Por quê?
Porque não vende pronto no Brasil. Pelo menos eu nunca vi, tanto faz se nos mercados do Rio ou de São Paulo. E essa receita abaixo é o mais perto que eu cheguei. E acho que tá bem perto.
Confiram e avaliem.
Quanto?
500g de queijo cottage
2 limões
Sério, é só isso.
Como?
Lave os limões. Corte-os no meio. Jogue o queijo cottage todo no liquidificador, e esprema um limão por cima, sem deixar cair as sementes, obviamente. Sim, os caroços. Se tirar os caroços antes for pedir demais da sua coordenação motora, use um coador.
Ligue o liquidificador (era pra estar desligado até agora, tenho certeza que você sabe disso), e vá aumentando a potência toda vez que o cottage do fundo começar a ficar liso demais pra ser batido e a parada não estiver mais se mexendo. Pode ser necessário interromper o processo, tirar o copo do liquidificador da base, e dar uma chacoalhada nele, talvez passar uma colher no fundo (não vou nem frisar o quão importante é fazer isso com o liquidificador DESLIGADO).
E assim vai, até o cottage ficar liso. Talvez você precise do suco de mais meio limão, só espremer por cima e continuar batendo. Usar os quatro pedaços eu exagero, fica com muito gosto de limão. Usar menos também atrapalha, fica com gosto de cottage. É uma química balanceada, mas felizmente você é um ser humano capaz de provar a parada e ver se tá com gosto de sour cream – o famoso creme azedo.
Onde?
Nos tacos, nachos e burritos. Com chili ou como dip pra tortilla (vale Doritos sem sabor). Com um belo hambúrguer apimentado, substituindo a maionese. Sério, depois de um tempo tu começa a comer isso com batata-frita, kibe… Vale tudo.
Ferramentas: Liquidificador
Dificuldade: Só não esquecer de desligar o liquidificador
Rendimento: cerca de 500g
Para fazer ouvindo: Bill Withers – “Grandma’s Hands”
Por quê?
Empada tem gosto de infância, da época que eu ia com meus pais pra “praia” em Muriqui, e 11h da manhã já tava emburrado, querendo ir pra casa de tanta fome, até que aparecesse o tio das empadinhas. Curto aquela massa crocante que quebra fácil e desmancha na boca, e aquela almofadinha macia de queijo… Empadão é multiplicar essa sensação maravilhosa por 10! (ok, 6 a 8)
Quanto?
cerca de 1/2 kg de farinha de trigo (é bom ter 1kg pra garantir)
1 queijo minas inteiro pequeno
umas 3 ou 4 fatias de mussarela
1 copo (desses de requeijão) de leite (integral, pra ter graça), talvez 1 copo e meio
1 ovo
1 tablete de manteiga, ou um pote de margarina pequeno (200g/250g), ou meio pote de margarina grande (500g /2 = 250g), ou ainda, uma mistura de ambos, com meia barra de manteiga (100g) e meio pote pequeno de margarina (acho que você já entendeu…)
sal
Como?
Uma zona rápida em cima da pia, uns minutinhos de liquidificador, forno, e pronto. Mas vamos dividir em duas etapas: massa e recheio.
1) A MASSA
Reparem logo uma coisa: essa é uma das poucas receitas no meu repertório onde a margarina é bem aceita no lugar da manteiga. Eu mesmo prefiro usar a combinação 1/2 manteiga + 1/2 margarina pra massa ficar no ponto ideal, quebrando sem esfarelar demais, e amanteigada sem ficar com gosto de biscoito.
Vamos começar ligando o forno no baixo, pra que ele pré-aqueça de leve. Seguimos misturando a manteiga com 3 morros grandes de farinha de trigo (não vai dar nem meio saco) e umas duas boas pitadas de sal. Se você for mais esperto que eu costumo ser, vai usar um pote alto para misturar a massa, e não direto no pirex. Pirex raso e massa com farinha é certeza de zona em cima da pia.
Depois de incorporar bem toda a farinha inicial, acrescente mais um pouco, chegando quase na metade do saco. Aliás, se você não tiver problemas em lavar louça depois (ha ha, duvido), recomendo já deixar a farinha separada em outro recipiente, tipo umas duas xícaras ou uma caneca grande. É que pegar no saco de farinha com a mão toda suja de massa costuma ser uma experiência um tanto nojenta (principalmente quando você for mexer no saco de farinha sujo novamente, dias depois), além de desperdiçar a massa colada na sua mão.
