Matinê da alegria

January 24th, 2010

Showzinho dia 6 de fevereiro. É um sábado, mas, ó, o lance do horário é a sério. É que lá no Deluxe só pode rolar som alto no máximo do máximo do máximo até 22h.

E o cartaz é da Dani.

They give you this, but you pay for that

January 10th, 2010

Neil Young, Devo e uma versão amalucada (a original, na real) de “Hey Hey My My”

OPEN UP YA 2010

January 8th, 2010

E segue o  verão. Na real, só pra não ficar sem mexer em nada por aqui enquanto o lance tá corridão:

Os Grandes Hits dos anos 00: parte 5

December 23rd, 2009

Vocês devem ter reparado, no primeiro texto, no acordo entre o Mundo Real e a Tico-ticolândia. Sabem o que é? É outro jeito de dizer que, com todo o respeito às pistas de dança do salão paroquial de Umuarama ou aos radinhos de Presidente Getúlio, se a gente quisesse realmente saber o que mais tocou nesse Brasilzão nos últimos 10 anos, a gente contaria o número de ocorrências no Google ou YouTube, consultaria o Ibope, o Gallup ou sei lá o que. Quando a gente fala de hit aqui, refere-se àquela música que fala às estranhas e pega nas ventas. A gente fala da vocação de hit. De música maneiraça.

Feita a ressalva, chegamos, então, aos 40 MAIORES HITAÇOS DOS ANOS 00 , nesse post e no seguinte, ali embaixo. Ia rolar também um comentário faixa a faixa, mas putz, essas músicas falam por si. Que zeroanove. E, sim, sabemos que há uma certa intrepidez em colocar “Brothersport” antes de “Crazy”. Mas é pra vocês verem.

1. All My Friends – LCD Soundsystem
2. Poor Places – Wilco
3. Toxic – Britney Spears
4. Hey Ya! – OutKast
5. Last Nite – Strokes
6. Tennessee – Silver Jews
7. Move Your Feet – Junior Senior
8. Workingman’s Blues #2 – Bob Dylan
9. White Winter Hymnal – Fleet Foxes
10. Brothersport – Animal Collective
11. Crazy – Gnarls Barkley
12. Seven Nation Army – White Stripes
13. Maps – Yeah Yeah Yeahs
14. Do You Realize?? – Flaming Lips
15. Rehab – Amy Winehouse
16. Take Me Out – Franz Ferdinand
17. Grace – Supergrass
18. The Man Comes Around – Johnny Cash
19. Dress Sexy at My Funeral – Smog
20. Kids – MGMT

Os Grandes Hits dos anos 00: parte 4

December 23rd, 2009

21. If I Never See You Again – Teenage Fanclub
22. Ready for the Floor – Hot Chip
23. Ocean Side – Decemberists
24. Idioteque – Radiohead
25. Hate to Say I Told You So – Hives
26. It Hurts to See You Dance So Well – Pipettes
27. Foundations – Kate Nash
28. Twee – Tullycraft
29. Wanderlust King – Gogol Bordello
30. Doing All the Things That Wouldn’t Make Your Parents Proud – The Pains of Being Pure at Heart
31. Fluorescent Adolescent – Arctic Monkeys
32. Where Is the Love – Black Eyed Peas
33. We’re From Barcelona – I’m From Barcelona
34. Santa Cruz – Thrills
35. The Reeling (Calvin Harris Remix) – Passion Pit
36. Real Slim Shady – Eminem
37. Young Folks – Peter, Bjorn & John
38. Great DJ – Ting Tings
39. Dog Days Are Over – Florence and the Machine
40. Clusterfuck – Manhattan Love Suicides

Os Grandes Hits dos anos 00: parte 3

December 22nd, 2009

Quanto a Michael Corleone, ele se viu de repente em pé, o coração batendo-lhe no peito; sentiu uma pequena tonteira. O sangue circulava aceleradamente através de seu corpo, através de todas as suas extremidades, e se chocava nas pontas dos dedos das mãos e dos pés. Todos os perfumes da ilha chegaram-lhe precipitadamente com o vento, o cheiro das florescências de limão e laranja, das uvas, das flores. Parecia que seu próprio corpo tinha saltado para fora dele mesmo. E então ele ouviu os dois pastores rirem.
- Você foi atingido pelo raio, hem? – perguntou Fabrizzio, batendo-lhe no ombro.

