Archive for the ‘acompanhamentos’ Category

Sour cream sobre chili

Por quê?
Porque não vende pronto no Brasil. Pelo menos eu nunca vi, tanto faz se nos mercados do Rio ou de São Paulo. E essa receita abaixo é o mais perto que eu cheguei. E acho que tá bem perto.

Confiram e avaliem.

Quanto?

  • 500g de queijo cottage
  • 2 limões

Sério, é só isso.

limão, cottage e liquidificador

Como?
Lave os limões. Corte-os no meio. Jogue o queijo cottage todo no liquidificador, e esprema um limão por cima, sem deixar cair as sementes, obviamente. Sim, os caroços. Se tirar os caroços antes for pedir demais da sua coordenação motora, use um coador.

Ligue o liquidificador (era pra estar desligado até agora, tenho certeza que você sabe disso), e vá aumentando a potência toda vez que o cottage do fundo começar a ficar liso demais pra ser batido e a parada não estiver mais se mexendo. Pode ser necessário interromper o processo, tirar o copo do liquidificador da base, e dar uma chacoalhada nele, talvez passar uma colher no fundo (não vou nem frisar o quão importante é fazer isso com o liquidificador DESLIGADO).

E assim vai, até o cottage ficar liso. Talvez você precise do suco de mais meio limão, só espremer por cima e continuar batendo. Usar os quatro pedaços eu exagero, fica com muito gosto de limão. Usar menos também atrapalha, fica com gosto de cottage. É uma química balanceada, mas felizmente você é um ser humano capaz de provar a parada e ver se tá com gosto de sour cream – o famoso creme azedo.

o sour cream

Onde?
Nos tacos, nachos e burritos. Com chili ou como dip pra tortilla (vale Doritos sem sabor). Com um belo hambúrguer apimentado, substituindo a maionese. Sério, depois de um tempo tu começa a comer isso com batata-frita, kibe… Vale tudo.

Ferramentas: Liquidificador
Dificuldade: Só não esquecer de desligar o liquidificador
Rendimento: cerca de 500g

Para fazer ouvindo: Bill Withers – “Grandma’s Hands”

risoto de champagne*

Ok, sei que atrasei de novo, mas ainda em tempo (mesma semana pelo menos, pô), segue a receita do risoto!

* é, a foto ficou desfocada… ainda assim, essa foi a melhor de todas.

Por quê?
Um acompanhamento tradiça e de primeira linha, ou um prato principal simples, nutritivo e saboroso. Risoto é fácil de fazer e permite que você viaje pacas nos sabores, só exige alguma paciência pra ficar mexendo direto. Mas agrada pacas a mulherada… Vamos passar aqui uma receita bem básica pra um risoto branco, e umas sugestões de piração. Fique a vontade pra desenvolver sua versão.

Quanto?

  • 1 litro e meio de caldo de galinha (você pode seguir essa receita, ou dissolver uns 3 cubinhos do caldo pronto na água)
  • 2 xícaras bem cheias de arroz arbóreo ou carnarolli
  • meia cebola média picada
  • dois dentes de alho grande triturados (no espremedor, ou amassados e picados)
  • dois copos pequenos (tipo o de nutella, 200ml cada) de champagne ou vinho branco – claro que se você usar vinho branco, a receita deixa de ser “risoto de champagne” pra ser só “risoto”
  • manteiga, azeite, e sal; noz-moscada e pimenta-do-reino branca são opcionais

Como?
O lance do risoto é ficar mexendo o tempo todo. Diferentemente do arroz, que você evita mexer senão ele gruda, o risoto precisa ser mexido constantemente – e servido imediatamente, assim que pronto – pra não virar uma bola gigante de arroz empapado.

Comece fazendo mais ou menos um litro e meio de caldo de galinha (uns 3 cubinhos) e deixe ferver. Quando ferver, reduza o fogo para o mais baixo, e em outra panela (grande), refogue as duas xícaras de arroz com a meia cebola picadinha, azeite, um pouquinho de manteiga, e os dentes de alho triturados (comece com a cebola e deixe ela ficar clarinha, só acrescentando o alho no bem no final).

