Tá, mais velharia. Decidi que valia a pena por causa do vídeo, que eu nunca tinha visto. Além do mais, quando publiquei esse post originalmente no Tra-la-lá, ele já era antigo, então tudo bem, suponho, aquela história de menos com menos dar mais. Mas acho que o lance mesmo é o vídeo, comovente e inspirador pacas, além de ter a participação da minha baterista preferida, a Mo Tucker. Ela aparece a 5min16seg. E a historinha de Berlim no final é muito foda.
Half Japanese é uma banda pra lá de bacana, ainda que esquisitinha e de difícil digestão. Sua música dadaísta mostra que o conceito de punk rock é beeeeeeeeeeem elástico. Um de seus líderes, Jad Fair, já gravou também com Pastels, Yo La Tengo e Teenage Fanclub, entre vários outros, e a colaboração com este último até saiu no Brasil.
David, que é irmão de Jad e também integrante do Half Japanese, escreveu anos atrás uma pequena aula sobre tocar guitarra que, além de funcionar como tal, mostra bem a filosofia da banda. A original está aqui. E aqui embaixo, uma traduçãozinha corrida:
“Como tocar guitarra
Por David Fair
Eu ensinei a mim mesmo a tocar guitarra. É incrivelmente fácil quando você entende a ciência disso. As cordas magrinhas tocam os sons agudos e as guitarras gordas tocam os sons graves. Se você coloca seus dedo lá longe perto da ponta da afinação o som é mais grave. Se você quer tocar rápido, mova sua mão rápido e se você quer tocar mais devagar mova sua mão mais devagar. E isso é tudo. Você pode aprender os nomes de notas e como fazer os acordes que as pessoas usam, mas isso é bastante limitador. Mesmo se você levasse alguns anos e aprendesse todos os acordes você ainda teria um número limitado de opções. Se você ignorar os acordes suas opções são infinitas e você pode dominar a execução da guitarra em um dia.
Tredicionalmente, guitarras têm uma corda gorda em cima e elas ficam mais e mais magras à medida em que descem. Mas o detalhe a ser lembrado é que é a sua guitarra e você pode botar qualquer coisa que queira nela. Eu gosto de botar seis cordas de tamanhos diferentes porque dá mais variedade, mas meu irmão costumava botar todas da mesma grossura para não ter muito com que se preocupar. Qualquer corda em que ele batesse teria que ser a certa, porque toda eram a mesma. Afinar a guitarra é uma espécie de noção ridícula. Se você tem que ajustar as tarrachas de afinação até um determinado lugar, isso implica em que todos os outros lugares seriam errados. Mas isso é absurdo. Como poderia ser errado? É a sua guitarra e é você quem está tocando. É completamente por sua conta decidir como ela deve soar. Na verdade, eu nem afino pelo som. Eu aperto as cordas até que estejam todas mais ou menos na mesma tensão.
Eu altamente recomendo guitarras elétricas por algumas razões. Em primeiro lugar, elas não dependem da ressonância do corpo para o som, então não importa se você pintá-las. E, também, se você botar todos os botões de seu amplificador no 10, você pode obter uma reação muito maior para seu esforço do que com uma acústica. Só um toque leve nas cordas pode sacudir as janelas e quando você senta a mão nas cordas, com seu amp no 10, você pode arrancar a tinta das paredes.
A primeira guitarra que comprei era uma Silvertone. Depois comprei uma Fender Telecaster, mas realmente não importa qual tipo você compre, desde que as tarrachas de afinação estejam na ponta certa do braço. Uns anos atrás, alguém apareceu com uma que afina do outro lado. Nunca experimentei uma. Acho que elas soam direito, mas parecem ridículas e imagino que você se sentiria bem abobado segurando uma. E isso afetaria seu jeito de tocar. A idéia não é se sentir abobado. A idéia é botar uma palheta em uma mão e uma guitarra na outra e, com um leve movimento, governar o mundo.”