o disco do ano

Posted by failman at 8 December 2008

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nigerian wood‘, quinto da carreira de keziah jones, é o disco de 2008. em 12 canções, o cantor e guitarrista constrói um álbum impecável, de letras em inglês que falam de amor e política, com muitas referências as suas origens africanas, marcado por um soul virtuoso e original, encharcado de melodias pop. som com essa qualidade não se ouvia desde… 2006!

naquele ano uma avalanche de pop-soul ocupou as paradas de hits e rankings de melhores do ano, com amy winehouse, corinne bailey rae e mary j. blige. ‘back to black‘ foi hors concours no quesito soulzera, mas outro que acertou em cheio na pitada de música pop no soul foi john legend e seu excepcional ‘once again‘, que talvez não teve a merecida atenção ao ser ofuscado pelo ímã midiático que virou a inglesa. nele, legend mandava uma sequência de hits como há muito não se ouvia.

também não podemos injustiçar o soul de 2008. a lista de melhores traz surpresas essenciais e merecidas: jamie lidell, diplomats of solid sound, raphael saadiq e eli paperboy reed – todos com discos excelentes. só que o de jones se sobressai.

o som do nigeriano alcançou o nível pop dos de 2006: unir da audiência de novela global a críticos musicais, de empregados a patrões em festas de firma no final de ano, de ouvintes de rádio fm a fãs de música alternativa pela internet. é difícil não ser conquistado pelas viradas melódicas das músicas e os bem encaixados ‘falsetes com colhões’ de keziah, bem longe daqueles ‘falsetes eunucos’ e forçados a la timberlake.

once again‘ trouxe uma sequência de hits da primeira a sétima música: ‘save room‘, ‘heaven‘, ‘stereo‘, ‘show me‘, ‘each day gets better‘, ‘pda (we just don’t care)‘ e ‘slow dance‘. a sequência de pedradas de ‘nigerian wood‘ vai da primeira a nona música:

  • nigerian wood‘: faixa título introduz resumindo o soul que se ouvirá: de influência afro, com melodias criativas e refrões pop que incitam a cantar junto. já na primeira, jones dá provas do guitarrista que é.
  • african android‘: total sly stone, um funk quebrado com virada roqueira, lembrando zappa.
  • my kinda girl‘: o pop perfeito, o hit do disco.
  • long distance love‘: primeira balada, com uma linda linha de baixo que fisga nossos ouvidos.
  • beautifulblackbutterfly‘: belo r&b, lembra as mais inspiradas de ben harper.
  • pimpin’‘: sensacional música black, lembra as pérolas lançadas por bill withers na primeira metade da década de 70, como ‘harlem’ e ‘use me’.
  • lagos vs new york‘: rap orgânico para as pistas, com baixo espetacular.
  • 1973 (jokers reparations)‘: forte e política, é quase uma música do gil scott heron. conta uma história e é cantada em levada de fábula.
  • unintended consequences‘: outra bela balada. meio richie havens naquele esquecido e subestimado disco de 76, ‘the end of the beginning’.

nascido em 1968 em lagos, capital da nigéria, keziah jones veio de família abastada e aos oito anos foi estudar em londres. aos treze se envolveu com a música, revoltou-se com o sistema e abandonou os interesses da família, que queria vê-lo estudando. entrou para a vida boêmia e conseguiu boa reputação como guitarrista. em 92 lançou seu primeiro disco, definindo seu estilo como ‘blufunk‘, uma mistura de blues e funk com referências africanas, apesar do rock ser notadamente a maior influência dos primeiros discos.

a edição especial do álbum é dupla, trazendo um cd com dez músicas extras, todas em alguma língua nigeriana.

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para complementar:

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1 Comment

  1. Nadia Harkawenko says

    I don’t spek english

    I love you Sean Kingston it’s very very beautiful

    I love Youuuuuuuuuuuuuuuuuuu

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