Archive for September, 2009

Os Gambitos: a história explica?

Monday, September 28th, 2009

Outro dia o Jamer me perguntou onde tinha os EPs dos Gambitos pra baixar. O lugar oficial pra pegar continua sendo o site do Midsummer Madness (até porque lá tem junto um monte de coisa legalzona), mas achei que não tinha motivo para não colocar aqui também, junto com “Milk and Honey”, que é um caso à parte porque… bom, chegamos lá depois. Se alguém estiver a fim de baixar pulando o blábláblá de antes, tem lá no final os links pra cada EP (é só clicar nas capinhas) e pra essa faixa e também pra “obra completa” duma vez só.

Comecei essas gravações em abril de 2006, no meio de uma das pausas da gravação do EP novo do Superbug (sério, vai sair). Era uma mistura de saco cheio de estar parado com aquelas músicas legais que não ficavam prontas com a vontade de registrar algumas outras que, por um motivo ou outro, não entraram no repertório do Superbug, mas eu curtia e não tava a fim de abandoná-las assim. Seria um “projeto solo” com o XuXu dando uma força e talvez tocando uns baixos. A essa altura, a ideia era manter todos os arranjos na base de pouco mais que voz e violão.

Inflacionando a ambição

Assim que começamos, ainda na casa do Amexa, foram aparecendo ideias de arranjo. Como estavam ficando melhores que a proposta inicial e o legal de um “projeto solo” é se dar o máximo de liberdade possível, fomos atrás dessas ideias musicais. Ainda em 2006, rolou o primeiro breque do projeto: paramos tudo pra Copa do Mundo. Quando terminou, o Amexa estava concluindo a construção do estúdio, então esperamos um pouco mais para transferir.

Na época eu não me liguei disso, mas acho que a mudança de ambiente influenciou bastante no perfil do projeto, já não mais tão despretensioso assim. Afinal, gravar em um estúdio com sala e aquário separados não é a mesma coisa que gravar num computador num quartinho de empregada.

Nesse meio tempo, o XuXu, que assumiu o cargo de produtor, tava às voltas também com o disco solo dele (que ainda não ta terminado) e o que viria a ser o último disco do Pipodélica, Não Esperem Por Nós. E o elenco do projeto foi aumentando: o MKurruyvo acabou tornando-se o baixista, o André Seben e a Dani gravaram participações e o Domingos foi em várias sessões e não tocou nenhum instrumento, mas fez várias cubas-libres. O último a gravar, numa dessas inversões malucas, foi o Xando.

Nessa história toda e no lance de quase nunca dizer a cada um desses convidados o que eles deviam fazer em cada música, comecei a achar um pouco falso dizer que fosse um projeto individual meu. Aí, inspirados no nome do órgão/sintetizador analógico que usamos pacas nas primeiras gravações, mas que, curiosamente, nem aparece tanto assim no fim das contas, batizamos a “banda” de Os Gambitos. O XuXu queria que fosse Mutley e os Gambitos. Eu, por outro lado, não queria nem cantar, então acho que ficou equilibrado.

Milk and Honey: a música-relâmpago

Até que, em dezembro de 2007, eu tava com uma outra música que queria gravar urgente. Na real, era pouco mais que um riff e umas ideias melódicas, mas que eu queria tirar do meu sistema, para exorcizar uns lances. E era também para, no meio de dois projetos que eu adorava, mas que ainda não tinham desovado nada de pronto, terminar algo logo. Tá, e para copiar o Neil Young. Numa segunda-feira, quando era lançamento do EP do Daca no Deluxe Studio, aproveitei pra falar com o XuXu e o MKurruyvo, que estavam na banda de apoio, os Faixa-Preta e mais o Batata (o plano foi também pra gravar com ele na guitarra).

Na mesma festinha, marquei com o Clive de gravar também no Deluxe e elaboramos: gravar tudo e, com alguma sorte, mixar a música numa jornada só. Ele não tinha horário no dia seguinte, então acertamos pra quarta-feira. Aproveitei a terça pra terminar de escrever a música e a letra, agora com o nome meio pretensioso de “Milk and Honey” e começo copiado da Bíblia via Bob Dylan. Foi todo mundo apresentado à música na hora de gravar. Lembro também do Batata perguntando se eu queria “um solo bonito ou um solo pedreiro”. Lógico que pedi o solo pedreiro.

