Wooden Shjips - Volume 1 [2008]
por Cláudio Silvano em 23rd June, 2008

Poucas bandas conseguiram revisitar o psicodelismo com sucesso. Alguns nomes que surgem em minha cabeça: Spacemen 3, Mercury Rev, Flaming Lips do começo, Mazzy Star, o pessoal do Elephant 6… Mas nesse século nenhuma banda realmente levou a metadona a sério. Até o ano passado, quando os primeiros singles do Wooden Shjips começaram a circular pelas ruas de São Francisco. Volume 1, lançado pela Holy Mountain, é uma compilação dos primeiros sete polegadas lançados pela banda.
Ouvir esse disco com fones é uma experiência quase sinestética. As guitarras sob efeito de caixas Leslie circulam de um lado para outro dentro de sua cabeça e te faz esperar por alguma mudança de acorde ou tempo. Mas não muda. Longe de ser tedioso pela falta de mudanças bruscas, o disco prende sua atenção justamente pelo uso hipnótico dos barulhos e riffs com a quase ausência de vocais. Pode experimentar sem moderação.

Laura Barrett - Earth Sciences (2008)
por Cláudio Silvano em 16th June, 2008

Quando a Joanna Newsom apareceu, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a harpa. Foi a primeira vez que ouvi um disco “pop” (The Milk-Eyed Mender) tocado com um instrumento diferente do usual. Esse ano o disco solo da tecladista do Hidden Cameras cumpre esse papel. Vinda de uma formação clássica, Laura Barrett dedilha(?) uma calimba, instrumento que começou a tocar por curiosidade, nesse disco que foi gravado por conta própria mas relançado esse ano pela Paper Bag. O resultado é um disco bonito e relaxante, com canções simples pontuadas pela suave voz de Laura.
Só um aviso: “Smells Like Nirvana”, faixa 5, não é uma cover do Weird Al Yankovic…
No Kids & Mount Eerie - Split (2008)
por Cláudio Silvano em 16th June, 2008

Parece uma receita perfeita: 1/2 No Kids, 1/2 Mount Eerie. Isso em um vinil de 7″ que sai por menos de R$10.
De um lado, os canadenses do No Kids com uma música grudenta e até dançante se você se esforçar um pouco. Do outro lado, o Mount Eerie, e aqui você percebe o quanto valeu a pena deixar de almoçar um dia para comprar esse compacto. Uma das músicas mais bonitas que já saiu da mente genial de Phil Elverum, totalmente diferente daquilo que ouvimos em seu último EP como Mount Eerie. Nada de guitarras pesadas aqui, o clima é pastoral. Só um teclado denso, uma bateria calma marcando o ritmo e Phil falando como é o mundo através das árvores. Phil ainda fez a arte do disquinho…
As duas bandas estão juntas em turnê e se você correr, pois só são 500 cópias, ainda consegue uma cópia aqui. Se não quiser correr, vai lá embaixo e baixa as mp3s.

Tickley Feather - Tickley Feather (Paw Tracks) (2008)
por Cláudio Silvano em 5th May, 2008

Esse disco está sendo a surpresa do ano para mim, até então. Tickley Feather é Annie Sachs, uma garota que cresceu em uma Virginia rural, o que influenciou bastante no estilo bucólico e orgânico de suas músicas. Totalmente gravado em casa com um gravador de quatro canais, o disco é composto por 20 canções, sendo que algumas são apenas vinhetas contando com a participação de sua filha. São canções simples (apenas duas passam dos três minutos de duração) dominadas por um clima hippie lo-fi, feitas enquanto Annie tentava se adaptar à condição de mãe solteira, o que torna o disco bastante pessoal e intimista. Apesar de ter sido gravado em casa, cada barulhinho parece ter sido meticulosamente colocado no lugar certo, sem soar cabeção demais e fazendo com que a audição seja deliciosa.
Comparada pela crítica com o trabalho de Syd Barrett, Kate Bush e Gilli Smith, Annie Sachs entra para o seleto grupo de jovens que desconstroem e reconstroem livremente a música pop, como Panda Bear, High Places e a Jullianna Barwick. O disco foi lançado pelo selo do pessoal do Animal Collective, que inclusive a convidaram para participar da turnê americana da banda.
Com certeza você não vai ouvir falar muito dela e nem deve aparecer nas listas dos melhores do ano das revistas e sites especializados, mas é um disco que vai adocicar meia hora do seu dia.

