Ah, 1999…

17/01/2010

Beulah – “If we can land a man on the moon, surely I can win your heart”

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Entrevista com Stephen Malkmus… de 2002

12/11/2009

* Entrevistei o Malkmus por email no começo de 2002, acho. Esse texto foi publicado originalmente em 8 de julho de 2002, no e-zine 700km, edição #76. Republicado agora (quase) sem revisão, só com um pouco de constrangimento. E orgulho.

Sim, eu era muito indie. E jovem.

Você não participou das gravações do último disco do Silver Jews, “Bright Flight” (de 2001) certo? Você pretende tocar com David Berman e o resto da banda de novo? Qual seu relacionamento com ele?
Malkmus -
Talvez David esteja bravo comigo neste momento, mas ele tem uma tendência de sempre emocionar-se demais com um monte de coisas. Ele é uma pessoa maravilhosa e um grande compositor de qualquer forma.

Alguma notícia do The Crust Brothers? Você ainda mantém contato com o Silkworm Boys? Algum projeto com eles?
Malkmus -
O pessoal do Silkworm se mudou pra Chicago, então eu não os vejo quase nunca – eles moravam apenas a duas horas da minha casa em Seattle. Mas eles são legítimos roqueiros e eu espero que nós possamos fazer um outro show rabugento algum dia. Eles me fizeram começar a gostar de Bob Dylan que eu honestamente odiava.

Anos atrás você lançou “Stephen Malkmus”, seu primeiro trabalho solo. O que vem por aí? Alguém do Pavement participará? Que tal Justine Frischmann?
Malkmus -
Nós estaremos trabalhando em um novo disco a partir de maio. Nós estamos muito prontos para isso, mas antes resolvemos tirar umas férias roqueiras aqui na América do Sul. O disco novo não terá partcipações de Frischmann nem de outro astro. Se alguém aparecer no disco terá que ser um perdedor desconhecido.

Você planeja se reunir com Kim Gordon (do Sonic Youth) e Jim O’Rourke de novo?
Malkmus -
Eu realmente espero isso aconteça algum dia. Eles são pessoas muito legais, embora não sejam perdedores. Kim é muito esperta e Jim é um fumante!

Um de seus últimos singles, “Jenny & the Ess-Dog”, trouxe três covers. Qual o critério da escolha de Black Oak Arkansas, Coloured Balls, e The Wipers para entrar no repertório? Algum outro cover está vindo por aí?
Malkmus -
Nós apenas queríamos tocar algo diferente. Parece que todo mundo SÓ quer tocar coisas do Wire e do Velvet Underground, e já tem mais de quinze anos que as pessoas fazem isso. Então nós simplesmente pensamos: “Muito bem, o que tem de diferente por aí?”

Qual sua opinião em relação aos últimos lançamentos do Silver Jews e o Preston School Of Industry?
Malkmus -
Eu gostei mais do Silver Jews por causa das letras e do perigo. Mas o PSOI é também uma maravilhosa realização do Scott.

Qual sua opinião sobre as seguintes bandas: Guided By Voices, Mercury Rev, Grandaddy e Yo La Tengo?
Malkmus -
Eu gosto bastante do Grandaddy e Guided By Voices. Acho que são as melhores entre essas quatro que você destacou. Mas todas essas são grandes bandas.

E Strokes, White Stripes, Black Rebel Motorcycle Club e essas bandas que imitam o estilo de garagem dos anos 70?
Malkmus -
Pra mim o White Stripes é a melhor. Os Strokes também estão bem cotados no meu “livrinho”, com aquele tipo de refrão que gruda na cabeça. Agora o BRMC me parece um pouco fora de moda. Me lembra muito Jesus And Mary Chain. Aquele tipo de banda com caras bem chatos pro meu gosto, tentando parecerem legais. Mas eu só vi um vídeo e ouvi uma música do BRMC, então talvez eu esteja errado.

Quais bandas foram a maior fonte de inspiração para você na época do Pavement? E qual você destacaria para sua fase atual?
Malkmus -
Acho que Velvet Underground e The Fall foram as maiores inspiradoras do Pavement. Ah, o Fairport Convention também. Atualmente ouço muito REM, Bardo Pond, …Trail Of Dead, Sleater Kinney, Smog, Delgados e Blur.