Como começamos à noite, acabamos deixando o vocal pra semana seguinte. Pedi pro Clive fazer a programação de bateria eletrônica no mesmo espírito, sem pensar demais e sem muitas tentativas diferentes. Uma semana depois, voltei lá e gravei a voz em duas tomadas e mixamos na mesma noite. Tempos mais tarde, ele até me perguntou se eu não queria reprogramar a bateria ou gravar uma “humana” no lugar; cheguei a considerar isso, mas o propósito ali era exatamente a música ser o que era como foi feita na hora. Se fosse para mudar bateria, eu também iria querer regravar a voz, no mínimo. Então subi a música no rapidshare, divulguei em umas listas de discussão e nunca mais tinha mexido nela de novo.

2008: tá quase

De volta às seis músicas “principais”, 2008 foi o ano do “elas estão quase prontas”, com toques finais na mixagem e a masterização, mais detalhes tipo capa e o acerto com o Rodrigo para lançar pelo MidMad. Pensamos (no pretérito, mas também no presente) em fazer um EP físico, mas decidimos não esperar mais. Se for o caso a gente faz mais adiante. Enquanto isso, soltamos os dois compactos simultâneos, que é pra ficar mais indie.

A capa do Salami foi uma foto que tirei no Ribeirão da Ilha quando tava fazendo matéria sobre a eleição pra prefeito daqui. E a do Easy Living Candy Store foi um presente do Koostella. Era o desenho que dava título à exposição que ele fez no Blues Velvet lá pela meiúca de 2008. Aí, poucas horas antes d’eu pegar o ônibus para me mudar pra São Paulo, pedi para ele liberar de graça e ele topou, com um desafio: se eu lembrasse o e-mail dele sem anotar.

Acabei subindo todas prum myspace no começo de 2009 e a rapeize deu uma descascada, estilo “eu jurava que era piada”. E cheguei a fazer dois shows: um em fevereiro, na Folk This Town, acompanhado da Dani, do Marco Britto e do Cudo, e outro em março no Café Elétrico. Esse foi sozinho ao violão e especialmente legal porque toquei uma música dos Udigrudis.

Mesmo assim, tá tudo aí de novo.

Salami

Salami

Os Gambitos são Fábio Bianchini (voz, voz de apoio, guitarra, violão, violão 12, teclados, produção), Eduardo XuXu (voz de apoio, guitarra, teclado, produção), Amexa (produção, gravação), MKurruivo (baixo), Xando Passold (bateria), Dani Hasse (voz, voz de apoio), André Seben (guitarra)

Todas as música compostas por Fábio Bianchini

Gravado entre 2006 e 2008 no Estúdio 3958

Arte da capa: Daniela Bianchini (danibianchinimattos@gmail.com)

Easy Living Candy Store

Easy Living Candy Store

Os Gambitos são Fábio Bianchini (voz, voz de apoio, guitarra, guitarra 12, violão, teclados, baixo, bateria, produção), Eduardo XuXu (voz de apoio, guitarra, teclado, produção), Amexa (produção, gravação), MKurruivo (baixo), Xando Passold (bateria), Dani Hasse (voz, voz de apoio), André Seben (guitarra)

“Dancefloor” composta por Fábio Bianchini e Diógenes Fischer; “Horse” composta por Fábio Bianchini, Diógenes Fischer e Pablo Prudêncio; “Old Man on the Phone” composta por Fábio Bianchini

Gravado entre 2006 e 2008 no Estúdio 3958

Arte da capa por Koostella

Milk and Honey:

Os Gambitos são Fábio Bianchini (guitarra e voz), Batata (guitarra), MKurruyvo (baixo), Clive Jr (produção, gravação e programação de bateria eletrônica) e Eduardo Xuxu (produção e arranjo).

Gravado em dezembro de 2007 no Deluxe Studio

Tudo junto num link só

Vai que o problema é esse, né?

