E ainda tem o Al Green
18/11/2009E esse vídeo do Al Green tocando “Simply Beautiful”, hein? Demais.
pedradas de gelo seco
E esse vídeo do Al Green tocando “Simply Beautiful”, hein? Demais.
Cês viram o vídeo que eu postei no Rango Tru, junto com a receita de Sour Cream? Vamos começar esse post por ele.
Que sonzeira. Perceberam a genialidade da letra? A sutileza no retrato do cotidiano? A consciência da emoção carregada na memória? O PUTA GROOVE FODA?
Tudo isso se repete na obra do Bill Withers, que é um dos maiores compositores subestimados dos Estados Unidos.
Você com certeza já ouviu Bill Withers. Provavelmente nessa outra sonzeira aqui.
“Ain’t No Sunshine” já foi regravada por Michael Jackson, Al Green, Isaac Hayes, Marvin Gaye, Van Morrison, Paul McCartney… Acho que isso já credita o cara suficientemente, sem contar que deixa claro o status da música de CLÁSSICO INDISCUTÍVEL DO SOUL.
Ela é do primeiro disco do Bill, Just As I Am, de 1971. O disco tem Stephen Stills no violão e Booker T. no piano e assinando a produção. Já seria um discaço mesmo se as músicas fossem mais ou menos. Mas não são.
Aí pra quem ainda tinha dúvidas, no disco seguinte ele soltou as seguintes pedradas:
“Lean on Me” é uma das músicas mais bonitas já escritas em todos os tempos. E pra ninguém achar que o groove ficou de lado…
E esse foi o curso Fred Leal intensivão em Bill Withers. Divirtam-se.
Ween
Otis Rush
Marvin Gaye & Tina Turner; “Money“, “I’ll Be Doggone” (com citação de “That’ll Be the Day“)
Primeira apresentação de uma música do Racional na TV.
“Que Beleza“; Tim Maia

“You don’t pull no punches.” O mesmo não pode ser dito de Van Morrison, que em pelo menos 3 momentos de sua carreira deixou suas emoções transparecerem acima de qualquer arranjo bem ajambrado ou dedilhado de violão histórico. O mundo inteiro conhece dois deles: a sequência de estréia Astral Weeks/Moondance, que engloba os anos de 1968 a 1970, e chutam para longe o primeiro e renegado ábum do irlandês (Blowin’ Your Mind, de 67). No entanto, poucos sabem que em mais um momento poucos anos depois, em 74, Ivan Morrison conseguiu mais uma vez fugir do blue-eyed soul, do blues e do folk britânico, para deixar o coração desaguar em letras apaixonadas e vocais sofridos. O nome do disco é Veedon Fleece.
Na canção que abre o disco, Van Morrison já implora, “fair play to you“. Exige que o ouvinte retribua na mesma intensidade de arrebatamento, “tit for tat. And I love you for that…” E assim como “Astral Weeks”, Veedon Fleece parece ter sido concebido para tocar num domingo de manhã, fazendo o dia se abrir embalado pelo som de passarinhos do outro lado da penumbra da janela, enquanto, no escuro, sentimentos que você acreditava ter esquecido reviram seu estômago com o gosto de jejum e café na boca.
Mas não é um sentimento do qual se foge, longe disso. Veedon Fleece busca a paz de espírito na inevitabilidade do acontecido; descansa sob a colcha de memórias de dias felizes, que costuram retalhos do que você é e do que você espera quando pensa na tal manhã de domingo. Não qualquer uma, aquela perfeita, em que o céu é azul só o suficiente, o calor só é quente o suficente, e a preguiça só te atrasa o suficiente. Mesmo quando em falsete desesperado, em “Who Was that Masked Man”, alerta que “When the ghost comes round at midnight / Well you both can have some fun / He can drive you mad, he can make you sad / He can keep you from the sun“, também encerra numa nota de esperança, que “no matter what they tell you, / There’s good and evil in everyone“.
Gravado ao redor do mundo pela galera do Playing for Change. Também tem uma versão muito foda de “Bring It on Home”.
Acho que pelo menos uma vez por ano eu, sem querer, desencavo essa música do nada.
Curtis Mayfield feat. Lauryn Hill – “Here but I’m Gone”
A “original”:
Kenny Rogers & The First Edition – “Just Dropped In (To See What Condition My Condition Was In)”
e um cover:
Sharon Jones & The Dap Kings
Se liguem no trabalho desse cara aqui:
Alberto Forero; para a revista Wax Poetics (abril/2006) [original]
Keziah Jones, “Nigerian Wood”
Do álbum homônimo, ao vivo. Abaixo, de quebra, o cara dá uma aulinha de como tocar esse hit peculiar.
Benji Hughes, “Neighbor Down the Hall”
Antes que vocês comecem a me acusar de ter enlouquecido, deixa eu explicar que essa não é nem de longe a melhor música do disco do Benji Hughes (“A Love Extreme”). Ainda assim, essa versão ao vivo faz menos justiça ainda à música. No entanto, ela privilegia bastante um sentimento que, no disco, é acentuado justamente por essa letra: a molecagem adolescente-chapada de Benji. Hippie cabeludo, barriga de chope pra fora… Tudo isso dá pra sacar pelo clipe. Mas sem o apoio visual, a imagem é perfeitamente construída por versos como “It’s just a jambox, I don’t play it that loud / It’s hard for me to get what all the fuss is about / If I’m ever rocking out too hard / Why don’t you knock on my door? / Isn’t that what neighbors are for?”
