Funciona mais ou menos assim:
- Gata, tu lembra daquele que ficou conhecido como o Inverno do Amor?
- Errrrr… não.
- Pois é.
Não há petit gateus o suficiente no mundo para mudar isso. Mas aí alguém vai lembrar (ou ver no post anterior, coisa de quem trabalha demais mas mesmo assim insiste em ter blog) que a música caiu na rede bem no dia da estreia do Brasil na Copa. E tentar então culpar o Holger, dizer que a música vai gorar o verão, essas coisas.
Bobiça. Primeiro porque não foram eles que convidaram o Dunga pra ser técnico. Depois, porque uma copa com Maradona, aquele discurso do Desmond Tutu na abertura, Larissa Riquelme, as vuvuzelas, aquela seleção da Alemanha, aquele Alemanha x Inglaterra, Larissa Riquelme, a dancinha e o canto dos caras da seleção da África do Sul quando entravam pro primeiro jogo, o Cid Moreira falando JABULANI, a Larissa Riquelme, aquele Uruguai x Gana, as holandesas que expulsaram, o primeiro vídeo do Dunga em Um Dia de Fúria, o Casillas agarrando a namorada-repórter, a bola que os espanhóis jogaram, a perspectiva, mesmo que frustrada, dos sul-americanos debulharem….
Deve ter ainda mais, mas já tô botando tudo isso na conta do Holger. Não pode ser à toa que o outro vídeo dessa música que anda circulando é no Hause. Vai na fé aí:
O álbum do Holger, Sunga, sai em agosto, mas eles liberaram uma faixa, “Let’em Shine Below”. Não vou nem dizer nada, só passar o link pra quem quiser baixar:
Já que o negócio agora é antecipar campeões, além dos resultados da Copa, vou adiantar também qual vai ser a melhor música do ano*. Chama-se “Pretend We’re In Love”, da cantora inglesa Amanda Applewood, e é irretocável. Grude nas últimas, com originalidade tendendo a zero, mas tão perfeita que faz a gente pensar em como, depois de tantos anos de música pop, ninguém havia feito antes. A bateria eletrônica e a construção dos arranjos, com os crescendos de tecladinhos, lembram os Magnetic Fields da fase Get Lost. Só que em vez daquela melancolia desiludida, a melodia, o refrão e as harmonias vocais são de um otimismo ingênuo e romântico no melhor estilo girl group sessentão (Shirelles, Shangri-Las, Supremes), filtrado pelo pop indie inglês anozoitenta, gente tipo Smiths, Sundays. Já tô com vontade de fazer listinha de melhores músicas do semestre pra colocar logo essa pepita no topo*.
“I Love Boys” é o lado B do compacto. Tem todo o jeito de que logo pode receber um remix e virar hit moderado de pistinha. Vai ser bem-vindo. Ela não se compara, de jeito nenhum, a “Pretend We’re In Love”, mas também é maneira. Mais simples e curtinha, o que dá o charme é a repetição da frase do título por cima da melodia principal e dos sons de contos de fadas. E faz a canção abandonar também tudo o que a outra tem de ensolarado, em favor de um clima francamente obsessivo. Terminar rápido (são só dois minutos e meio) deixa também um ar de inexplicado. O tal remix provavelmente removeria tudo isso (prejuízo), mas a deixaria mais pop (lucro). O álbum tá prometido pra sair ainda em 2010.
De volta à Copa, conforme prometido, a fase mata-mata:
OITAVAS DE FINAL
França 2 x 1 Nigéria
Inglaterra 3 x 1 Sérvia
Alemanha 2 x 2 EUA |||| EUA na prorrogação
Argentina 3 x 0 África do Sul
Holanda 1 x 0 Paraguai
Brasil 4 x 1 Chile
Itália 1 x 1 Camarões |||| Itália nos pênaltis
Espanha 4 x 2 Costa do Marfim
QUARTAS DE FINAL
França 1 x 0 EUA
Holanda 0 x 0 Itália |||| Holanda na prorrogação
Inglaterra 2 x 1 Argentina
Brasil 1 x 1 Espanha |||| Brasil na prorrogação
SEMIFINAIS
França 0 x 0 Inglaterra |||| Inglaterra nos pênaltis
Holanda 2 x 3 Brasil
disputa de 3º e 4º
França 1 x 3 Holanda
FINAL
Inglaterra 1 x 3 Brasil
RESULTADO
Campeão: Brasil
Vice: Inglaterra
Terceiro: Holanda
* Até agora, o único obstáculo entre essa música e o alto do pódio é “Baby Lee”, do Teenage Fanclub. Como vemos, é um obstáculo sério.