Assim que refogar, e antes do alho e da cebola começarem a dourar, acrescente o champagne, uma concha do caldo de galinha que continua no fogo baixo ao lado da panela do risoto, e mexa o arroz com os líquidos até que eles sejam incorporados e a panela comece a dar uma secada… Depois é só continuar mexendo sem parar, regando com umas duas conchas de caldo a cada vez que o arroz começar a secar, mantendo sempre esse esquema “secou/põe mais”.

No finzinho, quando o arroz tiver al dente (você provavelmente vai deixar quase 1/4 do caldo sobrar na panela), é ora de temperar o risoto. Sal a gosto – umas três boas pitadas devem bastar – e noz-moscada ralada na hora, com um pouquinho de pimenta-do-reino branca moída, também dá um toque especial. Essa é a hora de tunar o seu risoto com mais algumas coisas, ou você pode simplesmente acrescentar mais um último cálice de champagne, e servir assim que ele secar, deixando o gostinho da bebida um pouco mais forte. Já no prato, decore com duas folhinhas de manjericão fresco, e sirva.

TUNANDO SEU RISOTO
Já comi uma vez um risoto com paio fritinho em rodelas, couve refogada e bacon torradinho, que ficou inacreditável. Dá pra fazer também sem a couve, com qualquer lingüiça e bacon, o importante é que eles já estejam fritinhos (a lingüiça fatiada fininha e douradinha como de petisco, o bacon torrado quase preto, pra ficar bem crocante e esfarelar na boca, mesmo com a umidade do risoto). Salpicar uns queijos juntos também já fica bonzão, mesmo que seja só um parmesão (de boa qualidade) ralado na hora, ou uma gorgonzola esfarelada – você acrescenta os queijos já no finzinho, na mesma hora do sal. Cogumelos também caem bem…

Onde?
Puro, ou acompanhando uma carne qualquer: boi, peixe, frango, cordeiro, coelho… Risoto é quase tão prático e versátil quanto arroz – mas não vai ficar tão bom com feijão e farofa.

Ferramentas: duas panelas, colher de pau e concha
Dificuldade: tipo fazer arroz, mas com acompanhamento mais intenso
Rendimento: 4 porções grandes

Para fazer ouvindo: Curtis Mayfield & Lauryn Hill – “Here but I’m Gone”

Por quê?
Polenta – ou ANGU, como eu cresci ouvindo – é um dos pratos mais antigos* de que se tem notícia. Já foi comida dos peões romanos, e se espalhou por quase todos os lugares do mundo onde bate sol e nasce milho. Hoje em dia, sinto que a polenta vem se tornando uma arte esquecida – as pessoas se acostumaram a ela frita, em restaurantes, ou mesmo pré-pronta e já durinha, que vende no mercado. Pra mim, tudo segundo e terceiro escalão. A verdadeira polenta, mesmo, é aquela que acabou de sair da panela, ainda cremosa e tinindo de quente. Aqui em casa sempre comemos assim, e em diversas variações: com fubá torrado, com carne moída, com bastante azeite… A receita que vocês vão ler aí embaixo é uma das minhas favoritas, feita com requeijão.

Quanto?

  • 250g de fubá (1/4 do saco… de 1kg)
  • 1 litro de água
  • 1 dente de alho grande espremido
  • sal, pimenta do reino e azeite (a santíssima trindade)
  • meio copo de requeijão, ou meio sachê de catupiry
  • 1 xícara grande de funghi já reidratado (de acordo com as instruções, provavelmente algo como 10 minutos na água fria e 5 minutos na água fervente)
  • 200g de prosciutto, ou presunto cru, ou presunto de parma, ou até mesmo pastrami

Como?
A polenta é um processo simples, só é meio lento e exige uma atenção intensa no começo.

