Por quê?
Maionese. De alho. Com salsinha. Sério, precisa explicar. É uma das melhores maioneses que você vai comer na vida, e cai bem com TUDO.
Quanto?
um dente de alho grande descascado
suco de um limão pequeno
dois ovos
um pouco menos de meio litro de óleo de soja, milho ou girassol (canola não, vamos manter o mínimo de dignidade)
meia xícara de salsinha fresca picada
sal e pimenta do reino a gosto
Como?
Em um liquidificador bem limpo e seco, comece adicionando o dente de alho descascado e partido no meio, os dois ovos (o mais fresco possível, não quero ninguém morrendo com infecção por salmonella graças a maionese), o suco de limão e umas duas talagadas de óleo pra começar a emulsificação da parada.
Pra quem nunca fez maionese, agora começa a etapa delicada. A técnica consiste em ir acrescentando óleo pouco a pouco, “em fio”, enquanto a maionese bate numa velocidade baixa do liquidificador. Essa técnica é usada em quase qualquer receita de maionese que você queira inventar – o outro método mais popular é bater a mão, sempre numa mesma direção. Portanto, liquidificador na cabeça.
Pra acrescentar o fio de óleo, o ideal é manter o copo do liquidificador tampado e tirar só aquela segunda tampa removível que fica no meio. E aí, quando você já tiver chegando em meio litro de óleo, é hora de ficar atento para a maionese mudando de consistência. Quando o óleo e o ovo emulsificam, a maionese fica mais grossa e cremosa, e as pás do liquidificador vão rodar em falso, provocando um sutil estalinho (abafado pela própria maionese, obviamente).
Enfim, parece mais complicado do que realmente é, mas se você já comeu maionese na vida e está prestando o mínimo de atenção no que faz, o feeling do ponto vem naturalmente. Essa é a hora em que você acrescenta rapidamente o sal, a pimenta do reino a gosto, e um punhado de salsinha picada. Bate mais alguns segundos só pra misturar o sal e dar uma desmanchada na salsinha, e sua maionese está pronta, verdinha e deliciosa.
Sua maior probabilidade de erro está em deixar a maionese bater demais, ou numa velocidade muito alta. Tudo que emulsifica também desmancha e separa (“desemulsifica”, não sei se existe essa palavra), e aí fica um nojo, com aquele óleo boiando em cima de uma mistureba líquida de ovo, limão e mais óleo. Ou seja: não exagere. E não deixe a maionese esquentar demais no liquidificador.
Antes de sair entupindo o sanduba de maionese, é melhor deixar ela guardada num tupperware bem fechado na geladeira por no mínimo uma hora, pra ela ficar mais firme. Também não se recomenda guardar a maionese por mais de um dia ou dois – o ideal é consumir tudo no mesmo dia. Por favor, não ignorem essa parte. Não quero ser processado. Essa receita contém OVOS CRUS. Não se esqueça disso.
Onde?
No hamburguer, cachorro-quente, pão com linguiça, ou quase qualquer sanduíche. Na salada de batata, ou em quase qualquer salada que leve maionese. No pão de alho do churrasco. Acompanhando nuggets, kibes, croquetes ou batata-frita. Sério, cai bem com TUDO.
Ferramentas: um liquidificador e um tupperware Dificuldade: fácil, mas capcioso Rendimento: mais maionese do que você é capaz de comer no período “seguro” de consumo
Por quê?
Porque não vende pronto no Brasil. Pelo menos eu nunca vi, tanto faz se nos mercados do Rio ou de São Paulo. E essa receita abaixo é o mais perto que eu cheguei. E acho que tá bem perto.
Confiram e avaliem.
Quanto?
500g de queijo cottage
2 limões
Sério, é só isso.
Como?
Lave os limões. Corte-os no meio. Jogue o queijo cottage todo no liquidificador, e esprema um limão por cima, sem deixar cair as sementes, obviamente. Sim, os caroços. Se tirar os caroços antes for pedir demais da sua coordenação motora, use um coador.
Ligue o liquidificador (era pra estar desligado até agora, tenho certeza que você sabe disso), e vá aumentando a potência toda vez que o cottage do fundo começar a ficar liso demais pra ser batido e a parada não estiver mais se mexendo. Pode ser necessário interromper o processo, tirar o copo do liquidificador da base, e dar uma chacoalhada nele, talvez passar uma colher no fundo (não vou nem frisar o quão importante é fazer isso com o liquidificador DESLIGADO).