Faltam 18 dias para o evento mais importante do mundo desde a final da Copa do Mundo de 2006: o início da Copa do Mundo de 2010. Não é pouco. Passou rápido? Não chega a ser surpresa para quem deu atenção a Fernando Vanucci, que alertava já naquela noite de 9 de julho de 2006: África do Sul também não é assim tão é longe, é logo ali. Mesmo assim, ainda dá tempo de apostar naquele bolão que parece tão misterioso. É importante ir com cuidado; caso contrário, nós seremos comida de leões. Segue, então, o que deve rolar nessa Copa.
Os resultados foram baseados em cuidadosas observações, muita reflexão, estudo da história do futebol mundial, a fé em fenômenos como a Hora do Maluco e, claro, o imponderável. Vale ressaltar que o Tico-tico no Fubap não se responsabiliza por apostas em dinheiro ou de qualquer outra espécie nem as recomenda, mas, caso alguém ganhe com essas previsões, uma cervejinha vai bem. Mas é de graça. Só o que a gente pede mesmo é pro pessoal votar no Tatu. Várias vezes.
Hoje é só a primeira fase, viu? Amanhã a gente continua.
GRUPO A
África do Sul 2 x 2 México
Uruguai 0 x 1 França
África do Sul 2 x 1 Uruguai
França 0 x 0 México
México 0 x 1 Uruguai
França 2 x 0 África do Sul
GRUPO B
Argentina 3 x 2 Nigéria
Coreia do Sul 0 x 0 Grécia
Grécia 1 x 1 Nigéria
Argentina 4 x 1 Coreia do Sul
Nigéria 2 x 0 Coreia do Sul
Grécia 1 x 3 Argentina
GRUPO C
Inglaterra 2 x 0 EUA
Argélia 0 x 0 Eslovênia
Eslovênia 0 x 1 EUA
Inglaterra 1 x 1 Argélia
Eslovênia 1 x 3 Inglaterra
EUA 2 x 0 Argélia
GRUPO D
Alemanha 3 x 0 Austrália
Sérvia 1 x 1 Gana
Alemanha 2 x 1 Sérvia
Gana 0 x 0 Austrália
Gana 1 x 2 Alemanha
Austrália 0 x 1 Sérvia
GRUPO E
Holanda 2 x 2 Dinamarca
Japão 0 x 3 Camarões
Holanda 2 x 0 Japão
Camarões 1 x 1 Dinamarca
Dinamarca 1 x 0 Japão
Camarões 1 x 2 Holanda
GRUPO F
Itália 1 x 1 Paraguai
Nova Zelândia 0 x 3 Eslováquia
Eslováquia 3 x 5 Paraguai
Itália 4 x 0 Nova Zelândia
Eslováquia 0 x 2 Itália
Paraguai 3 x 1 Nova Zelândia
GRUPO G
Costa do Marfim 2 x 2 Portugal
Brasil 2 x 0 Coreia do Norte
Brasil 2 x 1 Costa do Marfim
Portugal 2 x 0 Coreia do Norte
Portugal 0 x 3 Brasil
Coreia do Norte 1 x 2 Costa do Marfim
GRUPO H
Honduras 0 x 2 Chile
Espanha 2 x 0 Suíça
Chile 0 x 0 Suíça
Espanha 5 x 0 Honduras
Chile 1 x 2 Espanha
Suíça 0 x 0 Honduras
"Tu viu? Saiu lá no Tico-tico no Fubap que a gente se dá bem na primeira fase"
E aí as oitavas de final ficam assim:
França x Nigéria
Inglaterra x Sérvia
Alemanha x EUA
Argentina x África do Sul
Holanda x Paraguai
Brasil x Chile
Itália x Camarões
Espanha x Costa do Marfim
Tá, mais velharia. Decidi que valia a pena por causa do vídeo, que eu nunca tinha visto. Além do mais, quando publiquei esse post originalmente no Tra-la-lá, ele já era antigo, então tudo bem, suponho, aquela história de menos com menos dar mais. Mas acho que o lance mesmo é o vídeo, comovente e inspirador pacas, além de ter a participação da minha baterista preferida, a Mo Tucker. Ela aparece a 5min16seg. E a historinha de Berlim no final é muito foda.