  1. Numa panela grande e preferencialmente ALTA (porque polenta respinga quando ferve, e queima bonito), coloque o fubá e a água antes de acender o fogo. Com uma colher de pau, comece a misturar.
  2. Ligue o som, encha seu copo com seu veneno predileto, e finalmente acenda o fogo, no alto, sempre mexendo, sem parar. Esse momento é importante, não pare de mexer até a polenta começar a ferver e se transformar em um creme homogêneo, ainda meio líquido. Se você parar, sua polenta empelota.
  3. Depois de uns 15 minutos, quando a polenta estiver fervendo e borbulhando, diminua o fogo, e acrescente umas 3 boas talagadas de azeite (tipo 3 colheres de sopa); misture bem até incorporar o azeite.
  4. Adicione o alho espremido (ou picado e amassado), umas duas boas pitadas de pimenta-do-reino, e sal o suficiente – costuma exigir uma quantidade razoável, tipo meia colher de sobremesa, ou até um pouco mais. Mas é bom ter cuidado, não é difícil ultrapassar o limite e deixar a parada salgada demais. Continue mexendo.
  5. Quando a polenta estiver soltando do fundo da panela, deixe ela cozinhando em fogo baixo por uns 10 minutos, e depois aumente o fogo novamente, por mais uns 5 minutos.
  6. Enquanto isso, numa frigideira já aquecida, em fogo alto, acrescente o prosciutto picado em tirinhas, ou mesmo rasgado com a mão em pedacinhos. Deixe fritar por um minutinho, acrescente duas talagadas de azeite, mexa, e deixe fritar mais um minuto. Acrescente o funghi ainda úmido e misture bem. Tempere com duas pitadas de sal e, se desejar, um pouquinho de pimenta calabresa. Abaixe o fogo e deixe reduzir os líquidos um pouquinho.
  7. A essa altura, a polenta já tá um creme bem mais grosso e firme que no começo, quase um purê. Acrescente então o requeijão – catupiry fica muito melhor, obviamente – e misture bem até que ele suma por completo, e sua polenta volte do dourado para um amarelo clarinho.
  8. Sirva a polenta ainda bem quente, coberta com a mistura de funghi e prosciutto.

VARIAÇÕES
Eliminando as etapas 6 e 7, você tem uma polenta cremosa simples, que ainda pode ser tunada de várias formas. Abaixo, algumas sugestões pra fugir do típico “Angu à Baiana”:
- com bacon e tomate em cubinho
- com carne moída bem temperada e com um leve vermelhinho de molho de tomate
- com calabresa picadinha
- com gorgonzola (no lugar do requeijão da etapa 7)
- com cebolas refogadas na manteiga
- com azeite e queijo parmesão ralado
- com chili

Onde?
Pode ser prato único, ou se você é mineiro, pode ser até junto com o feijão-arroz-farofa-lingüiça nosso de cada dia. Também cai bem com um peito de frango grelhado, ou umas bistecas de porco.

Ferramentas: Panela funda e colher de pau – um avental também ajuda às vezes
Dificuldade: Nenhuma, só um pouquinho de paciência
Rendimento: 2 porções individuais, num prato fundo, ou 4 porções de acompanhamento (que pode ir junto no prato, ou numa caneca/xícara/cumbuca)

Para fazer ouvindo: The Band – “King Harvest (Has Surely Come)”

Por quê?
Na sinceridade? Salada pra quem não gosta de salada. Quase uma versão TRU e crua do que poderia ser o molho pomodoro de uma bela macarronada.

Quanto?

  • 2 tomates bem maduros (obviamente, a quantidade de tomates que você usar será igual ao rendimento final da receita)
  • 1 cebola pequena
  • 2 fatias grandes de um queijo branco, preferencialmente feta – mas vale queijo minas ou queijo de cabra
  • um punhado de azeitonas verdes fatiadas sem caroço
  • 2 fatias de mussarela
  • azeite, sal e orégano

Como?

