2011 foi um ano ruim. Musicalmente isso apareceu com muitos lançamentos que não corresponderam às expectativas e alguns discos bons, mas longe de serem excelentes. Claro que tiveram algumas pérolas por aí. Tentei escolher e classificar meus discos favoritos do ano equilibrando “qualidade”, relevância e afetividade – e os momentos que a afetividade falou mais alto estão bem claros, inevitavelmente. O resultado você confere abaixo:
10. Gruff Rhys – “Hotel Shampoo”
Começar um disco com três hits não é para qualquer um. Gruff Rhys faz isso e mais dez músicas boas e ainda ensina como ser irônico até no sofrimento no disco menos comentado e mais subestimado do ano.
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9. Girls – “Father, Son, Holy Ghost”
O Girls ainda não é uma bandaça, mas nesses poucos anos de carreira eles ainda não conseguiram lançar um disco que não entre no meu top 10. O duo volta a trazer o espírito adolescente em “Honey Bunny”, mas dá um passo à frente com o petardo de sete minutos “Vomit”.
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8. Real Estate – “Days”
“Days” foi o último disco a entrar nessa lista, e foi por pouco. Da primeira vez que eu ouvi não gostei muito, depois fui pegando gosto por uma ou outra música, e agora assumi meu amor pelo segundo álbum do Real Estate. Com melodias belas e tristes, guitarras maravilhosas e harmonias vocais eles fazem um (indie) pop perfeito, que tem seu ápice em “It’s Real”.
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7. St. Vincent – “Strange Mercy”
Quem acompanha Annie Clark desde “Marry Me” não cansa de se admirar com a evolução da cantora e multi-instrumentista por trás do St. Vincent. Em “Strange Mercy” ela explora ainda mais suas habilidades vocais e mostra também uma virtuose na guitarra vez ou outra, além de aprimorar sua delicada obscuridade nas letras.
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6. Eleanor Friedberger – “Last Summer”
Quando escuto “Last Summer”, costumo pular umas três ou quatro músicas. Isso faz com que seja muito estranho este disco estar nesta lista, e logo nesta posição. Mas o que Eleanor fez de bonito neste álbum é digno de reconhecimento: uma boa combinação de pop com uma leve esquisitice, num disco-diário que faz parecer mimimi de menina uma coisa legal. Os hits equilibram as músicas mais irritantes, e só podemos torcer para ela acertar cada vez mais.
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5. Bon Iver – “Bon Iver”

O sofrimento de Justin Vernon ficou todo no belíssimo “For Emma, Forever Ago” mesmo, e o que temos em “Bon Iver” são os falsetes dele em bases mais complexas e barrocas (adjetivo usado em 9 de 10 resenhas). Se na estreia ele ficou enfurnado em uma cabana em Wisconsin, em “Bon Iver” ele passeia por cidades reais e imaginárias mostrando que o disco é um caminho que Justin Vernon começa a trilhar para chegar em algum lugar maior. Em breve saberemos onde.
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4. Sin Fang – “Summer Echoes”
Fico impressionada com a quantidade de bons discos em 2011 com “verão” no nome. No caso do Sin Fang, o verão é obviamente islandês, ou os ecos dele mesmo: alguma alegria, algum sol, alguma diversão, mas também um friozinho de leve e uma nostalgia. O ex-Sin Fang Bous sabe bem preencher seu pop com boas baterias e batidas eletrônicas, e sua atmosfera calma e doce faz de “Summer Echoes” um disco perfeito para as manhãs.
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3. The Caretaker – “An Empty Bliss Beyond This World” 
Em 2011 entrei numa fase piano. Em 2011 também fiquei bastante intrigada com a memória, a relação das lembranças com os fatos em si, as consequências do esquecimento. Talvez por isso – mas não só por isso – fiquei extremamente encantada com “An Empty Bliss Beyond This World”, um disco feito com samples de músicas dos anos 1920 baseado num estudo que revelou que pacientes com Alzheimer têm mais facilidade de reativar memórias que tiveram alguma relação com música. Não consigo pensar no resultado como nostálgico mas como uma viagem no tempo, um passeio por lugares que existiram ou não. Fato é que “An Empty Bliss…” é uma das obras mais bonitas e intrigantes feitas nos últimos anos.
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2. Atlas Sound – “Parallax”
Bradford Cox quis fazer um disco de ficção científica, e em “Parallax” ele nos transporta para outra galáxia onde existem os mesmos problemas que aqui, dores de amores e tudo mais. Eu diria que é um disco debaixo d’água. O Atlas Sound já trilhava um bom caminho até então, mas em “Parallax” ele chega coeso, encontrando sentido em sua estranheza, não muito preocupado em ser bonito e mesmo assim o sendo. Um disco de outro mundo.
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1. Bonifrate – “Um Futuro Inteiro”
Eu poderia falar dos arranjos, destacar o belo uso do sax, citar o Spiritualized como referência, e deveria sim falar das letras, de como Bonifrate sabe explorar nossa língua para criar um universo melancólico psicodélico cheio de poeira não de coisas guardadas e antigas (talvez algumas), mas de poeira de terra da roça mesmo. Também dá para falar de como ele fez um disco de coração partido sem cair na cortação de pulsos mas entrando numa espiral de sentimentos diversos e estados de depressão e recuperação, e da dor do que não foi e a dificuldade em aceitar as coisas que não aconteceram. Ou simplesmente falar que esse disco é um disco eterno, um disco para sempre, daqueles para levar para uma ilha deserta ou para Osasco. Eu não vou falar de melodias nem detalhar as composições porque apesar de jornalista de música sou péssima nisso, mas não é só por isso que eu vou deixar de comentar sobre o álbum e nem vou tentar convencer você de ouvi-lo. É que “Um Futuro Inteiro” já deixou de virar música e agora é sentimento, daqueles difíceis de explicar e gostosos ou dolorosos de sentir. É muito fácil amar algo belo e confortável e agradável, engraçado também, você sabe exatamente porque está amando, mas talvez as coisas que você ame mais são aquelas que você não sabe explicar bem porquê, que te fazem rir e mesmo quando te fazem chorar e doem você continua amando. Um punhado de canções já salvaram a minha vida (e a sua também), mas deve ser a primeira vez que elas se tornam parte de mim, não como se eu as tivesse feito, mas correndo em minhas entranhas para sempre como um herpes que vem e volta.
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Eleanor <3
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