O Pavement é considerada hoje uma das maiores bandas de rock da década de 90. Como você se sente em relação a isso. Você acha que esse fato é uma pressão para que seu trabalho solo tenha a mesma qualidade?
Malkmus -
Absolutamente. Eu não sinto pressão nenhuma! Eu sei que posso equiparar meu trabalho solo com o Pavement sem problema algum. Talvez eu já não tenha à minha disposição a mesma energia juvenil, não sou mais inclinado e encantado, mas o resto vem num estalo.

Você conhece a música brasileira? Algum artista ou banda que esteja na sua coleção?
Malkmus -
Não conheço muito além da Tropicalia e de Caetano Veloso e do estilo de música mais tradicional do norte do Brasil. Gosto também do pop brasileiro.

Qual sua análise da cena Indie que está aumentando bastante em todo o mundo?
Malkmus -
Indie é o melhor. Danem-se as grandes gravadoras. Elas acabam com as bandas e nos dão música de péssima qualidade em 95% das vezes.

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Freedom of ‘76

19/10/2009

I think this is one of our last performances as a duo. This was filmed early in the morning and we were very stoned.

Ween

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A Sucker for Your Sound

14/10/2009

I Monster

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The Byrds – Voando rumo ao sul

9/09/2009

* Texto publicado originalmente em 20 de agosto de 2002, no e-zine 700km, edição #82, seção “Música para a juventude”. Republicado agora sem revisão.

Todos conhecem e reconhecem a importância dos Beatles. Os Beach Boys e os Rolling Stones também têm seu valor. E quanto aos Byrds? Nem todos se lembram da banda que lançou David Crosby, Gram Parsons e Roger McGuinn, e fez do folk o híbrido perfeito entre o country e o rock’n'roll.

A banda surgiu em 1964, na ensolarada Los Angeles, Califórnia, apenas alguns quilômetros acima dos Beach Boys – que, a essa altura, já tinham emplacado singles e álbuns nas paradas da Billboard. Mas ao contrário dos rapazes de San Diego e sua sonoridade praiana, os Byrds rumavam em direção ao centro-sul dos Estados Unidos, em algum lugar entre plantações de algodão, cachoeiras e ovelhas.

Naquele ano, a “British Invasion” já tomava força total, e ninguém desbancava os Beatles e os Rolling Stones dos primeiros lugares sem muito esforço e talento. O rock ia, aos poucos, deixando de ser o som da moda para se transformar em um estilo consolidado, e sua evolução era visível. Ao mesmo tempo, despontava em Bob Dylan uma vertente folk tão influente quanto as guitarras de Lennon e Harrison e as harmonias dos irmãos Wilson.

Nesse caldeirão de influências, Roger McGuinn e inconfundível Rickenbacker de 12 cordas se uniram a David Crosby e Gene Clark, dois músicos já relativamente experimentados no meio folk acústico, mas pouco habituados aos instrumentos elétricos, e assim nasciam os… Beefeaters! Os “Comedores de Carne” só virariam Byrds com a chegada do baterista Michael Clarke, e do baixista Chris Hillman – que nunca tinha tocado contrabaixo elétrico na vida, mas conhecia bem as cordas do mandolim que tocava em uma banda de bluegrass.

Seu primeiro álbum, “Mr. Tambourine Man”, já carregava a clara influência de Dylan no título. O cover da canção também abria o disco, e o autor era reproduzido em três outras faixas: “Spanish Harlem Incident” e os hits “All I Really Want to Do” e “Chimes of Freedom”. Gene Clark assumia o posto de principal letrista com “I’ll Feel a Hole Lot Better” e “I Knew I’d Want You”, e embora todos os 5 se revelassem grandes músicos com o passar dos anos, a inexperiência com o rock “plugado” fez necessária a presença de alguns músicos contratados.