Half Japanese é uma banda pra lá de bacana, ainda que esquisitinha e de difícil digestão. Sua música dadaísta mostra que o conceito de punk rock é beeeeeeeeeeem elástico. Um de seus líderes, Jad Fair, já gravou também com Pastels, Yo La Tengo e Teenage Fanclub, entre vários outros, e a colaboração com este último até saiu no Brasil.
David, que é irmão de Jad e também integrante do Half Japanese, escreveu anos atrás uma pequena aula sobre tocar guitarra que, além de funcionar como tal, mostra bem a filosofia da banda. A original está aqui. E aqui embaixo, uma traduçãozinha corrida:
“Como tocar guitarra
Por David Fair
Eu ensinei a mim mesmo a tocar guitarra. É incrivelmente fácil quando você entende a ciência disso. As cordas magrinhas tocam os sons agudos e as guitarras gordas tocam os sons graves. Se você coloca seus dedo lá longe perto da ponta da afinação o som é mais grave. Se você quer tocar rápido, mova sua mão rápido e se você quer tocar mais devagar mova sua mão mais devagar. E isso é tudo. Você pode aprender os nomes de notas e como fazer os acordes que as pessoas usam, mas isso é bastante limitador. Mesmo se você levasse alguns anos e aprendesse todos os acordes você ainda teria um número limitado de opções. Se você ignorar os acordes suas opções são infinitas e você pode dominar a execução da guitarra em um dia.
Tredicionalmente, guitarras têm uma corda gorda em cima e elas ficam mais e mais magras à medida em que descem. Mas o detalhe a ser lembrado é que é a sua guitarra e você pode botar qualquer coisa que queira nela. Eu gosto de botar seis cordas de tamanhos diferentes porque dá mais variedade, mas meu irmão costumava botar todas da mesma grossura para não ter muito com que se preocupar. Qualquer corda em que ele batesse teria que ser a certa, porque toda eram a mesma. Afinar a guitarra é uma espécie de noção ridícula. Se você tem que ajustar as tarrachas de afinação até um determinado lugar, isso implica em que todos os outros lugares seriam errados. Mas isso é absurdo. Como poderia ser errado? É a sua guitarra e é você quem está tocando. É completamente por sua conta decidir como ela deve soar. Na verdade, eu nem afino pelo som. Eu aperto as cordas até que estejam todas mais ou menos na mesma tensão.
Eu altamente recomendo guitarras elétricas por algumas razões. Em primeiro lugar, elas não dependem da ressonância do corpo para o som, então não importa se você pintá-las. E, também, se você botar todos os botões de seu amplificador no 10, você pode obter uma reação muito maior para seu esforço do que com uma acústica. Só um toque leve nas cordas pode sacudir as janelas e quando você senta a mão nas cordas, com seu amp no 10, você pode arrancar a tinta das paredes.
A primeira guitarra que comprei era uma Silvertone. Depois comprei uma Fender Telecaster, mas realmente não importa qual tipo você compre, desde que as tarrachas de afinação estejam na ponta certa do braço. Uns anos atrás, alguém apareceu com uma que afina do outro lado. Nunca experimentei uma. Acho que elas soam direito, mas parecem ridículas e imagino que você se sentiria bem abobado segurando uma. E isso afetaria seu jeito de tocar. A idéia não é se sentir abobado. A idéia é botar uma palheta em uma mão e uma guitarra na outra e, com um leve movimento, governar o mundo.”
Estava bem fácil ser pessimista e não é só que os Beatles tinham terminado. O que parecera que podia substituir os rapazes também já perdia a força. O glam rock e o agito de cantores-compositores, por exemplo, desgastaram-se enquanto movimento ou núcleos coletivos de criação. Os dias mais revolucionário do progressivo e do hard rock também haviam ficado para trás. O power pop tropeçava nas brigas internas dumas bandas e nas frustrações pela ausência de sucesso de outras. Quer dizer, a década de 70 nem chegara na metade ainda e quase todos os seus signos estéticos mais representativos já eram.
Pelos lados de cá, o mesmo valia para a Jovem Guarda e a Tropicália. Até os Mutantes tinham ido por água abaixo. Não era só. Foi em 1974 que Pelé abandonou de vez o futebol profissional; nem quis participar da Copa daquele ano. O time acusou o golpe e sofreu as consequências. A derrota para a Holanda, bem num período miserável de ditadura militar, foi a primeira de uma série de cinco decepções em Copa. A gente ainda não sabia, mas seria o mesmo número de copas perdidas pré-1958, que nos ajudou a desenvolver o complexo de vira-latas. Parecia que as coisas morriam diante dos olhos do mundo.
