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What is that cheerful sound?

Monday, March 21st, 2011

A princípio, a perspectiva é apavorante. Não só faltam nove meses (275 dias!) até começar o próximo verão, mas ainda por cima são os piores nove meses do ano, ou seja, aqueles que não são os de verão. Mais: nove meses de um ano que não tem Copa para amaciar as coisas na meiúca.

Mas não é tão ruim assim. A real é que, pelo menos no comecinho, antes de chegar no momento de humilhação e derrota moral em que o sujeito usa cobertor pela primeira vez no ano e assiste na TV matérias com frases de efeito sobre tirar os casacos do armário, o outono é bonzão. E aí, lá por maio, tem o veranico, que, nesse ano, deve transformar em vantagem toda especial o fato de seu índice pluviométrico costumar ser baixíssimo.

No Brasil a gente não costuma dar tanta importância para esse período, apesar do nome afetuoso. Imagino que seja porque ele não faça taaaaaaaaaanta diferença assim na maior parte do país, onde a temperatura não costuma baixar muito do limite civilizado. A única música brasileira de que lembro agora a invocar o período é “Veranico de Maio”, do Nelson Ayres.

Motorbile to cemetery

Nos países de língua inglesa do Hemisfério Norte, é diferente. A versão deles lá tem o nome de Indian Summer e, claro, costuma ser no final de outubro, não em maio. Acabou virando metáfora para um último respiro, mas ainda (ou novamente) viçoso) de… bem, de seja lá o que for, depois que parece ter acabado. Como aquelas semanas em que, após definhar, um relacionamento fica de novo mais romântico, sexy e profundo do que nunca, até acabar num longo e frio inverno.

Aqui nesse site rola umas explicações meteorológicas e etmológicas mais detalhadas sobre como o nome surgiu (já adianto: ninguém tem certeza de muita coisa) e entrou para a cultura anglófona. As menções mais antigas encontradas são do século XVIII.

Picnic on wild berries

E a metáfora, claro, inspirou várias músicas. A “Indian Summer” mais popular é a de Victor Herbert e Al Dubin, que já foi gravada por Duke Ellington, Sidney Bechet, Count Basie, Coleman Hawkins, Ella Fitzgerald, Gene Krupa, Errol Garner, Frank Sinatra, Earl Hines, Ron Carter, John Pizzarelli, Tommy Dorsey, Stan Getz, Glenn Miller e mais um monte de gente.

A música dos Doors com o mesmo nome também é bonitona; se bobear, um dos melhores momentos do irregular Morrison Hotel. Os Manic Street Preachers, Pete Seeger, Mike Auldridge, Roy Orbison, Poco, Tangerine Dream, entre vários outros, também cantaram, se não a microestação, o sentimento de breve renascimento e nostalgia. Ainda assim, todo esse pessoal dos últimos dois parágrafos vai ter que nos desculpar.

No matter what they rain

Porque a melhor “Indian Summer” é mesmo a do Beat Happening, originalmente lançada no disco deles de 1988, Jamboree. A frasezinha de guitarra absurdamente simples com duas notas, a bateria incerta, a letra cheia de imagens idílicas cantadas daquele jeito desconsolado, tudo nela é clássico. Tá, um microclássico, vai

E aí tem algumas versões. Como são todas de um universo musical razoavelmente reduzido, não mudam taaaaaaaaaaaanto assim. Mas as bandas conseguiram, sim, talvez por causa da simplicidade da canção, colocar suas personalidades musicais nela. Minhas preferidas, além da original, que é pura glória… acho que são a do Luna e a dos Manhattan Love Suicides. E a do Sonic Boom. Na real, vejam  aí vocês,  aqui tem algumas pra baixar. Essas da lista aí embaixo:

1. Beat Happening
2. Luna
3. Sonic Boom
4. The Manhattan Love Suicides
5. SWTHRT
6. Ben Gibbard
7. REM
8. Eugenius
9. The Beatings