Aos poucos, o som dos Byrds foi evoluindo e tomando personalidade, chegando a fazer frente aos Beatles nas paradas. Emplacaram sucessos como “Turn! Turn! Turn!” (versão da popular música de Pete Seeger) e o single “Eight Miles High”, que marcou o mergulho da banda na psicodelia, e a saída de Gene Clark. Agora, reparem na coincidência: Gene Clark, além das pressões óbvias que sofria como um dos líderes da banda, tinha medo de alturas. E “Eight Miles High” (“Oito Milhas de Altura”) foi um de seus últimos trabalhos com os Byrds (uma corruptela de Birds – pássaros, em português). Definitivamente, ele não estava no lugar certo…

McGuinn, Crosby e Hillman assumiram a responsabilidade pelas composições, e o terceiro álbum, “Fifth Dimension”, mostrava o encontro perfeito entre o folk e a psicodelia que os Byrds alcançavam a cada nova música. Em 67, lançaram “Younger Than Yesterday”, com o hit “So You Wanna Be a Rock’n'Roll Star”. A partir desse ano, também, Crosby assumiria uma posição de maior importância na banda, cantando mais e compondo algumas de suas melhores canções. No entanto, seu relacionamento com os companheiros não ia bem, e o fim daquele ano marcaria ainda a saída de Michael Clarke. Mesmo em meio ao caos, a banda lançou o ótimo “Notorious Byrd Brothers”, que somava experimentação eletrônica ao sempre eficiente country-folk que faziam.

Em 68, McGuinn e Hillman deram novo corpo à banda, agora sem Crosby, e com Kevin Kelly assumindo as baquetas. McGuinn vislumbrava um álbum duplo que passasse por toda história da música contemporânea, partindo do folk e do country ao jazz e à eletrônica. Para isso, contratou o tecladista Gram Parsons – e o resultado foi bem diferente do planejado. Sob a influência de Parsons, a sonoridade da banda fincou de vez o pé no country-rock, culminando no disco “Sweetheart of the Rodeo”, considerado marco zero do estilo até hoje.

A nova formação dos Byrds também não durou muito tempo. Contrário à uma turnê pela África do Sul, o catalisador das mudanças no som da banda, Gram Parsons, abandonou os Byrds, carregando consigo Chris Hillman. Juntos, formaram os “Flying Burrito Brothers”, que por um tempo contou até mesmo com Michael Clarke, outro Byrd evasivo da formação original. McGuinn carregou a banda até onde pôde, sendo o único elo entre o nome Byrds e o conjunto que estourou na metade da década de 60. Crosby alcançou o estrelato se juntando a Stephen Stills, Neil Young e Graham Nash – a excelente “CSNY” (Crosby, Stills, Nash & Young).

Em 91, os Byrds foram consagrados pelo “Rock’n'Roll Hall of Fame”. Alguns meses depois, faleceu Gene Clark. Michael Clarke também se foi, em 1993. Mas o legado deixado pelos Byrds permanece vivo até hoje, influenciando bandas como R.E.M., Meat Puppets e, mais recentemente, January e Cosmic Rough Riders. Eles podem não ter vendido tanto quanto os Beatles, mas enquanto Paul McCartney (merecidamente) endeusava Brian Wilson e seu “Pet Sounds”, George Harrison disse que “os Byrds são a melhor resposta americana para os Beatles”. Pode não ser uma verdade completa, mas o fato de qualquer single da primeira fase dos Byrds (65-68) ser capaz de passar despercebido se jogado no meio do clássico (adjetivo redundante quando aplicado a qualquer disco dos Beatles) “White Album”, faz com que a declaração do recém-falecido compositor de “All Things Must Pass” não seja uma mentira.

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Não compro mais seu biscoito preferido

8/08/2009

Bombava na MTV nos anos 90.

Acabou La Tequila; “Biscoito”

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O que fazer após o Beatles Rock Band

13/07/2009

beatles rock band

Depois que finalmente sair o Beatles Rock Band em setembro – a única razão pra muitas pessoas no mundo comprarem um videogame, eu incluso – o mercado ficará novamente vazio de opções para um indie TRU. Sim, eu sei que os Guitar Hero e Rock Band da vida trazem lá seu Neil Young e outros clássicos do gênero salpicados no meio da tracklist pra garantir o street cred do jogo. Mas nada disso se compara a ter um produto inteiramente dedicado ao seu gosto musical altamente seletivo. Ficam aqui algumas sugestões para os próximos jogos da série:

1) FOLK BAND
Versão alternativa do Rock Band, trazendo dois modos: voz-violão-e-gaita ou “go full country”, onde você usa instrumentos adicionais (por um preço módico) como banjo, bandolim e sanfona.