She & Him
por Cláudio Silvano em 24th April, 2008
Com o Yo La Tengo, no Conan. Alguém precisa ensinar a Zooey a tocar tamborim.
Top 5 Letterman
por Cláudio Silvano em 23rd April, 2008
Não sou muito fã do apresentador David Letterman, acho que ser prepotente e (muito) sarcástico são características dos talk show hosts. Mas o programa dele rendeu momentos históricos, graças aos entrevistados, claro. E graças ao Youtube, podemos ver e rever alguns desses momentos. Segue aqui os meus favoritos:
5) Crispin Glover (1987)
4) Harvey Pekar (1988)
3) Andy Kaufman & Jerry Lawler (1982)
2) Harmony Korine (1998)
1) The Sopranos (2004)
Menção honrosa:
Drew Barrymore (1995)
Waaaah! singles
por Cláudio Silvano em 13th March, 2008
Não tem como falar sobre o indie-pop sem citar a Waaaah!, um dos selos mais importantes da história do movimento. A Waaaah! Records durou bem pouco, mas lançou alguns dos melhores singles ali no começo dos anos 90, além de distruibir fanzines que ajudaram a consolidar o estilo na cena indie britânica. Foram lançadas três compilações de singles de 7″ entre 91 e 92. Destaque a para a terceira, que tem a melhor música do Orchids: “Striving For The Lazy Perfection”.
Heavenly - Singles 7" [1990 - 1996)
por Cláudio Silvano em 11th March, 2008
Ah, Heavenly, a melhor banda pop que ninguém ouviu…
Can’t you concentrate on something other than me?”
O Heavenly surgiu assim que a seminal banda Talulah Gosh acabou em 1989, em Oxford. Os integrantes eram os mesmos, mas com uma proposta um pouco diferente. Juntos, as letras divertidas e auto-depreciativas da musa do indie-pop Amelia Fletcher e a guitarra criativa de Peter Momtchiloff, foram a base para algumas das canções mais assobiáveis já feitas. A banda durou até 1996, quando a Sarah Records foi fechada e o baterista Mathew Fletcher (irmão de Amelie) cometeu suicídio. Logo depois eles seguiram a carreira com o nome Marine Research.
Segue abaixo todos os singles em 7″ que eles lançaram.
Dolly Mixture - Baby, It’s You [1980] / Everything And More [1982]
por Cláudio Silvano em 27th October, 2007
O Dolly Mixture foi um grão de açucar no meio de toda aquela gritaria punk do final da década de 70. Sou fascinado pela banda, desde a estética até a música feita por essas três garotas britânicas. O trio teve uma carreira bem curta: durou de 1980 a 1984. Lançaram quatro singles de 7”, um EP de 12” e um disco duplo com todas as demos.
A banda se formou em 1978 na cidade de Cambridge. Debsey Wykes, Rachel Bor e Hester Smith tinham na época 18, 15 e 18 anos respectivamente. A pouca idade não as empediam de tocar o som que elas realmente gostavam: girl-groups dos anos 60 e The Undertones. Depois que de serem bastante elogiadas pelo grande radialista John Peel, a Chrysalis Records se interessou pelas garotas e elas acabaram assinando um contrato para lançar um single. Em 1980 é lançado uma versão de “Baby It’s You”, das Shirelles. Porém, esse single foi repudiado pela banda, alegando que a gravadora queria transformá-las em um “teen-girl-group”. Considerada como uma das primeiras bandas riot-grrrl (pela atitude e não pelo som), o Dolly Mixture lançou dois singles, “Been Teen” (1981) e “Everything And More” (1982), pela gravadora do Paul Weller, a Respond Records. Ambos os singles foram produzidos por Captain Sensible e por Paul Graya, do The Dammed. Sensible e a Rachel Bor acabaram se relacionando e tiveram três filhos.
Em 1983 a banda lançou o “album branco”, como elas o chamaram. “The Demonstration Tapes” é um album duplo que reune as demos e sobras de estúdio. O album foi lançado pelo próprio selo das garotas, o Dead Good Dollys Platters e todos foram autografadose numerados. Eu acho esse disco sensacional, as covers de Femme Fatale (Velvet) e The Loco-Motion (Little Eva) são geniais.
Depois disso, o trio lançou mais um single pelo próprio selo e um 12” pela Cordelia Records. A banda encerrou as atividades em 1984. Bem mais tarde, Debsey Wyke começou excursionar com o Saint Etienne e acabou montando uma banda com o Paul Kelly, a Birdie (postei um disco deles a dois posts atrás).Subi os meus singles favoritos da banda. Mais para frente eu subo o restante.
Dolly Mixture - Baby, It’s You 7” [Chrysalis, 1980]
Dolly Mixture - Everything And More 7” [Respond, 1982]















