risoto de champagne*

Ok, sei que atrasei de novo, mas ainda em tempo (mesma semana pelo menos, pô), segue a receita do risoto!

* é, a foto ficou desfocada… ainda assim, essa foi a melhor de todas.

Por quê?
Um acompanhamento tradiça e de primeira linha, ou um prato principal simples, nutritivo e saboroso. Risoto é fácil de fazer e permite que você viaje pacas nos sabores, só exige alguma paciência pra ficar mexendo direto. Mas agrada pacas a mulherada… Vamos passar aqui uma receita bem básica pra um risoto branco, e umas sugestões de piração. Fique a vontade pra desenvolver sua versão.

Quanto?

  • 1 litro e meio de caldo de galinha (você pode seguir essa receita, ou dissolver uns 3 cubinhos do caldo pronto na água)
  • 2 xícaras bem cheias de arroz arbóreo ou carnarolli
  • meia cebola média picada
  • dois dentes de alho grande triturados (no espremedor, ou amassados e picados)
  • dois copos pequenos (tipo o de nutella, 200ml cada) de champagne ou vinho branco – claro que se você usar vinho branco, a receita deixa de ser “risoto de champagne” pra ser só “risoto”
  • manteiga, azeite, e sal; noz-moscada e pimenta-do-reino branca são opcionais

Como?
O lance do risoto é ficar mexendo o tempo todo. Diferentemente do arroz, que você evita mexer senão ele gruda, o risoto precisa ser mexido constantemente – e servido imediatamente, assim que pronto – pra não virar uma bola gigante de arroz empapado.

Comece fazendo mais ou menos um litro e meio de caldo de galinha (uns 3 cubinhos) e deixe ferver. Quando ferver, reduza o fogo para o mais baixo, e em outra panela (grande), refogue as duas xícaras de arroz com a meia cebola picadinha, azeite, um pouquinho de manteiga, e os dentes de alho triturados (comece com a cebola e deixe ela ficar clarinha, só acrescentando o alho no bem no final).

Assim que refogar, e antes do alho e da cebola começarem a dourar, acrescente o champagne, uma concha do caldo de galinha que continua no fogo baixo ao lado da panela do risoto, e mexa o arroz com os líquidos até que eles sejam incorporados e a panela comece a dar uma secada… Depois é só continuar mexendo sem parar, regando com umas duas conchas de caldo a cada vez que o arroz começar a secar, mantendo sempre esse esquema “secou/põe mais”.

No finzinho, quando o arroz tiver al dente (você provavelmente vai deixar quase 1/4 do caldo sobrar na panela), é ora de temperar o risoto. Sal a gosto – umas três boas pitadas devem bastar – e noz-moscada ralada na hora, com um pouquinho de pimenta-do-reino branca moída, também dá um toque especial. Essa é a hora de tunar o seu risoto com mais algumas coisas, ou você pode simplesmente acrescentar mais um último cálice de champagne, e servir assim que ele secar, deixando o gostinho da bebida um pouco mais forte. Já no prato, decore com duas folhinhas de manjericão fresco, e sirva.

TUNANDO SEU RISOTO
Já comi uma vez um risoto com paio fritinho em rodelas, couve refogada e bacon torradinho, que ficou inacreditável. Dá pra fazer também sem a couve, com qualquer lingüiça e bacon, o importante é que eles já estejam fritinhos (a lingüiça fatiada fininha e douradinha como de petisco, o bacon torrado quase preto, pra ficar bem crocante e esfarelar na boca, mesmo com a umidade do risoto). Salpicar uns queijos juntos também já fica bonzão, mesmo que seja só um parmesão (de boa qualidade) ralado na hora, ou uma gorgonzola esfarelada – você acrescenta os queijos já no finzinho, na mesma hora do sal. Cogumelos também caem bem…

Onde?
Puro, ou acompanhando uma carne qualquer: boi, peixe, frango, cordeiro, coelho… Risoto é quase tão prático e versátil quanto arroz – mas não vai ficar tão bom com feijão e farofa.