E assim vai, até o cottage ficar liso. Talvez você precise do suco de mais meio limão, só espremer por cima e continuar batendo. Usar os quatro pedaços eu exagero, fica com muito gosto de limão. Usar menos também atrapalha, fica com gosto de cottage. É uma química balanceada, mas felizmente você é um ser humano capaz de provar a parada e ver se tá com gosto de sour cream – o famoso creme azedo.
Onde?
Nos tacos, nachos e burritos. Com chili ou como dip pra tortilla (vale Doritos sem sabor). Com um belo hambúrguer apimentado, substituindo a maionese. Sério, depois de um tempo tu começa a comer isso com batata-frita, kibe… Vale tudo.
Ferramentas: Liquidificador
Dificuldade: Só não esquecer de desligar o liquidificador
Rendimento: cerca de 500g
Para fazer ouvindo: Bill Withers – “Grandma’s Hands”
Por quê?
Porque nos mercados brasileiros é mais fácil achar uns similares da massa de burrito que de taco – e fazer dá muito trabalho (mas um dia eu ensino). E porque comida mexicana é bonzão, principalmente quando você tem total controle sobre a quantidade de pimenta no seu prato.
Quanto?
4 ou 5 tomates
2 cebolas (1 grande e 1 pequena)
2 ou 3 limões
1 maço de coentro fresco
6 pedaços de peito de frango, desossados e limpos
3 a 5 dentes de alho (grandes)
2 colheres (de sopa) bem cheias de extrato de tomate
pimenta-caiena ou chili em pó
molho de pimenta vermelha/malagueta
sal, pimenta-do-reino, azeite e manteiga
1 pacote de pão-folha (um tipo de pão fino e quadrado), ou tortillas (macias, pra enrolar, diferente das de taco), ou rap10, ou genérico similar (rola de apelar até pra pão sírio)
200g de mussarela + 200g de queijo cheddar, fatiados em tirinhas fininhas e misturados
cream cheese ou sour cream ou cottage cheese ou guacamole (opcional)
Como?
Vamos começar picando os peitos de frango em tirinhas finas, como pra estrognofe, que fica mais fácil de morder no burrito que em cubinhos. Em seguida, numa panela grande e bem quente, refogue o frango com a cebola pequena picada, os dentes de alho espremidos (ou bem picadinhos), meia xícara de coentro picadinho) mais uma boa colherada de manteiga e algumas talagadas de azeite. Eu gosto de começar com o frango direto na panela quente, pra ele dar uma tostadinha e ganhar uma cor, e em seguida vou acrescentando, em ordem, cebola, azeite, manteiga, coentro, e finalmente, o alho. Quando a cebola começar a soltar água, acrescente o extrato de tomate e um ou dois tomates picados (sem as sementes), abaixe o fogo, e deixe a panela tampada para o frango cozinhar. Se a panela secar rápido demais e o frango tornar a fritar, acrescente meio copo de água e deixe cozinhar mais um pouco.
Enquanto isso, pique o que sobrou dos tomates (também sem semente) e cebola, e misture-os num pote grande, com mais meia xícara de coentro fresco picadinho e o suco de 2 ou 3 limões, passado pelo coador. Esse é o PICO DE GALLO, uma espécie de vinagrete mexicana – obviamente, sem vinagre. Reserve.
Depois de uns 15-20 minutos refogando, seu frango já deve estar bem cozidinho e macio. Regule o sal, acrescente um pouco de pimenta-do-reino moída e, segundos antes de apagar o fogão, algumas pitadas da pimenta-caiena (ou chili) e algumas gotas do molho de pimenta* (se for daqueles de mercado, que vem num vidrinho igual de molho inglês, podem ser várias talagadas). Claro, pimenta é algo bastante pessoal, então seja razoável e conheça as pessoas para quem você está cozinhando. Perguntar não custa nada, e sempre há a opção de que cada um ponha a pimenta apenas direto no seu burrito. Meio frescura, também acho, mas fazer o quê?
Em seguida, dê uma leve tostada no pão que vai se tornar base do seu burrito, seja ele um pão-folha, rap10, ou mesmo um pão sírio bem fininho… Cerca de 30 segundos de cada lado numa frigideira quente deve servir: a massa deve dar uma endurecida, mas não a ponto de deixar de ser maleável, senão ela vai quebrar quando você enrolar seu burrito.