O Chefão, de Mario Puzo. Tradução de Carlos Nayfeld.

41. Murder on the Dance Floor – Sophie Ellis-Bextor
42. Island in the Sun – Weezer
43. The Greatest – Cat Power
44. No One Knows – Queens of the Stone Age
45. Free – Donavon Frankenreiter
46. Grace Kelly – Mika
47. Country Girl – Primal Scream
48. Energy – Apples in Stereo
49. Warm Heart of Africa – Very Best
50. Sexyback – Justin Timberlake
51. Tenderoni (MSTRKRFT remix) – Chromeo
52. That Great Love Sounds – Raveonettes
53. Not Fair – Lily Allen
54. D.A.N.C.E. – Justice
55. 99 Problems – Jay-Z
56. The Crystal Lake – Grandaddy
57. Don’t Worry – I Wayne
58. Fa Fa Fa – Datarock
59. First of the Gang to Die – Morrissey
60. Don’t Feel Like Dancing – Scissor Sisters

Os Grandes Hits dos anos 00: parte 2

December 22nd, 2009

61. Hung Up – Madonna
62. The Satisfier – Eli “Paperboy” Reed
63. One More Time – Daft Punk
64. We Are Your Friends – Simian vs Justice
65. Destroy Everything You Touch – Ladytron
66. Former Hero – Heikki
67. Mollys Chambers – Kings of Leon
68. Take Time – Masters of the Hemisphere
69. Put Your Records On – Corinne Bailey Rae
70. Young Bride – Midlake
71. Run Chicken Run – Felice Brothers
72. Another Sunny Day – Belle and Sebastian
73. Summerfling – kd Lang
74. Bad Kids – Black Lips
75. Heimdalsgate Like A Promethea – Of Montreal
76. Cape Cod Kwassa Kwassa – Vampire Weekend
77. Two Weeks – Grizzly Bear
78. Single Ladies – Beyoncé
79. Rise Up With Fists – Jenny Lewis & the Watson Twins
80. Time for Heroes – Libertines

Os Grandes Hits dos anos 00: parte 1

December 21st, 2009

Alguém ainda lembra daqueles anos que marcaram o fim do século XX e o início do XXI? Uma época maluca, que começou com um sociólogo na presidência do Brasil e um saxofonista na dos Estados Unidos, em que atacantes chegaram ao fundo do poço e tiveram retornos operáticos e tremas freqüentavam o topo de nossos Us. Gigantes caminhavam nesse planeta, ainda que às vezes de costas, naquele passo conhecido como moonwalk. Uma época tão maluca, de fato, que terminou ressuscitando o mais improvável dos conceitos: o de disco do ano, por mais que resmungue o fã-clube às avessas do Animal Collective.

Quando o Instituto Mundial de Hits e Musicaças se propôs a escolher os 100 maiores hits dos anos 00, já sabia que às vezes seria preciso cortar na própria carne e preciosidades ficariam de fora. Sabia também que a escolha seria dolorosa, mesmo com a decisão de limitar as participações a uma por artista. Há relatos de delegados que saíram em prantos após a assembleia que definiu se os Yeah Yeah Yeahs seriam representador por “Maps”, “Y Control” ou “Zero”.

O que ajudou a aliviar a tensão logo no início foi a aceitação, pela delegação do Mundo Real, de que Interpol e Bloc Party não dá mesmo para encarar. Seria contraprodutivo, em um momento tão especial quanto esse, ponderou-se, desperdiçar energia com questiúnculas dessa superficialidade. O anúncio tranquilizou os representantes da Tico-ticolândia e sinalizou um debate franco e colaborativo, cujo resultado começa a ser publicado hoje, em séries diárias de hits.

