Entrevista com Stephen Malkmus… de 2002
12/11/2009* Entrevistei o Malkmus por email no começo de 2002, acho. Esse texto foi publicado originalmente em 8 de julho de 2002, no e-zine 700km, edição #76. Republicado agora (quase) sem revisão, só com um pouco de constrangimento. E orgulho.
Sim, eu era muito indie. E jovem.
Você não participou das gravações do último disco do Silver Jews, “Bright Flight” (de 2001) certo? Você pretende tocar com David Berman e o resto da banda de novo? Qual seu relacionamento com ele?
Malkmus - Talvez David esteja bravo comigo neste momento, mas ele tem uma tendência de sempre emocionar-se demais com um monte de coisas. Ele é uma pessoa maravilhosa e um grande compositor de qualquer forma.
Alguma notícia do The Crust Brothers? Você ainda mantém contato com o Silkworm Boys? Algum projeto com eles?
Malkmus - O pessoal do Silkworm se mudou pra Chicago, então eu não os vejo quase nunca – eles moravam apenas a duas horas da minha casa em Seattle. Mas eles são legítimos roqueiros e eu espero que nós possamos fazer um outro show rabugento algum dia. Eles me fizeram começar a gostar de Bob Dylan que eu honestamente odiava.
Anos atrás você lançou “Stephen Malkmus”, seu primeiro trabalho solo. O que vem por aí? Alguém do Pavement participará? Que tal Justine Frischmann?
Malkmus - Nós estaremos trabalhando em um novo disco a partir de maio. Nós estamos muito prontos para isso, mas antes resolvemos tirar umas férias roqueiras aqui na América do Sul. O disco novo não terá partcipações de Frischmann nem de outro astro. Se alguém aparecer no disco terá que ser um perdedor desconhecido.
Você planeja se reunir com Kim Gordon (do Sonic Youth) e Jim O’Rourke de novo?
Malkmus - Eu realmente espero isso aconteça algum dia. Eles são pessoas muito legais, embora não sejam perdedores. Kim é muito esperta e Jim é um fumante!
Um de seus últimos singles, “Jenny & the Ess-Dog”, trouxe três covers. Qual o critério da escolha de Black Oak Arkansas, Coloured Balls, e The Wipers para entrar no repertório? Algum outro cover está vindo por aí?
Malkmus - Nós apenas queríamos tocar algo diferente. Parece que todo mundo SÓ quer tocar coisas do Wire e do Velvet Underground, e já tem mais de quinze anos que as pessoas fazem isso. Então nós simplesmente pensamos: “Muito bem, o que tem de diferente por aí?”
Qual sua opinião em relação aos últimos lançamentos do Silver Jews e o Preston School Of Industry?
Malkmus - Eu gostei mais do Silver Jews por causa das letras e do perigo. Mas o PSOI é também uma maravilhosa realização do Scott.
Qual sua opinião sobre as seguintes bandas: Guided By Voices, Mercury Rev, Grandaddy e Yo La Tengo?
Malkmus - Eu gosto bastante do Grandaddy e Guided By Voices. Acho que são as melhores entre essas quatro que você destacou. Mas todas essas são grandes bandas.
E Strokes, White Stripes, Black Rebel Motorcycle Club e essas bandas que imitam o estilo de garagem dos anos 70?
Malkmus - Pra mim o White Stripes é a melhor. Os Strokes também estão bem cotados no meu “livrinho”, com aquele tipo de refrão que gruda na cabeça. Agora o BRMC me parece um pouco fora de moda. Me lembra muito Jesus And Mary Chain. Aquele tipo de banda com caras bem chatos pro meu gosto, tentando parecerem legais. Mas eu só vi um vídeo e ouvi uma música do BRMC, então talvez eu esteja errado.
Quais bandas foram a maior fonte de inspiração para você na época do Pavement? E qual você destacaria para sua fase atual?
Malkmus - Acho que Velvet Underground e The Fall foram as maiores inspiradoras do Pavement. Ah, o Fairport Convention também. Atualmente ouço muito REM, Bardo Pond, …Trail Of Dead, Sleater Kinney, Smog, Delgados e Blur.
O Pavement é considerada hoje uma das maiores bandas de rock da década de 90. Como você se sente em relação a isso. Você acha que esse fato é uma pressão para que seu trabalho solo tenha a mesma qualidade?
Malkmus - Absolutamente. Eu não sinto pressão nenhuma! Eu sei que posso equiparar meu trabalho solo com o Pavement sem problema algum. Talvez eu já não tenha à minha disposição a mesma energia juvenil, não sou mais inclinado e encantado, mas o resto vem num estalo.
Você conhece a música brasileira? Algum artista ou banda que esteja na sua coleção?
Malkmus - Não conheço muito além da Tropicalia e de Caetano Veloso e do estilo de música mais tradicional do norte do Brasil. Gosto também do pop brasileiro.
Qual sua análise da cena Indie que está aumentando bastante em todo o mundo?
Malkmus - Indie é o melhor. Danem-se as grandes gravadoras. Elas acabam com as bandas e nos dão música de péssima qualidade em 95% das vezes.
A Rotina de Hunter Thompson
24/01/2009
15h: Acorda
15h05: Chivas Regal, Jornais, cigarros Dunhill com Piteira
15h45: Cocaína
15h50: Mais Chivas e Dunhills
16h05: Café e Dunhills
16h15: Cocaína
16h16: Suco de laranja e Dunhills
16h30: Cocaína
16h54: Cocaína
17h05: Cocaína
17h11: Café e Dunhills
17h30: Mais gelo no Chivas
17h45: Cocaína
18h00: Maconha
19h05: Almoço na Taverna Woody Creek – cerveja, duas margaritas, dois cheeseburgers, duas porções de fritas, um prato de tomates, uma salada com taco, uma porção dupla de cebola frita, torta de cenoura, sorvete, um bolinho de feijão, mais Dunhills, outra cerveja, cocaína, e um cone de sorvete com uísque.
21h: Começa a cheirar cocaína a sério
22h: Ácido
23h: Vinho, cocaína e maconha
23h30: Cocaína
00h: HST está pronto para escrever
00h às 6h: Vinho, cocaína, maconha, Chivas, café, cerveja, suco de grapefruit, Dunhills, suco de laranja, gim, sessão contínua de filmes pornográficos
6h: Banho de banheira, com champanhe e fettuccine Alfredo
8h: Halcyon
8h20: Pega no sono
Revista General nº1; dezembro/93
Box no artigo “Dr. Hunter S. Thompson”, de Álvaro Pereira Jr.
É, eu que transcrevi, da revista do inlinkável Danilo Cabral. De nada.
Mad Men
17/01/2009
Já assisti aos quatro primeiros episódios, e ainda não me convenceu. A parte publicitária é legal, mais ainda quando eles estão trabalhando em campanhas do que as intriguinhas de escritório. O chato é que a série perde tempo demais querendo provar que a sociedade daquela época é super conservadora e ultrapassada e, ao mesmo tempo, “tão parecida com os dias de hoje”, aí fica uma lenga-lenga de relacionamentos, traição, hipocrisia…
O episódio piloto, sobre a criação do tradicional slogan dos cigarros Lucky Strike (“It’s toasted“), é realmente bem foda – ainda mais pra mim, que ando tentando parar de fumar esses mesmos cigarros. Mas os seguintes não seguraram o mesmo nível, talvez pela falta de outro desses grandes casos reais da história da publicidade. Tem algum potencial ali, alguns personagens bons… Mas vou deixar de lado por enquanto, melhor me concentrar em terminar de ver Sopranos primeiro.