  1. Faça um corte reto na parte de cima do tomate, tirando a tampa do garoto.
  2. Passe a faca por dentro do tomate, rente à beirada, e com os dedos, limpe o tomate, até que fique oco.
  3. Tire as sementes e o cabinho, e pique o que sobrou da parte interna dos tomates.
  4. Pique a cebola em tirinhas pequenas e finas. Pique as azeitonas. Misture tudo com o tomate picado, e recheie os tomates vazios. Tempere com uma pitada de sal.
  5. Espete umas três tiras grossas de queijo no meio do recheio; disponha os tomates recheados numa assadeira, e regue-os com azeite, deixando que caia um pouco dentro do recheio também.
  6. Cubra cada tomate com uma fatia de mussarela e salpique umas duas pitadas de orégano em cada.
  7. Leve os tomates ao forno (temperatura máxima) por 10 minutos – uma leve tostadinha na parte de cima dos tomates é mais que desejável. Retire. Sirva.

Onde?
Ah, é salada, né? Se você tá comendo isso, provavelmente tá no hospital, ou saindo dele. Ou é mulher. Mas rola de comer com um bife e tal. Até com uma massinha alho e óleo.

Ferramentas: falta de dinheiro pra comprar carne
Dificuldade: não curto cortar tomates; mas dificuldade mesmo não tem muita, é só tomar cuidado pra não deixar a faca deslizar pela pele do tomate e cortar seu dedo
Rendimento: o número de tomates que você recheou, certamente

Para fazer ouvindo: Manfred Hubler and Siegfried Schwab – “Necronomania”

Tudo começou quando um amigo, o Gas, veio com a idéia de uma trilha sonora pra um almoço mediterrâneo. Ele estava terminando de preparar uma coletânea do violonista espanhol Andrés Segovia, e veio me perguntar se eu não tinha uma sugestão de menu ou coisa assim.

Decidi fazer melhor: agitamos um almoço mediterrâneo aqui em Paracambi, no interior do RJ, e depois de uma corrida semana de preparação, ele finalmente aconteceu no último sábado, dia 6.

O menu segue abaixo, e nos próximos dias, vou postar as receitas de todos os pratos – foram 10!


1- Amuse-bouche
Pancetta na bruschetta


2- Aperitivo
Canapés de azeitona


3- Salada
Tomates recheados


4- Consommé
Sopa de cebola e champignon com queijo gruyére


5- Entrada quente
Polenta cremosa com funghi e prosciutto


6- Pré-prato
Pappardelle com ragú de alcatra e costela


7- Prato principal
Costeletas de cordeiro no crocante de mostarda, com risoto de champagne


8- Entremet (pré-sobremesa)
Cassata


9- Sobremesa
Mousse de chocolate meio-amargo com café

10- Café
Café premium; prato tricolor de frutas com uvas verdes, morangos e chantilly

Ninguém chegou no décimo prato, que acabou não acontecendo, e ficou na geladeira pra eu comer mais tarde. A real é que, entre galera chegando, fazer a social e beber cerveja, o “almoço” só acabou depois de meia-noite – mesmo eu tendo começado os preparativos na véspera. Acho que 10 pratos foi um pouco de ousadia demais. Por outro lado, também faz sentido precisarmos desse tempo todo – não só pra cozinhar, mas pra comer!

* Fotos: Letty

Por quê?
Empada tem gosto de infância, da época que eu ia com meus pais pra “praia” em Muriqui, e 11h da manhã já tava emburrado, querendo ir pra casa de tanta fome, até que aparecesse o tio das empadinhas. Curto aquela massa crocante que quebra fácil e desmancha na boca, e aquela almofadinha macia de queijo… Empadão é multiplicar essa sensação maravilhosa por 10! (ok, 6 a 8)

Quanto?

  • cerca de 1/2 kg de farinha de trigo (é bom ter 1kg pra garantir)
  • 1 queijo minas inteiro pequeno
  • umas 3 ou 4 fatias de mussarela
  • 1 copo (desses de requeijão) de leite (integral, pra ter graça), talvez 1 copo e meio
  • 1 ovo
  • 1 tablete de manteiga, ou um pote de margarina pequeno (200g/250g), ou meio pote de margarina grande (500g /2 = 250g), ou ainda, uma mistura de ambos, com meia barra de manteiga (100g) e meio pote pequeno de margarina (acho que você já entendeu…)
  • sal

Como?
Uma zona rápida em cima da pia, uns minutinhos de liquidificador, forno, e pronto. Mas vamos dividir em duas etapas: massa e recheio.

