Lá pela meiúca inicial de 2008, escrevi esse release aqui pra Verano. Depois eu explico por que voltar ao assunto agora.
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O Banco Redondo é um dos pontos de referência informais preferidos e mais típicos de Florianópolis. Espanta por sua franqueza, por ser o que o nome diz: um banco, de sentar, redondo, ao redor de uma árvore em uma minúscula praça. Visitantes e imigrantes às vezes chocam-se. “Pensei que era um prédio redondo de uma instituição bancária”.
A primeira audição pública do EP de estreia da Verano foi na lanchonete que funciona bem na frente do Banco Redondo, por acaso, sem aviso, sem a presença de todos os integrantes e sem o público que acompanha seus shows na cidade. Ao invés disso, Kate Hudson na TV ao lado do freezer decorado com o logo de uma cervejaria. Faz sentido. Não é só porque o assobio do vento ali fora parece querer harmonizar com o órgão da faixa de abertura, “Lune Orange”, ou por causa da noite fria de um inverno que não sabe bem se começa de vez ou não. É também uma questão de origem. A audição foi sem estardalhaço e improvisada como o início do grupo, três anos e meio antes. A maior parte das faixas do EP vem dessa época. E é por isso que o disco privilegia o lado mais lento e contemplativo, melancólico até, da música deles. As outras, mais agitadas, do show, foram compostas depois, quando Verano já era uma banda. Antes dela, havia o desejo de tocar aquelas canções, quase nuas, só com violão e órgão, em que Tiago Vekho e Luiz Henrique Cudo se alternavam para fazer algo diferente das experiências anteriores de ambos (que iam de grindcore a punk-funk).
Foi assim ao longo de todo 2005. Às vezes só os dois, às vezes com amigos que ocasionalmente visitavam esses encontros musicais, na base de “almoçar, beber e tocar” e acrescentavam um ou outro instrumento, mostrando assim possibilidades sonoras, nunca com formação fixa. Durante esse ano, não havia a pretensão de montar uma banda, até que a vontade de mostrar em público o que faziam tornou isso imperativo. Um pouco para dar corpo às canções nos palcos, um pouco para viabilizar as idéias de arranjos que surgiam. Nessa época, enquanto a banda tomava forma, quase ganhou o nome de uma de suas composições, “Casi un Verano”, por sugestão das visitantes, preferiram deixar Verano mesmo. Por conta de detalhes como esses, também resistem a catalogar seu som como folk-rock, apesar do impulso inicial ter vindo do interesse por influências como Mojave 3, Elliot Smith, Palace, Arab Strap, Songs:Ohia e artistas do tipo.
O primeiro show foi em abril de 2006, já como um trio, com o baterista Daniel Pfeiffer. Depois, sem pressa, chegaram, no comecinho de 2007, à formação que começou, por ali, a apresentar-se constantemente na cidade e gravar o EP, mas também sem pressa. Fora a bateria, registrada em estúdio, o processo foi doméstico. “Também por economia, mas principalmente por preciosismo nosso. Queríamos fazer do nosso jeito, tornava a experiência mais real para a gente”, contam. O resultado é que o EP da banda ficou pronto por agora, quando eles já têm mais um monte de outras faixas novas, todas loucas para serem ouvidas. Tudo bem. Foi de respeitar o ritmo dessas coisas que a banda nasceu. Há quem ache que pressa não é necessariamente uma virtude, assim como sempre haverá quem goste mais de sentar-se debaixo de uma árvore do que de agências bancárias.