Aí você pode retornar o pão a um prato para cobri-lo com o frango – ou, se quiser ousar, fazer direto na frigideira mesmo (mas não esqueça de abaixar o fogo, e cuide pra que o pão não queime e que o frango não fique caindo pelas beiradas). Cubra o frango com a mistura de queijos, e algumas colheres (a gosto) do pico de gallo. Algumas pessoas podem curtir acrescentar nesse momento um pouco de alface picada, também, mas aí eu já acho que é muita planta no meu burrito. Feche o pão, deixando o burrito como um caneloni um pouco mais gordinho… A ideia é que você consiga pegá-lo com a mão e morder sem jogar tudo pra fora pelo outro lado.
*MOLHOS DE PIMENTA
Os principais molhos de pimenta que encontramos nos mercados, do mais forte pro mais fraco Pimentas em conserva no vinagre ou óleo/azeite > Tabasco > Molho para tacos (Jimmi) > Molho de pimenta “vermelha” (genérico)
Onde?
O burrito é uma refeição completa em si mesmo, como um cheeseburger ou um beirute, então o máximo que você vai fazer é acompanhá-lo com alguma porçãozinha de um molhinho, queijo ou dip que possar dar uma umedecida refrescante no rango. Curto usar cream cheese ou queijo cottage. Sour cream é o ideal, mas é difícil de achar no Brasil. Quem gosta de guacamole, a hora é essa.
Ferramentas: Uma panela, uma frigideira, uma tábua e uma faca Dificuldade: Quase nenhuma, só exige alguma dose de paciência pra ficar picando cebola, tomate e frango Rendimento: uns 8 burritos
Por quê?
Porque É NATAL! Corre que ainda dá tempo! Tava lendo essa matéria genial na Gourmet com os cookies favoritos de cada década, e claro que precisei testar pelo menos uma das receitas clássicas. Fui de anos 70, e não teve errada. A receita original é essa aqui, mas a versão abaixo já está adaptada de acordo com os nossos ingredientes brasileiros e o meu bom gosto.
Quanto?
1 xícara de açúcar
1 xícara de farinha de trigo
2 ovos
6 colheres (de sopa, rasas) de manteiga
1 colher (de sopa, rasa mas cheinha) de raspas de limão (uns dois, provavelmente)
1 colher (de chá) de extrato de baunilha (ou 10 gotas)
manteiga e farinha de trigo para untar o tabuleiro, ou papel-manteiga (bem mais prático)
Como?
Comece ligando o forno para ele pré-aquecer. Numa batedeira, junte os dois ovos, o açúcar e a baunilha, batendo por 4 minutos, e aumentando a velocidade progressivamente. Quando esse creme já estiver homogêneo e fofinho, acrescente as raspas de casca de limão (você pode usar um ralador de queijo desses manuais pra ralar a casca), batendo por mais um minuto.
Em seguida, acrescente alternadamente uma colherada da manteiga (em temperatura ambiente), e um pouco da farinha de trigo, até que as duas acabem. A massa deve ficar um pouco mais mole que uma massa normal de bolo, quase exatamente essa consistência meio pastosa (“coloidal”, diriam os engenheiros químicos).
Depois, em um tabuleiro untado com manteiga e farinha de trigo (ou simplesmente coberto com uma folha de papel-manteiga), despeje gotas da massa com uma colher de chá. Deixe as bolinhas bem espaçadas entre si – cerca de dois dedos meus, ou três dedos normais. A massa esparrama, e o resultado é um biscoito redondinho bem fininho, dourado na borda e clarinho no meio, como muitíssimo bem exemplificado nessa foto.
Antes de levar os biscoitos ao forno, deixe a massa assentar no tabuleiro por uns 2 minutos pra dar aquela esparramada fundamental. Finalmente, em forno alto, deixe assar por 5 a 7 minutos, ou até que os biscoitos estejam lindamente brilhantes, dourados ao redor e com o miolo algo entre o branquinho da mais pura neve das rochosas colinas do Himalaia e o amarelinho das dunas de areias de paraísos remotos em algum arquipélago do oceano Índico. E fique esperto pro caso do seu forno estar esquentando desigual (mais no fundo que na frente, por exemplo). Se isso acontecer, pode ser necessário dar uma giradinha no tabuleiro depois de uns 3 ou 4 minutos, pra garantir uma distribuição de calor impecável.