81. Stillness is the Move – Dirty Projectors
82. Stand Up Tall – Dizzee Rascal
83. Steady as She Goes – Raconteurs
84. Paper Planes – M.I.A.
85. Umbrella – Rihanna
86. Dashboard – Modest Mouse
87. Can’t Get You Out of My Head – Kylie Minogue
88. Are You Gonna Be My Girl – Jet
89. The Underdog – Spoon
90. Mushaboom – Feist
91. Clint Eastwood – Gorillaz
92. I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance With You (Twelves Remix) – Black Kids
93. Your Easy Love Ain’t Pleasin – Mayer Hawthorne
94. Abbi – Flamboyant Bella
95. Stacy’s Mom – Fountains of Wayne
96. Red & Purple – Dodos
97. Lisztomania – Phoenix
98. Standing in the Way of Control – Gossip
99. I Kissed a Girl – Katy Perry
100. Neighborhood #1 (Tunnels) – Arcade Fire

Baile da saudade

December 9th, 2009

Na última vez que o São Paulo foi campeão

- O Michael Jackson ainda estava vivo
- Animal Collective nunca tinha feito o hit de um verão
- Os Estados Unidos nunca tinham tido um presidente negro
- O Radiohead nunca tinha tocado no Brasil
- Não existia iPod com rádio
- Felipe Massa nunca tinha sido atingido por uma mola
- O Pavement nem falava em voltar
- Lula nunca tinha recebido um líder de governo iraniano
- Gugu Liberato trabalhava no SBT
- Os Beatles não tinham videogame
- Washington era nome de jogador do Fluminense
- E a torcida do Fluminense não fazia mosaico
- E o Cuca nunca tinha sido campeão de nada
- Ainda podia ter fumódromo nos bares de São Paulo
- Ninguém sabia quem era Theo Becker
- Nunca tinha rolado apagão no governo Lula
- Lombardi ainda estava vivo
- A Xuxa nem tinha começado a ter twitter
- A Record não tinha portal
- Pedro nunca tinha roubado chip de ninguém
- O buscador da Microsoft ainda era o Live Search
- O presidente Lula não protagonizara nenhum filme no cinema

Se mais alguém ainda lembra dessas priscas eras ou conhece alguém velho o suficiente para ter memórias daqueles tempos loucos, por favor, deixe seu testemunho. Ou documento histórico.

“É só uma questão de mudar a cultura”

November 10th, 2009

  

"vamos aproveitar enquanto a patrulha não chega"

"vamos aproveitar enquanto a patrulha não chega"

Não sou fumante, nunca fui. Mas, mesmo assim, volta e meia chego em casa fedendo a cigarro, basicamente quando saio à noite. Detesto, acho horroroso. E aí que, faz umas duas semanas, aprovaram em Floripa a lei anti-fumo, aparentemente uma das mais radicais do Brasil. Entra em vigor 90 dias após a aprovação, ou seja, daqui a uns dois meses e meio. É quando, então, vou poder sair e chegar em casa sem cheiro de cigarro, certo? 

 

Errado. Bem pelo contrário. Em primeiro lugar, eu já posso fazer isso. É só escolher um  lugar onde, por iniciativa dos proprietários, já não se pode fumar. Quem não quer a fedentina vai a esses. Quem não se importa frequenta os outros. Simples e democrático, né? E “poder” implica em escolha, portanto, o problema é mais grave do que “eu já posso”. Além disso, eu não vou poder mais, porque não será uma opção, será uma imposição. Sei muito bem que o problema do cigarro não é só o cheiro desagradável. Dá câncer, impotência, 546.876 tipos diferentes de doenças pulmonares, é pecado, etcetera, etcetera. O pessoal que se mobilizou a favor da lei anti-fumo parece bem organizado; fez até um twitter para lembrar alguns dos males do fumo.