1) A MASSA
Reparem logo uma coisa: essa é uma das poucas receitas no meu repertório onde a margarina é bem aceita no lugar da manteiga. Eu mesmo prefiro usar a combinação 1/2 manteiga + 1/2 margarina pra massa ficar no ponto ideal, quebrando sem esfarelar demais, e amanteigada sem ficar com gosto de biscoito.

Vamos começar ligando o forno no baixo, pra que ele pré-aqueça de leve. Seguimos misturando a manteiga com 3 morros grandes de farinha de trigo (não vai dar nem meio saco) e umas duas boas pitadas de sal. Se você for mais esperto que eu costumo ser, vai usar um pote alto para misturar a massa, e não direto no pirex. Pirex raso e massa com farinha é certeza de zona em cima da pia.

Depois de incorporar bem toda a farinha inicial, acrescente mais um pouco, chegando quase na metade do saco. Aliás, se você não tiver problemas em lavar louça depois (ha ha, duvido), recomendo já deixar a farinha separada em outro recipiente, tipo umas duas xícaras ou uma caneca grande. É que pegar no saco de farinha com a mão toda suja de massa costuma ser uma experiência um tanto nojenta (principalmente quando você for mexer no saco de farinha sujo novamente, dias depois), além de desperdiçar a massa colada na sua mão.

Continuando. Você foi incorporando a farinha LENTAMENTE (tipo, de meia em meia xícara), e viu que agora você consegue modelar a massa, que já desgruda sozinha da sua mão. Parabéns, você alcançou o ponto ideal da massa. Agora faça um morrinho no meio do pirex com a massa e celebre sua vitória imaginando um pequeno alpinista escalando aquele monte de delicioso sabor que logo se transformará na base crocante de seu delicioso empadão de queijo.

Agora é hora de esparramar a massa pelo pirex. Comece achatando-a bem no meio, e espalhe-a o mais uniformemente possível pelos quatro cantos. Depois de acertar o fundo e deixá-lo o mais plano possível (use os dedos, mesmo, ou as costas de uma colher), “cave” as quinas do pirex por toda a lateral, levantando aquela paredinha de massa nos cantos. Deu pra visualizar? É empurrar esse cantinho entre o fundo e a lateral da massa, por toda sua extensão. É um ângulo reto, pô.

Acerte então as paredinhas de massa pressionando-as contra as laterais do pirex, e depois acertando-as em cima com leves toques com os indicadores, como se você estivesse digitando. Vê se ficou bonito como na foto abaixo, e siga pra próxima etapa.

2) O RECHEIO
Comece picando o queijo minas e a mussarela em cubinhos. Reserve. No liquidificador, misture 1 copo de leite com o ovo e mais umas duas pitadas de sal, e bata um pouco. Dá pra trocar o sal por parmesão ralado, ou dá pra acrescentar uma pitadinha de pimenta-do-reino branca (mas recomendo que você faça ou uma coisa ou outra). E se você usar um ovo desses branquinhos e pequenos, não se acanhe em usar dois ovos, ou um ovo e uma gema extra. Eu prefiro aqueles ovos mais amarelões, de casca marrom.

Pare de bater, acrescente o queijo minas e a mussarela ao liquidificador, e volte a bater em velocidade baixa. Essa parte exige um pouco de paciência e umas paradas pra mexer a pasta no fundo do copo do liquidificador com uma faca (com o liquidificador desligador, pelo amor, né?!). O queijo minas demora um pouco a ficar completamente pastoso, e se você acrescentar leite demais, corre o risco da massa ficar muito mole no final.

