O ateísmo de Ricky Gervais
25/01/2010Gênio.
pedradas de gelo seco

“You don’t pull no punches.” O mesmo não pode ser dito de Van Morrison, que em pelo menos 3 momentos de sua carreira deixou suas emoções transparecerem acima de qualquer arranjo bem ajambrado ou dedilhado de violão histórico. O mundo inteiro conhece dois deles: a sequência de estréia Astral Weeks/Moondance, que engloba os anos de 1968 a 1970, e chutam para longe o primeiro e renegado ábum do irlandês (Blowin’ Your Mind, de 67). No entanto, poucos sabem que em mais um momento poucos anos depois, em 74, Ivan Morrison conseguiu mais uma vez fugir do blue-eyed soul, do blues e do folk britânico, para deixar o coração desaguar em letras apaixonadas e vocais sofridos. O nome do disco é Veedon Fleece.
Na canção que abre o disco, Van Morrison já implora, “fair play to you“. Exige que o ouvinte retribua na mesma intensidade de arrebatamento, “tit for tat. And I love you for that…” E assim como “Astral Weeks”, Veedon Fleece parece ter sido concebido para tocar num domingo de manhã, fazendo o dia se abrir embalado pelo som de passarinhos do outro lado da penumbra da janela, enquanto, no escuro, sentimentos que você acreditava ter esquecido reviram seu estômago com o gosto de jejum e café na boca.
Mas não é um sentimento do qual se foge, longe disso. Veedon Fleece busca a paz de espírito na inevitabilidade do acontecido; descansa sob a colcha de memórias de dias felizes, que costuram retalhos do que você é e do que você espera quando pensa na tal manhã de domingo. Não qualquer uma, aquela perfeita, em que o céu é azul só o suficiente, o calor só é quente o suficente, e a preguiça só te atrasa o suficiente. Mesmo quando em falsete desesperado, em “Who Was that Masked Man”, alerta que “When the ghost comes round at midnight / Well you both can have some fun / He can drive you mad, he can make you sad / He can keep you from the sun“, também encerra numa nota de esperança, que “no matter what they tell you, / There’s good and evil in everyone“.
Acho que pelo menos uma vez por ano eu, sem querer, desencavo essa música do nada.
Curtis Mayfield feat. Lauryn Hill – “Here but I’m Gone”
Em 1974, uma mensagem em ondas de rádio foi enviada para o espaço, mais como exibição de avanços tecnológicos que como tentativa real de contato com alienígenas. De qualquer jeito, a mensagem ainda levaria 25 mil anos para atingir seu ponto de destino, um aglomerado globular na constelação Hércules.
A Mensagem de Arecibo foi enviada a partir do Observatório de mesmo nome em Porto Rico. Entre os criadores da mensagem está o escritor de ficção científica Carl Sagan, e o conceito todo da mensagem é bem interessante, usando a matemática e a linguagem binária como forma de apresentar os humanos e o nosso planeta para outros seres inteligentes.
A mensagem, em sua decodificação visual, fica assim:

E em uma interpretação superficial e apressada, temos:
Ou seja: se alguma raça inteligente por aí está procurando planetinhas inferiores para conquistar, nós já demos a receita do que eles vão encontrar por aqui: a altura da galera, como nos atacar através da manipulação do DNA e dos elementos químicos fundamentais para a existência de vida na Terra, e até uma estimativa aproximada do tamanho da força de combate.
Valeu, gênios.
And I don’t have a drinking problem, ‘cept when I can’t get a drink
Tom Waits – “Bad Liver and a Broken Heart”
15h: Acorda
15h05: Chivas Regal, Jornais, cigarros Dunhill com Piteira
15h45: Cocaína
15h50: Mais Chivas e Dunhills
16h05: Café e Dunhills
16h15: Cocaína
16h16: Suco de laranja e Dunhills
16h30: Cocaína
16h54: Cocaína
17h05: Cocaína
17h11: Café e Dunhills
17h30: Mais gelo no Chivas
17h45: Cocaína
18h00: Maconha
19h05: Almoço na Taverna Woody Creek – cerveja, duas margaritas, dois cheeseburgers, duas porções de fritas, um prato de tomates, uma salada com taco, uma porção dupla de cebola frita, torta de cenoura, sorvete, um bolinho de feijão, mais Dunhills, outra cerveja, cocaína, e um cone de sorvete com uísque.
21h: Começa a cheirar cocaína a sério
22h: Ácido
23h: Vinho, cocaína e maconha
23h30: Cocaína
00h: HST está pronto para escrever
00h às 6h: Vinho, cocaína, maconha, Chivas, café, cerveja, suco de grapefruit, Dunhills, suco de laranja, gim, sessão contínua de filmes pornográficos
6h: Banho de banheira, com champanhe e fettuccine Alfredo
8h: Halcyon
8h20: Pega no sono
Revista General nº1; dezembro/93
Box no artigo “Dr. Hunter S. Thompson”, de Álvaro Pereira Jr.
É, eu que transcrevi, da revista do inlinkável Danilo Cabral. De nada.
Slow-danced with Scarlett. Broke her toe. Not my fault.
Woody Allen, em texto para o Guardian. De chorar de rir.
Nat King Cole e Billy Preston (aos 11 anos de idade), “Blueberry Hill”