Continuando. Você foi incorporando a farinha LENTAMENTE (tipo, de meia em meia xícara), e viu que agora você consegue modelar a massa, que já desgruda sozinha da sua mão. Parabéns, você alcançou o ponto ideal da massa. Agora faça um morrinho no meio do pirex com a massa e celebre sua vitória imaginando um pequeno alpinista escalando aquele monte de delicioso sabor que logo se transformará na base crocante de seu delicioso empadão de queijo.
Agora é hora de esparramar a massa pelo pirex. Comece achatando-a bem no meio, e espalhe-a o mais uniformemente possível pelos quatro cantos. Depois de acertar o fundo e deixá-lo o mais plano possível (use os dedos, mesmo, ou as costas de uma colher), “cave” as quinas do pirex por toda a lateral, levantando aquela paredinha de massa nos cantos. Deu pra visualizar? É empurrar esse cantinho entre o fundo e a lateral da massa, por toda sua extensão. É um ângulo reto, pô.
Acerte então as paredinhas de massa pressionando-as contra as laterais do pirex, e depois acertando-as em cima com leves toques com os indicadores, como se você estivesse digitando. Vê se ficou bonito como na foto abaixo, e siga pra próxima etapa.
2) O RECHEIO
Comece picando o queijo minas e a mussarela em cubinhos. Reserve. No liquidificador, misture 1 copo de leite com o ovo e mais umas duas pitadas de sal, e bata um pouco. Dá pra trocar o sal por parmesão ralado, ou dá pra acrescentar uma pitadinha de pimenta-do-reino branca (mas recomendo que você faça ou uma coisa ou outra). E se você usar um ovo desses branquinhos e pequenos, não se acanhe em usar dois ovos, ou um ovo e uma gema extra. Eu prefiro aqueles ovos mais amarelões, de casca marrom.
Pare de bater, acrescente o queijo minas e a mussarela ao liquidificador, e volte a bater em velocidade baixa. Essa parte exige um pouco de paciência e umas paradas pra mexer a pasta no fundo do copo do liquidificador com uma faca (com o liquidificador desligador, pelo amor, né?!). O queijo minas demora um pouco a ficar completamente pastoso, e se você acrescentar leite demais, corre o risco da massa ficar muito mole no final.
O lance é ter paciência e parar umas 5 vezes no meio pra mexer o fundo do liquidificador. Quando a parada engrena você percebe, vendo aquela pasta de queijo toda girar uniformemente rumo ao fundo do copo. É numa dessas paradas que você provavelmente vai ter que arregar e acrescentar o outro meio copo de leite. Mas eu tenho fé que você chega lá.
E aí, meu caro, é só despejar o creme de queijo sobre a massa, raspar bem o fundo do liquidificador pra aproveitar tudo, e jogar a parada no forno – que já estava pré-aquecendo, lembra? Agora você sobe a temperatura do forno de baixo para médio, e deixa o empadão assar por uns 45 minutos, ou até a parte de cima ficar amarelinha com os cantos de massa dourados. Prateleira do meio, porque se ficar muito embaixo no forno, a massa queima no fundo antes do recheio assar. Antes de servir, deixe ainda o empadão descansar dentro do forno já desligado por mais uns 10 minutos, que ele fica mais firme.
Mas não tem jeito: na hora de cortar, o primeiro pedaço vai quebrar todo. Depois fica moleza.
Onde?
Puro, no lanche, em cima dum pratinho ou no guardanapo, acompanhado de um copo de coca-cola ou de toddy gelado (sim, eu ainda curto toddy pacas). Se você for mulher, dá pra almoçar ou jantar acompanhando o empadão com uma saladinha qualquer.
Ferramentas: liquidificador e pirex Dificuldade: bagunçado, mas sem mistério Rendimento: um pirex quadrado, que serve mais ou menos umas 8 pessoas num lanche, ou duas refeições pra duas pessoas
Pra dar um final bonito pra esse imenso tutorial sobre a feijoada, vamos fechar a série de posts hoje com duas coisas pra você fazer na cozinha depois da feijoada: a sobremesa, e um caldinho de feijão! Afinal, a galera vai voltar a biritar, e uma hora nego vai sentir fome de novo…
A primeira receita foi tungada do Jamie Oliver, e devidamente subvertida. A segunda é só aplicação prática da lógica do reaproveitamento em seu mais saboroso. Vamos a elas:
SORBET DE LIMÃO COM HORTELÃ
Por quê?