Não consegui bater foto porque no momento em que os biscoitos saíram do forno, já tinha gente queimando a ponta dos dedos no tabuleiro pra catar um. Era a travessa encher de biscoitos, eu piscar os olhos, e eles já terem sumido. Sério, fica bom assim.
UPDATE: Obviamente, consegui as fotos. A família clamou por uma segunda leva dos biscoitos, e como é Natal…
Onde?
NO NATAL! No café-da-manhã, na ceia de ano-novo, no lanche da tarde, no verão, com sorvete… Sério, fica bom pacas.
Ferramentas: Uma batedeira, um ralador manual, e um tabuleiro grande. Dificuldade: Intermediate Basic A – relativamente fácil, mas exige atenção pra receita ser feita toda de uma vez só Rendimento: Uns 50 biscoitos? Sei lá, não deu tempo de contar. No fim das contas, o rendimento é sempre menos do que você gostaria, porque invariavelmente ele acaba.
Para fazer ouvindo: Benji Hughes – “You Stood Me Up”
Pra dar um final bonito pra esse imenso tutorial sobre a feijoada, vamos fechar a série de posts hoje com duas coisas pra você fazer na cozinha depois da feijoada: a sobremesa, e um caldinho de feijão! Afinal, a galera vai voltar a biritar, e uma hora nego vai sentir fome de novo…
A primeira receita foi tungada do Jamie Oliver, e devidamente subvertida. A segunda é só aplicação prática da lógica do reaproveitamento em seu mais saboroso. Vamos a elas:
SORBET DE LIMÃO COM HORTELÃ
Por quê?
Antes que alguém comece a dizer “nossa Fred, que pederastia esse lance de sorbet…”, explico: é um sorvete sem leite. E uma palavra em francês a mais pra você tirar uma onda com as gatas. E uma sobremesa refinada (mais onda com as gatas). E é refrescante pacas, ideal pra esse nosso inverno subsaariano.
Quanto?
2 copos (desses pequenos, tipo de Nutella) de açúcar
1 copo (também pequeno) de suco de limão
1 copo (idem) de água
raspas de 6 limões (raspas significam “a parte verde” da casca – com um ralador de queijo manual você consegue)
1 punhado de hortelã (a original é com manjericão, que apesar de aparentemente estranho, também fica saboroso)
raspas de chocolate meio-amargo pra “decorar”
Como?
Pique o hortelã bem fininho, ou triture-o num miniprocessador – só as folhas, sem os galhinhos – e reserve (deve render umas duas colheres de sopa rasas). Em seguida, numa panela, misture a água e o açúcar e leve ao fogo médio-alto até a fervura, mexendo sempre. Assim que ferver, acrescente as raspas de limão, abaixe o fogo para manter a fervura, e continue mexendo por uns 4-5 minutos. Desligue o fogo e deixe esfriar por uns 5 minutos. Em seguida, acrescente o suco de limão, o hortelã picado, e misture bem.
Deixe a panela descansando em temperatura ambiente por mais uma hora ou um pouquinho mais. Passe o líquido pelo coador para um pote com tampa, e de preferência com alguma profundidade, e leve o pote ao congelador. Cerca de duas horas por lá até ficar bom, mas se você de meia em meia hora abrir o pote pra dar uma mexida lá dentro com a colher, em pouco mais de duas horas fica ótimo.
Onde?
Depois de um rango pesado, num dia quente, um sorbet de limão desses cai quase como um suquinho. Se você tiver afim de ousar, dá pra servir jogando uma bola em cima de uma fatia de brownie quente, ou simplesmente com umas raspas de chocolate meio-amargo por cima. Também fica bom com salada de frutas, especialmente as muito doces, ou até com brigadeirão (cuja receita deve aparecer por aqui a qualquer momento, já que é um velho favorito da casa, e fica pronto em menos de 15 minutos).
Ferramentas:
ralador de queijo
Dificuldade: Facinho, se você não esquecer das etapas e se perder no tempo Rendimento: 4 porções
CALDINHO DE FEIJÃO
Por quê?
Porque sobrou feijão da feijoada. E a galera já tá bêbada, e com fome de novo.
Quanto?
Quanto sobrou de feijão (caldo e caroço) + bacon cortado em cubinhos + azeite.
Como?
