Ainda não vi Avatar. Todo mundo diz que é uma bosta, mas que eu tenho que ver no cinema. É um paliativo: o filme não presta, mas pelo menos você fica impressionado com o 3d.
Hoje caiu a ficha: taí o golpe do James Cameron, não é à toa que a parada se tornou o filme mais lucrativo de todos os tempos. Mas eu não caio nessa. De 3d, já basta a vida.
Então, finalmente, decidi que vou ver Avatar em casa mesmo. Se é pra ver um filme ruim, pelo menos que seja gratuito.
A capa do Caderno 2 do Estadão de hoje é uma entrevista que eu fiz com o Bill Withers, velho conhecido desse blog, compositor de “Ain’t No Sunshine” e “Lean on Me”.
“Eu sou apenas um velho sem rumo, andando em círculos por aí”, diz Bill Withers ao telefone. “Estou velho demais. Parei de tocar há uns 25 anos.” Se “tocar” significa apenas fazer shows ou lançar álbuns, sim, Withers não toca há quase 25 anos – 1985 é o ano de seu último disco, Watching You, Watching Me. Mas é só uma meia verdade [...]
Buddy Holly, em conversa telefônica com o presidente da gravadora Decca, Paul Cohen. O papo é sobre a liberação de umas músicas gravadas para a Decca e engavetadas, que ele queria regravar em outro selo. Cohen permanece irredutível, e afirma que as músicas só seriam liberadas após 5 anos.
Buddy Holly morreu em 1959, 3 anos antes disso acontecer.
Que sonzeira. Perceberam a genialidade da letra? A sutileza no retrato do cotidiano? A consciência da emoção carregada na memória? O PUTA GROOVE FODA?
Tudo isso se repete na obra do Bill Withers, que é um dos maiores compositores subestimados dos Estados Unidos.
Você com certeza já ouviu Bill Withers. Provavelmente nessa outra sonzeira aqui.
“Ain’t No Sunshine” já foi regravada por Michael Jackson, Al Green, Isaac Hayes, Marvin Gaye, Van Morrison, Paul McCartney… Acho que isso já credita o cara suficientemente, sem contar que deixa claro o status da música de CLÁSSICO INDISCUTÍVEL DO SOUL.
Ela é do primeiro disco do Bill, Just As I Am, de 1971. O disco tem Stephen Stills no violão e Booker T. no piano e assinando a produção. Já seria um discaço mesmo se as músicas fossem mais ou menos. Mas não são.
Aí pra quem ainda tinha dúvidas, no disco seguinte ele soltou as seguintes pedradas:
“Lean on Me” é uma das músicas mais bonitas já escritas em todos os tempos. E pra ninguém achar que o groove ficou de lado…
E esse foi o curso Fred Leal intensivão em Bill Withers. Divirtam-se.