O lance é ter paciência e parar umas 5 vezes no meio pra mexer o fundo do liquidificador. Quando a parada engrena você percebe, vendo aquela pasta de queijo toda girar uniformemente rumo ao fundo do copo. É numa dessas paradas que você provavelmente vai ter que arregar e acrescentar o outro meio copo de leite. Mas eu tenho fé que você chega lá.

E aí, meu caro, é só despejar o creme de queijo sobre a massa, raspar bem o fundo do liquidificador pra aproveitar tudo, e jogar a parada no forno – que já estava pré-aquecendo, lembra? Agora você sobe a temperatura do forno de baixo para médio, e deixa o empadão assar por uns 45 minutos, ou até a parte de cima ficar amarelinha com os cantos de massa dourados. Prateleira do meio, porque se ficar muito embaixo no forno, a massa queima no fundo antes do recheio assar. Antes de servir, deixe ainda o empadão descansar dentro do forno já desligado por mais uns 10 minutos, que ele fica mais firme.

Mas não tem jeito: na hora de cortar, o primeiro pedaço vai quebrar todo. Depois fica moleza.

Onde?
Puro, no lanche, em cima dum pratinho ou no guardanapo, acompanhado de um copo de coca-cola ou de toddy gelado (sim, eu ainda curto toddy pacas). Se você for mulher, dá pra almoçar ou jantar acompanhando o empadão com uma saladinha qualquer.

Ferramentas: liquidificador e pirex
Dificuldade: bagunçado, mas sem mistério
Rendimento: um pirex quadrado, que serve mais ou menos umas 8 pessoas num lanche, ou duas refeições pra duas pessoas

Para fazer ouvindo: Beto Guedes, “Feira Moderna”

Não existe feijoada sem alguns acompanhamentos específicos, tipicamente brasileiros e bons pacas. Sério, até hoje não entendo como a farofa ainda não é um lance internacionalmente popular. Galera, farofa é bom demais.

Seremos simples nesse post de hoje: uma receita de arroz, 4 receitas de farofa, e mais algumas sugestões básicas de acompanhamento. Agora convenhamos: se tu não sabe fazer nem arroz esse blog chegou em ótima hora, hein? Porra, a receita tá no verso da embalagem. Bom, comecemos.

ARROZ

Aqui não tem receita nem lista de ingredientes. Os macetes pra fazer um arroz razoável são os seguintes:

  • a proporção fundamental do arroz é de 2 copos de água para cada copo de arroz, um copo de arroz (daqueles de requeijão) para duas pessoas
  • você só precisa lavar o arroz antes se preferir que ele fique bem soltinho, pessoas preguiçosas, e que toleram ou preferem o arroz mais empapado podem pular essa etapa
  • para refogar: meia cebola pequena picadinha e uns dois ou três dentes de alho, também picadinhos – e o arroz tem que ir pra panela ANTES que a cebola e o alho comecem a dourar (ah, e o alho queima mais rápido que a cebola, seja esperto e coloque depois)
  • azeite é melhor que óleo, convenhamos
  • fogo baixo, panela semi-tampada (mais pra tampada que pra aberta)
  • confesso: freqüentemente esqueço de botar sal no arroz – o que deixa de ser um problema se a feijoada estiver um pouco salgada
  • NUNCA, NUNCA MEXA O ARROZ depois que a água começar a ferver e o arroz assentar no fundo da panela; no máximo faça uns buraquinhos com o garfo até alcançar o fundo da panela, para conferir o nível de água
  • quando estiver quase totalmente seco, só com um restinho insignificante de água no fundo da panela, desligue o fogo e mantenha a panela totalmente tampada por uns 5 minutos
  • arroz parboilizado NÃO! parboilizado = pre-boil = pré-cozido = TOSCO

E é isso.

FAROFA

Uma boa feijoada merece uma farofa foda para caralho. Ou três. Sério, eu não vivo sem farofa, como quase todo dia, em qualquer prato com feijão. E não me venham com essas merdas de farofa com carne desfiada do bife que sobrou de ontem que ninguém vai engolir o fato de que tu tá reciclado uma parada velha e que ninguém mais quer comer num lance que não merece ser poluído assim pela sua pobreza. Jogue esse bife velho fora e vamos começar a farofa do zero.