1. Nick Drake – Day is Done (2:28)
2. John Martyn – Solid Air (5:46)
3. Van Morrison – Astral Weeks (7:06)
4. Byrds – Wild Mountain Thyme (2:33)
5. Zombies – A Rose For Emily (2:19)
6. The Be Good Tanyas – Broken Telephone (4:52)
7. Karen Dalton – It Hurts Me Too (3:07)
8. Neil Young – The Needle And The Damage Done (2:03)
9. Gram Parsons – A Song for You (4:58)
10. Buffalo Springfield – For What It’s Worth (Stephen Stills, 1966) (2:43)
11. Simon & Garfunkel – America (3:35)
12. Fleet Foxes – Blue Ridge Mountains (4:25)
13. Big Star – Thirteen (2:34)
14. Paul McCartney – Junk (1:56)
15. Calexico – Hush A-Bye (1:46)
16. Drive-by Truckers – Danko – Manuel (5:43)
17. Cowboy Junkies – Murder, Tonight, In The Trailer Park (4:33)
18. Bob Dylan – Workingman’s Blues 2 (6:04)
19. The Hollies – He Ain’t Heavy, He’s My Brother (4:16)
20. R.E.M. – Nightswimming (4:18)
1. “Call Me (Come Back Home)” (Al Green/Al Jackson/Willie Mitchell) – 3:03
2. “Have You Been Making Out O.K.” (Green) – 3:42
3. “Stand Up” (Green) – 3:25
4. “I’m So Lonesome I Could Cry” (Hank Williams) – 3:10
5. “Your Love Is Like the Morning Sun” (Green) – 3:09
6. “Here I Am (Come and Take Me)” (Green/Teenie Hodges) – 4:14
7. “Funny How Time Slips Away” (Willie Nelson) – 5:33
8. “You Ought to Be With Me” (Green/Jackson/Mitchell) – 3:15
9. “Jesus Is Waiting” (Green) – 5:36
Talvez o disco mais emocional de Al Green, com forte acento country na seleção de repertório (que inclui Hank Williams e Willie Nelson) – mas tudo devidamente redimensionado pelo soul contundente e tom quase religioso do disco. “I’m So Lonesome I Could Cry” e “Funny How Time Slips Away” deveriam ser proibidas para cardíacos e saudosos apaixonados. “Jesus Is Waiting” quase resgata minha fé em Deus. O nível das composições originais num mesmo disco é assombroso. Tem que ouvir.
1. “I’m Still in Love with You” (Green, Jackson, Mitchell) – 3:16
2. “I’m Glad You’re Mine” (Green) – 2:59
3. “Love and Happiness” (Green, Hodges) – 5:03
4. “What a Wonderful Thing Love Is” (Green) – 3:38
5. “Simply Beautiful” (Green) – 4:15
6. “Oh, Pretty Woman” (Dees, Orbison) – 3:25
7. “For the Good Times” (Kristofferson) – 6:32
8. “Look What You Done for Me” (Green, Jackson, Mitchell) – 3:06
9. “One of These Good Old Days” (Green) – 3:17
Al Green é um cara praticamente infalível. Canções para lavar a alma, melodias suaves despejadas com a profundidade que só a voz rouca do velho Green alcança. Esse disco de 72, além de me fazer conseguir ouvir “Pretty Woman” novamente (mas não muito), traz algumas das mais apaixonadas letras já escritas pelo homem. “Simply Beautiful” derrete qualquer coração que não seja feito de pedra, e “Love and Happiness” é a celebração máxima da felicidade por estar amando. Imperdível.
Logo mais: Call Me
Todos os episódios de South Park no ar, gratuita e oficialmente, em streaming. AQUI. Excelente chance pra conferir clássicos imortais, como as histórias com a Towelie, e todos aqueles milhões de episódios que geraram polêmica e foram “censurados“.