A Fazenda – ou Como a Record está tentando sabotar o melhor programa da televisão brasileira

18/06/2009

Acho que depois de quase três semanas, já é seguro afirmar que A Fazenda é o melhor programa da TV brasileira no momento. Infinitamente superior ao BBB, que reúne desconhecidos com a intenção de serem famosos, A Fazenda apresenta gente que é pouco ou quase nada famosa, mas que se acha muito famosa. A ponto de discutirem no ar, “ah, mas fulano não é famoso que nem a gente, ele só quer ficar na aba…”

No entanto, infelizmente, a rede Record e o diretor do programa, Rodrigo Carelli, andam fazendo um esforço sobrehumano para transformar A Fazenda no programa mais chato da TV. E para isso eles contam como o apoio do apresentador Britto Jr., que conseguiu ser uma versão piorada, mais mala e quase retardada do Pedro Bial.

O problema no. 1 de A Fazenda foi anunciado por Alexandre Frota quando o mesmo deixou a equipe criativa: falta ritmo. Além de vacilos óbvios, como não ter fechado nenhum contrato de Pay-per-View 24 horas, a equipe de edição insiste em repetir as mesmas cenas e discussões por dois, as vezes três dias seguidos. Olha, se você tem 12 pessoas sendo filmadas 24 horas por dia pra um programa diário de meia hora, é meio inadmissível perder quase 10 minutos repetindo cenas da briga de ONTEM.

Teve um episódio no fim de semana, agora não lembro se no sábado ou domingo, que foi o exemplo perfeito de tudo que o programa deve fazer e não fazer. A primeira metade foi horrível, repetindo a mesma briga três vezes, com o Britto Jr. interrompendo para explicar (desnecessariamente, claro) a mesma coisa que acabamos de ver.

Já na metade seguinte, uma aula de brilhantismo na edição, mostrando o começo de uma discussão entre o Théo e a Mirella, acho, e na sequência, as outras pessoas da casa discutindo os desdobramentos daquela mesma briga. Aí sim o programa ganhou agilidade, a edição mostrava pessoas diferentes em momentos diferentes sem perder a linha do asssunto.

Outro problema são as provas de eliminação, que claramente não são testadas antes dos programas. Na primeira eliminação, com a prova de cortar as cordas e derrubar outro participante no feno, Britto Jr. e os competidores foram pegos de surpresa pela impossibilidade de ver quem eles estavam salvando do paredão (roça é o caralho), o que o Britto tentou disfarçar dizendo que a prova era pra ser feita “às cegas”, mesmo.

Na segunda prova, do arremesso do frango no cercado, os participantes atiravam um frango de borracha num cercado com pontuação delimitada, usando um estilingue gigante. Entendeu? Aparentemente, o povo brasileiro é incapaz de compreender tamanho brilhantismo na elaboração de uma prova, porque pra cada vez que um participante assumia o estilingue, o Britto Jr. explicava tudo de novo.

Essa semana os participantes tinham que achar uma agulha no palheiro, depois subir uma torre, tocar um sino e entregar a agulha pro fazendeiro da semana. O sino foi completamente desnecessário, só servia pro Britto ficar interrompendo os outros gritando “tem que tocar o sino!”, simplesmente porque o intervalo entre alguém achar a agulha e o próximo achar também era tão grande que praticamente não havia competição na escada. Sem contar que se os três últimos já teriam que disputar uma segunda prova, porque o Britto ainda esperou o Dado Dolabella subir até o alto da torre e tocar o sino se ele já tava fora? Só pra ter que esperar ele descer pra começar a prova seguinte?

Enfim, A Fazenda só tá maneiro porque a Record conseguiu mesclar uma boa seleção de gostosas e quase-famosos para essa primeira edição. Porque, juntos, Rodrigo Carelli e Britto Jr. estão fazendo o possível pra arruinar o programa.

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