2) JAZZ TRIO
Parece que segue a mesma fórmula, mas Jazz Trio é um caixinha de surpresas! Entre os modos de jogo, você pode optar por “one man band”, onde apenas um jogador sola nos três instrumentos que acompanham o pack (sax, piano e bateria).

3) INDIE ROCK BAND
Outra versão pegadinha: o jogo traz uma guitarra especial com apenas um botão – no entanto, ela acompanha um set com 35 pedais e um amplificador com reconhecimento óptico, que garante pontos extras quando você olha pra caixa de som ou pro chão.

4) EASTERN EUROPEAN GYPSY FOLK BAND
Mesmos instrumentos do FOLK BAND, mas uma tracklist diferente e umas ciganas estilizadas na caixa.

5) AVANT-GARDE BAND
Para fãs de Animal Collective. A tracklist não inclui músicas, apenas samplers de barulhos aleatórios que o jogador escolhe através de uma mesa com 16 botões coloridos. Não existe ordem certa para encaixar os samplers, e qualquer escolha rende “indie points” (medidos em uma escala minuciosa de 0 a 10 com números decimais).

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O Viradão Carioca que eu vi

10/06/2009

Minha cobertura do Viradão pro Último Segundo.

SEXTA

- Jorge Mautner abre Virada Cultural do Rio

- Carlos Lyra apresenta evolução da MPB na Praça XV

- Marina Lima agita o Viradão Carioca na zona sul

- Beth Carvalho faz grande show no Viradão Carioca

SÁBADO

- Adriana Calcanhotto toca solitária no Viradão

- Encontro do samba anima Viradão Cultural do Rio

- Zelia Duncan canta sucessos no Viradão Carioca

- Blitz traz os anos 80 para o Viradão Carioca

DOMINGO

- Cordão do Boitatá e Bossacucanova animam o Rio

- Milton Nascimento conquista plateia de Bangu

- Lulu Santos coroa sucesso do Viradão Carioca

- Viradão Carioca faz população redescobrir o Rio

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The Runaway, talvez

27/05/2009

Nova música do The National, ainda sem nome oficial. E eu que nunca curti a banda, fui fisgado. Uma das melodias mais bonitas de 2009 até agora.

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Ilustra mirabolante #2: Don’t Make me a Target

20/05/2009

Carol Celta está de volta com mais uma de suas ilustras mirabolantes. Dessa vez, o hit do último disc(aç)o do Spoon, Don’t Make me a Target.

Dont Make me a Target - por Carol Celta

“Don’t Make me a Target”, por Carol Celta

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March of the Zapotec [2009]

26/04/2009

March of the Zapotec

Beirut

Às vezes ser o queridinho da crítica é mais difícil que ser o queridinho do público. A cobrança dobra junto com a expectativa pelo que vem a seguir, e ao conquistar um clube tão seleto e elitizado de fãs, nada menos que genial será aceito. Os Beatles pararam de fazer shows para conceber Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band; Bob Dylan “aproveitou” um acidente de moto e se escondeu com uns hippies canadenses num casarão apelidado Big Pink, que também deu nome ao disco de estréia de uma tal The Band; e até o Radiohead, depois de se consagrar como a banda mais criativa de seu tempo em Ok Computer, precisou chutar tudo pro alto com o trabalhoso Kid A.

