Ser envolvido em projeto legal sempre é bom pacas. Quando, ainda por cima, o projeto legal é de amigo, só melhora. Por isso eu fiquei todo felizão quando o Isaac me convidou pra participar da divulgação do Mapuche. A primeira coisa que fiz foi o release ali embaixo:
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Mapuche é o novo projeto individual de Isaac Varzim, integrante do Superpose e figura fundamental na cena eletrônica de Florianópolis, como músico, produtor e DJ. Mas o disco de estréia do projeto, previsto para ser lançado em março, privilegia sonoridades introspectivas e intimistas, com arranjos delicados, andamentos mais lentos e atmosfera musical orgânica e calorosa.
Os Mapuche são um povo indígena sul-americano, hoje localizados principalmente no Chile e Oeste da Argentina. Sobreviveram primeiro às guerras com os incas e outros povos, depois a mais de 300 anos de guerras com os espanhóis e, por fim, à anexação de suas terras pelos países em que vivem atualmente; são cerca de 900 mil indivíduos. Uma das razões para essa sobrevivência foi nunca terem aceitado os outros nomes pelos quais demais povos queriam chamá-los. Nunca aceitaram que outros lhes definissem a identidade. Isaac Varzim ainda não sabia disso quando escolheu esse nome para batizar seu novo projeto pessoal. Até então, era só a palavra que viu, em um quadro que encontrou perto de sua casa, na Costa da Lagoa, em Florianópolis, e de cuja sonoridade gostou. Afinal, a sonoridade é um dado fundamental para o projeto.
Atmosfera musical orgânica e pouco ortodoxa
Mas conhecimento sobre a própria identidade também é. Varzim ficou mais conhecido nos últimos anos pelo duo Superpose (que participou do projeto Subtropics, reunindo os três principais nome da música eletrônica da capital catarinense no fim dos anos 00) e pela atuação na noite florianopolitana, como DJ e promotor de festas. O disco de estreia do Mapuche, entretanto, troca as pistas e o som dançante por uma música mais introspectiva e canções com andamento mais lento e “estruturas musicais que não respeitam muito o formato pop, apesar de serem bem easy listening para o ouvido desavisado”, como define. A duração de todas varia entre 4m30seg e 6min36seg.
A ressalva à acessibilidade é importante, porque apesar da pouca ortodoxia e da delicadeza da construção musical de Varzim, a atmosfera musical é orgânica e calorosa, com arranjos que utilizam recursos eletrônicos e acústicos indistintamente. Os violões, bandolins e alguns vocais, por exemplo, foram gravados em Curitiba, no porão de uma igreja luterana centenária “com uma vibe absurda”, conta o músico. O registro de saxofone e bombardino foi feito na sala de ensaio da orquestra de metais Paraná Brass. Sobre o bombardino, se for conversar com Deddos, que é o principal músico brasileiro do instrumento e tocou-o no disco, é recomendável chamar pelo nome certo, Euphonium, pois há diferença, ainda que sutil. O baixo também foi gravado na capital paranaense, na casa do baixista Kiko, e os demais instrumentos e vozes na casa de Varzim, em Florianópolis, ao longo dos últimos dois anos. Ele é formado em composição e regência na Faculdade de Belas Artes de Curitiba.
Primeiro single: 8 de fevereiro
A liberdade de formatos e a ausência de compromisso com música dançante também serão explorados daqui em diante por Varzim para as próximas criações do Mapuche, tanto em estúdio quanto ao vivo, em diferente formações e possibilidades. O primeiro single do disco, “She Unsaid” (lançamento: 8 de fevereiro, acompanhado de remixes de Edu K, Our Gang, Bloodshake and Muniques ), com sua condução crescente e gentil, a batidas quebrada e a sutileza das camadas de vocais, é a amostra inicial da riqueza do disco, apesar de não encapsulá-lo completamente. O lançamento do álbum é no dia 15 de março. Mas, até lá, pistas, surpresas e outros estarão disponíveis no website do projeto.
Músicas:
1. Islands
2. Lullaby
3. Make It Easier
4. Nothing Here
5. On My Knees
6. Sanctity
7. She Unsaid
Músicos:
Isaac Varzim – programações, vocais, violões, piano e viola caipira
Kiko – baixo e saxofone
Deddos – euphonium
Marcell Steuernagel – violão de nylon e bandolim
Jaguarito – guitarra
Paula Felitto – vocais femininos
[...] This post was mentioned on Twitter by isaac varzim, Fábio Bianchini . Fábio Bianchini said: Me chamarem prum projeto bacanão e pitaqueei a respeito antes de trabalhar de verdade: http://fubap.org/ticotico/?p=255 [...]
[...] a sutileza das camadas de vocais, é a amostra inicial da riqueza do disco” escreve o mestre Bianchini – disco esse que será lançado dia 15 de março e que esperamos ansiosas. [...]