Outro dia o Jamer me perguntou onde tinha os EPs dos Gambitos pra baixar. O lugar oficial pra pegar continua sendo o site do Midsummer Madness (até porque lá tem junto um monte de coisa legalzona), mas achei que não tinha motivo para não colocar aqui também, junto com “Milk and Honey”, que é um caso à parte porque… bom, chegamos lá depois. Se alguém estiver a fim de baixar pulando o blábláblá de antes, tem lá no final os links pra cada EP (é só clicar nas capinhas) e pra essa faixa e também pra “obra completa” duma vez só.
Comecei essas gravações em abril de 2006, no meio de uma das pausas da gravação do EP novo do Superbug (sério, vai sair). Era uma mistura de saco cheio de estar parado com aquelas músicas legais que não ficavam prontas com a vontade de registrar algumas outras que, por um motivo ou outro, não entraram no repertório do Superbug, mas eu curtia e não tava a fim de abandoná-las assim. Seria um “projeto solo” com o XuXu dando uma força e talvez tocando uns baixos. A essa altura, a ideia era manter todos os arranjos na base de pouco mais que voz e violão.
Inflacionando a ambição
Assim que começamos, ainda na casa do Amexa, foram aparecendo ideias de arranjo. Como estavam ficando melhores que a proposta inicial e o legal de um “projeto solo” é se dar o máximo de liberdade possível, fomos atrás dessas ideias musicais. Ainda em 2006, rolou o primeiro breque do projeto: paramos tudo pra Copa do Mundo. Quando terminou, o Amexa estava concluindo a construção do estúdio, então esperamos um pouco mais para transferir.
Na época eu não me liguei disso, mas acho que a mudança de ambiente influenciou bastante no perfil do projeto, já não mais tão despretensioso assim. Afinal, gravar em um estúdio com sala e aquário separados não é a mesma coisa que gravar num computador num quartinho de empregada.
Nesse meio tempo, o XuXu, que assumiu o cargo de produtor, tava às voltas também com o disco solo dele (que ainda não ta terminado) e o que viria a ser o último disco do Pipodélica, Não Esperem Por Nós. E o elenco do projeto foi aumentando: o MKurruyvo acabou tornando-se o baixista, o André Seben e a Dani gravaram participações e o Domingos foi em várias sessões e não tocou nenhum instrumento, mas fez várias cubas-libres. O último a gravar, numa dessas inversões malucas, foi o Xando.
Nessa história toda e no lance de quase nunca dizer a cada um desses convidados o que eles deviam fazer em cada música, comecei a achar um pouco falso dizer que fosse um projeto individual meu. Aí, inspirados no nome do órgão/sintetizador analógico que usamos pacas nas primeiras gravações, mas que, curiosamente, nem aparece tanto assim no fim das contas, batizamos a “banda” de Os Gambitos. O XuXu queria que fosse Mutley e os Gambitos. Eu, por outro lado, não queria nem cantar, então acho que ficou equilibrado.
Milk and Honey: a música-relâmpago
Até que, em dezembro de 2007, eu tava com uma outra música que queria gravar urgente. Na real, era pouco mais que um riff e umas ideias melódicas, mas que eu queria tirar do meu sistema, para exorcizar uns lances. E era também para, no meio de dois projetos que eu adorava, mas que ainda não tinham desovado nada de pronto, terminar algo logo. Tá, e para copiar o Neil Young. Numa segunda-feira, quando era lançamento do EP do Daca no Deluxe Studio, aproveitei pra falar com o XuXu e o MKurruyvo, que estavam na banda de apoio, os Faixa-Preta e mais o Batata (o plano foi também pra gravar com ele na guitarra).
Na mesma festinha, marquei com o Clive de gravar também no Deluxe e elaboramos: gravar tudo e, com alguma sorte, mixar a música numa jornada só. Ele não tinha horário no dia seguinte, então acertamos pra quarta-feira. Aproveitei a terça pra terminar de escrever a música e a letra, agora com o nome meio pretensioso de “Milk and Honey” e começo copiado da Bíblia via Bob Dylan. Foi todo mundo apresentado à música na hora de gravar. Lembro também do Batata perguntando se eu queria “um solo bonito ou um solo pedreiro”. Lógico que pedi o solo pedreiro.