 

TEM LUGAR PRA TODO MUNDO

 

Tá todo mundo avisado. Fuma quem quer, vai a esses lugares esfumaçados quem quer.

 

Mas não. Esse pessoal quer ir aonde estão os fumantes e quer que lá não se fume mais. Faz sentido; descendemos de europeus que chegaram aqui na América cagando regra sobre como as pessoas deveriam observar os costumes deles lá e dando uma escravizada em todo mundo. Mas aqueles eram outros tempos e achei que esse tipo de coisa hoje em dia pegasse mal.

 

O vereador Gean Loureiro, que propôs a lei, explica que 90% da população não curte esses ambientes impregnados. É de se supor, então, que um lugar onde o dono permita o fumo sofrerá o pior revés que a freguesia pode impor a um dono de bar: ficará às moscas. E, por conta disso, todo mundo criará lugares para não-fumantes.

 

Aí a situação se inverteria. Os fumantes que quisessem ir a esses lugares que tratassem de aguentar a onda, do mesmo jeito que eu aguento ir para lugares onde se fuma. Teríamos quatro categorias em relação a isso: os fumantes que se sacrificam, os fumantes que não se sacrificam, os não-fumantes que se sacrificam e os não-fumantes que não se sacrificam. Cada um onde achar melhor. Simples e democrático, né?

 

Só que liberdade é sempre complicado, não sei bem por que, deixa o pessoal meio nervoso. “Eu não gosto do que ele está fazendo, tem que proibir”. Então, se 90% da população gostassem da mesma música que eu e eu quisesse ir a outros lugares, ia ser tranqüilo aprovar uma lei para obrigá-los a tocar a minha música preferida? E, sim, de novo, eu sei muito bem que estilos musicais não são a mesma coisa que câncer, mas cada um tem o direito de decidir a que coisas quer se submeter. Ou pelo menos deveria ter.

 

SEMPRE CABE MAIS UMA PROIBIÇÃO

 

Tudo isso apenas do ponto de vista do cliente. Não consigo nem começar a falar sobre o tamanho do absurdo de proibir um comerciante de decidir o que a freguesia, dentro das leis, pode ou não fazer em seu estabelecimento.

 

Eu ia dizer que não dá para comparar cigarro com drogas ou bebida ao volante, porque, afinal, ainda não é proibido. Mas acho melhor não dar ideia. E, de qualquer modo, a luta nunca termina, há várias outras coisas “que fazem mal” para o pessoal proibir: ir dormir depois das 22h, beber refrigerante, pegar sol das 10h às 15h, misturar manga com leite. Aliás, estatísticas garantem que 100% dos viciados em heroína já beberam leite na durante a vida e que quase todos os usuários de crack costumavam pegar sol do meio-dia antes de cair no vício.

 

Mas tenho para mim que as comidas gordurosas serão o próximo objetivo do fascismo da saúde. Citarão números sobre os gastos do sistema de saúde com doenças relacionadas à obesidade (o pessoal adora esbravejar sobre “o dinheiro dos meus impostos”; só eles pagam imposto, aparentemente) e daqui a pouco, pronto, não pode mais comer torresminho. Quer dizer, no começo até pode, mas, pela analogia com a lei anti-fumo, só em casa ou lugares específicos para isso, onde não poderá ser acompanhado por uma cervejinha.

 

Não é engraçado. É uma questão de liberdade pessoal. Isso é sério.

 

PS: Não sou amigo pessoal do Gean, mas conheço-o pessoalmente (ele estudava no colégio com vários amigos meus) e tenho-o em boa conta. Assim como tenho certeza de que o pessoal do movimento anti-fumo está com as melhores intenções do mundo e aposto que nenhum deles é fascista. Mas a lei é.

"com o tempo, o pessoal acostuma"

PS 2: A foto e a legenda não foram ideia minha, eu copiei do Gas. Acho que ele não vai se importar