
manson aponta culpa do renomado blogueiro ricardo noblat no caso da brasileira mentirosa na suiça:
Tudo começou com um email recebido por um blogueiro em seu celular (como por ele mesmo explicado aqui). Este email gerou o primeiro relato publicado no Brasil sobre o caso Paula Oliveira, ou o “furo em primeira mão no blog” (veja aqui).
atualização:
Brasileira inventou agressão na Suíça e Noblat foi na dela
Sem dúvida, a maior “barriga” (sic) da imprensa brasileira nos últimos anos. Ao menos não causou prejuízos diretos a ninguém, ao contrário do triste caso da Escola Base e outros parecidos. E, ao contrário destes, tem um responsável muito bem identificado: o jornalista e blogueiro Ricardo Noblat.
Tudo começou com um post dele no dia 11 passado, que publicou como fato o que era apenas alegação do pai da moça, assessor parlamentar e amigo de juventude do jornalista. Não houve checagem, e tudo o que ele publicou se baseou nas informações da família, que parece também ter sido enganada pela moça.
Um único jornalista induziu a erro a empresa onde trabalha (foi a chamada bombástica do Jornal Nacional que chamou a atenção para o caso) e gerou um grande constrangimento para o governo brasileiro, que se viu pressionado a, sem motivo, engrossar a voz contra a Suíça — episódio que Sergio Leo conta numa crônica deliciosa.
Até o momento Noblat não admitiu que errou. Hoje linkou o artigo de Luiz Weis (mas depois apagou o link), onde este desculpa o erro e diz que “11 em cada 10 críticos” fariam a mesma coisa. O interessante é que Weis não identifica Noblat como o autor da barriga, mas sim o Jornal Nacional. E, para provar a tese de que a história era plausível, cita um post do próprio Noblat falando da violência da polícia suíça
(…)
Não me espanta que a história só tenha alcançado a dimensão que alcançou porque o pai da moça era uma pessoa importante, assessor de um deputado federal…
atualização 2:
Caso Paula Oliveira suscita discussão sobre papel da imprensa
O jornalista Ricardo Noblat diz que não se sente responsável, porque a história não foi apenas veiculada pelo seu blog, mas por toda a imprensa brasileira. “É uma homenagem que eu dispenso ”, diz Noblat, acrescentando que não acredita que os jornais simplesmente reproduzem aquilo que o blog publica.
E qual o resumo disso? Agora a jovem Paula Oliveira, de conduta irrepreensível, vai ser indiciada “por suspeita de induzir as autoridades ao erro”. Seu advogado vai utilizar da estratégia do Lúpus (doença inflamatória que, entre outros sintomas, poderia provocar distúrbios psicológicos) pra tentar livrar a cara da maluca. O pai é outro que fica com a cara no chão. Pelo menos não serão os únicos. Junto com eles vai o Noblat, o Lula, e a nossa querida, poderosa, e nunca falha, imprensa tupiniquim.
Jornais admitem falhas na cobertura do caso Paula Oliveira
(…) jornais do Brasil admitem ter cometido falhas na cobertura. O suposto ataque de neonazistas contra a brasileira foi primeiramente noticiado pelo Blog do Noblat, e repercutido por praticamente toda a imprensa do País.
agora é mera suposição:
Sobre Paula, supostamente agredida
Suponho que o caso da brasileira Paula Oliveira, que supostamente estava grávida e supostamente foi agredida por supostos neonazistas na Suiça; como dizia, suponho que o caso ainda esteja longe do fim. Mas é mera suposição.
atualização 3:
noblat tenta se defender:
Muita interessante essa discussão. Contribuo para ela com o comentário que segue.
Não escrevi a primeira notícia sobre Paula Oliveira com base em uma mensagem do pai dela que recebi por celular. Recebi a mensagem. Entrevistei-o longamente por telefone. Falei com Paula. Entrevistei a cônsul-geral do Brasil em Zurique. Entrevistei a madrasta e a irmã de Paula no Recife – e uma amiga que morou com ela durante cinco anos. Pedi fotos da Paula grávida – recebi. E fotos dela depois da suposta agressão – o companheiro dela suíço me mandou. Só não ouvi o outro lado (polícia e médicos) porque eles se recusavam a falar. Jornaloismo, em muitos casos, é informação em movimento. Naquele momento a história era aquela. Jornalista não tem poder de polícia. O barulho promovido pela mídia brasileira fez o governo suíço se apressar e contar parte do que diz ter descoberto. Noblat
a justificativa do noblat só serve pra quem não lê o post-denúncia que ele publicou sobre o tema e começou tudo: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=brasileira-torturada-na-suica-aborta-gemeos&cod_Post=160714&a=575 . basta lê-lo para ver que os termos usados são taxativos e pouco jornalísticos, mas 100% blogueiro preocupado em dar o furo ‘em primeira mão’: ‘Brasileira torturada na Suiça aborta gêmeos’; ‘passou a retalhar várias partes do seu corpo’, ‘ato final da sessão de tortura foi entalhar nas duas coxas de Paula a sigla SVP’ – mais do que mostrar um lado da história, ele estava desse lado. e quem acompanhou o blog dele viu que ele ainda começou a insinuar coisas sobre a polícia suiça sem citar fonte (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=161826) e só agora veio falar que é tudo uma suposição (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=sobre-paula-supostamente-agredida&cod_post=163451&a=111), uma perspectiva que no post-denúncia não se acha nem como viés. quem se apossa e/ou apregoa o poder de liberdade de imprensa tem que assumir responsabilidades, ou simplesmente viver a política de reciprocidade: enquadrar a si próprio dentro das exigências que faz aos outros (no caso da imprensa, podemos começar pela transparência). tudo menos isso é hipocrisia, mas isso a gente já tá cansado de saber, né?