Ah, sim: farofa também não pode ser guardada ou reaproveitada. É pra comer até acabar, e se sobrar algo, LIXO. Farofa de ontem não tem crocância, e se você ainda tentar pão-durizar a parada misturando com uma farofa feita na hora (é amigos, eu também já tive minhas fases de dureza…) vocês vão ESTRAGAR a farofa feita na hora.

Agora que tiramos isso do caminho, vamos à receita básica de farofa (para 3-4 pessoas):

  • 1/4 de um tablete de MANTEIGA (corta no meio, depois corta a metade no meio, gênio); pode até ser a manteiga mais vagabunda do mercado, mas evite a todo custo usar margarina – em largas quantidades (um panelão, por exemplo) até óleo de soja é mais eficiente
  • mais ou menos 2 xícaras de farinha de mandioca (“farinha de mesa” é a mesma coisa) – com o tempo você pega a manha de só fazer um corte na pontinha do saco e derrubar a quantidade certa de farinha na panela de olho
  • sal

Esse é o primeiro estágio da farofa, o de FARINHA TORRADA. Qualquer outra coisa que você queira acrescentar na farofa é apenas uma etapa extra na seqüência básica “derreter a manteiga – adicionar a farinha – acrescentar sal”. Abaixo, aprenderemos quatro opções de farofa: de ovo, de alho, de bacon, e de cebola. Mas antes, alguns comentários gerais:

  • farinha de mandioca torrada = farofa mais crocante e um pouco mais escura; farinha crua = farofa mais macia e mais clarinha
  • o ponto certo pra quantidade de farinha é quando toda ela passou pela gordura, mas não está encharcada ou úmida demais (farofa não é pirão!) – você percebe pela mudança de cor na farinha
  • ao contrário do arroz, uma farofa sem sal é muito mais perceptível; com muito sal também
  • em alguns estados do Norte e do Nordeste rolam umas farinhas de mandioca mais roots; as flocadas vão produzir uma farofa ainda mais grossa, enquanto as clarinhas – minhas preferidas – como a farinha d’água, vão produzir uma farofa mais amarelinha e fofinha
  • ah, sim: farofa com banana ou uva-passa é TOSCO. E tenho dito.

Farofa de ovo: Quando a manteiga estiver quase toda derretida, acrescente dois ovos como se fosse fazê-los mexidos. Pra obter uma farofa mais amarelinha e fininha, misture bem os ovos ainda no começo, e acrescente a farinha antes que eles estejam completamente fritos. Para uma farofa mais pedaçuda, deixe os ovos darem uma fritada antes, sem mexer muito, com a clara e a gema ainda bem separadas. Mexa quando estiverem quase no ponto, em seguida quebre os ovos com a colher de pau, e acrescente a farinha quando a manteiga já estiver aparecendo novamente no fundo da panela, separada do ovo.
- Quantidades: 1 ovo por pessoa (até 3 pessoas), ou mais que isso, 1 ovo por 2 pessoas (descontando os 3 primeiros).
- Para tunar sua farofa: Salsinha e cebolinha (cheiro-verde, né) picadinhos, azeitonas fatiadas.

Farofa de bacon: Comece com a panela bem quente, e adicione o bacon picado em pedaços bem pequenos – quanto mais fininho, mais saboroso no final. Deixe o bacon fritar bastante, praticamente torrar, para em seguida acrescentar a manteiga – que vai derreter bem rápido – e a farinha. A farofa de bacon pede menos manteiga e menos sal, obviamente.
- Quantidades: 1 pedaço desses de bacon vendidos separadamente no mercado rende uma farofa pra 4-6 pessoas.
- Para tunar sua farofa: Dá pra substituir o bacon por lingüiça calabresa também picadinha (ou desmanchada, tirando a tripa que envolve a lingüiça e esmigalhando o resto); pimenta do reino e uma pitadinha bem leve de orégano deixam a farofa com mais pinta de temperada.

