Dia desses o Trabalho Sujo fez um post falando apenas “Grimes é uma garota. E só ela”, e apesar de ter achado isso extremamente bobo eu confesso que também tive uma pequena surpresa quando descobri quem era Grimes. Infelizmente é um pouco chocante descobrir que ela é uma garota – chamada Claire Boucher – que faz tudo sozinha.
Não temos muitos exemplos de mulheres que comandam completamente o trabalho que fazem. Cat Power já teve a fase de se apresentar sozinha, voz e violão, e St. Vincent é cantora e multiinstrumentista (e muito boa nas duas funções), mas nenhuma delas é autosuficiente. Grimes abre precedentes para uma independência musical feminina não só por fazer todas as bases e vozes, e conseguir apresentar isso tudo ao vivo – com um charmoso microfone guardado entre ombro e cabeça para ter as mãos livres para o sintetizador – mas também pelo tipo de som que faz, um indie (?) eletrônico (pop baseado em loops seria mais preciso) que vem sendo a assinatura dos anos 2010 e protagonizado majoritariamente por homens.
É injusto dizer que Grimes é a única one-girl-band dos nossos tampos: Laurel Halo e LA Vampires também fazem o mesmo trabalho. Mas nenhuma ainda alcançou o sucesso de Claire Boucher, que já conquistou uma série de admiradores e de odiadores, como todo artista que se destaca.
“Cute”e “sexy” são palavras que sempre estão nos comentários de seus vídeos no Youtube, e aos poucos vai se tornando compreensível como uma garota de orelhas de abano, nariz feio e cara de quem não toma banho há uma semana pode ser um ícone de beleza.
Seu jeito simples e natural por trás de toda a montação hipster deixa claro como ela se expressa através da música. Mesmo que as letras sejam superficiais – ela sugere um coração partido em “Genesis” de maneira tão inocente que só alguém que nunca sofreu de amor poderia falar – é ela quem está lá. (Amanda Brown, a dona do LA Vampires, explicou bem em uma entrevista à revista Wire que a nova geração de músicos não tem interesse em falar da própria vida)
Claire Boucher parece não ter noção do que ela representa, o que deixa tudo até mais interessante. E ela não abre precedentes só no campo feminino. Grimes expande o conceito de indie, eletrônico, e principalmente de pop, e caminha para criar um novo tipo de diva.

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Eu acho que se tiver uma filha vou criar ela pra ser a Grimes, coitada.
Acho foda, girl power, e me sinto meio assim ao saber das coisas que ela faz e da idade que ela tem: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=378765908838119&set=a.261714877209890.61540.261705443877500&type=3&theater
ahahahahaha demais a tirinha
Mas gente, Joni Mitchell já comandava sua própria vida, banda e tudo o mais, e fez isso a mil anos atrás. Tocava mil instrumentos, se apresentava sozinha ou com banda, etc.
E foi ZILHÕES de vezes mais influente e reverenciada.
E tem a Camille aí hoje em dia, que tb faz tudo sozinha, especialmente no Music Hole.
Não é em contexto indie, mas de qualquer forma, acho que tem que relativizar aí o talento/influência/ineditismo da moça.
Linka o post, Toti
uai, achei que ja tivesse lá. agora tá linkado, Matias
Valeu, Totie
Pingback: Vazou o disco da Grimes | Trabalho Sujo
Toti, quando eu vi a St. Vincent ao vivo, em 2009, ela era só ela no palco. Inclusive ela que montou e desmontou tudo. Achei bem foda.
E tem a Little Boots tbm, gente.
Anyway, Grimes é incrível de qualquer forma