Antes que alguém comece a dizer “nossa Fred, que pederastia esse lance de sorbet…”, explico: é um sorvete sem leite. E uma palavra em francês a mais pra você tirar uma onda com as gatas. E uma sobremesa refinada (mais onda com as gatas). E é refrescante pacas, ideal pra esse nosso inverno subsaariano.
Quanto?
2 copos (desses pequenos, tipo de Nutella) de açúcar
1 copo (também pequeno) de suco de limão
1 copo (idem) de água
raspas de 6 limões (raspas significam “a parte verde” da casca – com um ralador de queijo manual você consegue)
1 punhado de hortelã (a original é com manjericão, que apesar de aparentemente estranho, também fica saboroso)
raspas de chocolate meio-amargo pra “decorar”
Como?
Pique o hortelã bem fininho, ou triture-o num miniprocessador – só as folhas, sem os galhinhos – e reserve (deve render umas duas colheres de sopa rasas). Em seguida, numa panela, misture a água e o açúcar e leve ao fogo médio-alto até a fervura, mexendo sempre. Assim que ferver, acrescente as raspas de limão, abaixe o fogo para manter a fervura, e continue mexendo por uns 4-5 minutos. Desligue o fogo e deixe esfriar por uns 5 minutos. Em seguida, acrescente o suco de limão, o hortelã picado, e misture bem.
Deixe a panela descansando em temperatura ambiente por mais uma hora ou um pouquinho mais. Passe o líquido pelo coador para um pote com tampa, e de preferência com alguma profundidade, e leve o pote ao congelador. Cerca de duas horas por lá até ficar bom, mas se você de meia em meia hora abrir o pote pra dar uma mexida lá dentro com a colher, em pouco mais de duas horas fica ótimo.
Onde?
Depois de um rango pesado, num dia quente, um sorbet de limão desses cai quase como um suquinho. Se você tiver afim de ousar, dá pra servir jogando uma bola em cima de uma fatia de brownie quente, ou simplesmente com umas raspas de chocolate meio-amargo por cima. Também fica bom com salada de frutas, especialmente as muito doces, ou até com brigadeirão (cuja receita deve aparecer por aqui a qualquer momento, já que é um velho favorito da casa, e fica pronto em menos de 15 minutos).
Ferramentas:
ralador de queijo
Dificuldade: Facinho, se você não esquecer das etapas e se perder no tempo Rendimento: 4 porções
CALDINHO DE FEIJÃO
Por quê?
Porque sobrou feijão da feijoada. E a galera já tá bêbada, e com fome de novo.
Quanto?
Quanto sobrou de feijão (caldo e caroço) + bacon cortado em cubinhos + azeite.
Como?
Esquente uma panela, e com ela bem quente, jogue os cubinhos de bacon pra fritar. Enquanto isso, no liquidificador, bata o que sobrou do feijão até que ele se torne um creme. Se ainda estiver pastoso demais, acrescente um copo de água e bata mais um pouco.
De volta à panela do bacon, essa é a hora que você pode botar mais alho no feijão se achou que foi pouco da primeira vez: acrescente o alho triturado ali mesmo, junto do bacon torrando, e regue a panela com azeite. Quando o alho dourar, junte o feijão batido. Se já tava ok de alho, só o feijão e mais azeite, mesmo.
Misture com a colher de pau até ferver, e sirva em copinhos de shot (se você ainda tiver muita gente pra alimentar) ou em canecas (se a fome da galera estiver animalesca). Você ainda pode “decorar” a parada com mais bacon torradinho por cima, ou umas folhinhas de salsinha picadinhas, e claro, acompanhado sempre de mais azeite e uma boa pimenta pra quem é de boa pimenta.
Onde?
No fim do porre. Ou na ressaca. Puro.
Ferramentas: liquidificador Dificuldade: dá pra fazer até bêbado Rendimento: só depende de quanto feijão sobrou