O Beirut alçou o posto de queridinho da crítica em 2007, ao lançar o álbum The Flying Club Cup. Combinando influências tanto da música cigana do leste europeu quanto do vaudeville francês e da inevitável música pop de seu tempo, o moleque genial da vez, Zach Condon, se esquivou de um monte de clichês indies para confundir rótulos em melodias aplaudidas por sua sincera beleza. Merecidos elogios foram distribuídos a seus arranjos cuidadosos e nada óbvios, e suas letras – crípticas o suficiente para permitirem milhares de interpretações, ao mesmo tempo em que capazes de sugerir todo o clima do disco. O potente grave na peculiar voz de Zach Condon faz com que as canções de Flying Club Cup soem ora como saídas de um espetáculo de teatro em Montmartre, ora como se empostadas por meia dúzia de beberrões apaixonados aos pés de um castelo na Hungria.

Mas hoje álbuns não são a mesma coisa, ninguém mais compra discos, e todo mundo tem tantos amigos no MySpace que dá pra você ficar de uma semana a uma década sem aparecer com música nova, que seus fãs ainda vão ter coisa suficiente para ouvir por aí. Ainda assim, o Beirut causou um impacto significante o suficiente para uma banda que poderia ser categorizada em World Music por qualquer ouvinte desatento. E o que vem a seguir?

Zach Condon tirou férias, cancelou shows, anunciou esgotamento físico e mental… E foi pro México gravar umas paradas com umas bandinhas de música tradicional local que tocam em funerais. Pra desanuviar, saca? E não, March of the Zapotec não é o Kid A do Beirut, nem o Sgt. Pepper ou o John Wesley Harding. É o que um moleque genial faz para dar uma desligada no cérebro, no sentido utilitário da coisa. Depois que o bebê Flying Club Cup foi criado e cuidado com atenção minuciosa a cada detalhe, arranjos escrutinados por seu compositor, instrumento por instrumento, March of the Zapotec surge de uma gestação claramente mais simples e objetiva.

Ao escolher trabalhar com bandas de música tradicional mexicana, em sua grande maioria composta por senhores de idade que começaram a tocar quando os pais de Condon ainda nem se conheciam, as possibilidades do artista foram limitadas por suas próprias escolhas. A base de suas melodias inevitavelmente seria o naipe de metais. A percussão dificilmente fugiria da batida quadrada das marchas. Ainda assim, todo o folclore e o sentimento por trás dos elementos que compõem uma banda de funeral mexicana parece irresistível para um artista que precisa eliminar suas próprias manias e cacoetes para voltar a se sentir criativo e original.

O resultado seis breves canções mais que justifica a vontade de se deixar levar de Zach. “El Zócalo” é a vinheta de meio minuto que abre o disco, como um recorte de uma banda de festa em cima de um palco de coreto. Um exemplo perfeito desses recortes de uma realidade já existente que exigem pouco ou nada do artista, além da sensibilidade. “La Llorona” e “The Akara” já lembram um pouco mais as estruturas de Flying Club Cup, como suas diferentes camadas de percussão, e os movimentos diferentes entre o estrondo do naipe de metais tocando todo junto, ou nos fragmentos de um solo de trombone ou uma virada no ukulele.

Aliás, os metais são a verdadeira voz de March of the Zapotec, já que Zach Condon soa mais e mais como parte da melodia, apenas. Sax, trombone, trompete, clarine e tuba soam mais alto que qualquer coisa em um disco que é quase um tributo ao desconhecido folclore mexicano. Eu não sei como uma orquestra tradicional de 17 músicos soa num funeral em Teotitlán del Valle, mas imagino que não seja muito diferente do que ouvimos em “On a Bayonet”. E se Zach não revolucionou a música ou chacoalhou mundinhos alternativos, através do que fica pra trás com March of the Zapotec, ele ainda pôde nos servir um aperitivo igualmente curioso e emocionante do que não devemos esperar para o próximo disco.

* O EP March of the Zapotec é distribuído lado-a-lado com Holland, EP atribuído ao alter-ego solo eletrônico vintage de Zach Condon, realpeople, que preferimos considerar uma auto-indulgência adolescente e deixá-lo de lado.

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Ainda o Radiohead

27/03/2009

A única foto que eu tirei no show do Rio, do celular, ficou bem melhor que eu esperava.

radiohead na apoteose

Foi demais.

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Radiohead hoje

20/03/2009

Eu vou. Quem vai?

Eu FUI. Quem não foi, perdeu o show do ano.

