Outside there’s a boxcar waiting
11:56 AM | 16/10/2010Até 1999, morei em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Morei em Nova Iguaçu e, embora a saudosa revista Bizz chegasse quase todo mês à banca (não posso garantir as outras, mas a da minha rua eu tinha que encomendar, pelo menos até fazer amizade com o jornaleiro), o mesmo não pode ser dito sobre os discos nela citados. E a maior parte dos anos 90, para quem não se lembra, é pré-Napster. Pré-MP3. Nessa época, a única forma de ouvir música que não tocava no rádio era comprando e trocando com os amigos. Primeiro os discos de vinil, depois os CDs.
O Pixies marcou minha vida porque, durante os anos 90, a banda era citada mensalmente pela Bizz – minha única referência de música nova na época. Juro, a sensação que tinha era de que quatro a cada cinco artigos mencionavam a banda americana de College Rock (rótulo muito popular naqueles dias, graças ao R.E.M.). E pela maior parte dos anos 90, por mais que eu tentasse, não conseguia ouvir Pixies. Na verdade, eu não conseguia achar Pixies em lugar nenhum, loja nenhuma. Voltamos ao ponto inicial: eu morava em Nova Iguaçu, e tenho minhas dúvidas se ainda hoje seria possível comprar um CD do Pixies na cidade.
O tempo foi passando, a revista mudou de editor algumas vezes, e eventualmente o foco acabou se voltando para o Reino Unido – consequentemente o Pixies, apesar de não ter sido esquecido, perdeu posições no ranking de menções. E saiu da minha cabeça. Até que em algum momento do final da década, em uma das minhas primeiras visitas à noite carioca, fui parar com um grupo de amigos na boate Bunker, em Copacabana. E em algum momento do final da noite, com todos na pista quase bêbados e definitivamente suados, um riff – repetido nessa segunda no SWU – finalmente me apresentou a banda que se tornaria uma de minhas favoritas de todos os tempos. A mesma que meus conselheiros e amigos da Bizz me indicavam.
tags # bizz, indie, música, nova iguaçu, pixies, rj, rock, swu
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