Ferramentas: duas panelas, colher de pau e concha
Dificuldade: tipo fazer arroz, mas com acompanhamento mais intenso
Rendimento: 4 porções grandes

Para fazer ouvindo: Curtis Mayfield & Lauryn Hill – “Here but I’m Gone”

Por quê?
Enjoado daquele bolonhesa de sempre? O ragú é a opção perfeita pra quem quer dar uma variada sem ir muito longe do tradicional na hora de fazer seu macarrão.

Quanto?

  • 600g de alcatra cortada em bifes (uns 6 bifes)
  • 1/2 kg de costela bovina (com osso)
  • meia (ou uma) cebola grande
  • 6 a 8 tomates bem vermelhos, sem as sementes
  • meia cabeça de alho (uns 6 a 8 dentes)
  • meia (ou uma) cenoura
  • duas cebolinhas, sem a raiz, mas com o talo branco (sim, só duas)
  • sal, pimenta-do-reino, pimenta-calabresa, orégano, manteiga e azeite (extra-virgem, de preferência)
  • queijo parmesão ralado

Como?
Vamos começar com a costela, que quanto mais tempo passa cozinhando, mais macia fica. Tempere-as com sal, pimenta do reino e azeite, embrulhe as costelinhas individualmente em papel alumínio, e bote pra assar em forno médio-alto, pré-aquecido no alto por uma meia hora. Se preferir, você também pode refogar as costelinhas numa panela grande (e grossa, se possível), e deixá-las cozinhando em fogo baixo, com a panela tampada. Esqueça elas por lá e passe para a próxima etapa, que é picar os bifes de alcatra em tiras bem fininhas. Tempere-os também com sal e pimenta-do-reino, e reserve.

Agora a parte das plantas do molho. Pique tudo bem picadinho: cebola, tomates, alho, cenoura e cebolinha. A cenoura eu gosto até de ralar primeiro, e depois picar, pra ela desaparecer. E a cebolinha, vamos separar a parte verde da branca para usá-las em momentos diferentes. Primeiro a parte branca, que vai numa panela bem grande junto com a cebola picada, uma colher de sopa (bem cheia) de manteiga, e umas talagadas gordas de azeite. [MOMENTO BACON: se você quiser incrementar seu ragú com um punhado de bacon picadinho, essa é a hora, deixando ele fritar por uns minutinhos antes mesmo de acrescentar a cebola!] Quando a cebola começar a dourar, acrescente o alho. Quando o alho começar a dourar – mas começar mesmo, saindo do branco pro amarelo – espalhe a alcatra picada por toda a panela, e deixe ela fritar bem por um ou dois minutos em fogo alto, antes de começar a mexer com a colher de pau.

Parando por aqui, você tem um picadinho de alcatra de primeira, perfeito pra acompanhar umas fatias de pão francês e uma farofinha de alho. Só salpicar o resto da cebolinha picada por cima e servir, aproveitando todo o caldinho no fundo da panela. Mas como estamos preparando um ragú, continuamos com a cenoura picada. Deixe ela dar uma refogadinha com a carne e, finalmente, junte os tomates picados e um copo de água filtrada.

Se você tem parentes italianos, provavelmente já ouviu histórias de alguma tia-avó que deixava uma panelona de molho de tomate cozinhando por oito horas, blá blá blá. Sejamos realistas: ninguém tem 8 horas pra fazer uma porra dum macarrão. O miojo mudou muito as expectativas da galera ali no final do século XX – mas isso também não significa que você tem que apelar praquelas caixinhas de molho pronto. Tomates frescos fazem toda a diferença, e quanto mais tempo você conseguir deixar eles depurando ali na panela, melhor. Uma horinha em fogo baixo tá ok.

