alcance a temperatura ambiente
  2. corte as pontas verdes das cebolinhas, e jogue-as fora; faça o mesmo com a parte das raízes (mas sem tirar a parte branca da cebolinha)
  3. separe as partes verde e branca das cebolinhas; as verdes devem ser fatiadas em rodelinhas fininhas, e as brancas, picadas
  4. jogue a parte branca da cebolinha em um pote desses de socar temperos (pode ser aquele copo de fazer caipirinha que eu sei que você tem) e amasse bem até formar uma maçaroca sinistra, pastosa mesmo. a parte branca é a parte com mais sabor na cebolinha, sabia?
  5. acrescente a manteiga à pasta de cebolinha, e misture bem
  6. junte as rodelas verdes de cebolinha à gosto, misture, e retorne a manteiga à geladeira (ou consuma imediatamente)

Onde?
Com batatas cozidas ou purê, ou com arroz, ou na torrada, ou sobre um bife, ou na farofa, ou no frango… Enfim, quase qualquer coisa que você possa comer com manteiga.

Ferramentas:

  • 1 pilão e copo para pilar

Dificuldade: Idiota
Rendimento: Meio pote de manteiga, oras

Para fazer ouvindo: Booker T. & The MG’s – “Green Onions”