Como começamos à noite, acabamos deixando o vocal pra semana seguinte. Pedi pro Clive fazer a programação de bateria eletrônica no mesmo espírito, sem pensar demais e sem muitas tentativas diferentes. Uma semana depois, voltei lá e gravei a voz em duas tomadas e mixamos na mesma noite. Tempos mais tarde, ele até me perguntou se eu não queria reprogramar a bateria ou gravar uma “humana” no lugar; cheguei a considerar isso, mas o propósito ali era exatamente a música ser o que era como foi feita na hora. Se fosse para mudar bateria, eu também iria querer regravar a voz, no mínimo. Então subi a música no rapidshare, divulguei em umas listas de discussão e nunca mais tinha mexido nela de novo.
2008: tá quase
De volta às seis músicas “principais”, 2008 foi o ano do “elas estão quase prontas”, com toques finais na mixagem e a masterização, mais detalhes tipo capa e o acerto com o Rodrigo para lançar pelo MidMad. Pensamos (no pretérito, mas também no presente) em fazer um EP físico, mas decidimos não esperar mais. Se for o caso a gente faz mais adiante. Enquanto isso, soltamos os dois compactos simultâneos, que é pra ficar mais indie.
A capa do Salami foi uma foto que tirei no Ribeirão da Ilha quando tava fazendo matéria sobre a eleição pra prefeito daqui. E a do Easy Living Candy Store foi um presente do Koostella. Era o desenho que dava título à exposição que ele fez no Blues Velvet lá pela meiúca de 2008. Aí, poucas horas antes d’eu pegar o ônibus para me mudar pra São Paulo, pedi para ele liberar de graça e ele topou, com um desafio: se eu lembrasse o e-mail dele sem anotar.
Acabei subindo todas prum myspace no começo de 2009 e a rapeize deu uma descascada, estilo “eu jurava que era piada”. E cheguei a fazer dois shows: um em fevereiro, na Folk This Town, acompanhado da Dani, do Marco Britto e do Cudo, e outro em março no Café Elétrico. Esse foi sozinho ao violão e especialmente legal porque toquei uma música dos Udigrudis.
Mesmo assim, tá tudo aí de novo.
Os Gambitos são Fábio Bianchini (voz, voz de apoio, guitarra, violão, violão 12, teclados, produção), Eduardo XuXu (voz de apoio, guitarra, teclado, produção), Amexa (produção, gravação), MKurruivo (baixo), Xando Passold (bateria), Dani Hasse (voz, voz de apoio), André Seben (guitarra)
Todas as música compostas por Fábio Bianchini
Gravado entre 2006 e 2008 no Estúdio 3958
Arte da capa: Daniela Bianchini (danibianchinimattos@gmail.com)
Os Gambitos são Fábio Bianchini (voz, voz de apoio, guitarra, guitarra 12, violão, teclados, baixo, bateria, produção), Eduardo XuXu (voz de apoio, guitarra, teclado, produção), Amexa (produção, gravação), MKurruivo (baixo), Xando Passold (bateria), Dani Hasse (voz, voz de apoio), André Seben (guitarra)
“Dancefloor” composta por Fábio Bianchini e Diógenes Fischer; “Horse” composta por Fábio Bianchini, Diógenes Fischer e Pablo Prudêncio; “Old Man on the Phone” composta por Fábio Bianchini
Gravado entre 2006 e 2008 no Estúdio 3958
Arte da capa por Koostella
Os Gambitos são Fábio Bianchini (guitarra e voz), Batata (guitarra), MKurruyvo (baixo), Clive Jr (produção, gravação e programação de bateria eletrônica) e Eduardo Xuxu (produção e arranjo).
Gravado em dezembro de 2007 no Deluxe Studio