Quando a horinha se passar o molho já vai estar quase pronto. Aí tu lembra: pô, as costelinhas! Tire elas do forno/fogo, espere esfriar por alguns minutos, desosse e pique toda a carne. Acrescente a costelinha picada ao molho – se ele estiver muito grosso, já secando, acrescente mais meio ou um copo de água e deixe depurar mais uns 15 minutos a meia hora, pra costelinha deixar seu rastro pelo ragú também. Finalmente, acrescente umas pitadas de orégano e pimenta calabresa a gosto. Regule o sal, acrescente a parte verde da cebolinha picada, e sirva o ragú com queijo parmesão ralado.

Onde?
Como o molho bolonhesa, o ragú de carne vai bem com macarrão de fio largo, como talharim e pappardelle. Também combina com as massas em formatos diferenciados, tipo gravatinha, gnocchi, parafuso… Outra opção é servi-lo sobre a polenta cremosa da receita abaixo.

Dificuldade: nenhuma, a maior delas é ter tempo livre o suficiente
Rendimento: 4 porções

Para fazer ouvindo: Al Green – “Take me to the river”

Por quê?
Azeitona é uma das melhores paradas que nascem em árvore, possivelmente minha fruta favorita.

Quanto?
Azeitonas pretas (daquelas grandes e arroxeadas) e ciabatta/pão italiano; azeite e queijo parmesão ralado a gosto.

Como?

  1. Fatie o pão como para torrada – pode ser fininho pra ficar crocante, mas não tão fino que o pão fique desmontando na sua mão – e disponha as fatias sobre uma assadeira. Enquanto isso, deixe o forno pré-aquecendo.
  2. Escorra bem as azeitonas. A seguir, sobre um prato fundo, remova os caroços espremendo-as com os dedos. Reserve as azeitonas no prato e descarte os caroços, obviamente.
  3. Esmague bem as azeitonas com um garfo. A intenção não é que fique como uma pasta passada no processador, apenas quebrar os pedaços de azeitona pra que eles fiquem mordíveis – ainda assim, você vai precisar esmagar um por um. Se desejar, ao final, acrescente uma pitada de queijo ralado (pouco salgado, de preferência) e misture bem.
  4. Cubra o pão com uma colherada da massa de azeitonas, e regue os canapés com um fio de azeite. Leve ao forno (alto) por 10 minutos – e cuide para que o pão não vire torrada, só dê uma leve esquentada.
  5. Retire do forno, deixe esfriar um pouquinho, e sirva ainda morno. Você pode colocar numa bandeja misturado com canapés frios de azeitona verde passadas no processador, como já ensinamos por aqui antes.

Onde?
São canapés. Você sabe o que fazer.

Dificuldade: inexistente
Rendimento: a quantidade de azeitonas que você tiver paciência pra descaroçar e amassar

Para fazer ouvindo: TV on the Radio – “Mr. Grieves” [Pixies cover]

Tudo começou quando um amigo, o Gas, veio com a idéia de uma trilha sonora pra um almoço mediterrâneo. Ele estava terminando de preparar uma coletânea do violonista espanhol Andrés Segovia, e veio me perguntar se eu não tinha uma sugestão de menu ou coisa assim.

Decidi fazer melhor: agitamos um almoço mediterrâneo aqui em Paracambi, no interior do RJ, e depois de uma corrida semana de preparação, ele finalmente aconteceu no último sábado, dia 6.

O menu segue abaixo, e nos próximos dias, vou postar as receitas de todos os pratos – foram 10!


1- Amuse-bouche
Pancetta na bruschetta


2- Aperitivo
Canapés de azeitona


3- Salada
Tomates recheados


4- Consommé
Sopa de cebola e champignon com queijo gruyére


5- Entrada quente
Polenta cremosa com funghi e prosciutto


6- Pré-prato
Pappardelle com ragú de alcatra e costela


7- Prato principal
Costeletas de cordeiro no crocante de mostarda, com risoto de champagne


8- Entremet (pré-sobremesa)
Cassata


9- Sobremesa
Mousse de chocolate meio-amargo com café

10- Café
Café premium; prato tricolor de frutas com uvas verdes, morangos e chantilly

Ninguém chegou no décimo prato, que acabou não acontecendo, e ficou na geladeira pra eu comer mais tarde. A real é que, entre galera chegando, fazer a social e beber cerveja, o “almoço” só acabou depois de meia-noite – mesmo eu tendo começado os preparativos na véspera. Acho que 10 pratos foi um pouco de ousadia demais. Por outro lado, também faz sentido precisarmos desse tempo todo – não só pra cozinhar, mas pra comer!