Só que em 1974 um jovem quarteto nova-iorquino chamado Neon Boys convenceu o dono de um clube da cidade, chamado CBGBs, a receber shows de rock. Foi ali que, no mesmo ano, um outro quarteto, chamado Ramones, estreou. Em 1974, o escândalo Watergate derrubou o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, e ajudou a encerrar a Guerra do Vietnã. A vitória de Mohammad Ali sobre George Foreman no Zaire e a ascenção do novo funk (que logo seria chamado de discotéque) renovavam o orgulho negro e ajudavam a simbolizar como as conquistas dos direitos civis não tinham por que recuar.
No Brasil, a aparente desorganização dos movimentos dava ao país artistas mais maduros, menos vinculados a ditames estéticos. A ditadura começava a se ver insustentável a longo prazo e o novo presidente, Ernesto Geisel, assumiu falando de abertura política, mesmo que “lenta e gradual”. No mesmo ano, aquele jovem que chegara ao Flamengo como promessa em 1967 finalmente se estabelece de vez no time titular e lidera a conquista do campeonato carioca. Era o começo da montagem de uma era de ouro.
Havia muito o que fazer. Não era hora de contar mortos. Era hora de nascer.
1. Erasmo Carlos – Sou uma Criança, Não Entendo Nada
2. Neil Young – Walk On
3. Kiss – Nothin’ to Lose
4. Lula Côrtes e Zé Ramalho – Harpa dos Ares
5. Gene Clark – The True One
6. Leonard Cohen – Who by Fire
7. Zé Rodrix – Um Rock pras Futuras Gerações
8. New York Dolls – Puss ‘n Boots
9. Big Star – September Gurls
10. Raul Seixas – O Trem das 7
11. Linda Ronstadt – When Will I Be Loved?
12. Brian Eno – Taking Tiger Mountain
13. Secos & Molhados – Flores Astrais
14. Flaviola e o Bando do Sol – Palavras
15. Elton John – The Bitch Is Back
16. John Lennon – Whatever Gets You Thru the NIght
17. Ednardo – A Palo Seco
18. The Raspberries – Overnight Sensation
19. John Cale – Fear Is a Man’s Best Friend
20. Kraftwerk – Morgenspaziergang
21. Chico Buarque – O Filho que Eu Quero Ter
Essa fez parte de outro projeto, o Poplist vê a história da música. Como o link da coletânea estava fora do ar, aproveitei pra subir aqui também.
Vocês vão notar a predominância de bandas gaúchas entre as nacionais selecionadas. Mas é que faz sentido, ainda mais em se tratando de 1987. Na prática, o ano acabou aos 33 do segundo tempo daquele jogo do dia 2 de dezembro, quando o Ailton roubou a bola no meio e esticou pra ele. “Um último esforço”, gritou Galvão, e lá foi ele, driblando zagueiro, goleiro, empurrando pro fundo do gol e correndo, com o dedo indicador sobre os lábios, em direção à torcida que lotava o Mineirão, mas, principalmente, a Telê Santana. Duma vez só, Renato consagrou a comemoração “cala-boca” e terminou a pendenga que o técnico iniciara em 1986.
O ano acabou porque todo mundo sabia que passar pelo Inter seria mera formalidade. E foi, com mais dois do Bebeto. O último título de Zico com a camisa do Mais Querido. Foi quando o time assumiu uma liderança isolada no número de títulos brasileiros que manteve por 20 anos, até que passou a ter companhia. O engraçado é que a vaga nas semifinais foi conquistada com um desempenho sensacional dEle contra o Santa Cruz, quando fez três gols. E, lá no comecinho do ano, o Flamengo perdera, nessa ordem, para Santa Cruz e Atlético-MG.
O Flamengo tetra-campeão não foi escolhido à toa pra ilustrar o volume We Don’t Serve Your King. Afinal, se o nome da coletânea fala em desobedecer e está relacionado a 1987, não há como esquecer o time que representa a negação do Clube dos 13 em seguir a ordem maluca da CBF sobre um torneio que não soube organizar. Até hoje querem tirar do Flamengo um campeonato brasileiro que certamente ganharíamos se fôssemos jogar com Sport e Guarani; mas quem conhece a história do futebol brasileiro sabe o quanto foi importante a negativa.
