Os 15 discos

A um minuto e cinqüenta segundos da primeira faixa, “Walk With Me”, a voz e a guitarra se confundem, quase se tornando um só som. O momento epitomiza não só o disco, mas a carreira inteira de Neil Young, como se todos os clássicos que ele fez na vida fossem tentativa e preparação para chegar a isso: cantor, voz, músico, canção, guitarra, compositor, tudo uma coisa só. É essa plenitude é o grande trunfo de Le Noise.
Para chegar a ela, todas as partes cederam. Não é um disco de canções (apesar delas estarem lá), é uma paisagem sonora, mas mesmo a separação entre elétrico e acústico é sutilíssima, assim como os efeitos de timbragem e repetição, provavelmente cria do produtor Daniel Lanois, que tornam tudo ainda mais onírico e irreal. É como se todos os componentes da música de Young tivesse se desmaterializado em nome dessa unidade quase etérea.
Ao mesmo tempo em que volta à simplicidade de um disco de blues antigo, brinca com escalas médio-orientais, ele olha para sua carreira e biografia. As letras, sejamos francos, são a parte que precisamos perdoar. O descritivismo cru e sem poesia dá saudade da beleza evocativa que Young já não parece mais ser capaz de criar. Por outro lado, a majestade simples e quase mágica que Le Noise transpira também nos lembra de que nem Neil Young nem a música de guitarras estão esgotados ainda.
2. Sheepdogs – Learn & Burn
3. Titus Andronicus – The Monitor
4. Elf Power – Elf Power
5. Chromeo – Business Casual
6. Grinderman – 2
“Já tentou abraçar o mundo todo de uma vez só?”. Não é simples e, na verdade, o Holger não consegue. Aqui e ali, o olho fica maior do que a barriga e faltam ganchos melódicos para a fusão de indie rock, axé, afro, psicodelia, new wave, modernices, pós-punk e mais um monte de coisa ser tão contagiante como deveria. Na verdade, Sunga nem teria como corresponder a sua promessa.
Mas o encanto da tentativa é fascinante, como o de observar uma criança descobrir o mundo a seu redor, testar sem medo os seus limites, o tamanho dos braços, o equilíbrio. Esse período irrepetível, em que até os tombos e eventuais machucados têm graça, já seria suficiente para o disco merecer a torcida.
E aí vêm os gols. Quando acertam, como em “Toothless Turtle” (essa podia até ser do INXS na época em que era fodão), “No Brakes”, “Let’em Shine Below”, “Beaver”, “She Dances” e “Eagle”, é caso pra júbilo. E pra escolher Sunga como o disco brasileiro mais legal de 2010.
8. Harlem – Hippies
9. The National – High Violet
10. Avey Tare – Down There
11. Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy
12. Tame Impala – Innerspeaker
13. Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Before Today
14. LCD Soundsystem – This Is Happening
15. MGMT – Congratulations
As 20 músicas

1. Teenage Fanclub – Baby Lee
2. Amanda Applewood – Pretend (We’re In Love)
Na verdade, poderia ser o contrário, as duas são fácil a melhor música do ano. Sobre “Pretend (We’re In Love)” a gente já falou aqui no Tico-tico. E “Baby Lee” é daquelas músicas pop gloriosas, nada menos do que se espera do Teenage Fanclub, que sempre é muito. Tão boa, mas tão boa, que fez Shadows, o disco novo, soar fraquinho em comparação e ficar de fora da nossa lista. Acontece. Tem aqui o link pra baixar a música.
3. Elf Power – Stranger in the Window
4. Neil Young – Angry World
5. Tanlines – Real Life (World Cup Remix)
6. Vampire Weekend – Cousins
7. Holger – Beaver
8. Crystal Castles feat. Robert Smith – Not in Love
9. El Guincho – Bombay
10. Cee Lo Green – Fuck You
11. Harlem – Friendly Ghost
12. Wavves – Post Acid
13. Dr. Dog – Shadow People
14. Kate Nash – Do Wah Doo
15. Matt & Kim – AM/FM Sound
16. Dirty Gold – California Sunrise
17. Tame Impala – Solitude Is Bliss
18. Robyn – Dancing on My Own
19. Dum Dum Girls – Jail La La
20. The Divine Comedy – At the Indie Disco

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