* Fotos: Letty

Por quê?
Segundo o Les Halles Cookbook, do Anthony Bourdain, esse é o prato que o grande chef francês André Soltner optava por comer todos os dias, religiosamente, na cozinha de seu restaurante. Ou seja: diante de tanta história e referências, estamos claramente nos deparando com uma típica RECEITA PRA IMPRESSIONAR A MULHERADA. Claro que não pode ser qualquer mulherada, afinal, patê de fígado de ganso realmente não é pra qualquer uma.

Quanto?
Saquem que lindeza a simplicidade da parada:

  • meio pacote de talharim (de qualidade, né bróder? Tu quer mesmo impressionar a gatinha?)
  • duas ou três colheres (de sopa) cheias de manteiga – também da boa, tipo Président, que hoje em dia tem em qualquer lugar (menos Paracambi)
  • duas colheres (de sobremesa) de foie gras
  • sal e pimenta do reino
  • queijo parmesão ralado e azeite (opcionais)

Como?
Faça seu macarrão conforme já ensinamos AQUI. Bastante água e sal, sem óleo, um minutinho a menos do que o tempo recomendado na embalagem… Essas coisas que tu já deve estar se acostumando a fazer. Escorra, e retorne a panela. Acrescente a manteiga e, se quiser, um fio de azeite. Eu, como sou escroto, usei um azeite trufado (comprado no Mercadão Municipal de São Paulo), bem pouquinho, só pra dar aquela aromatizada.

Acrescente o sal e a pimenta-do-reino a gosto (umas quatro pitadas de sal e duas de pimenta costumam ser o suficiente), e misture delicadamente com um garfo até a manteiga derreter por completo e se espalhar por todo o macarrão. Sirva cada prato com uma colherada de foie gras, em cima ou ao lado do macarrão, e queijo parmesão.

Onde?
A lenda deixada pelo chef francês dizia que era só isso mesmo. Mas se você realmente precisar de mais alguma parada acompanhando, sugiro apenas um bife.

Ferramentas: panela e escorredor de macarrão
Dificuldade: quase um miojo
Rendimento: dois pratos

Para fazer ouvindo: Jacques Brel – “Quand on n’a que l’amour”

Por quê?
Empada tem gosto de infância, da época que eu ia com meus pais pra “praia” em Muriqui, e 11h da manhã já tava emburrado, querendo ir pra casa de tanta fome, até que aparecesse o tio das empadinhas. Curto aquela massa crocante que quebra fácil e desmancha na boca, e aquela almofadinha macia de queijo… Empadão é multiplicar essa sensação maravilhosa por 10! (ok, 6 a 8)

Quanto?

  • cerca de 1/2 kg de farinha de trigo (é bom ter 1kg pra garantir)
  • 1 queijo minas inteiro pequeno
  • umas 3 ou 4 fatias de mussarela
  • 1 copo (desses de requeijão) de leite (integral, pra ter graça), talvez 1 copo e meio
  • 1 ovo
  • 1 tablete de manteiga, ou um pote de margarina pequeno (200g/250g), ou meio pote de margarina grande (500g /2 = 250g), ou ainda, uma mistura de ambos, com meia barra de manteiga (100g) e meio pote pequeno de margarina (acho que você já entendeu…)
  • sal

Como?
Uma zona rápida em cima da pia, uns minutinhos de liquidificador, forno, e pronto. Mas vamos dividir em duas etapas: massa e recheio.

