O TRIPÉ DA GOOGLE

Abaixo, reproduzo minha última colaboração no WebHolic. Estou preparando as próximas, aguardem.

Antes, observações motivadas por repercussões no twitter e nos comentários:

  • AdWords inclui AdSense. Na primeira versão do texto, usei “Plataforma de publicidade”, depois mudei pra “Plataforma de anúncios”, e no final resolvi usar AdWords mesmo. AdSense é a plataforma do AdWords que estende para terceiros a panfletagem da rede de anúncios.
  • O trecho que fala da Overture e do acordo de licenciamento com o Yahoo pode ser interpretado, erroneamente, como se a Google estivesse usando uma tecnologia licenciada do Yahoo. Não é o caso: a tecnologia é 100% Google, mas a patente que descreve o modelo de negociação e venda de anúncios por palavra-chave do AdWords, é do Yahoo.
  • É “A Google” ou “O Google”? Quando a empresa chegou no Brasil, em suas próprias páginas em português “A Google” era o mais usado. Depois misturaram. Hoje parece que resolveram adotar “O Google” oficialmente na versão .com.br. Desde que passaram a ser maus, prefiro “A Google”, como “A Microsoft” e “A Apple”. Alguns tentam diferenciar “O Google” como sendo “O motor de busca” e “A Google”, para “A Empresa Google”. Mas é só convenção, pois “A Google” pode ser “A Ferramenta de Busca” e “O Google”, “O Empreendimento Google” ou “O Conglomerado Google” etc. No fundo, tanto faz: a escolha é sua.
  • Comentário aleatório: quando comecei a brincar com o AdWords em 2007, tive a sorte de contar com o suporte da Google, principalmente quando empaquei por não encontrar nas internas do serviço o “AdBanner”, já que queria anúncios além de Links Patrocinados, em display. Eles riram, pois até que fazia sentido minha “dúvida”, mas disseram que era no próprio AdWords que também ficam as campanhas para banners. Dã!

Aqui vai:

Publicado originalmente no WebHolic.com.br, 08/09/11.

O TRIPÉ DA GOOGLE
por Rafael Spoladore

No começo de setembro a Google anunciou que vai encerrar 10 produtos nos próximos meses, entre eles o Desktop e o Notebook. Isso já aconteceu antes e não será surpresa se acontecer novamente. É bastante natural a uma empresa, não importa o ramo, rever posições ao longo do tempo.

Mas vista de outra forma, a questão que se pode levantar é:

    De quais produtos a Google realmente depende?

Com alguma análise, e num reducionismo típico, mas não impreciso, é fácil identificar os 3 pilares da empresa, que sustentam seus negócios e devem continuar sendo as joias nos próximos anos:

1. Busca
2. AdWords
3. Android

Sem qualquer um desses, a Google deixa de ser a empresa que conhecemos. Todos os outros produtos, além dessa tríade, podem ir e vir que, talvez, deixem só saudade, mas não farão nenhuma falta para eles.

Estas são as razões:

Busca: na origem da Google está a sua identidade. Sem a ferramenta de busca, perderia suas raízes como companhia de tecnologia. Uma Microsoft sem Windows, uma Apple sem Steve Jobs, uma Ford sem carros. Qual a cara do Yahoo, por exemplo? Seus produtos surgem, desaparecem e não o descaracterizam simplesmente pela ausência de identidade própria. Seu produto de maior destaque talvez seja o Flickr, o que não é mérito deles: apenas compraram e mantêm o serviço.

A audiência da Google se dilui em várias iniciativas, mas a busca ainda é seu principal braço tecnológico. O Bing é o único concorrente que conseguiu alguma relevância, mas só nos EUA. E qualquer vantagem que possam achar no Bing só apareceu depois de muito dinheiro investido pela Microsoft, que se esforçou para inovar em alguns aspectos além da busca.

AdWords: em números arredondados, a criticidade desse produto pode ser resumida assim: em 2010 o faturamento total da Google foi US$ 29 bilhões, dos quais 28 bilhões vieram da venda de anúncios. Praticamente toda a receita da Google vem de um só produto. Para seus investidores, a Google não se apresenta como uma empresa de tecnologia cujo objetivo é melhorar o dia a dia online de seus usuários:

Quem são nossos clientes? Nossos clientes são mais de um milhão de anunciantes, de pequenos negócios que focam consumidores locais a muitas das maiores empresas globais, que usam o Google AdWords para alcançar milhões de usuários pelo mundo. (Fonte: FSM)

A plataforma de anúncios não foi uma inovação da Google, mas da Overture, uma empresa que detinha a patente do modelo e foi comprada pelo Yahoo em 2003. Essa patente motivou uma rápida disputa legal entre as duas empresas, até que selaram um acordo de licenciamento. Os US$ 28 bilhões faturados em 2010 mostram que a “contribuição” da Google para validar o modelo de venda online de anúncios não foi exatamente com tecnologia, mas com “escala”.

Entendendo isso, pode-se dizer que produtos como YouTube, Orkut ou Gmail são mais difíceis de sumir do mapa pois panfletam banners e links patrocinados do AdWords. Já os que não somam à receita de publicidade são mais vulneráveis e podem desaparecer de uma hora para outra, como o Reader, Translation bots ou o Docs (apenas exemplos de ferramentas que não exibem anúncios).

Android: é o mais novo e tem tudo a ver com estratégia a longo prazo. O mercado e a tecnologia para portáteis ainda estão na sua infância, com softwares e hardwares ainda imaturos. Imaturo, aqui, não significa ruim ou subutilizado, mas sim que boa parte dos negócios atuais nesse setor ainda perpassa pela tecnologia, que está em definição. Quando a tecnologia dos portáteis não for mais o mote principal, é porque já existe conteúdo e ferramentas que atraem usuários e, com eles, o potencial para explorar publicidade. Com tecnologia definida, conteúdo, usuários e publicidade, o mercado de portáteis alcançará sua maturidade, e é lá que o Google Android quer estar.

No caminho até a maturidade, o modelo que a Google planeja para o Android não é se justificar como plataforma de negócios apenas para venda de aplicativos (uma das fontes possíveis de receita no estágio atual), mas como plataforma de publicidade. E “publicidade” diz pouco sobre o que essa plataforma realmente será: hoje é basicamente para anúncios, mas tende a evoluir para uma plataforma de consumo, que conecta os consumidores, seus desejos, vontades, necessidades e demandas às suas realizações, recompensas e provisões em tempo real, de qualquer lugar.

Assim, busca é a identidade da Google e o que os mantém próximos de suas raízes tecnológicas. O AdWords é o produto mais crítico e do qual eles mais dependem por ser a fonte exclusiva de receitas. E o Android é uma tacada estratégica mirando o longo prazo.

This entry was posted on Monday, September 19th, 2011 at 11:27 pm and is filed under Uncategorized . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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rafa spoladore

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Flamenguista, londrinense, vivo em alta entropia e trabalho há mais de dez anos com internet. Passei por UOL, Terra, TVA e Positivo, em áreas, times e projetos de Conteúdo, Produtos, E-commerce, Música, Marketing, TV/Multimídia, Links Patrocinados e Mídias Sociais. Prestei serviços para Drauzio Varella, LabOne, Arvato, entre outros. Entusiasta da humanidade, produzo em equipe, sou prestimoso e tenho espírito crítico.