Monday, September 28th, 2009

Dia dos Beatles: os escolhidos

Wednesday, September 9th, 2009

"Mas a gente não era vegetariano? Isso que os caras nem vão usar essa capa"

A essa altura, todo mundo já sabe que saem hoje as caixas remasterizadas dos Beatles, nas versões mono e estéreo e o Rock Band inspirado neles. “Dia dos Beatles”. Por mim, tá limpo. Não vou colocar nem o jogo nem os torrents das caixas pra baixar, porque o Departamento Jurídico do Fubap falou que era roubada, mas mesmo assim, não custa aplicar umas arbitrariedades. E não vou revisar depois, porque é capaz de até eu discordar das escolhas na lista, mas vamos que vamos. Ah, sim: já que quase ninguém comenta aqui mesmo, se aparecer alguma sugestão de nova categoria boa, aproveito para editar o post.

Atualização: real, melhor capa aparecia duas vezes. Troquei a que elegia Abbey Road pela nova categoria, a de melhor autocitação.

1. Melhor disco: Revolver
2. Melhor música: She Loves You
3. Melhor música John: Across the Universe (versão Wildlife)
4. Melhor música Paul: For No One
5. Melhor música George: Something
6. Melhor música Ringo: Octopus’ Garden
7. Melhor beatle: Paul
8. Melhor lado: o lado B de Abbey Road
9. Melhor capa: Rubber Soul
10. Melhor cover: Twist and Shout
11. Melhor cover da Motown: You Really Got a Hold on Me
12. Melhor cover deles por outros: I Want to Hold Your Hand, por Al Green
13. Melhor cover deles pela Motown: We Can Work It Out, por Stevie Wonder
14. Melhor autocitação:  “she loves you yeah, yeah yeah” em All You Need Is Love
15. Melhor bateria: Ticket to Ride
16. Melhor baixo: She Came in Through the Bathroom Window
17. Melhor guitarra: And Your Bird Can Sing
18. Melhor vocal: o do John em A Day in the Life
19. Melhor cítara: Norwegian Wood
20. Melhor piano: A Day in the Life
21. Melhor solo ao contrário: I’m Only Sleeping
22. Melhor sessão de fotos: a dos açougueiros
23. Melhor par de óculos: George, 1966
24. Melhor show para programar a máquina do tempo: algum de Hamburgo.
25. Melhor frase de impacto: “Nós somos maiores que Jesus Cristo”
26. Melhor entrevista: a da chegada nos Estados Unidos, 7 de fevereiro de 1964
27. Melhor resposta capilar: George – “Eu cortei o meu cabelo ontem”
28. Melhor verso: “And in the end, the love you take is equal to the love you make”
29. Melhor disco solo: McCartney, 1970
30. Melhor música solo: Jealous Guy
31. Melhor momento escroto de Let It Be: “Eu não me importo. Eu toco o que você quiser. Se não quiser, eu não toco”, por George.
32. Melhor Ringuismo: Tomorrow Never Knows
33. Melhor visual: circa 1966
34. Melhor cena de filme: “você não é ele?” em A Hard Day’s Night
35. Melhor filme: A Hard Day’s Night

O Hit da Primavera, a Banda Mais Legal do Mundo e uma C-90: Sempre teremos os Pastels

Wednesday, September 2nd, 2009

Esse é o vídeo de “Vivid Youth”, que vai estar em Two Sunsets, disco da colaboração dos Pastels com o duo japonês Tenniscoats. Não sei se eles tinham isso em mente quando marcaram a data de lançamento, mas é perfeita: 22 de setembro, um dia antes do início oficial da primavera no Hemisfério Sul.

Perfeito porque, pelo menos aqui em casa, essa música já foi eleita o hit da primavera. Pode não ser esfuziante como muitos considerariam adequado à função, mas tem aquela moleza de quem solta os músculos e articulações, ainda retesados do inverno, a caminho do verão. E pode ser influência do vídeo, mas tem algo na música que evoca fim de tarde ali por aquela área entre o Porto da Lagoa e o Pântano do Sul, principalmente a Lagoa do Peri.

“Stephen ainda não me decepcionou”

E saber que será uma primavera com disco novo dos Pastels (OK, disco meio dos Pastels, mas o que saiu até agora não dá o menor motivo para reclamar) aumenta ainda mais a vontade de que a estação e esses fins de tarde cheguem logo. O crítico inglês Everett True é autor da frase “o dia em que eu deixar de amar os Pastels é o dia em que vou deixar de amar a música”. Anos depois, ele lembrou disso e autocitou-se, com um aviso: “Stephen ainda não me decepcionou”.