1) A MASSA
Reparem logo uma coisa: essa é uma das poucas receitas no meu repertório onde a margarina é bem aceita no lugar da manteiga. Eu mesmo prefiro usar a combinação 1/2 manteiga + 1/2 margarina pra massa ficar no ponto ideal, quebrando sem esfarelar demais, e amanteigada sem ficar com gosto de biscoito.

Vamos começar ligando o forno no baixo, pra que ele pré-aqueça de leve. Seguimos misturando a manteiga com 3 morros grandes de farinha de trigo (não vai dar nem meio saco) e umas duas boas pitadas de sal. Se você for mais esperto que eu costumo ser, vai usar um pote alto para misturar a massa, e não direto no pirex. Pirex raso e massa com farinha é certeza de zona em cima da pia.

Depois de incorporar bem toda a farinha inicial, acrescente mais um pouco, chegando quase na metade do saco. Aliás, se você não tiver problemas em lavar louça depois (ha ha, duvido), recomendo já deixar a farinha separada em outro recipiente, tipo umas duas xícaras ou uma caneca grande. É que pegar no saco de farinha com a mão toda suja de massa costuma ser uma experiência um tanto nojenta (principalmente quando você for mexer no saco de farinha sujo novamente, dias depois), além de desperdiçar a massa colada na sua mão.

Continuando. Você foi incorporando a farinha LENTAMENTE (tipo, de meia em meia xícara), e viu que agora você consegue modelar a massa, que já desgruda sozinha da sua mão. Parabéns, você alcançou o ponto ideal da massa. Agora faça um morrinho no meio do pirex com a massa e celebre sua vitória imaginando um pequeno alpinista escalando aquele monte de delicioso sabor que logo se transformará na base crocante de seu delicioso empadão de queijo.

Agora é hora de esparramar a massa pelo pirex. Comece achatando-a bem no meio, e espalhe-a o mais uniformemente possível pelos quatro cantos. Depois de acertar o fundo e deixá-lo o mais plano possível (use os dedos, mesmo, ou as costas de uma colher), “cave” as quinas do pirex por toda a lateral, levantando aquela paredinha de massa nos cantos. Deu pra visualizar? É empurrar esse cantinho entre o fundo e a lateral da massa, por toda sua extensão. É um ângulo reto, pô.

Acerte então as paredinhas de massa pressionando-as contra as laterais do pirex, e depois acertando-as em cima com leves toques com os indicadores, como se você estivesse digitando. Vê se ficou bonito como na foto abaixo, e siga pra próxima etapa.

2) O RECHEIO
Comece picando o queijo minas e a mussarela em cubinhos. Reserve. No liquidificador, misture 1 copo de leite com o ovo e mais umas duas pitadas de sal, e bata um pouco. Dá pra trocar o sal por parmesão ralado, ou dá pra acrescentar uma pitadinha de pimenta-do-reino branca (mas recomendo que você faça ou uma coisa ou outra). E se você usar um ovo desses branquinhos e pequenos, não se acanhe em usar dois ovos, ou um ovo e uma gema extra. Eu prefiro aqueles ovos mais amarelões, de casca marrom.

Pare de bater, acrescente o queijo minas e a mussarela ao liquidificador, e volte a bater em velocidade baixa. Essa parte exige um pouco de paciência e umas paradas pra mexer a pasta no fundo do copo do liquidificador com uma faca (com o liquidificador desligador, pelo amor, né?!). O queijo minas demora um pouco a ficar completamente pastoso, e se você acrescentar leite demais, corre o risco da massa ficar muito mole no final.

O lance é ter paciência e parar umas 5 vezes no meio pra mexer o fundo do liquidificador. Quando a parada engrena você percebe, vendo aquela pasta de queijo toda girar uniformemente rumo ao fundo do copo. É numa dessas paradas que você provavelmente vai ter que arregar e acrescentar o outro meio copo de leite. Mas eu tenho fé que você chega lá.