Esquente uma panela, e com ela bem quente, jogue os cubinhos de bacon pra fritar. Enquanto isso, no liquidificador, bata o que sobrou do feijão até que ele se torne um creme. Se ainda estiver pastoso demais, acrescente um copo de água e bata mais um pouco.
De volta à panela do bacon, essa é a hora que você pode botar mais alho no feijão se achou que foi pouco da primeira vez: acrescente o alho triturado ali mesmo, junto do bacon torrando, e regue a panela com azeite. Quando o alho dourar, junte o feijão batido. Se já tava ok de alho, só o feijão e mais azeite, mesmo.
Misture com a colher de pau até ferver, e sirva em copinhos de shot (se você ainda tiver muita gente pra alimentar) ou em canecas (se a fome da galera estiver animalesca). Você ainda pode “decorar” a parada com mais bacon torradinho por cima, ou umas folhinhas de salsinha picadinhas, e claro, acompanhado sempre de mais azeite e uma boa pimenta pra quem é de boa pimenta.
Onde?
No fim do porre. Ou na ressaca. Puro.
Ferramentas: liquidificador Dificuldade: dá pra fazer até bêbado Rendimento: só depende de quanto feijão sobrou
Pra segunda parte do nosso tutorial da Feijoada, algumas receitas de drinks e petiscos cruciais e de fácil preparo para você ganhar tempo caso a galera chegue muito cedo e o feijão ainda nem esteja no fogo. Pra ninguém achar que tô tapeando vocês com esse lance de post seriado, uma das receitas de petiscos abaixo foi concebida HOJE, especialmente para esse blog e esse post em particular, com direito à sessão de fotos e tudo! E amanhã o Guia da Feijoada finalmente chega a seu ápice! Preparem suas panelas-de-pressão.
PETISCOS
Calabresa acebolada: Fatie a calabresa em rodelas finas. Se a tripa por fora da lingüiça atrapalhar demais a cortar, retire-a, mas depois é preciso passar a faca com mais cuidado e – por que não? – carinho com a lingüiça. Aqueça bem uma frigideira grande (ou uma panela larga), e acrescente as calabresas com um fio de azeite, até que elas cubram o fundo do recipiente. Assim que a calabresa começar a curvar e queimar as bordas, abaixe o fogo e passe uma espátula na frigideira, soltando e virando as fatias de lingüiça o melhor possível. Deixe elas assim mais uns minutos, e de vez em quando dê uma mexida pra garantir que ela vai dourar por igual.
Quando elas já estiverem bem vermelhinhas e com as bordas crocantes, tire as fatias de lingüiça da panela com uma escumadeira, deixando no fundo dela a mistura do azeite com a gordura da própria lingüiça. Acrescente a esse óleo as rodelas de cebola (que você fatiou enquanto a lingüiça fritava, obviamente), um pouco de sal e um pouquinho mais de azeite (se necessário), e aumente o fogo novamente. Frite as cebolas até que elas parem de soltar água, mas sem deixar que elas queimem ou dourem demais. Jogue as cebolas com óleo e tudo por cima das lingüiças, e sirva com pedaços de pão, torradas, e farinha de mesa. Ah, sim: prefira a calabresa vendida solta no mercado – mesmo as de marca famosa, tipo Sadia ou Perdigão, são mais frescas naturais. - Quantidades: 2 lingüiças calabresas grandes / 5-6 pessoas
Salsichas crocantes: Leve as salsichas ao fogo em uma panela de água, e espere até que ferva. Escoe as salsichas, e reserve. Abra um pedaço da massa folhada (sem cortá-la) sobre uma tábua de carne ou sobre a pia levemente enfarinhada (farinha de trigo, obviamente). Se a massa estiver com aquele plástico por fora, nem é necessário a farinha, basta não retirá-lo por enquanto. Posicione as salsichas sobre a massa – normalmente, cabem duas salsichas em pé, uma em cima da outra, formando uma linha vertical na ponta da massa esticada na horizontal. Deu pra visualizar? Bom, enrole as salsichas na massa até que um lado dela toque o outro, e depois corte a massa com uma faca rente a essa junção. Pressione bem os cantinhos para que as salsichas fiquem bem enroladinhas na massa, soltando de leve o plástico da massa.
