Quando me convidaram a participar do Smirnoff Nightlife Experience (a essa altura, rapeize já deve saber do que se trata. Se não, já chegamos lá, após as considerações iniciais), logo curti a proposta por motivos óbvios: vodca e vida noturna. E tinha também o lance de que, inspirado pelo Ilha 70, eu tava na pilha de falar sobre a etapa seguinte, os anos 80, mas não tava encontrando o fio da meada, o que realmente mudou em Florianópolis naquela década. Já começava até a achar que essa mudança era impressão pessoal minha, por causa da idade, e que na real havia sido só uma transição entre os 70 e 90.
E aí caiu no meu colo a chance de recontar a vida noturna da cidade nos anos 70, 80, 90 e 00. Pesquisa daqui, assiste de novo o Ilha 70 dali, memórias d’acolá e é claro que o viés da história que vou apresentar tem influência forte da minha experiência, de quem começou a sair à noite no final dos 80, nessa e naquela circunstância. Por conta disso, estou certo de que inevitavelmente alguma coisa foi privilegiada em detrimento de outra. Acabo de lembrar que o Fly e os Udigrudis, por exemplo, ficaram de fora. E, putz, como foi bom aquele show dos Udigrudis no Fly.
Enquanto escrevia, percebi que o grande lance dos 1980 foi ter sido a época em que a noite espalhou-se, democratizou-se ainda mais e foi entregue de presente à juventude, que passou a ser o público preferencial. Em Florianópolis é particularmente fascinante recapitular a vida noturna nas últimas quatro décadas porque somos uma cidade jovem e que, como toda criança e adolescente, muda rápido, mas mantém eternos alguns cacoetes.
Não dá para entender Florianópolis sem música
Dar uma olhada rápida nisso me ajuda a entender a cidade e uma das coisas de que mais gosto por aqui: a província fica mais cosmopolita e universal justamente quando olha para si com naturalidade, sem vergonha de ser o que é, mas também sem autocaricatura para forçar folclore. Essa ligação óbvia e íntima da NÁITE com a cultura passa forçosamente pela música. Não sei desvincular uma coisa da outra e é por isso que, na minha opinião, as canções ligadas à noite não necessariamente falam sobre ela nem precisam ser dançantes.
Aliás, dá para perceber bem isso nas coletâneas de época que fiz para cada década: na dos anos 70, tive que forçar a barra e colocar uma música do Burn que é da época, mas só foi gravada anos depois e uma do Engenho só lançada em 1981, pra poder ter alguma coisa daqui no meio dos hits gringos, principalmente pela falta de material gravado e disponível. Já a dos anos 00, quando vi, ficou pronta só com músicas de Florianópolis. Tá certo que o Domingos vai ficar furioso por eu ter colocado Dolls junto com Samambaia e Discobot, mas era um risco que eu precisava correr em nome dos fatos.
Smirnoff Nightlife Expericence: o projeto
Quanto ao projeto em si: é uma campanha da Smirnoff em 14 países, uma espécie de criação coletiva e de troca de experiências entre os usuários das redes sociais sobre sair à noite. A partir daí, a Smirnoff vai montar projetos para cada país e eventos que serão também um intercâmbio cultural com cobertura da MTV. E o Tico-tico no Fubap no meio disso aí. Acho que vou até conversar com o Fred pra dar um jeito naquele header bonitaço que o Cid fez, mas sumiu.
Esses históricos da noite fazem parte disso e pretendem servir de base para um grande banco de dados e exposição sobre a vida noturna no mundo todo. Por isso, os conhecimentos da madrugada vindos dos leitores serão fundamentais. Não se furtem em dizer “seu asno, não é isso” ou “ô, cavalo, como é que tu deixa faltar aquilo?”. Sei bem que a responsa não é pouca, ainda mais porque to em ótima companhia. Por exemplo, descobri agora há pouco que quem tá fazendo em Salvador é o grande Luciano Matos, o popular El Cabong. Vamos que vamos.