1. The Dead Heart – Midnight Oil
2. New Direction – Echo and the Bunnymen
3. Show me the Way – Dinosaur Jr
4. A Revolta dos Dândis II – Engenheiros do Hawaii
5. You’re Gonna Get Yours – Public Enemy
6. Good Times – Hoodoo Gurus
7. Just Like Heaven – The Cure
8. Son of a Gun – Vaselines
9. V.C.D.M.S.A – Ratos de Porão
10. Downtown – The Justified Ancients of Mu Mu
11. You Make My Head Explode – Groovy Little Numbers
12. Stop Killing Me – Primitives
13. Sodomia – De Falla
14. Always on My Mind – Pet SHop Boys
15. Sally Cinnamon – Stone Roses
16. Menstruada – Os Cascavelletes
17. Tiny Daggers – INXS
18. Once Upon a Long Ago – Paul McCartney
19. Sad as Sunday – The Rosehips
20. About You – The Jesus and Mary Chain
Foi também em 1987 que a Ana Paula Padrão começou na Globo, que Fellini fez “Entrevista”, que a Microsoft lançou o Excel, que a Taís Totti nasceu, que Reagan e Oliver North insistiram que “não lembravam” de nada sobre o escândalo de repassar aos contras da Nicarágua o dinheiro da venda de armas pro Irã, que o Bresser assumiu no lugar do Funaro. Morreram Rita Hayworth, Fred Astaire, Clementina de Jesus, Andres Segovia (desse o meu professor de violão clássico havia falado, naquele mesmo ano, e me emprestou fitas para ouvir), John Houston, Gilberto Freyre, mas também o Rudolf Hess e o Golbery. E o Carlos Drummond de Andrade, que, meses antes escreveu seu último poema: “Elegia a um tucano morto”. Ah, se ele soubesse.
Em 1987 o Cure e o Echo vieram ao Brasil pela primeira vez. “Daqui a pouco tu não liga mais pra esse pessoal”, disse minha mãe, frustrando minha insistência em ir com a excursão pro show dos caras em Porto Alegre (olha a gauchada de novo). Pro Echo eu nem tentei, mas fiquei impressionadíssimo com aquele show que a TV Manchete transmitiu. Foi quando me empolguei em ir mais a sério atrás de Doors, Stones, Leonard Cohen, David Bowie e Wilson Pickett: metade foi coverizada no show, metade citada na entrevista do Ian McCulloch, feita pela Milena Ciribelli, então novinha, novinha. Com o tempo, o famoso show do Canecão do Echo em 1987 ganhou reputação quase mítica e eu sempre soube por que. Continua sendo meu “show em que iria se tivesse uma máquina do tempo”.
Foi também quando larguei de usar meus óculos de 0.25 grau. E quando pela primeira vez tive aula de matemática com o prof Pedro Ivo, com seu bordão “deu pra entender?”, mas só no segundo semestre. No primeiro era o Totonho, figuraça. Foi também em 1987 que o time formado por Cachaça, Alysson e Fábio (Mutley surgiu também naquele ano, mas nas férias de julho e, até 1991, apenas nos limites do Doze de Jurerê) estabeleceu o recorde do TORNEIO INTELECTUAL das Olimpíadas do colégio. Mesmo assim, continuamos lamentando o vice no futebol de campo.
O título Deu Pra Entender?, do outro volume (não tem ordem de primeiro e segundo), homenageia, claro, o Pedro. Mas também a doideira daqueles tempos, protagonizada, entre outros, pelo senhor da capa.
1. Red Hot Chili Peppers – Fight Like a Brave
2. Replicantes – Astronauta
3. Sonic Youth – Schizophrenia
4. Bodines – Skankin Queens
5. Ultraje a Rigor – Sexo
6. Prince – I Could Never Take the Place of Your Man
7. The Weather Prophets – She Comes From the Rain
8. M/A/R/R/S – Pump Up the Volume
9. The Pastels – Crawl Babies
10. Lobão – Chorando no Campo
11. Noel – Silent Morning
12. The Smiths – Girlfriend in a Coma
13. Talulah Gosh – The Girl with the Strawberry Hair
14. New Order – True Faith
15. Fellini – Teu Inglês
16. TNT – Estou na Mão
17. Pixies – The Holiday Song
18. REM – It’s the End of the World as We Know It (and I Feel Fine)
19. My Bloody Valentine – Never Say Goodbye
Showzinho dia 6 de fevereiro. É um sábado, mas, ó, o lance do horário é a sério. É que lá no Deluxe só pode rolar som alto no máximo do máximo do máximo até 22h.