E aí, meu caro, é só despejar o creme de queijo sobre a massa, raspar bem o fundo do liquidificador pra aproveitar tudo, e jogar a parada no forno – que já estava pré-aquecendo, lembra? Agora você sobe a temperatura do forno de baixo para médio, e deixa o empadão assar por uns 45 minutos, ou até a parte de cima ficar amarelinha com os cantos de massa dourados. Prateleira do meio, porque se ficar muito embaixo no forno, a massa queima no fundo antes do recheio assar. Antes de servir, deixe ainda o empadão descansar dentro do forno já desligado por mais uns 10 minutos, que ele fica mais firme.

Mas não tem jeito: na hora de cortar, o primeiro pedaço vai quebrar todo. Depois fica moleza.

Onde?
Puro, no lanche, em cima dum pratinho ou no guardanapo, acompanhado de um copo de coca-cola ou de toddy gelado (sim, eu ainda curto toddy pacas). Se você for mulher, dá pra almoçar ou jantar acompanhando o empadão com uma saladinha qualquer.

Ferramentas: liquidificador e pirex
Dificuldade: bagunçado, mas sem mistério
Rendimento: um pirex quadrado, que serve mais ou menos umas 8 pessoas num lanche, ou duas refeições pra duas pessoas

Para fazer ouvindo: Beto Guedes, “Feira Moderna”

Por quê?
Provavelmente o molho mais simples da culinária italiana. Também conhecido como “substituto do miojo”, o molho pomodoro leva menos tempo pra ser feito do que a água do macarrão leva pra ferver. É bonito pacas, ficando com as três cores da bandeira da Itália (e do uniforme do FLUZÃO). Não é pesado, ou seja, pode servir pra mulherada que elas vão curtir (só modera no alho, espertão). Sério, é tão levinho que tu quase se sente comendo uma salada. E ele ainda pode ser tunado de várias formas.

Quanto?

  • 2 ou 3 tomates bem vermelhos e maduros (ou uma lata de tomates em cubinhos, seu preguiçoso)
  • azeite e manteiga
  • uns 4 a 8 dentes de alho (depende do quanto você curte alho)
  • um bom punhado de azeitonas verdes sem caroço ou fatiadas (eu gosto com MUITA azeitona)
  • sal e pimenta do reino a gosto

- PARA TUNAR O MOLHO:

  • orégano (pode ser seco, desses que vende em saquinho)
  • manjericão (fresco, de preferência)
  • pimenta calabresa
  • bacon em cubinhos
  • lingüiça calabresa (fatiada ou picada)

Como?

  1. refogue o alho picadinho em azeite, e quando começar a fritar, junte a manteiga
  2. acrescente o macarrão (já cozido, obviamente) e misture bem no alho e óleo
  3. junte os tomates picados e as azeitonas fatiadas, misture mais um pouco, e sirva com queijo parmesão ralado em lascas grossas

- TUNANDO O MOLHO

  • orégano, pimenta ou manjericão, só no fim de todo o processo, antes do macarrão ir pro prato
  • se usar bacon ou calabresa, frite-os antes de começar o molho, e quando eles já estiverem quase no ponto, acrescente o azeite e o alho picado à própria gordura do bacon (ou calabresa) – partindo daí para fazer o resto do processo

Onde?
No macarrão, pô. Qualquer um. Na real, “Pomodoro” é mais um conceito que reúne esses três ingredientes básicos (tomate + alho frito + azeitona verde) e pode ser aplicado de várias formas – até em pizza. Você pode variar usando as azeitonas bem trituradas e o tomate bem picadinho (ou esses em lata, que ja vem com uma porcão de purê de tomate) pra fazer um molho mais encorpado, ou usar as azeitonas inteiras (sem caroço) e uns cubos grandes de tomate pro molho ficar mais pedaçudo – mais RUTS (e combinando melhor com umas massas “espetáveis”, tipo penne ou fusilli).

Ferramentas: uma faca
Dificuldade: beginner
Rendimento: acho que umas duas ou três pessoas, se ninguém quiser repetir depois

Para fazer ouvindo: Sly & The Family Stone – “Hot Fun in the Summertime”

*enviada originalmente para Mariana Tramontina