Stephen McRobbie, ou Stephen Pastel, como quiserem, é o líder da banda desde o início. E ele não decepciona porque os princípios parecem permanecer os mesmos: a reação contra a estupidificação sofrida pelo punk rock quando deixou de significar libertação e aprisionou-se em um novo conjunto de regras e uma cerca truculência. Os Pastels criaram uma música em que a simplicidade jamais deixou de exalar também delicadeza e romantismo, mesmo nas canções mais básicas do início de carreira. Não é à toa que um dos primeiros lançamentos foi um compacto chamado Songs for Children.

Com o passar do tempo, incorporaram eletrônica e algo de dub e jazz à sua música, que ficou mais etérea, mas sempre extremamente orgânica. E atmosférica, mas sempre relacionando-se com o mundo à volta, mais ou menos como a respiração. No meio disso tudo, criam canções pop perfeitinhas, perfeitinhas, como “Nothing to Be Done”. Pra mim, sáo a banda punk definitiva, porque personificam o  que há de mais importante.  O faça-você-mesmo, em que “fazer” inclui fazer músicas fodonas. E acreditar e manter-se firme em si mesmos e no que acreditam, não como uma bandeira, mas simplesmente porque é a única coisa a ser feita.  É muito fácil amar os Pastels.

Os badges dos Pastels

Coisa de uma década e meia atrás, escrevi um texto para um fanzine. Era sobre uma banda fictícia chamada Water Jelly; escocesa, haveria sido formado por dois garotos e duas garotas entre 17 e 19 anos na saída de um show dos Pastels. Eu nem desconfiava que era mais ou menos essa a história, anos antes, da fundação do Talulah Gosh: o grupo surgiu em 1985, após as vocalistas Elizabeth Price e Amelia Fletcher conhecerem-se numa festinha porque ambas vestiam broches dos Pastels. Essa origem é celebrada na primeira canção que compuseram: “Pastels Badge”. Mais adiante a banda virou o Heavenly.

Os tais broches também inspiraram uma das últimas músicas da banda japonesa Flipper’s Guitar, que despediu-se do indie rock com a emocional “Goodbye Our Pastels Badge”. O vocalista saiu em carreira solo com o nome Cornelius e tinha uma moral boa na metade final da década passada e no início dessa, com seu pop eletrônico. No biografia Mais Pesado que o Céu, Charles Cross conta que o amor mútuo pelos Pastels ajudou Kurt Cobain a apaixonar-se por Mary Lou Lord, seu último romance antes de Courtney Love. O Tullycraft fez o hino twee-pop “Pop Songs Your Boyfriend Is Too Stupid to Know About” (“músicas pop que seu namorado é burro demais pra conhecer”) e incluiu os versos: “ele te compra discos, se você gostar dos do U2; mas se quer os Pastels, aqui está o que você deve fazer”. O Black Tambourine, que depois originou o Velocity Girl, declarou a paixonite da vocalista por Stephen Pastel na música “Throw Aggi Off the Bridge”. “Jogue Aggi da ponte”. Aggi Wright foi a co-integrante que mais tempo durou nos anos mais ativos da banda.

Cortando da própria carne

Hoje em dia os Pastels são basicamente Stephen e Katrina Mitchell, que está no grupo desde o início da década de 1990, sempre cercados por colaboradores como Norman Blake e Gerry Love, do Teenage Fanclub, o pianista Bill Wells, David Keegan (ex-Shop Assistants), Eugene Kelly (dos Vaselines). Rola também uma Peel Session, que nunca ouvi, com Kevin Shields e há a promessa de um novo disco, só dos Pastels, para logo. Não dá para se fiar muito, já que, com oito discos em mais de 25 anos, (incluindo aí duas coletâneas e um álbum de remixes), não é das bandas mais prolíficas. Mas mesmo se nunca mais lançarem nada, sempre teremos os Pastels.

Eu tinha planejado uma coletânea mais curta. Mas mesmo depois de cortar da própria carne, ficou óbvio que eles mereciam uma C-90. Taí, então, sem ordem cronológica nenhuma já com uma do Two Sunsets, a versão para “About You”, do Jesus and Mary Chain. Ficou um monte de coisa de fora, eu sei.

Opa. E tem mais uma música do disco (a terceira) nesse blog aqui. Essa cantada pelos Tenniscoats. Já começo a achar que é papo de disco do ano.

http://sharebee.com/b992f6f8