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Let’s pretend we’re in Antarctica

13/03/2009

Of Montreal – “Wraith Pined to the Mist

Da trilha de Kabluey.

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Carnaval dos Retrofoguetes

11/02/2009

No dia 23 de fevereiro, segunda-feira de carnaval, a banda baiana Retrofoguetes tempera com surf e rockabilly a folia momesca em Salvador: um trio elétrico percorre o circuito Dodô (Barra/Ondina) a partir das 21h levando ainda convidados especiais da banda, como Érika Martins (ex-Penélope) e os cariocas do Autoramas.

Quem quiser conferir uma prévia do repertório, que vai contar com versões de marchinhas clássicas e sucessos do trio Armandinho, Dodô e Osmar (além do trabalho original dos Retrofoguetes), pode colar essa sexta (dia 13) na Boomerangue, para o show Retrofolia.

Acredite ou não, ainda dá pra ser indie no carnaval da Bahia!

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Virando indie em idos de 2000

8/02/2009

The Bicycle Thief; “Cereal Song”

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The Bends em seu contexto histórico

7/02/2009

Essa a Cissa mandou na Poplist, em defesa do The Bends. Reproduzo ipsis litteris:

eu lembro do the bends como um companheirão da longa viagem de busum(ns) da ilha do governador até a gávea, da gávea até a ilha do governador… the bends era brodaço. em livre tradução, chama-se tô maus.

não vou falar de cada uma, mas tem “high and dry”, pelo amor de deus, qualquer pós-adolescente que ainda não sabia que embora trabalhasse nunca ia deixar de ter 13 anos sabia cantar. e eu nem achava a voz dele lamuriosa demais nessa faixa, por mim tava sussa, se me fosse dada a chance então até espancaria mais ele pra ver se saía um uéééén tipo boneca que chora. e o clipe… acreditam que até hoje eu ainda não tinha visto? pois é, e não entendi nada exceto que tem um coroa de terno com síndrome de intestino irritável, trancado no banheiro de um restaurante, agarrado numa pasta.

“(nice dream)”, um motivo para a psicanálise e a psiquiatria não surtirem qualquer efeito sobre mim à época e por muitos anos a fio a seguir, sua letra confirmando uma conspiração universal contra losers a cada versinho com gosto de jiló. e, mais importante, É TUDO MENTIIIIRAAAA, mas pelo menos ele te conta isso com roupagem de canção de ninar:

They love me like I was a brother
They protect me, listen to me
They dug me my very own garden
Gave me sunshine, made me happy

Nice dream, nice dream
Nice dream

“black star” dá show de depressão (“gata, chego do trabalho e tu continua de pijama – a fluoxetina não tá funcionando, definitivamente não, vou ligar pro a-go-ra pro dr. ricardo e você…”), pessimismo e metáforas de fim de mundo:

Blame it on the black star
Blame it on the falling sky
Blame it on the satellite that beams me home

(culpar os céus, um satélite? fosse eu escrevendo essa letra, a culpa seria sempre do chefe).

“Bones”? é uma verdade universalmente conhecida que remédios tarja preta sempre serão pintados como vilões dos sentimentos em letras de música:

Pieces missing everywhere
Prozac painkillers

When you’ve got to feel it in your bones
When you’ve got to feel it in your bones

e “just”? aí ele já tá puto porque seus milhões de ouvintes são uns masoquistas cornos mesmo e manda na lata:

You do it to yourself
You do it to yourself

“street spirit” não é das minhas preferidas até chegar no projeto de refrãozinho deprê

And fade out again and fade out again

mas olha: there’s a silver lining na mesma canção.

Immerse your soul in love

É isso aí. Discaço.

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Boa de hoje em São Paulo

22/01/2009

flyer por Cid Boechat

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Franco, Ferdinando, e Ulisses

18/01/2009

Admito, nunca fui fã. Mas achei bom esse hit novo do Franz Ferdinand. De primeira não bateu, mas hoje já deu pra curtir o “la la la la“, até a quebradinha da melodia no meio.

Franz Ferdinand, “Ulysses”

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Vício do começo de ano

16/01/2009

Benji Hughes.

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