Ou seja, depois de algumas audições superficiais em que essa música parecia ser das mais fracas do disco, no final, foi ela quem fez a ficha cair e eu finalmente perceber que tinha me deparado com uma das grandes pérolas de 2008. Valeu a dica, Rafa, Danilo e Matias.
Tem pra baixar por aí.
TOP 10 DISCOS
1. Fleet Foxes – Fleet Foxes
2. Jamie Lidell – Jim
3. Raphael Saadiq – The Way I See It
4. Little Joy – Little Joy
5. Benji Hughes – A Love Extreme
6. Al Green – Lay It Down
7. Keziah Jones – Nigerian Wood
8. Diplomats of Solid Sound – Diplomats of Solid Sound featuring The Diplomettes
9. She & Him – Volume One
10. Spiritualized – Songs in A&E
SE FOSSE TOP 15, ENTRAVA
- Felice Brothers – The Felice Brothers
- Portishead – Third
- Baby Charles – Baby Charles
- Eli “Paperboy” Reed & The True Loves – Roll With You
- Cat Power – Jukebox
MELHORES DISCOS QUE NÃO OUVI O SUFICIENTE
- Shawn Lee and Clutchy Hopkins – Clutch Of The Tiger
- Bon Iver – For Emma, Forever Go
- Drive-By Truckers – Brighter Than Creation’s Dark
- The Fireman – Electric Arguments
- Gnarls Barkley – The Odd Couple
- Menahan Street Band – Make The Road by Walking
- Why? – Alopecia
MENÇÃO HONROSA NACIONAL
- 3namassa
- Curumin
- Wado
TOP 5 SHOWS
1. Bob Dylan (Via Funchal/SP)
2. Spoon (Planeta Terra/SP)
3. Jesus & Mary Chain (Planeta Terra/SP)
4. Sonny Rollins (Tim Festival/SP)
5. Bill Frisell (Tim Festival/SP)
A galera da Poplist emparelhou suas nerdices para uma série de coletas sobre praticamente o último meio século de música pop. Cada um escolheu um ano (ou mais, dependendo de sua habilidade) e montou uma coletânea apenas com faixas de álbuns lançados naquele ano. O resultado você acha AQUI.
Eu fiquei com 1969, e 1974. Então, começando do começo, esse é o meu 69 (hehehe):

1. Beatles – Oh! Darling (3:26)
2. Led Zeppelin – I Can’t Quit you Baby (4:43)
3. Neil Young & Crazy Horse – Everybody Knows this is Nowhere (2:29)
4. Jimmy Cliff – Many Rivers to Cross (2:44)
5. Roberta Flack – The First Time Ever I Saw your Face (5:23)
6. Isaac Hayes – One Woman (5:10)
7. Jane Birkin & Serge Gainsbourg – 69 Année Érotique (3:21)
8. The Meters – Here Comes the Meter Man (2:56)
9. Sly and the Family Stone – Stand! (3:08)
10. The Jackson 5 – Zip-A-Dee Doo-Dah (3:11)
11. Os Mutantes – Nâo Vá Se Perder Por Aí (3:16)
12. Bonzo Dog Band – Urban Spaceman (2:23)
13. The Who – Pinball Wizard (3:01)
14. The Kinks – Nothing to Say (3:12)
15. Harry Nilsson – I Guess the Lord Must Be in New York City (2:47)
16. Nina Simone – Everyone’s Gone to the Moon (3:06)
17. Karen Dalton – I Love you More Than Words Can Say (3:35)
18. Marvin Gaye – That’s the Way Love is (3:42)
19. Dusty Springfield – Just a Little Lovin’ (2:16)
20. The Velvet Underground – Candy Says (4:03)
21. The Rolling Stones – You Can’t Always Get What you Want (7:30)
22. The Band – The Night They Drove Old Dixie Down (3:33)
23. Johnny Cash – I Walk the Line (3:29)
24. MC5 – Kick Out the Jams (2:52)
25. Bob Dylan – Peggy Day (2:05)
26. Paulinho Da Viola – Sinal Fechado (3:01) [bônus]
1. “Call Me (Come Back Home)” (Al Green/Al Jackson/Willie Mitchell) – 3:03
2. “Have You Been Making Out O.K.” (Green) – 3:42
3. “Stand Up” (Green) – 3:25
4. “I’m So Lonesome I Could Cry” (Hank Williams) – 3:10
5. “Your Love Is Like the Morning Sun” (Green) – 3:09
6. “Here I Am (Come and Take Me)” (Green/Teenie Hodges) – 4:14
7. “Funny How Time Slips Away” (Willie Nelson) – 5:33
8. “You Ought to Be With Me” (Green/Jackson/Mitchell) – 3:15
9. “Jesus Is Waiting” (Green) – 5:36
Talvez o disco mais emocional de Al Green, com forte acento country na seleção de repertório (que inclui Hank Williams e Willie Nelson) – mas tudo devidamente redimensionado pelo soul contundente e tom quase religioso do disco. “I’m So Lonesome I Could Cry” e “Funny How Time Slips Away” deveriam ser proibidas para cardíacos e saudosos apaixonados. “Jesus Is Waiting” quase resgata minha fé em Deus. O nível das composições originais num mesmo disco é assombroso. Tem que ouvir.