Fatie as salsichas com massa ainda sobre o plástico, em rodelas finas. Em seguida, coloque-as numa assadeira, ocupando todo o fundo dela, mas sem deixar que as rodelinhas de salsicha se encostem (a massa ainda vai crescer um pouco). Faça isso até que a massa ou as salsichas acabem, e leve a assadeira ao forno pré-aquecido. Confira na embalagem da massa o tempo de cozimento – não costuma ser mais que meia hora. Com uns 15 minutos de forno, já vale conferir, e se a massa tiver crescido e estiver dourada, já tá pronto. Sirva com potinhos de ketchup e mostarda. - Quantidades: 1 pacote de massa folhada + 1 dúzia de salsichas / 6-8 pessoas (capaz de sobrar massa, até)
Bolinha de aipim com alho: Descasque e cozinhe o aipim* até que ele fique bem macio; reserve. Para cada dente de alho, corte metade dele em rodelinhas finas-mas-não-muito, e pique outra metade em cubinhos pequenos mas que você ainda consiga pegar com os dedos; reserve também. Amasse bem o aipim morno com um garfo, e acrescente a farinha de trigo e o sal. Misture bem com as mãos até formar uma bola de massa que você consiga modelar com as mãos. ATENÇÃO: se você colocar farinha demais, a massa vai ficar se despedaçando. Se você colocar farinha de menos, também. Então vai devagar…
Com o polegar e o indicador, retire pedacinhos de massa e faça bolinhas pequenas, apertando-as com os dedos para dar forma. Enrole leve e rapidamente as bolinhas entre as palmas das mãos, e ajeite ela sobre uns pedacinhos de alho. Faça primeiro todas as bolinhas, e depois empurre uns cubinhos e rodelinhas de alho contra a massa, com cuidado para não destruir as bolinhas. Essa é a hora de ser criativo: você pode até espetar as fatias de alho pra dentro da bolinha, deixando só as pontinhas de fora. Dá até pra rolar as bolinhas pelo alho, como um brigadeiro no granulado, mas tenha cuidado e depois dê mais uns apertões na bolinha pra ter certeza de que o alho vai ficar no lugar.
Aceite: parte do alho ainda deve descolar quando você mergulhar as bolinhas no óleo. E sendo super minucioso agora, uns 6-8 pedacinhos de alho picado, mais uma rodelinha pra cada bolinha, são o suficiente pra bolinhas pequenas, da largura de um polegar. Frite as bolinhas em óleo bem quente, de preferência usando uma dessas redes de fritadeira ou uma escumadeira grande para mergulhar o máximo de bolinhas possível no óleo AO MESMO TEMPO. O tempo de fritura é MUITO RÁPIDO, por isso o aipim precisa estar bem cozido e o óleo, bem quente. O alho começa a dourar em coisa de 15 segundos, e nuns 30 segundos a bolinha já tá praticamente pronta. Bateu em 1 minuto, parabéns, você queimou o alho todo.
Macete final: 95% das frituras ficam murchas se você tira do óleo e joga no papel-toalha. O ideal é que elas sequem primeiro num lance tipo aqueles do McDonald’s de fritar batatas (cês tão ligados, tenho certeza). Em casa, você pode substituir isso por um daqueles escorredores de macarrão de alumínio – não vai jogar no coador de plástico! Depois de uns minutos, aí sim você transfere o rango pra um pratinho. - Quantidades: 1/2 kg de aipim (cru) + 2 colheres de sopa (nem rasa, nem montanhosa) de farinha de trigo + 1 colherzinha de sal + 8 dentes de alho = bolinhas pacas (5-6 pessoas) *aipim = mandioca, macaxeira… você sabe.
DRINKS
Tangerina: 1 dose de vodca + 3 doses de suco de tangerina + gelo (confesso: curto Tanjal, aquele suco que vem na lata)
- refrescante, delicioso, e um ícone do underground carioca *tungado da Casa da Matriz
Faux-Red Bull: 1 dose de vodca Smirnoff sabor Frutas Vermelhas + 3 doses de Guaraná Antarctica + gelo
- o drink fica com gosto de vodca com Red Bull
Cuba Libre: 1 ou 2 doses de rum + coca-cola até completar o copo + gelo
- um clássico eterno, ao menos enquanto Fidel não morre
Caipirinha: cachaça + açúcar + limão + gelo
- proporções? Te vira. Dá até pra fazer no balde…
Para fazer ouvindo: Nina Simone – “Love Me or Leave Me”