É possível, sim, contar a história do rock catarinense sem mencionar o Curupira. O único problema é que estará mal contada. Mas é impossível contar a história do Curupira sem mencionar Marcos Klein, o Bananeira, frequentador e entusiasta desde os primeiríssimos dias.
Centenas de pessoas que já foram ao clube lembram dele no palco, cabeça apoiada no chão e as pernas movimentando-se para cima, para ajudar no equilíbrio, mas também viajando na música. Não era para se exibir, explicava. Era para ver o mundo de um ângulo diferente, era uma declaração de liberdade. O que ele gostava mesmo, sempre disse, “era de fechar os olhos e sentir a música”.
Acabou que as subidas dele para plantar bananeira tornaram-se uma espécie de aval, uma bênção para quem estava no palco. Uma das melhores coisas de tocar no Curupira era quando a gente tinha aquela impressão de que estava tudo indo bem. E de repente lá estava o Bananeira, de pernas para o alto, para confirmar. Na última vez que o Superbug tocou lá, em fevereiro de 2008, foi esse o argumento do Junior para deixar claro como o pessoal tinha gostado: “tu viu que o Bananeira ficou quase o tempo todo no palco com vocês, né?”
E não era só no palco. De alguma maneira, ele soube fazer que quase todo mundo que passou pelo Curupira se sentisse no direito de se dizer amigo dele. A conversa animada e amistosa e o entusiasmo com que assistia todas as bandas que podia, sem distinção de estilo, sempre disposto a conhecer novas músicas, eram fundamentais na maneira como todos sempre nos sentimos em casa lá.
O que queria sempre era ver as bandas criando sua própria arte. “Toca uma música que a gente não ouviu ainda”, pedia sempre. Nada mais natural, vindo de quem curtia tanto olhar o mundo de um ângulo diferente.
Tomara que a gente tenha aprendido direito. Bananeira morreu, aos 47 anos, na madrugada de hoje, à 1h, vítima de enfarte fulminante. E o rock daqui, mesmo que não saiba disso, fica mais sem graça.