Farofa de alho: Pique o alho ou corte-o em fatias bem finas, e bote pra fritar na panela ainda fria. Fique atento para quando o alho começar a dourar, e assim que ele estiver dourado por igual, antes de começar a queimar, acrescente a farinha.
- Quantidades: 5 dentes-de-alho médios/grandes pra cada 2 pessoas.
Para tunar sua farofa: Nada. Farofa de alho é farofa de alho. Para os fortes e bons.

Farofa de cebola: Essa é uma das receitas mais tradicionais de farofa, também. A cebola fica imperceptível na farofa pronta, e pra isso, ela tem que ser ralada no ralador mais fino, fazendo aquela massa aguada, mesmo. Raladores manuais costumam ser mais eficazes que processadores ou coisa do gênero, inclusive. Refogue a cebola na manteiga, e se ela soltar muita água, acrescente um pouco de sal. Assim que a cebola começar a refogar (o barulho muda de água fervendo pra tsssss de cebola fritando), e antes que ela fique dourada ou queime, acrescente a farinha.
Quantidades: Meia cebola pequena pra 3-4 pessoas.
Para tunar sua farofa: Nada, também. No máximo, um pouquinho de cebolinha picada.

Rola de misturar uma farofa com a outra, fazer uma farofa de ovo e bacon, de bacon e alho…? Rola. Mas eu não recomendo. Sei lá, podem me chamar de purista, mas eu curto minha farofa objetiva e sem muito entulho. Um acompanhamento, enfim.

OUTROS ACOMPANHAMENTOS

Além do arroz e da farofa, estão entre os acompanhamentos tradicionais de uma feijoada a couve refogada, o torresmo, e a laranja. A laranja é só descascar e cortar em pedaços, e serve à função de ajudar na digestão. Se você quiser chocar seus convidados, uma bandeja com pedacinhos de laranja e abacaxi espetados juntos num palitinho tira uma onda.

O torresmo é uma grande obsessão minha, e não me sinto capaz de oferecer uma receita ainda porque não cheguei no meu torresmo ideal. Já comi meu torresmo ideal, feito num boteco aqui de Paracambi com barriga de porco importada diretamente de Minas Gerais. Mas ainda não refinei a técnica. Voltaremos ao torresmo qualquer dia, definitivamente.

A couve não é o meu forte. Não como, e não ousaria pagar de connoisseur pra cima de vocês. Receitas para couve de feijoada AQUI.

E com isso encerramos a primeira parte do Guia completo da feijoada-de-mesmo-dia do Rango TRU. Volte amanhã e confira na continuação do guia sugestões de drinks e petiscos para ajudar a ganhar tempo com a feijoada (hehehe).

Para fazer ouvindo: Banda Black Rio – “Maria Fumaça”

Aproveitando a sugestão da Renata Rocha, e também atendendo a alguns outros pedidos da galera, revelarei até o fim dessa semana os segredos para uma boa feijoada feita no mesmo dia. Porque quem sai pra night no sábado nem fudendo vai lembrar de deixar o feijão de molho e a carne dessalgando pra feijoada de domingo.

Nessa sexta, daqui a pouco, vocês vão descobrir como são feitos os acompanhamentos de uma boa feijoada. Sábado, drinks e petiscos pro caso da feijoada atrasar (e conforme-se: vai atrasar). E Domingo, finalmente, em cima da hora pro almoço (se você também almoça às 16h), encerramos o guia com nosso prato principal. Ela, A FEIJOADA.

Acompanhem por aqui: esse post vai manter os links pras receitas sempre atualizados, e tudo juntinho num lugar só. E antes que me acusem de jogada de marketing com esse papo de dividir a receita, entendam: feijoada dá preguiça.

  1. SEX: Acompanhamentos da Feijoada – arroz, farofas, etc.
  2. SAB: Drinks e Petiscos pré-Feijoada
  3. DOM: A FEIJOADA
  4. SEG: O after-feijoada (bonus track)

É isso.